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Governo busca elos de militar que levou droga em jato da FAB

A detenção do sargento se deu após ele deixar o avião, quando passava pelo controle aduaneiro do aeroporto, segundo a imprensa espanhola.

27/06/2019 08:09h - Atualizado em 27/06/2019 10:46h

Um militar da equipe de apoio à comitiva do presidente Jair Bolsonaro foi preso com 39 kg de cocaína em Sevilha, na Espanha, na terça (25).

O episódio submeteu o governo a constrangimento internacional, provocou desconforto no Planalto e pôs em dúvida o aparato de segurança de viagens do presidente.

O segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, 38, foi detido durante uma escala do avião que levava parte dos militares que dão suporte à missão presidencial no encontro do G-20, em Osaka, no Japão.

Após a prisão, a escala da aeronave de Bolsonaro, programada para a cidade espanhola, foi transferida para Lisboa nesta quarta (25). Em mensagem em rede social, o presidente disse ser "inaceitável" o comportamento do militar.

A detenção do sargento se deu após ele deixar o avião, quando passava pelo controle aduaneiro do aeroporto, segundo a imprensa espanhola.

O jornal El País afirmou que Rodrigues levava um porta-terno e uma mala pequena com 37 pacotes sem camuflagem. Cada um continha pouco mais de 1 kg da droga.

Ele responderá por crime contra a saúde pública, tipo penal que engloba os casos de narcotráfico na Espanha. As autoridades do país apuram agora o destino da droga. Suspeita-se que o sargento faria a entrega para uma máfia dentro do país.

O vice-presidente Hamilton Mourão, que exerce interinamente as funções de Bolsonaro, chamou o sargento de "mula qualificada". Segundo ele, o militar era taifeiro (prestador de serviços de copa) e atuaria no avião com Bolsonaro no trecho de retorno entre Sevilha e o Brasil, previsto para o fim de semana, após a cúpula.

"É óbvio que, pela quantidade de droga que o cara estava levando, ele não comprou na esquina e levou, né? Ele estava trabalhando como mula. Uma mula qualificada, vamos colocar assim", disse Mourão.

O vice-presidente afirmou que as Forças Armadas não estão imunes a crimes desse tipo. "A legislação vai cumprir o seu papel. Esse elemento vai ser julgado por tráfico internacional de drogas e vai ter uma punição bem pesada", declarou.

Ele ressaltou ser necessário apurar as conexões do sargento. "Uma atitude dessa natureza não brotou da cabeça dele." Horas depois, contudo, Mourão recuou e disse que o sargento não embarcaria no voo do presidente para o Brasil.

Em nota no fim da tarde, o Ministério da Defesa disse que o sargento partiu do Brasil em missão de apoio à viagem presidencial como parte apenas da tripulação que ficaria em Sevilha.

"O militar em questão não integraria, em nenhum momento, a tripulação da aeronave presidencial, uma vez que o retorno da aeronave que transporta o presidente da República não passará por Sevilha, mas por Seattle, Estados Unidos", diz o texto.

A Aeronáutica, por sua vez, emitiu nota na qual "reitera que repudia atos dessa natureza, que dá prioridade para a elucidação do caso e aplicação dos regulamentos cabíveis, bem como colabora com as autoridades". Um inquérito policial militar foi aberto.

O episódio da prisão provocou mal-estar entre auxiliares de Bolsonaro, incluindo o setor inteligência. Para eles, o caso prejudica a imagem do país no exterior e demonstra que tem havido falha na fiscalização das aeronaves de apoio à comitiva presidencial.

Os aviões são de responsabilidade da Força Aérea Brasileira, vinculada à Defesa.

Segundo relatos de integrantes do governo, raramente a tripulação de suporte é submetida a revista policial ou a detectores de metais antes do embarque no Brasil.

Após o ocorrido, auxiliares palacianos têm defendido que as Forças Armadas adotem um procedimento de segurança mais rigoroso.

A cúpula militar aventa que o sargento teria sido pago para levar a droga à Espanha para uma facção criminosa. Sevilha é porta conhecida para a entrada de droga na Europa.

"Apesar de não ter relação com minha equipe, o episódio de ontem, ocorrido na Espanha, é inaceitável. Exigi investigação imediata e punição severa ao responsável pelo material entorpecente encontrado no avião da FAB. Não toleraremos tamanho desrespeito ao nosso país!", afirmou Bolsonaro, em rede social.

SARGENTO FEZ 29 VIAGENS COM 3 PRESIDENTES

O sargento Manoel Silva Rodrigues atuava como comissário em voos presidenciais e de ministros há vários anos. Fez ao menos 29 viagens no Brasil e no exterior entre 2011 e 2019. Acompanhou os três mandatários do período –Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL).

Ele recebe salário bruto de R$ 7.298, segundo o Portal da Transparência, que lista o histórico das viagens.

Em 27 de fevereiro deste ano, estava no séquito de Bolsonaro em viagem de Brasília a São Paulo para exames médicos. Em 24 de maio, fez bate-volta da capital a Recife, acompanhando o presidente.

