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Notícias Brasil

20 de maio de 2018

'Gesto obsceno' de casal em Fortaleza termina em confusão

Pessoas envolvidas foram levadas para delegacia, onde foi registrado um termo circunstanciado de ocorrência.

Um bate-boca terminou em confusão envolvendo cerca de 10 pessoas na Praia dos Crush, em Fortaleza, neste sábado (19). De acordo com a Polícia Militar, um grupo se incomodou com atos obscenos de um casal que "trocava carícias íntimas"; algumas pessoas reclamaram, e o casal, ambos guardas municipais de Fortaleza, revidou.

Um vídeo feito por pessoas que estiveram no local mostra o momento em que o guarda municipal joga areia no rosto de uma das mulheres que reclamava do casal. Ela parte pra cima do homem, eles trocam agressões, e em seguida várias pessoas se envolvem na confusão.

A briga foi encerrada quando um policial militar presente no local disparou um tiro de alerta para cima.

Caso de polícia

Briga começou quando homem jogou areia no rosto de mulher (Foto: Reprodução)

Cerca de 10 pessoas foram levadas a delegacia. No local, o homem que aparece no vídeo trocando agressão com uma mulher assinou um termo circunstanciado de ocorrência por lesão corporal e ato obsceno. Uma mulher afirmou aos policiais militares que levou um soco no rosto, mas não sofreu ferimentos graves.

Pessoas que observavam a discussão também partiram pra briga. (Foto: Reprodução)

"Após exame de corpo de delito, foram constatadas lesões leves na vítima de 24 anos e no agente masculino", informou a Polícia Civil do Ceará, por meio de nota.

Mulher foi atingida pelo casal com socos. (Foto: Reprodução)

O homem prestou depoimento na tarde deste sábado junto com a companheira, que também é guarda municipal.

A Guarda Municipal de Fortaleza informou que abriu uma sindicância interna para apurar o caso.

Barco com 25 imigrantes à deriva é resgatado na costa do Maranhão

Grupo estava há 35 dias à deriva no mar. Pescadores do Ceará encontraram o grupo na noite desse sábado (19), em São José de Ribamar (MA).

Uma embarcação com 25 imigrantes à deriva foi resgatada, na noite deste sábado (19), próximo ao município de São José de Ribamar, na Região Metropolitana de São Luís. A informação é da Capitania dos Portos.

Foram encontrados estrangeiros vindos do Senegal, Nigéria e Guiana, além de dois brasileiros, de acordo com a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Maranhão.

Embarcação com imigrantes do Senegal, Nigéria e Guiana foi resgatada à deriva na Baia de São Marcos no Maranhão. (Foto: Divulgação/Governo do Maranhão)

A Polícia Federal investiga se houve crime no transporte dessas pessoas ao país e vai avaliar a situação jurídica delas no Brasil.

Segundo a Capitania dos Portos, os imigrantes estariam há 35 dias à deriva no mar quando foram encontrados por pescadores cearenses, que trouxeram o grupo até o litoral maranhense.

O barco foi rebocado e, ao chegar ao cais de São José de Ribamar, equipes do Corpo de Bombeiros, do Governo do Maranhão e das polícias Federal e Militar recolheram as primeiras informações com os imigrantes.

O grupo recebeu atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Araçagi, em São José de Ribamar. Em seguida, eles foram encaminhados para o Ginásio Costa Rodrigues em São Luís, onde receberam refeições e estão alojados por tempo indeterminado.

Chefe do tráfico é morto em operação das forças de segurança no Rio

Mais seis suspeitos morreram nos confrontos com policiais.

O chefe do tráfico na comunidade do Barão, na Praça Seca, zona oeste do Rio de Janeiro, Sérgio Luiz da Silva Junior, conhecido como Da Russa, foi morto na manhã deste sábado (19), no Complexo do Lins, na zona norte da cidade, durante operação conjunta das Forças Armadas e as polícias Civil e Militar. A ação foi deflagrada na noite de ontem (18). Mais seis suspeitos morreram nos confrontos com policiais.

Um dos traficantes mais procurados da cidade, Da Russa tinha mandado de prisão não só por tráfico de droga, mas também por um possível envolvimento há dois anos no estupro coletivo de uma adolescente. Ele estava na lista de procurados do Disque-Denúncia, que oferecia recompensa de R$ 30 mil a quem fornecesse informações que levassem à sua captura.

Segundo o Comando Militar do Leste, 22 suspeitos foram presos e três menores, apreendidos. Foram recolhidos cinco fuzis, 17 pistolas, duas granadas e radiotransmissores, além de drogas. Barricadas colocadas pelos traficantes para dificultar a chegada da polícia também foram derrubadas.


Policiais aprendem fuzis em operação na zona norte do Rio (Reprodução/Twitter do Gabinete de Intervenção Federal no Rio)

O cerco montado pelas Forças Armadas nas comunidades da Praça Seca levou os traficantes a fugir pela mata para as favelas e morros do Complexo do Lins, na zona norte, onde foram recebidos pelos policiais.

Em entrevista à imprensa, o porta-voz do Comando Integrado de Segurança, coronel Carlos Cinelli, disse que Da Russa morreu ao tentar fugir do cerco montado em decorrência da operação na Praça Seca. “As nossas ações são integradas: ao mesmo tempo em que fazemos a operação aqui na Praça Seca, a Polícia Militar está cercando e bloqueando vias alternativas de fuga desses criminosos, principalmente nas matas aqui do entorno e que vão desembocar exatamente no Complexo do Lins, como aconteceu neste caso”.

Ação integrada

A operação foi deflagrada pelo Comando Conjunto, em apoio à Secretaria de Estado de Segurança, e envolve as comunidades do Bateau Mouche, Caixa D’Água, Chacrinha, Mato Alto, Barão (José Operário), Covanca e Pendura-Saia, todas na região da Praça Seca, na zona oeste.

Participam da ação 2,8 mil militares das Forças Armadas, 300 policiais militares e 240 civis, com apoio de veículos blindados, aeronaves e equipamentos pesados de engenharia. Algumas vias na região foram interditadas.

19 de maio de 2018

Operação das Forças Armadas e polícia no Rio não tem prazo para acabar

Participam da ação 2,8 mil militares das Forças Armadas, 300 policiais militares e 240 civis, com apoio de veículos blindados, aeronaves e equipamentos pesados de engenharia.

A operação das forças de segurança iniciada na noite dessa sexta-feira (18) em comunidades da zona oeste do Rio de Janeiro continua na manhã hoje (19) e não tem prazo para terminar. A ação foi deflagrada pelo Comando Conjunto, em apoio à Secretaria de Estado de Segurança, e envolve as comunidades do Bateau Mouche, Caixa D’Água, Chacrinha, Mato Alto, Barão (José Operário), Covanca e Pendura-Saia, todas na região da Praça Seca, na zona oeste.


Rio de Janeiro passa por intervenção federal na segurança pública (Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil)


Participam da ação 2,8 mil militares das Forças Armadas, 300 policiais militares e 240 civis, com apoio de veículos blindados, aeronaves e equipamentos pesados de engenharia. Algumas vias na região foram interditadas.

A operação, deflagrada no âmbito da intervenção federal na segurança pública do estado, envolve cerco a criminosos e remoção de barricadas. Revistas seletivas de pessoas e veículos também são realizadas, e a Polícia Militar bloqueia vias de acesso às comunidades Já a Polícia Civil faz a checagem de antecedentes criminais, além de cumprir mandados judiciais.

Ainda não foi divulgado um balanço da operação. Segundo informações iniciais, foram apreendidos no início da manhã de hoje fuzis abandonados na mata próxima à Favela do Bateau Mouche, provavelmente por traficantes em fuga. Houve ainda apreensão de granadas e derrubada de barricadas instaladas pelos traficantes para dificultar o acesso das forças de segurança às comunidades sob o domínio do tráfico.

Durante a madrugada e no início da manhã de hoje, a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá foi interditada em ambos os sentidos. A recomendação é que os motoristas optem pelo Alto da Boa Vista e pela Linha Amarela ao transitar entre as zonas norte e oeste da cidade.

A avaliação do Comando das Forças de Segurança é de que a ação beneficiará, direta e indiretamente, cerca de 150 mil moradores das áreas abrangidas pelas ações.

* Colaborou Vladimir Platonow

Taxa de analfabetismo fica estagnada no país, diz pesquisa do IBGE

Os dados fazem parte do módulo de educação da Pnad Contínua, pesquisa de abrangência nacional do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que coleta amostra de 211 mil domicílios em todo o território nacional.

