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Trump afirma que Irã está 'se acalmando' e que vai impor novas sanções

Horas depois dos ataques que atingiram duas bases com militares americanos no Iraque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, baixou o tom na retórica que vinha fazendo.

09/01/2020 09:02h - Atualizado em 09/01/2020 09:07h

Horas depois dos ataques que atingiram duas bases com militares americanos no Iraque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, baixou o tom na retórica que vinha fazendo crescer rapidamente as tensões entre Washington e Teerã nos últimos dias.

Em um pronunciamento na Casa Branca, ele disse que o Irã está "se acalmando, o que é uma coisa boa para todos as partes envolvidas e para o mundo" e que os Estados Unidos não precisam necessariamente dar uma resposta militar. "O fato de termos esse excelente equipamento militar não significa que precisamos usá-lo. Não queremos usá-lo."

O presidente americano reiterou que vai impor novas sanções contra o Irã em breve e que a pressão econômica é a melhor arma do seu país. "A força americana, tanto militar quanto econômica, é o melhor impedimento."

Em um discurso de cerca de dez minutos, cercado pela cúpula militar dos EUA e ao lado do vice-presidente, Mike Pence, Trump confirmou que nenhum americano ou soldado aliado foi ferido nos ataques da madrugada desta quarta.

"O Irã tem sido um grande patrocinador do terrorismo. Nunca deixaremos isso acontecer", afirmou.

A fala do presidente deixou para trás as ameaças que ele mesmo tinha feito, no sábado (4), de atingir alvos históricos e culturais no Irã. No domingo (5), Trump reafirmou o direito de "contra-atacar rápida e completamente, e talvez de maneira desproporcional", caso o Irã atingisse qualquer pessoa ou alvo americano.

Mas o americano voltou a dizer que não permitirá que o Irã tenha acesso a armas nucleares e que os dois países deveriam trabalhar juntos em assuntos prioritários, como a luta contra o Estado Islâmico. "Os EUA estão prontos para abraçar a paz com todos que a busquem."

Donald Trump falou também que pedirá à Otan (aliança militar liderada por Washington) para ampliar sua presença no Oriente Médio. E acrescentou que Inglaterra, França, Alemanha, Rússia e China devem reconhecer que o acordo nuclear assinado com o Irã em 2015, durante o governo de Barack Obama, não vale mais e que é preciso unir forças com os EUA para negociar um documento substituto para brecar as ambições nucleares iranianas.

"Devemos trabalhar todos juntos por um acordo com o Irã que faça do mundo um lugar mais seguro e mais pacífico."

Pelo acordo de 2015, Teerã tinha se comprometido a reduzir sua capacidade nuclear em troca do alívio de sanções econômicas. Mas o acerto ficou por um fio depois que os EUA se retiraram dele em 2018 e que, no domingo (5), o Irã disse que se considera livre para desrespeitar os limites combinados.


Trump afirma que Irã está 'se acalmando' e que vai impor novas sanções. Reprodução

Em resposta ao discurso do republicano nesta quarta, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, anunciou que vai colocar em votação já nesta quinta (9) um projeto que limita os poderes do presidente para ordenar ataques contra outros países.

A medida obriga ainda Trump a pedir autorização ao Congresso para realizar ações militares contra o Irã. Embora o projeto tenha apoio expressivo entre democratas (que são maioria na Câmara), ele deve ser rejeitado pelo Senado, de maioria republicana.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fez uma live numa rede social durante o pronunciamento de Donald Trump. Ele apareceu sentado de frente para uma televisão ligada no canal Globo News, que transmitia a fala do americano.

Quando Trump encerrou sua fala, Bolsonaro se dirigiu à câmera e disse que "temos que seguir as nossas leis, nós não podemos extrapolar". "Mas acredito que a verdade tem que fazer parte do nosso dia a dia porque nós queremos paz no mundo."

Ele citou duas vezes que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Irã durante seu governo e, segundo ele, defendeu "que aquele regime pudesse enriquecer urânio acima de 20%, que seria para fim pacífico".

O pronunciamento de Trump é uma resposta a um grande ataque com mísseis realizado pelo Irã na madrugada desta quarta-feira (8) contra duas bases iraquianas que abrigam militares americanos.

A ofensiva iraniana, por sua vez, foi uma retaliação pela morte do chefe da força de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, Qassim Suleimani, por um drone americano em Bagdá na última sexta (3).

Suleimani era considerado a segunda pessoa mais importante do Irã, atrás apenas do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Desde então, as tensões entre os dois países sofreram uma forte escalada, com ameaças dos dois lados.

Em seu discurso nesta quarta, Trump chamou o general de "maior terrorista do mundo".

Horas depois do ataque desta quarta, o governo iraniano celebrou a operação, cujos detalhes vão sendo conhecidos aos poucos.

O aiatolá Khamenei disse em discurso na TV que o ataque foi um "tapa na cara" dos Estados Unidos. "O que importa é que a presença corrupta dos Estados Unidos nesta região tem que terminar."

