Suspensão da venda da carne pode se estender a outros países

Ministro da Agricultura afirmou que entre 10 e 15 toneladas de carne que estão a caminho dos EUA deverão retornar ao Brasil. Ele pretende antecipar para a próxima semana viagem ao país.

23/06/2017 13:22h

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O ministro Blairo Maggi (PP) disse nesta sexta-feira (23), em Cuiabá, que a suspensão da compra da carne bovina fresca brasileira anunciada pelos Estados Unidos pode ser estendida para outros países caso o problema não seja resolvido de forma rápida. O Brasil havia conseguido autorização para exportar esse produtos aos americanos em julho do ano passado, depois de 17 anos de negociações.

"Os Estados Unidos são guias para muitos países, especialmente os pequenos da América Central. Se os Estados Unidos autorizam a entrada de um produto, esses outros países também autorizam. E se barra a entrada, é a mesma coisa. Faz parte da regra. O Brasil pode perder muito se essa situação não conseguir ser resolvida rapidamente", disse Maggi.

Os Estados Unidos suspenderam temporariamente a importação por questões relacionadas ao preparo e limpeza da carne. "Eles têm reclamado do aparecimento de abcessos. Isso é proveniente da vacinação contra a febre aftosa no Brasil, cuja aplicação pode provocar isso se não for feita no local correto. O problema vai ser resolvido nos frigoríficos, com a limpeza das carnes antes da exportação".


Ministro da Agricultura, Blairo Maggi (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Atualmente há uma carga estimada entre 10 e 15 mil toneladas de carne em trânsito para os Estados Unidos, por meio de navios, que poderá ser barrada. Isso provocaria prejuízo estimado de US$ 90 milhões. "Se não resolvermos a situação essa carne deverá voltar", disse o ministro.

Maggi disse que foi pego de surpresa pelo decisão do governo americano, já que o Brasil havia vetado a venda da carne in natura em cinco frigoríficos que estavam apresentando problemas, mas ponderou que esse tipo de suspensão temporária é pontual e "normal" dentro do sistema de comércio internacional de alimentos, "especialmente de origem animal".

O ministro falou que pretende antecipar para semana que vem uma reunião com o Departamento de Agricultura americano que estava marcada para o dia 13 de julho, a fim de tentar resolver o impasse e minimizar os prejuízos financeiros.

O ministro afirmou ainda que a suspensão da exportação pode ter sido provocada por pressão dos produtores dos Estados Unidos, a fim de não perderem marcado, e como reflexos da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, e da presença da JBS em solo americano. "Estamos sendo penalizados pela desconfiança gerada no Brasil. Se não há confiança aqui, imagine para os importadores?", questionou.

Providências

O Ministério da Agricultura deverá apurar se o aparecimento dos abcessos ocorre pela má utilização da vacina contra a febre aftosa e ou se foi provocado pelo veículo usado para levar a vacina ao animal. A pasta estava trabalhando, havia cerca de um mês, em como deve ser feita a fiscalização por parte dos responsáveis e como deve ser enviada a carne para exportação.

"Estamos estudando instrução normativa para a hora do abate e do preparo da carcaça na hora de mandar aos Estados Unidos", disse Maggi.

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Fonte: G1

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