A taxa de analfabetismo no país ficou estagnada entre 2016 e 2017, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (18) pelo IBGE.

O Brasil encerrou o ano passado com 11,5 milhões de analfabetos, 300 mil a menos do que tinha no ano anterior.

O percentual de pessoas de 15 anos ou mais que não sabia ler ou escrever ao final de 2017 era de 7%, contra a taxa de 7,2% um ano antes. Apesar da pequena queda, estatisticamente esse movimento é de estabilidade.

Os dados fazem parte do módulo de educação da Pnad Contínua, pesquisa de abrangência nacional do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que coleta amostra de 211 mil domicílios em todo o território nacional.

No ano passado, o instituto havia divulgado pesquisa com nova compilação de dados e com maior área de cobertura.

Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

Na ocasião, não era possível comparar os resultados com os de anos anteriores. A pesquisa divulgada nesta sexta-feira é a primeira com possibilidade de comparação anual.

A taxa de analfabetismo não apresentou grandes mudanças entre os anos de 2016 e 2017 nas cinco faixas etárias pesquisadas pelo IBGE.

A maior queda foi observada na faixa de 60 anos ou mais, justamente a que concentra o maior percentual de analfabetos no país. A taxa, nesse caso, passou de 20,4% para 19,3% –redução de 1,1 ponto percentual. Nas demais faixas, o recuo não supera 0,5 ponto.

Não houve mudança significativa na desigualdade expressa no indicador, quando considerados cor ou sexo dos brasileiros. O percentual de analfabetos, em 2017, entre negros e pardos (9,3%) ainda era mais do que o dobro do de brancos (4%).

A situação, portanto, era semelhante à observada em 2016, com tímidas quedas de 0,2 ponto percentual entre brancos e 0,6 ponto percentual entre negros e pardos.

A investigação por raça ou cor passou a ser feita pela primeira vez no ano passado.

O resultado da pesquisa mostrou que os brancos têm mais acesso à educação no país do que negros. Populações mais velhas têm também o maior contingente de analfabetos, o que denota dificuldade para alfabetizar pessoas com escolaridade atrasada.

A pesquisa feita pelo IBGE expõe também a desigualdade regional no acesso à educação. Enquanto as regiões Sudeste e Sul têm a menor taxa de analfabetismo, de 3,5%, o indicador no Nordeste é muito superior, de 14,5% em 2017. Não houve variação expressiva entre os anos.

A taxa de analfabetismo entre homens era maior (7,1%) do que entre as mulheres (6,8%) no ano passado.

Também nesse caso, a variação anual não foi considerada estatisticamente expressiva –de 0,3 ponto no caso deles e de 0,2 no caso delas.

Filha de Temer afirma que pai indicou amigo investigado para ajudar em obra

A reforma da casa, em São Paulo, é investigada pela PF, que suspeita que o presidente tenha lavado dinheiro de propina com reformas em imóveis de familiares e em transações imobiliárias.

A psicóloga Maristela Temer, filha do presidente Michel Temer, afirmou à Polícia Federal que seu pai indicou o coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho para ajudá-la na reforma de sua casa, em 2014.

Maristela afirmou ainda que "não possui e não guardou nenhum comprovante dos pagamentos e contratos eventualmente realizados" na reforma.

A primeira reunião dela com o coronel e sua mulher, Maria Rita Fratezi, ocorreu na Argeplan, empresa de Lima, disse Maristela. Ela, no entanto, afirmou que fez a reforma por conta própria e que Maria Rita apenas a ajudou, sem receber por isso.

A reportagem teve acesso à íntegra do depoimento prestado no dia 3 de maio.

Sobre os pagamentos a fornecedores da obra feitos por Maria Rita, a filha de Temer disse que a ressarcia das despesas, mas "que não sabe precisar a forma do ressarcimento, uma vez que em algumas ocasiões repassava para Maria Rita Fratezi também em espécie, fruto de sua remuneração recebida de pacientes em seu consultório, e outras vezes também em cheques".

Foto: Cesar Itiberê/PR

A reforma da casa, em São Paulo, é investigada pela PF, que suspeita que o presidente tenha lavado dinheiro de propina com reformas em imóveis de familiares e em transações imobiliárias em nomes de terceiros, na tentativa de ocultar bens. Lima é apontado por delatores como um intermediário de Temer para o recebimento de propina.

O presidente nega as suspeitas. Em abril, afirmou ser vítima de perseguição criminosa disfarçada de investigação.

O caso da reforma integra o inquérito da PF sobre possível ilegalidade no decreto dos portos, assinado em maio de 2017 por Temer. A investigação foi prorrogada recentemente, por 60 dias, pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Um fornecedor da obra da filha do presidente afirmou à Folha de S.Paulo em abril que recebeu pagamentos das mãos de Fratezi, em dinheiro vivo.

"Foi Maria Rita Fratezi quem fez os pagamentos, em espécie, em parcelas. Os pagamentos foram feitos dentro da loja", disse Piero Cosulish, da Ibiza Acabamentos.

Em depoimento à PF no último dia 3, mesma data da oitiva da filha de Temer, Cosulish reafirmou sua versão e disse que o valor total do material vendido ficou em torno de R$ 100 mil, dividido em quatro parcelas de R$ 20 mil.

Segundo ele, a mulher de Lima entregou cheques "caução", trocados depois por ele por dinheiro em espécie.

De acordo com termo do depoimento prestado por Maristela, "seu pai, senhor Michel Temer, sugeriu à depoente para que procurasse João Baptista Lima Filho, tendo em vista que João Baptista era amigo de seu pai e também proprietário de empresa de arquitetura e engenharia, no caso, a Argeplan".

Segundo ela, a sugestão de Temer foi natural "tendo em vista este ser pessoa que atuava na área de construção e, com certeza, poderia passar uma orientação adequada para sobre tal proposta de reforma".

Maristela disse que o coronel e sua mulher sugeriram a ela que realizasse cotações para a reforma da casa.

De acordo com ela, diante dos valores orçados, tomou a decisão de fazer a reforma por conta própria e, então, "aceitou ajuda" de Maria Rita "tendo em vista que tinha com tal pessoa uma relação afetiva, quase família", mas que nunca a contratou como prestadora de serviço.

A filha do presidente afirmou ainda "que não se recorda nominalmente dos prestadores de serviços que atuaram na reforma de sua residência, mas pode dizer que foram contratados conforme surgiam as necessidades no decorrer das obras".

No depoimento, Maristela "reitera a afirmação de que seu pai, o senhor Michel Temer, não custeou qualquer despesa relacionada a obra na residência da declarante, tampouco repassou recurso ou mesmo orientação para que João Baptista Lima Filho, por meio de suas empresas ou com o auxílio de sua esposa, Maria Rita Fratezi, para que arcassem com qualquer custo direto ou indireto na obra da residência da declarante".

A filha do presidente disse acreditar que gastou "algo em torno" de R$ 700 mil na obra, provenientes da venda de um imóvel, de empréstimos bancários e junto à sua mãe, além de uma reserva pessoal em dólares.

Ela ainda afirmou "que também utilizou na obra parte da remuneração recebida de sua atividade profissional e, inclusive, naquela ocasião, a depoente recebeu vários pagamentos em espécie de seus pacientes, na sua atividade profissional; que também não se recorda o valor total destes recursos que repassou em espécie".

18 de maio de 2018

Doleiro fugiu do país em cruzeiro de luxo para a Europa, diz MPF

René Maurício Loeb é acusado de envolvimento na movimentação de R$ 1 bilhão no mercado negro do dólar. Defesa alega que ele viajou para se tratar de doença pulmonar e que não sabia da operação.

Foi da varanda da cabine 13045 do cruzeiro MSC Preziosa que René Maurício Loeb viu o Brasil pela última vez. Era 8 de abril, em Santos, no litoral de São Paulo. E o doleiro investigado pela Lava Jato, acusado de envolvimento na movimentação de cerca de R$ 1 bilhão no mercado negro do dólar, seguia para a Europa numa embarcação com escadas adornadas com cristais Swarovski e piscina com borda infinita.

Para os procuradores do Ministério Público Federal (MPF), começava aí a fuga que fez Loeb se transformar em mais um foragido da Operação “Câmbio, Desligo”, fase da Lava Jato do Rio que desarticulou o esquema criminoso comandado por outro doleiro, Dario Messer, considerado o “doleiro dos doleiros” – e que também é um fugitivo.

A defesa de Loeb nega que o cliente tenha tentado driblar a Justiça. Alegou que “a viagem por mar deveu-se ao precaríssimo estado de saúde” dele. E que o investigado foi procurar “tratamentos possíveis” no exterior para a fibrose pulmonar idiopática, “inconformado com a ideia de simplesmente aguardar a morte”. Atestados médicos anexados ao processo confirmam a enfermidade – e a contraindicação para viagens de avião.