Khamenei já havia pedido vingança implacável pela morte de Suleimani.

Os alvos foram a base aérea de Ain al Assad, no oeste do país, e uma base próxima ao aeroporto de Erbil, quarta maior cidade do Iraque e capital da região autônoma do Curdistão, no norte.

Tanto os Estados Unidos quanto o Iraque dizem que os ataques não deixaram vítimas.

A TV estatal iraniana disse que 80 militares americanos morreram, citando uma fonte da Guarda Revolucionária, divisão responsável pela operação. Informou também que teria havido grande perda de equipamentos militares, como helicópteros.

O presidente do Irã, Hasan Rowhani, disse que a resposta final do país à morte de Suleimani será a expulsão de todas as forças dos EUA da região. "O general Suleimani lutou heroicamente contra o Estado Islâmico e a Al Qaeda. Se não fosse por sua guerra ao terror, capitais europeias estariam em grande perigo agora", publicou em uma rede social.

O governo iraquiano revelou nesta quarta que foi informado pelo Irã de que haveria um ataque iminente contra bases em seu território.

"Recebemos uma mensagem verbal oficial do Irã de que a resposta ao assassinato de Qassim Suleimani tinha começado ou ia começar em instantes, e que o ataque seria limitado aos locais onde estão instaladas as forças dos Estados Unidos, sem precisar os locais", disse um comunicado do gabinete do premiê Adel Abdul Mahdi.

Já na madrugada desta quinta (9, noite de quarta no Brasil), ao menos dois foguetes foram disparados contra a zona verde de Bagdá, a região de segurança máxima da capital iraquiana. Os dois projéteis caíram a cerca de cem metros da embaixada americana, mas ninguém ficou ferido na ação.

O disparo desse tipo de armamento, em geral feito por milícias locais, é relativamente comum -no sábado e no domingo aconteceram ações parecidas, também sem deixar feridos.

O primeiro-ministro da região do Curdistão no Iraque, Masrour Barzani, disse em um post em uma rede social que falou por telefone Mike Pompeo e que sugeriu maneiras de diminuir a escalada e conter a situação.

Já o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, advertiu o Irã, que dará uma resposta "retumbante", caso seu país seja atacado.

No domingo, uma autoridade iraniana havia ameaçado transformar cidades israelenses em "pó", "se os Estados Unidos reagirem à resposta militar" iraniana.

Netanyahu classificou Suleimani de "chefe terrorista" e de "arquiteto da campanha de terror" no Oriente Médio.

O premiê israelense, que considera o Irã o principal inimigo de Israel, manifestou solidariedade aos Estados Unidos, em uma entrevista coletiva em Jerusalém, na presença do embaixador americano em Israel, David Friedman.

​A base aérea atingida em Ain al Assad fica na província de Anbar, a cerca de 200 km de Bagdá. É um centro das operações americanas no oeste do país há vários anos. Foi construída em 2017, como parte da campanha dos EUA contra o Estado Islâmico -à época, abrigava cerca de 500 militares e civis americanos.

Uma parte dos soldados partiu após a derrota do Estado Islâmico, no ano passado, mas ainda assim o local é significativo. Em dezembro de 2018, Trump visitou de surpresa as instalações -foi a primeira vez que o republicano visitou tropas estacionadas em uma zona de combate.

Já a base de Erbil é um centro de operações usado por helicópteros e aviões como base para operações no norte do Iraque e Síria.

Após o ataque, o Pentágono afirmou que tomaria todas as medidas necessárias para proteger os soldados e civis na região. Mais de 5.000 soldados dos EUA permanecem no país, com outras forças estrangeiras, como parte de uma coalizão que treinou e apoiou as forças de segurança iraquianas contra a ameaça de militantes do Estado Islâmico.

Em um comunicado, a agência de aviação americana proibiu aviões de passageiros de voarem sobre o Iraque, o Irã e o Golfo Pérsico.

Mais cedo na terça, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, disse que os Estados Unidos deveriam antecipar a retaliação do Irã pelo assassinato de Suleimani.

"Acho que devemos esperar que eles retaliem de alguma forma", disse Esper no Pentágono. "Estamos preparados para qualquer contingência. E então responderemos adequadamente ao que eles fizerem."

Também nesta terça, uma importante autoridade iraniana disse que Teerã estava considerando vários cenários para vingar a morte de Suleimani. "Vamos nos vingar, uma vingança dura e definitiva", disse o chefe da Guarda Revolucionária, general Hosein Salami, às multidões que lotavam as ruas para o funeral de Suleimani em Kerman.

O Parlamento do Irã aprovou na terça uma lei que designa as Forças Armadas dos Estados Unidos como "terroristas", ao passo em que a Guarda Revolucionária pediu a retirada total do Exército americano do país. ​

Autoridades dos EUA disseram que Suleimani foi morto por causa da inteligência sólida, indicando que as forças sob seu comando planejavam ataques a alvos americanos na região, embora não tenham fornecido provas.

Fonte: Folhapress

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