Ele cumpriu 14 roteiros a serviço do Planalto de 2016 a 2018, sob Temer –incluindo a viagem à Suíça para o Fórum Econômico Mundial, em janeiro de 2018 –e ao menos quatro sob Dilma (um deles, a viagem a Juazeiro do Norte (CE) e Cabrobró (PE) para visitar as obras de transposição do São Francisco).

Em fevereiro deste ano, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, criticou o tráfico de drogas em aviões do governo. "Essa prática é muito recorrente na Venezuela, que é um dos países que o PT sempre apoiou. Portanto, não ficaria surpreso se nós verificarmos aqui no Brasil que essa prática também ocorria aqui", disse, em rede social.

Quem é o militar preso com cocaína que integrava a equipe de viagem do presidente Bolsonaro?

Manoel Silva Rodrigues, 38, é segundo-sargento da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele fazia parte da comitiva de 21 militares que dá suporte à viagem do presidente Jair Bolsonaro, em deslocamento rumo a Tóquio, no Japão, para participar da reunião do G20. O nome do militar preso não foi divulgado.

Como e onde o militar foi preso?

A detenção do sargento ocorreu na terça-feira (25) durante um controle aduaneiro de rotina realizado no aeroporto de Sevilha, no sul da Espanha. Ele estava no avião da FAB, um Embraer 190, do Grupo Especial de Transporte da FAB, que fez uma escala na cidade espanhola.

A droga foi localizada no mesmo avião que transportava o presidente Jair Bolsonaro?

Não. O presidente, que embarcou na noite de terça, não estava na mesma aeronave do sargento.

Como a droga foi localizada?

Segundo a Guarda Civil, força de segurança responsável pelo controle alfandegário na Espanha, os 39 kg de cocaína estavam divididos em 37 pacotes numa maleta. Após a localização da droga, o militar ficou detido no prédio da Guarda, e os demais militares seguiram viagem ao Japão. O caso seria levado à Justiça local nesta quarta (26).

O militar vai responder na Justiça por qual crime?

O sargento deve responder pelo crime de tráfico de drogas. O Código Penal espanhol descreve o delito como crime contra a saúde pública.

O que a polícia espanhola diz sobre o destino da droga?

Investigadores disseram à imprensa espanhola que o destino final da cocaína seria mesmo a Espanha. Ainda não se sabe quem receberia a droga.

A detenção do militar afetou a viagem do presidente Jair Bolsonaro?

Após a prisão do segundo-sargento, o avião do presidente Jair Bolsonaro mudou sua rota de viagem. Ele decolaria de Brasília rumo a Sevilha para, na sequência, seguir viagem ao Japão. No final da noite de terça, a agenda oficial do presidente divulgada no site do Planalto passou a mostra Lisboa, a capital de Portugal, como novo local de escala. A assessoria do presidente não explicou se a mudança da rota ocorreu devido à prisão do militar brasileiro.

Como o presidente Jair Bolsonaro se manifestou sobre o caso?

No Twitter, Bolsonaro disse que foi informado da detenção e determinou ao ministro da Defesa, general de Exército Fernando Azevedo e Silva, "imediata colaboração com a Polícia Espanhola na pronta elucidação dos fatos, cooperando em todas as fases da investigação, bem como instauração de inquérito policial militar".

Bolsonaro disse ainda que as Forças Armadas têm em seu contingente "cerca de 300 mil homens e mulheres formados nos íntegros princípios da ética e da moralidade" e que, caso o envolvimento do militar venha a ser comprovado, que ele seja "julgado e condenado na forma da lei".

Qual o valor de mercado da droga apreendida com o militar?

Segundo dados do Escritório da ONU para Drogas e Crime, 1 kg de cocaína na Espanha, no atacado, custava cerca de US$ 38.600 (R$ 148 mil), o que faria com que o valor dos 39 kg apreendidos fosse de aproximadamente US$ 1,5 milhão (R$ 5,8 milhões).

O que o presidente interino Hamilton Mourão disse?

Hamilton Mourão afirmou que as Forças Armadas não estão imunes ao tráfico de drogas e que o militar preso receberá uma "punição bem pesada". "Agora, o mais importante é ver as conexões que ele [militar] poderia ter, porque uma atitude dessa natureza não brotou da cabeça dele. Com certeza existem conexões nisso aí", ressaltou.

Segundo Mourão, o problema de consumo de drogas entre jovens militares é uma "preocupação constante", o que leva as Forças Armadas a fazer um trabalho de conscientização.

Outros militares já foram presos por tráfico de drogas para a Europa usando aviões da FAB?

Sim. Em 2011, um coronel da reserva foi penalizado com a perda do posto e da patente pelo Superior Tribunal Militar pelo tráfico de cocaína em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Antes, ele já havia sido condenado pela Justiça Federal a 17 anos de prisão.

Outros dois oficiais da Aeronáutica envolvidos no caso foram condenados a 16 anos de reclusão, cada um. Segundo os autos, o coronel integrava uma quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas para a Europa, mediante a utilização de aeronaves da FAB.

O militar foi preso, em flagrante, no dia 19 de abril de 1999, com 32 kg de cocaína, escondidos em malas de viagem, com destino a Las Palmas, nas Ilhas Canárias.

Fonte: Folhapress

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