Foto: Reprodução/Mariane Rossi/G1

O MPF não acreditou. Achou curioso o fato de o doleiro ter escolhido a Alemanha, país em que é cidadão, para procurar ajuda. E que “nada foi localizado a respeito de tratamentos inovadores no sistema europeu de saúde que não sejam realizados no Brasil”.

Defesa tenta reverter prisão

Ao defender que a Justiça não revogue o mandado se prisão de Loeb, os procuradores afirmaram ainda que “não se concebe que um paciente em risco tão grave de vida consiga embarcar em um cruzeiro comercial, sem qualquer recurso médico específico ou cuidados diferenciados”.

Os advogados do doleiro, por outro lado, pedem ao juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, que a ordem de prisão seja cancelada. Alegam que no dia da viagem, 8 de abril, mais de 20 dias antes da operação, ninguém sabia da existência da investigação.

Há consenso entre os membros da Lava Jato que a ação vazou semanas antes da deflagração. E que isso até era esperado, na medida que os principais delatores do esquema desvendado precisaram sair seguidamente da cadeia para depor – em movimentação que, assim que notada pelos demais detentos, começa a gerar hipóteses.

Os dois delatores, Vinicius Claret e Claudio Barbosa, eram os principais administradores da rede de doleiros. Messer era o alvo óbvio de seus subordinados.

Para ministro, documento da CIA sobre Geisel é tema para historiadores

A resposta foi dada pelo ministro após sua participação em evento no Palácio do Planalto.

O ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, disse nesta quinta (17) que memorando da CIA a respeito do controle do ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) sobre órgãos de repressão do Exército durante a ditadura é assunto para historiadores.

"Para o Ministério da Defesa, esse tema se esgota na Lei da Anistia. A partir daí, é uma atividade para historiadores e, se tiver demanda, para a Justiça. Isso passa a ser assunto de historiadores e Justiça, se houver demanda. Com a Lei da Anistia, do ponto de vista militar, este assunto está encerrado", disse.

A resposta foi dada pelo ministro após sua participação em evento no Palácio do Planalto para abertura da exposição "Entre a Saudade e a Guerra", que homenageia a participação de combatentes brasileiros na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.

Foto: Presidência da República

Na semana passada, o professor da FGV e colunista da Folha de S.Paulo Matias Spektor localizou memorando do órgão de inteligência dos EUA que informava que Geisel avalizou assassinatos de adversários do governo.

No documento, de 1974 e tornado público em 2015, o então diretor da agência, William Colby, relata que Geisel participou de reunião em que o assunto foi discutido com o comando do órgão de repressão do Exército, o CIE.

O caso teve repercussão e levou o governo brasileiro a pedir, por meio do Ministério das Relações Exteriores, acesso ao documento do órgão americano. O Planalto não quis se manifestar com o argumento de que não teve acesso direto ao memorando.

No mesmo evento, o presidente Michel Temer exaltou a participação dos brasileiros na Segunda Guerra: "Aliás, o regime que foram combater eram regimes autoritários, fechados, centralizados, de modo que foram combater em nome da democracia".

17 de maio de 2018

22 milhões de brasileiros assumem ver pornografia e 76% são homens

Estudo divulgado pelo canal Sexy Hot mostra detalhes do consumo pornô no Brasil e preferências do público. Material listou cinco perfis de quem assiste a esse tipo de material.

No Brasil, há 22 milhões de pessoas que assumem consumir pornografia – 76% são homens e 24% são mulheres. A maior parte é jovem (58% têm menos de 35 anos), de classe média alta (49% pertencem à classe B) e está em um relacionamento sério (69% são casados ou estão namorando). Além disso, 49% do público concluiu o ensino médio e 40% tem curso superior.

Os dados estão em um material produzido pelo Quantas Pesquisas e Estudos de Mercado a pedido do canal a cabo Sexy Hot para traçar um perfil de quem consome pornografia no país.

22 milhões de brasileiros assumem ver pornografia e 76% são homens. (Foto: Reprodução)

O G1 teve acesso, em primeira mão, à íntegra dos resultados.

Foram feitas 1.130 entrevistas por telefone e em pontos de fluxo de consumidores de conteúdo com sexo explícito em cinco regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Curitiba. Participaram homens e mulheres das classes A, B e C, todos com 18 anos ou mais.

A pesquisa foi feita entre janeiro de 2016 e julho de 2017, mas as conclusões começaram a ser colocadas em prática recentemente pelo Sexy Hot.

"Usamos isso internamente e fomos aprofundando. Em abril, estreamos o selo Sexy Hot Produções. E, agora em maio, reformulamos a grade", afirmou ao G1 Cinthia Fajardo, gerente de marketing da Playboy do Brasil, grupo que controla os canais Sexy Hot, Playboy TV, Venus e Sextreme.

Consumidores de pornografia no Brasil

Homens: 76 %

Mulheres: 24 %

Fonte: Quantas – Pesquisa e Estudos de Mercado

"A pesquisa ajudou a gente também na hora de seleção de roteiros e orientar as produtoras [que fazem filmes para exibição no canal]."

Já a diretora de pesquisa da Quantas, Karla Mendes, diz desconhecer estudo semelhante já feito no país:

"Normalmente, as pesquisas são com usuários de sites ou serviços. Desta vez, falamos de fato com os consumidores, tanto na rua quanto em questionários on-line. E, em alguns casos, com profissionais do sexo aplicando o questionário em clientes".

Consumidores de pornô no Brasil: classe social

Classe A: 14 %

Classe B: 49 %

Classe C: 37 %

Fonte: Quantas – Pesquisas e Estudos de Mercado

Karla cita ainda entrevistas feitas em motéis e via WhatsApp, por exemplo:

"Fizemos um trabalho qualitativo anterior, superprofundo, bem construído, que abordou pessoas de várias maneiras. Ouviu-se amplamente a população para se construir um arcabouço conceitual. A partir disso, foi feita a pesquisa."

Também houve participação de quatro especialistas (antropólogo, psicanalista, especialista em história do corpo e produtor) e foram criados grupos de discussão.

Consumidores de pornô no Brasil: faixa etária

18 a 24 anos: 27,72 %

25 a 34 anos: 28,71 %

35 a 44 anos: 20,79 %

45 a 54 anos: 15,84 %

55 anos ou mais: 6,93 %

Fonte: Quantas – Pesquisas e Estudos de Mercado

Consumo de pornô no Brasil: estado conjugal

Casado/mora junto: 45 %

Solteiro: 50 %

Separado/divorciado/desquitado: 4 %

Viúvo: 1 %

Fonte: Quantas – Pesquisas e Estudos de Mercado

Consumo do pornô no Brasil: como se dividem os solteiros

Está namorando: 44 %

Não está namorando: 56 %

Fonte: Quantas – Pesquisas e Estudos de Mercado

5 Perfis dos consumidores

A pesquisa nas cinco regiões metropolitanas dividiu os consumidores de pornô em cinco perfis comportamentais. Veja abaixo:

'Status porn'

Quanto representa: 25% do público.

Gosta do quê: conteúdo bem produzido, "diferenciado" e atual.

Característica: vaidoso, gosta de mostrar que entende de pornografia. Para este consumidor, o pornô é "cool". É aquele que "gosta de ser uma referência no tema, tanto por vaidade como também para explorar ao máximo seu conhecimento a seu favor, entre quatro paredes", diz o estudo.

Onde assiste: TV e computador.

Sozinho ou acompanhado? Assiste sozinho, para se manter atualizado, e acompanhado, para exibir seu conhecimento.

Divisão por gênero: 83% de homens e 17% de mulheres.

'Narciso das telas'

Quanto representa: 20% do público.

Quer o quê: pornografia de qualidade. De acordo com a pesquisa, trata-se do consumidor que "tem repertório", portanto conhece nomes de diretores, atores, produtores, filmes, está atento as novidades e produz suas próprias coletâneas de "melhores momentos".

Característica: o estudo define o "narciso das telas" como "eclético e libertário". Na prática, é alguém que "vive a pornografia de maneira natural", por isso sabe onde e o que encontrar em termos de conteúdo. Trata-se de um "heavy user disseminador do pornô", ou seja, é uma fonte de informação para amigos.

Onde assiste: computador e celular.

Sozinho ou acompanhado? Na hora de ver sexo explícito, tanto faz se está sozinho, acompanhado ou entre amigos.

Divisão por gênero: 76% de homens e 24% de mulheres.

'Fast porn'

Quanto representa: 22% do público.

Quer o quê: animar a rotina. A pesquisa aponta que essa fatia do público usa "o conteúdo pornográfico para rir, socializar, sentir tesão e se aliviar".

Característica: é o consumidor prático – para ele, qualidade é sinônimo de quantidade e acesso. "Pornografia boa é pornografia à mão, na hora em que ele quer e precisa", resume o estudo.

Onde assiste: TV e celular (com destaque para este último).

Sozinho ou acompanhado? Habitualmente, sozinho.

Divisão por gênero: 68% de homens e 32% de mulheres.

'Pornograficamente correto'

Quanto representa: 17% do público.

Quer o quê: pornografria com filtro e em ambiente seguro. O objetivo é encontrar inspiração para sair da rotina, já que a pornografia é tratada como "um complemento importante do sexo". O que seduz aqui são cenas e ângulos de qualidade.

Característica: é discreto e vê a pornografia "para além do ato sexual". Tem forte presença feminina.

Onde assiste: TV (que aqui tem preferência sobre a internet)

Sozinho ou acompanhado? Acompanhado ("para se excitar e apimentar a relação").

Divisão por gênero: 57% de homens e 43% de mulheres.

'Ocasional'

Quanto representa: 16% do público.

Quer o quê: algo esporádico. Segundo o estudo, trata-se daquele "que assiste o que está facilmente disponível em uma frequência ocasional, como já diz o nome".

Característica: ao contrário de todos os demais, não tem relação próxima com pornografia, não se programa para assistir e não busca por conteúdo específico. Ainda assim, é considerado consumidor, já que é capaz de citar como chegar a este tipo de produção.

Onde assiste: internet e TV.

Sozinho ou acompanhado? Sem informação

Divisão por gênero: 78% de homens e 22% de mulheres (é o mais "masculino" dos perfis)

Por que o público consome pornô?

A partir da resposta dos entrevistados na pesquisa, a conclusão foi que a pornografia é uma "pílula de estímulo" e "dá vazão a fantasias, desejos, frustrações e permite viver o prazer livre que hoje se concretiza em imagens".

Mas qual a finalidade, então?

Os principais "motivadores" listados são:

- ver e aprender situações/posições;

- sentir prazer livre e individual;

- proporcionar a criação compartilhada;

- válvula de escapa em casos de desilusão, solidão ou carência.

Além disso, foram elencados os principais fatores que levam os consumidores a se engajar em determinado conteúdo pornô. Veja abaixo:

- sexo explícito higiênico e bem cuidado

- a internet facilita e oferece tudo

- pessoas (ou atores e atrizes) que pareçam reais

- conteúdo de graça na internet

- só vídeo com sexo heterossexual

- qualidade técnica das imagens

- pessoas bonitas, mas que pareçam reais

Mulheres consumidoras

A diretora da Quantas, Karla Mendes, destaca uma das conclusões da pesquisa – a participação das mulheres no mercado consumidor de filmes pornográficos:

"As mulheres consomem não com a mesma frequência e intensidade que os homens. Mas o estudo mostra que elas veem a pornografia como algo mais funcional, para apimentar, aquecer, inspirar uma preliminar legal, aprender coisas. De ativar o casal. E um consumo muito de casal".

Outro ponto que merece atenção: o consumidor preferir assistir a pessoas que pareçam reais:

"As pessoas querem um sexo de qualidade real em que se vejam naquela cena. Que não seja uma coisa com cara de artificial".

Perfil brasileiro

Cinthia Fajardo, a diretora de marketing da Playboy do Brasil, afirma que muito desse estímulo visual e auditivo depende do idioma e do perfil dos atores:

"As pessoas se identificam com o português [falado pelos atores], com a visão de um estereótipo do pefil brasileiro, do corpo, estilo. E com a cenografia. Ou seja, os conteúdos nacionais geram mais identificação."

Como contraexemplo, ela menciona produções internacionais "até muito bonitas" mas em ambientações bastante diferentes do que se vê no Brasil, como castelos medievais etc.

"Isso não gera identificação. O público quer histórias mais contemporâneas e situações do cotidiano daqui."

'Pornô sem tabu'

Cinthia também comenta que o estigma sobre a pornografia mudou nos últimos anos.

"O tema vai fazendo cada vez mais parte do cotidiano das pessoas, muita gente falando sem tabu. O perfil de 'status porn', que conversa sobre isso na mesa de bar, que gosta de mostrar que sabe e entende do assunto, é interessante, porque mostra evolução. As pessoas estão mais abertas a falar sobre o tema, sem vergonha. Isso é bom."

Para Karla Mendes, coordenadora da pesquisa, "tanto homens quanto mulheres estão falando de pornografia de maneira igual".

"Para os consumidores, a pornografia está introjetada, é como se fosse uma coisa do dia a dia. Por isso, as pessoas querem a coisa do sexo real [quando assistem]."

MPF acusa brasileiros de promover Estado Islâmico e recrutar jihadistas

A denúncia é resultado da Operação Átila, da PF, que correu em sigilo até março.

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 11 brasileiros pela formação de uma organização criminosa e por promoção do Estado Islâmico (EI) no País. Para o MPF, houve tentativa de recrutar jihadistas para se juntar ao grupo terrorista na Síria, discussões sobre atentados no Brasil e planos de formar uma célula nacional do EI.

Cinco dos envolvidos também respondem pelo crime de corrupção de menores, que teriam sido recrutados pelo grupo. A denúncia tem como base conversas que eles mantinham em aplicativos de mensagem e redes sociais, interceptadas pela Polícia Federal.

A denúncia é resultado da Operação Átila, da PF, que correu em sigilo até março. O inquérito serviu de base para a acusação do MPF. Ao menos sete pessoas foram detidas desde outubro e outras deram depoimento após condução coercitiva.

Dois envolvidos permanecem presos preventivamente. Jhonathan Sentinelli Ramos, de 23 anos, cumpria pena por homicídio e se comunicava por celular de dentro do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio. A Justiça determinou sua transferência para a Penitenciária Federal de Campo Grande, de segurança máxima, onde está Welington Moreira de Carvalho, de 46 anos. Os demais respondem em liberdade.

Foto: Ahmad Al-Rubaye/Getty Images

As investigações começaram em novembro de 2016, após a divisão antiterrorismo da PF receber um comunicado da Guarda Civil da Espanha. No documento, a polícia espanhola informava que números de telefones brasileiros estavam em grupos do aplicativo WhatsApp suspeitos de “promover, organizar ou integrar” o EI. Alguns tinham mais de 200 participantes.

Segundo a denúncia do MPF, um dos grupos identificados foi criado para promover atividades terroristas do EI e era “destinado a discutir a criação de uma célula terrorista no Brasil”. O título dessa comunidade virtual, que tinha 43 integrantes, era “Estado do Califado no Brasil”.

Em depoimentos à polícia, alguns disseram que se comunicavam com simpatizantes e membros de organizações terroristas em países como Síria, Turquia, Líbia, Afeganistão e Estados Unidos. Outros envolvidos relataram conversas a respeito da organização da célula e treinamento de facções paramilitares no País, o que também consta em diálogos obtidos pela PF após a apreensão de celulares.

Sobre a razão dos contatos com estrangeiros, os brasileiros envolvidos dão diferentes motivos, desde informações sobre como aderir ao EI até orientação sobre como obter vistos de países do Oriente Médio ou discutir “táticas de guerrilha”, segundo o MPF. “(Ele) Afirma sempre conversar com vários recrutadores jihadistas. Um desses seria da Província de Idlib (Síria), que possui contatos e poderia ajudar na migração para o califado”, diz o texto da denúncia, sobre um dos acusados, Thiago da Silva Ramos Benedito, de São Paulo, preso no dia 8 de dezembro. “Fica clara a tentativa em recrutar brasileiros.”

Alguns acusados negam envolvimento com o EI ou em atividades criminosas. A maior parte dos envolvidos não se conhecia pessoalmente e se comunicava apenas pela internet ou pelo WhatsApp. Todos são acusados de promover o terrorismo ao disseminar mensagens extremistas, vídeos com execuções e propaganda do EI.

Ex-policial militar nega participação na morte de Marielle Franco

O vereador Marcello Siciliano também nega envolvimento no crime. A Justiça do Rio já determinou que Curicica seja transferido para um dos presídios federais de segurança máxima.

Em depoimento prestado durante quase toda a tarde de ontem (16) no Rio, o ex-policial militar (PM) Orlando de Oliveira Araújo, conhecido como Orlando Curicica, negou participação no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) em março deste ano. A informação é do advogado Paulo Andrade.

“O que ficou claro para a gente nesse depoimento foi que a Delegacia de Homicídios não está fechada nessa direção. Existem outros direcionamentos para outros suspeitos. Ele [Curicica] diz que não tem nada a ver com esse homicídio e não tem relação nenhuma com o vereador Marcello Siciliano. Ele não esteve em lugar nenhum em reunião com o vereador Marcello Siciliano”, afirmou Paulo Andrade.

Marielle Franco (PSOL), na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro - Foto: Renan Olaz/ Câmara Municipal do Rio

Curicica prestou depoimento à Delegacia de Homicídios, de dentro do complexo penitenciário de Bangu. Segundo uma testemunha do caso, Orlando Curicica e o vereador do Rio Marcello Siciliano (PHS) decidiram matar Marielle, durante uma reunião no ano passado.

O ex-PM já estava preso por porte ilegal de armas quando Marielle foi assassinada.

O vereador Marcello Siciliano também nega envolvimento no crime. A Justiça do Rio já determinou que Curicica seja transferido para um dos presídios federais de segurança máxima, que ficam fora do estado, a pedido do Ministério Público estadual. A penitenciária de destino do ex-PM será definida pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Quem criticar juros a 6,5% que peça para voltar ao que era antes, diz Temer

Cinco ministros e o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acompanharam Temer na abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em Florianópolis.

No dia seguinte à divulgação do balanço de gestão dos dois anos do governo de Michel Temer (MDB), o presidente discursou em Santa Catarina e criticou os opositores da política econômica do governo.

"Quem quiser opor-se ao nosso governo terá que dizer: 'Sou contra o teto de gastos, porque eu quero gastar'. Quem quiser opor-se terá de dizer: 'Eu não quero essa inflação ridícula. Eu não quero os juros a 6,5%, quero 14%, como era antes'", disse o presidente.

Foto: Marcos Corrêa/PR

Apesar do discurso, Temer não comentou a decisão anunciada pelo Banco Central de manter a taxa básica de juros em 6,5%. Também não foi mencionado por ele a retração de 0,13% no primeiro trimestre deste ano, registrada pelo Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que busca prever o Produto Interno Bruto (PIB), divulgada nesta quarta-feira (16).

Ele elogiou a capacidade de gerar empregos da construção civil. Cinco ministros e o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acompanharam Temer na abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em Florianópolis.

Minutos antes, no local do evento, Temer se encontrou com o governador de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira, também do MDB. É a segunda vez na história que o governador catarinense e o presidente são do mesmo partido.

Operação Luz da Infância 2 combate pedofilia em todo o país

São pelo menos 500 mandados de busca e apreensão com vistas a desmantelar rede envolvida em crime de exploração sexual de crianças.

Uma das maiores ações de combate à pornografia infantil em todo o país está em curso nesta quinta-feira (17). A Operação Luz da Infância 2 é coordenada pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública e acontece em 24 estados e no Distrito Federal.

Cerca de 2,6 mil policiais civis estão cumprindo mais de 500 mandados de busca e apreensão de arquivos com conteúdos relacionados a crimes de exploração sexual contra crianças e adolescentes. Quem for pego com posse dessas mídias é preso em flagrante.

Os alvos foram identificados pela Diretoria de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública, com base em elementos informativos coletados em ambientes virtuais, que apresentavam indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva.

Um suspeito foi preso e um computador apreendido em um apartamento no Maracanã, na Zona Norte do Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)

No RJ, até as 7h, eram oito presos na capital, na Baixada e no interior. Um deles foi pego no Maracanã, na Zona Norte do Rio. Agentes encontraram imagens de crianças no computador dele. Entre os materiais apreendidos havia bonecos infantis. São 65 mandados a cumprir no estado.

Em SP, agentes cumprem cerca de 160 mandados. Até as 8h, 10 pessoas haviam sido detidas.

112 presos em 2017

No ano passado, etapa da operação prendeu 112 pessoas. O foco da operação foi o compartilhamento de fotos pela internet.

Entre o material apreendido havia vídeos de bebês sendo molestados e uma cartilha com orientações de como segurar crianças.

Pedofilia é doença

A pedofilia está entre as doenças classificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) entre os transtornos da preferência sexual. Pedófilos são pessoas adultas (homens e mulheres) que têm preferência sexual por crianças – meninas ou meninos - do mesmo sexo ou de sexo diferente, geralmente pré-púberes (que ainda não atingiram a puberdade) ou no início da puberdade, de acordo com a OMS.

O Código Penal considera crime a relação sexual ou ato libidinoso (todo ato de satisfação do desejo, ou apetite sexual da pessoa) praticado por adulto com criança ou adolescente menor de 14 anos. Conforme o artigo 241-B do ECA é considerado crime, inclusive, o ato de “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.”

16 de maio de 2018

Prédio de dois andares desaba e mata trabalhador em São Paulo

Prédio de dois andares fica no centro da cidade. Outras duas pessoas foram hospitalizadas.

Um homem morreu no desabamento de um imóvel de dois andares na manhã desta quarta-feira (16), em São Roque (SP). O prédio fica na rua Dr. Stevaux, no centro da cidade. Outras duas pessoas ficaram feridas - uma delas com gravidade - e foram levadas para a Santa Casa.

O imóvel que caiu já abrigou um escritório do INSS e uma lanchonete. Atualmente ele estava sendo reformado. De acordo com a Polícia Militar, oito pessoas trabalhavam na obra no momento do desabamento. Cinco pessoas conseguiram sair e três foram atingidas.

Equipes de resgate trabalharam por horas até conseguir localizar o corpo do trabalhador que foi soterrado. A rua teve o trânsito interditado e as lojas próximas foram fechadas.

Trabalho de busca é realizado pelos bombeiros em São Roque (Foto: Igor Juan/Correio do Interior)

Um vídeo gravado pelo morador Rafael Lima mostra a nuvem de poeira que se formou logo após o desabamento. Várias pessoas que estavam na rua aparecem correndo em direção ao prédio que desabou enquanto outras tiram os veículos estacionados no local. 

Trabalhadores que estavam na obra acompanham o trabalho do Corpo de Bombeiros para retirar o corpo da vítima do local. 

Representantes da Defesa Civil informaram que a reforma estava regular. Apesar disso, não há, na fachada do imóvel, nenhuma identificação sobre o engenheiro responsável pela construção, nem o nome da empresa envolvida.

O órgão informou ainda que o prédio ao lado, onde funciona uma perfumaria, será interditado.

Intervenção federal no Rio entra em nova fase, diz porta-voz

O porta-voz do Gabinete Federal de Intervenção, coronel Roberto Itamar, faz um balanço dos três meses de iníciado a atuação no Rio de Janeiro.

Ao completar três meses nesta quarta-feira (16), a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro entrará em nova fase. Se a primeira etapa foi dedicada a realizar diagnósticos e promover mudanças nos comandos das polícias Civil e Militar e na organização das secretarias ligadas ao tema, a partir de agora a população do estado verá mais policiais e viaturas nas ruas. As afirmações são do porta-voz do Gabinete de Intervenção Federal (GIF), coronel Roberto Itamar.

“Após três meses de intervenção, a população vai perceber mais policiamento nas ruas. Basicamente fruto do retorno da RAS [Regime Adicional de Serviço, hora-extra policial], reposicionamento dos efetivos e retorno de policiais que estavam cedidos a outros órgãos. [Os policiais] também terão novas armas, coletes e viaturas”, anunciou Itamar.

O coronel disse que serão mais 1,3 mil homens nas ruas e que novas viaturas vão chegar, além das 265 que foram recém-entregues, totalizando 580 veículos. 

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Itamar adiantou que uma nova comunidade será ocupada pelos militares nos próximos dias, a exemplo do que aconteceu na Vila Kennedy, zona oeste, onde o Exército opera desde 23 de fevereiro, e que agora volta totalmente ao controle do 14º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Bangu.

Segundo ele, os primeiros três meses foram dedicados à realização de diagnósticos da situação, reordenamento da estrutura de segurança, fortalecimento das corregedorias policiais e mudanças no sistema penitenciário, fatores que são fundamentais, mas não imediatamente percebidos pela população.

Roubo de veículos

Questionado sobre a situação na cidade do Rio, onde a população está assustada com frequentes confrontes em morros e comunidades como Rocinha, Cidade de Deus, São Carlos, Jacarezinho e outros, além de assaltos de rua, principalmente em coletivos, Itamar disse que a percepção de segurança tende a melhorar nos próximos meses. Ele citou a redução de 13% no roubo de veículos, de março para abril, como um exemplo da diminuição da violência.

“Devem ser anunciados, muito em breve, a redução de vários índices de criminalidade, que traduzem a própria sensação de segurança da população, incluídos os roubos de rua. Os resultados estatísticos demoram um pouco a aparecer, mas a partir deste mês temos a certeza de uma tendência de redução nos índices”, adiantou Itamar.

Temer omite denúncias e diz que tirou "país do vermelho"

Temer também fez uma rápida menção à reforma da Previdência, que naufragou em sua gestão. Mas preferiu dividir a responsabilidade sobre a proposta.

O presidente Michel Temer afirmou nesta terça-feira que seu governo foi capaz de "tirar o Brasil do vermelho e o colocar no rumo certo", mas ignorou as denúncias de corrupção que o envolveram diretamente assim como a integrantes da sua gestão, em discurso de quase uma hora no Palácio do Planalto no qual exaltou os feitos dos seus 2 anos de governo.

"Creio que todos nós fomos capazes de tirar o Brasil do vermelho e o colocar no rumo certo. Não são palavras apenas, os fatos comprovam", disse Temer, numa solenidade que contou com a presença de atuais e ex-integrantes de governo.

O presidente afirmou que sua gestão tinha um "plano e coragem" para pô-lo em prática, ao usar como referência de governo o documento "Ponte para o Futuro", escrito pelo MDB ainda durante o governo Dilma Rousseff.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Temer desfilou uma série de feitos da sua gestão na área econômica, como a queda da inflação e o fim da recessão, e na área social, como o aumento do valor do benefício do Bolsa Família e do número de beneficiários do Minha Casa, Minha Vida.

Contudo, o presidente não fez qualquer menção às denúncias criminais feitas pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot a partir das delações de executivos da J&F, holding que controla a JBS, que tiraram a maior parte do seu capital político e ameaçaram sua permanência no cargo.

Temer também fez uma rápida menção à reforma da Previdência, que naufragou em sua gestão. Mas preferiu dividir a responsabilidade sobre a proposta. "Se engana quem pensa que a reforma da Previdência não será aprovada", disse, ao destacar que o assunto será debatido durante a campanha eleitoral pelos candidatos a mandato eletivo no pleito de outubro.

15 de maio de 2018

Advogado é incluído na lista de desaparecidos após desabamento

Família disse que ele morava no 10º andar do prédio e não o encontra desde o incêndio. Ele estava desempregado e era usuário de drogas.

A Polícia Civil de São Paulo incluiu um advogado de 40 anos na lista de desaparecidos após o desabamento do prédio no Centro de São Paulo no último dia 1º.

A mãe e a irmã de um advogado formado pela Uninove procuraram a polícia para registrar o desaparecimento de Alexandre de Menezes. Segundo a família, ele é solteiro, está desempregado, e é dependente de drogas e álcool. Saiu há 3 anos de casa em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital paulista, para morar na rua.

Desde o ano passado ocupava um cômodo improvisado do prédio que desabou. Alexandre ficava no décimo andar, mais isolado dos demais moradores do prédio, pois tinha fama de briguento, de acordo com a polícia.

Alexandre de Menezes incluído na lista de desaparecidos do prédio que desabou no Centro (Foto: Divulgação/Polícia Civil )

Ainda de acordo com o depoimento dos familiares à polícia, a avó dele, de 80 anos, era quem mais o ajudava. Todo domingo ia até a Estação Republica do metrô encontrar o neto para dar a ele dinheiro e pegar roupas sujas para lavar.

Voltava no domingo seguinte com as roupas limpas. Mas desde o desabamento do prédio a avó nunca mais teve notícias de Alexandre. Ela o procurou no Metrô, como de costume, na região do Paissandu e na Cracolândia, mas não tem pistas.

O delegado colheu material genético da mãe de Alexandre e está encaminhando pro Instituto de Criminalística para que seja confrontado com os restos mortais examinados em laboratório.

Além de Alexandre, há mais quatro desaparecidos na tragédia. São eles:

Selma Almeida da Silva, 40 (mãe dos gêmeos identificados);

Eva Barbosa Lima, 42;

Walmir Sousa Santos, 47;

Gentil de Souza Rocha, 53.

Monge visita ex-presidente Lula na prisão e os dois rezam juntos

O monge Marcelo Barros contou detalhes da conversa que teve com o ex-presidente.

Segundo religioso a visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula na Silva na prisão, o monge Marcelo Barros relatou em carta nesta segunda-feira (14) detalhes de seu encontro com o petista.

Barros disse no texto ter encontrado Lula sentado à mesa, diante de livros recebidos pelo teólogo Leonardo Boff, que o visitou no dia 7 de maio. 

"De saúde, estou bem, sereno e firme no que é meu projeto de vida que é servir ao povo brasileiro como atualmente tenho consciência de que eu posso e devo. Você veio para me trazer um apoio espiritual", disse Lula ao monge, segundo seu relato. "E o que eu preciso é saber como lidar cada dia com uma indignação imensa contra os bandidos responsáveis por essa armação política da qual sou vítima, sem dar lugar ao ódio."

Foto: Agência Brasil

Na conversa, Lula contou histórias de sua infância. Entre elas, o dia em que resistiu à tentação de roubar uma maçã para não decepcionar a mãe, escreveu o Monge.

"E aí ele prosseguia com lágrimas nos olhos: 'Agora esses moleques vêm me chamar de ladrão. Eu passei oito anos na presidência e nunca me permiti ir com Marisa [Letícia, sua mulher, já falecida] a um restaurante de luxo, nunca fiz visitas de diplomacia na casa de ninguém. Fiquei ali trabalhando sem parar quase noite e dia. E agora, os caras me tratam dessa maneira'", disse Lula durante a visita de Barros. 

Antes de encerrado o tempo do Monge na cela, o petista mostrou fotos de família e os dois oraram de mãos dadas.

Lula mandou ainda um recado aos apoiadores acampados em vigília. "Diga que estou sereno, embora indignado com a injustiça sofrida. Mas, se eu desistir da campanha, de certa forma estou reconhecendo que tenho culpa. Nunca farei isso. Vou até o fim", disse.

E continuou: "Creio que na realidade atual eu tenho condições de ajudar o Brasil a voltar a ser um país mais justo e a lutar para que, juntos, construamos um mundo no qual todos tenham direitos iguais."

Ex-PM investigado no caso Marielle irá a prisão de segurança máxima

De acordo com os procuradores, a transferência "é de grande relevância para o interesse da segurança pública, visando inibir a atuação do preso em referência e de coibir eventuais associações criminosas.

A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta segunda-feira (14) a transferência do ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando de Curicica, para um presídio federal de segurança máxima. Uma testemunha do caso afirma que Orlando está envolvido na morte da vereadora Marielle Franco.

Na decisão também foi definido que Orlando deve permanecer em Bangu 1, na Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino, enquanto o Depen (Departamento Penitenciário Nacional) decide para qual dos quatro presídios federais ele será encaminhado. Araújo nega ter planejado o assassinato da vereadora do PSOL, baleada em uma emboscada na região central da cidade, em 14 de março.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Justiça acatou um pedido feito pelo Ministério Público fluminense. De acordo com os procuradores, a transferência "é de grande relevância para o interesse da segurança pública, visando inibir a atuação do preso em referência e de coibir eventuais associações criminosas, bem como quaisquer outras práticas que atentem contra o Estado e a população".

Preso preventivamente em Bangu por um homicídio ocorrido em 2015 e por outros crimes, o ex-PM estaria fazendo greve de fome por medo de ingerir comida envenenada, segundo relatou o advogado Renato Darlan.

Bebê é atingido por bala perdida dentro de escola particular no Rio

A criança foi atingida no ombro e socorrida para um hospital particular.

Um bebê de seis meses foi atingido por uma bala perdida no ombro dentro de um colégio particular na região do Cosme Velho, zona sul do Rio, por volta das 20h desta segunda-feira (14).

O bebê estava no colo da mãe no pátio do Colégio São Vicente de Paulo quando foi baleado. Ele foi levado a um hospital da região, mas não há informações sobre o estado de saúde.

Segundo a Polícia Militar, não havia confronto entre militares e criminosos na região no momento em que a criança foi baleada.

Colégio São Vicente de Paulo no Cosme Velho, Zona Sul do Rio (Foto: Divulgação/ Google Maps)

No último sábado (12), o Rio registrou a primeira morte provocada por militar desde o início da intervenção federal na segurança pública, iniciada em fevereiro após a escalada de crimes.

Diego Augusto Ferreira morreu após ter sido baleado por um soldado na rua Salustiano da Silva, em Magalhães Bastos, zona norte da capital.

Segundo o CML (Comando Militar do Leste), Ferreira tentou furar um posto de bloqueio e controle do Exército e foi atingido por tiros.

A morte de Ferreira não foi registrada na Delegacia de Homicídios nem comunicada ao Batalhão da Polícia Militar da região. O caso é investigado por um IPM (Inquérito Policial Militar).

Medo da Violência

Pesquisa Datafolha em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que nove em cada dez moradores da cidade do Rio têm medo de tiroteio, bala perdida ou de morrer em um assalto. Também mostra que um terço da população esteve no meio de um confronto nos últimos 12 meses.

A pesquisa, realizada de 20 a 22 do mês março, aponta que 73% dos moradores do Rio gostariam de deixar a cidade por causa da violência. E indica exatamente o que os moradores da capital temem.

O medo está em todas as partes da cidade. Moradores de favelas ou de outras áreas temem da mesma forma estar em um tiroteio, ser atingidos por bala perdida e morrer ou se ferir em um assalto.

Entre esses dois grupos, a principal diferença está no medo de ser vítima de violência das polícias, ser acusado de um crime e ter um filho preso injustamente.

Segundo o levantamento, com margem de erro de três pontos percentuais para mais e para menos, ter objetos de valor tomados à força num assalto, morrer assassinado, ser vítima de fraude, ter o celular roubado e ter sua casa invadida são situações temidas por 84% a 89% dos entrevistados.

Quando se fala em estar no meio do fogo cruzado entre bandidos e polícia, a diferença entre o receio e a concretização desse temor é estreita: 39% acreditam que há muita chance de isso acontecer, enquanto 30% estiveram de fato nessa situação no último ano. Três em cada quatro ainda relatam ter ouvido um tiroteio nesse período.

Segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as respostas refletem as particularidades da violência no Rio em comparação com outras cidades.

Para Samira, alguns dos temores de moradores do Rio são similares ao da população do resto do país, como ter a casa invadida, se envolver em brigas e receber uma ligação de bandidos exigindo dinheiro.

"Mas, no Rio, o medo é mais difuso. As pessoas têm medo mesmo em lugares onde deveriam se sentir seguras, como em casa. Vemos isso na proporção de pessoas que temem ser vítimas de bala perdida [92%]", disse.

Delator da Lava Jato é preso em operação contra lavagem de dinheiro

Efeito Dominó é um desdobramento da operação que prendeu o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul.

Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta terça-feira (15) Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, delator da Lava Jato. Outras sete pessoas também foram presas em uma operação contra lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas.

Ceará atuava na Lava Jato com o doleiro Alberto Youssef, e firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF disse que vai avisar as duas instituições para que avaliem a rescisão do acordo.

Foto: Divulgação/Polícia Federal

Ceará foi preso preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado, em João Pessoa (PB). Como delator, ele mencionou os políticos Fernando Collor de Mello, Aécio Neves, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues foram delatados por Ceará. 

Operação Efeito Dominó

Batizada de Efeito Dominó, a ação é um desdobramento da Operação Spectrum, deflagrada em 2017. Na ocasião, Luiz Carlos da Rocha – o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul, segundo a PF – foi preso em Sorriso (MT).

De acordo com a PF, a investigação policial apontou uma "complexa e organizada estrutura" destinada à lavagem de recursos provenientes do tráfico internacional de entorpecentes.

A estratégia da operação, conforme a PF, é baseda na ligação de interesses das atividades ilícitias dos "clientes dos doleiros" investigados.

De um lado, havia a necessidade de disponibilidade de grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas, segundo a PF.

Do outro, de acordo com a PF, traficantes internacionais como – Cabeça Branca – tinham disponibilidade de recursos em moeda nacional e necessitavam de dólares para fazer as transações internacionais com fornecedores de cocaína."

Ao todo, são 26 mandados judiciais expedidos pela 23ª Vara Federal de Curitiba. Há 18 de busca e apreensão, cinco de prisão preventiva e três de prisão temporária.

Os mandados são cumpridos no Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e em São Paulo.

Crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes são apurados pela Operação Efeito Dominó.

Foto: Divulgação/Polícia Federal

Ceará

Ceará, preso na Operação Efeito Dominó, é um dos delatores da Operação Lava Jato. Ele trabalhava para o doleiro Alberto Youssef.

Em 2014, Ceará disse, em depoimento, que foi à Maceió e levou R$ 300 mil para o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL) em pacotes de notas de R$ 100. O depoimento foi homologado em 2015.

À época, Collor negou conhecer Ceará e questionou a credibilidade do seu depoimento.

O delator também mencionou, em depoimento, que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu R$ 300 mil a mando de Youssef. Aécio negou a afirmação.

Ceará ainda citou a entrega de dinheiro a outros políticos, entre eles, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Os senadores também negaram.

Estados e governo federal vão firmar pacto nacional contra homofobia

As atividades marcam o Dia Internacional de Combate a Homofobia, lembrado no dia 17 de maio.

Em 2017, o Disque 100 da Secretaria Nacional de Cidadania do Ministério dos Direitos Humanos recebeu 1.720 denúncias de violações contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Do total, 70,8% foram por discriminação. Na seqüência, aparecem violências psicológicas e físicas, com 53,3% e 31,8%, respectivamente.

Na busca pelo fim da violência contra o público LGBTT, a secretaria promove até sexta-feira (18) a Semana de Luta contra LGBTfobia, que terá a assinatura de um Pacto Nacional de Enfrentamento.

As atividades marcam também o Dia Internacional de Combate a Homofobia, lembrado no dia 17 de maio. A data foi escolhida, em 1990, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a palavra homossexualismo da Classificação Estatística Internacional (CID). A decisão reconheceu que a homossexualidade não pode ser considerada doença, por se tratar de traço da personalidade do indivíduo. No Brasil, somente em 2010, por meio de decreto presidencial, o Dia Nacional de Combate a Homofobia foi oficialmente instituído. A partir daí, estados e municípios iniciaram políticas específicas para intensificar ações de combate à violência, ao preconceito e discriminação.

Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Durante a semana, haverá uma série de debates sobre políticas públicas de enfrentamento. A abertura está marcada para esta terça-feira (15) quando serão relatadas as ações desenvolvidas. Em seguida, serão apresentados dados a respeito das denúncias de violações de direitos humanos. Conforme o levantamento, 27% das violações ocorrem na casa da vítima.

Para o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, a semana traz visibilidade à causa. “Precisamos avançar neste assunto. É muito bom que já exista espaço para a população LGBT na política, mas esse é apenas mais um passo para que seus direitos sejam preservados”, destaca.

Pacto Nacional

Além dos debates, na quarta-feira (16) será assinado o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência LGBTfóbica. O documento tem como proposta promover e articular ações que combatam à violência, priorizando o respeito à dignidade e diversidade humana.

Nele, estados, Distrito Federal e o governo federal assumem o compromisso conjuntamente enfrentar a violência LGBTfóbica. Uma consultoria especializada, via Nações Unidas, foi contratadar e fez visitas técnicas nas 27 unidades da Federação, que puderam opinar e trazer informações para elaboração do pacto.

Segundo a diretora de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos, Marina Reidel, a medida “visa unir esforços em todo território brasileiro no combate à violência”

Uma das demandas apresentadas pelos estados é a destinação de recursos para a execução das ações. Com isso, o ministro assinará um edital para seleção de propostas de ações de enfrentamento à violência LGBTfóbica, que serão financiadas pela da Secretaria Nacional de Cidadania do Ministério dos Direitos Humanos, por meio de convênio.

14 de maio de 2018

'Ouvi crianças gritando', conta vizinha de escola onde ladrão foi morto

Mães e filhos estavam na escola na manhã deste sábado (12) para celebração de Dia das Mães. Entre as mães, estava uma policial militar de folga que atirou no assaltante.

Vizinhos e pais tentam retomar a rotina nesta segunda-feira (14), dois dias depois de uma policial militar de folga, que ia ver a festa de Dia das Mães da filha, matar um assaltante na frente de uma escola particular de Suzano.

Conceição Castro dos Santos estava em casa e ouviu toda a movimentação. “No momento eu achei que era uma bomba ou fogos. Achei estranho e vi que eram tiros. Em seguida, ouvi as crianças gritando e chorando. Foi uma gritaria e eu sai para ver.”

Elivelton Neves Moreira foi morto depois de, armado, abordar mães na frente da escola. Segundo a PM, a policial Kátia da Silva Sastre viu a movimentação e ouviu uma mãe dizendo que era assalto.

Homem que sacou arma em frente a escola foi baleado por mãe que é PM e estava de folga, em Suzano (Foto: Alexandre Mauro/G1)

Neste momento, ela foi se aproximando, sacou a arma e disparou três vezes contra o suspeito, que morreu no hospital. A câmera de monitoramento da escola registrou a ação.

PM de folga mata ladrão armado diante de escola, em São Paulo. (Foto: Reprodução)

Segundo a polícia, o homem de 20 anos tinha passagens por roubo, receptação, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

Policial que matou ladrão em Suzano é homenageada (Foto: Giba Bergamim/TV Globo)

Por causa da ação, a policial foi homenageada pela corporação e o governador Márcio França (PSB) participou da cerimônia, entregando flores para a cabo da PM. “Eu pensei apenas em defender as mães, as crianças, a minha própria vida e a da minha filha. Deu tudo certo”, afirma.

De volta à rotina

Na manhã desta segunda-feira (14) os pais, ainda abalados, levaram os filhos para a escola. “A gente sabe que acontece, mas quando é próximo da gente, realmente a gente fica muito mais preocupado e tenta ficar mais atento em tudo que acontece. A atenção está mais redobrada hoje”, conta Fábio Felippelli.

De acordo com a moradora Conceição, este não foi o primeiro caso de assalto no bairro. Ela reclama da falta de segurança.

“Você não vê viatura e policiais aqui. Quando acontece alguma coisa, dificilmente vem uma viatura e eles só perguntam se tem vítima. A gente sai na rua já olhando para os lados. Uma faxineira, inclusive, estava lavando a calçada e levaram a aliança dela. De um vizinho já levaram a aliança e a minha casa também já foi assaltada. Eu não estava aqui, mas limparam tudo.”

Euza de Alcântara também reclama da segurança. “Eu passo aqui tremendo porque não tem segurança nenhuma.”

Para o pai, o preparo da policial fez toda a diferença. “Ela estava no momento certo, na hora certa e super preparada.”

O G1 pediu um posicionamento para a Polícia Militar sobre o policiamento no bairro e aguarda retorno.

Itamaraty vai pedir acesso a documentos da CIA sobre ditadura militar

De acordo com a CIA, os generais Ernesto Geisel e João Figueiredo sabiam e concordaram com execução sumária de "inimigos" da ditadura militar no Brasil.

O Ministério das Relações Exteriores vai pedir ao governo dos Estados Unidos a liberação dos documentos produzidos pela CIA (Agência Central de Inteligência, sigla em inglês) sobre a ditadura civil-militar no Brasil.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, instruiu a embaixada brasileira em Washington, nos EUA, a solicitar a liberação completa dos registros sobre esse tema. As informações são da Agência Brasil.

A medida é em resposta à solicitação do Instituto Vladimir Herzog, que enviou uma carta na última sexta-feira (11) ao Itamaraty pedindo que o governo federal a liberação dos documentos que registram a participação de agentes do Estado brasileiro em ações de tortura ou assassinato de opositores do regime.

A carta é assinada por Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, morto durante a ditadura. Na época, o Exército divulgou a versão de que o jornalista teria cometido suicídio na prisão.

Documentos que vieram a público, na semana passada, mostram novos fatos sobre a participação do Estado na execução e tortura de opositores da ditadura.

Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

De acordo com registros da CIA, os generais Ernesto Geisel, presidente do Brasil à época, e João Figueiredo, então diretor do SNI (Serviço Nacional de Informações), e que assumiu a Presidência da República depois de Geisel, sabiam e concordaram com execução sumária de "inimigos" da ditadura militar no Brasil.

Também participaram da reunião em que Geisel foi informado da política de execução, os generais Milton Tavares de Souza, então comandante do CIE (Centro de Inteligência do Exército) e seu sucessor, Confúcio Avelino.

Datado de 11 de abril de 1974, o documento, assinado pelo então diretor da CIA, Willian Colby, e endereçado ao então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, diz que Geisel foi informado, logo após assumir a Presidência da morte de 104 pessoas opositoras da ditadura no ano anterior.

O informe relata ainda que após ser informado, Geisel manteve a autorização para execuções sumárias, adotada durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Geisel teria feito a ressalva de que os assassinatos só ocorressem em "casos excepcionais" e envolvendo "subversivos perigosos".

"O senhor, assim como nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela Ditadura Brasileira. Uma nação precisa conhecer a sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam", diz a carta assinada pelo filho de Herzog e dirigida ao ministro Aloysio Nunes.

13 de maio de 2018

Governador anuncia fim das buscas no prédio que desabou em São Paulo

Cerca de 1.700 homens do Corpo de Bombeiros trabalharam nos escombros do edifício revezando turnos de 12 horas.

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), esteve no local do desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, e anunciou o fim das buscas dos bombeiros após 13 dias de trabalho.

“A gente não tem a expectativa de mais nada, o máximo que a gente pode fazer do ponto de vista de profundidade é essa. O resto [dos corpos] não deve ter mais existência, deve ter sumido junto com toda a situação, porque é muito calor e o corpo desaparece praticamente, é comum nesse tipo de tragédia”, afirmou.

Wendel e Werner, de 10 anos, mortos em desabamento no Centro de SP (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Wendel e Werner, de 10 anos, mortos em desabamento no Centro de SP (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

De acordo com o governador, a Prefeitura vai definir o que fará com os escombros agora. “Toda essa terra que está fora vai entrar pra dentro daquele buraco para tentar estabilizar o terreno e permitir que todos esses lugares aqui em volta fiquem dentro do possível mais normais. Daqui pra frente a Prefeitura tem que dar uma destinação ao terreno”, afirmou.

“Os últimos que foram identificados foram os gêmeos, já confirmados. As únicas vítimas crianças que existiam foram os gêmeos que o IML já identificou pelo setor de antropologia pelos restos mortais dos meninos”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves.

As buscas por quatro vítimas foram encerradas. São elas:

Selma Almeida da Silva, 40 (mãe dos gêmeos);

Eva Barbosa Lima, 42;

Walmir Sousa Santos, 47;

Gentil de Souza Rocha, 53.

Max Mena, o comandante do Corpo de Bombeiros Max Mena confirmou o encerramento das buscas pelos desaparecidos na manhã deste domingo.“Nós temos ainda quatro pessoas que ainda não conseguimos encontrar ou ser identificadas positivamente pelo Instituto Médico Legal”, declarou.

Cerca de 1.700 homens do Corpo de Bombeiros trabalharam nos escombros do edifício revezando turnos de 12 horas, inclusive bombeiros do interior de São Paulo e alunos do curso de formação.

Sobre as famílias que permanecem acampadas no largo Paissandu, França disse que foi oferecido o aluguel-social no valor de R$ 1.200 no primeiro mês, mais R$ 400 mensais, e que moradores do prédio permanecem no local para tentar pressionar a administração pública para furar a fila da habitação. “É para que elas possam encontrar um local provisório até que elas possam encontrar unidades novas. Tem que lembrar que tem muita gente na mesma fila, não é justo tirar pessoas que estão na fila há anos, temos que encontrar uma solução para dar mais agilidade nas entregas”, afirmou.

Identificados

A Polícia Técnico-Científica identificou os restos mortais dos irmãos gêmeos Wendel e Werner, de 10 anos, informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) neste sábado (12). Os corpos dos meninos foram achados na quarta-feira (9), no local do desabamento. A mãe deles, Selma Almeida da Silva, de 40 anos, não foi localizada.

Também foram identificados Francisco Lemos Dantas, de 56 anos (identificado na sexta-feira, 11 de maio) e Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, de 39 anos (identificado pelas digitais em 4 de maio).

12 de maio de 2018

Mulher que deu à luz em coma comemora 1º Dia das Mães

Kezia de Mira, de 24 anos, sofreu acidente de carro no 7º mês de gravidez. Na mesma batida, a jovem perdeu os pais.

A paranaense Kezia Fernanda Lemes de Mira, de 24 anos, comemora o primeiro Dia das Mães ao lado do filho Miguel, de seis meses, neste domingo (13). O bebê nasceu enquanto ela estava em coma, dias depois de um grave acidente de trânsito. Na mesma batida, a jovem perdeu os pais.

Kezia, de 24 anos, comemora o primeiro Dia das Mães ao lado do filho Miguel, de seis meses, neste domingo (13) (Foto: Reprodução/RPC)

"Meu primeiro Dia das Mães como mãe vai ser uma mistura de saudade e de felicidade. É difícil não ter mais meus pais nessa data, mas tenho o meu filho. Sobrevivi por ele. E o meu dia vai ser mais feliz e gostoso porque tenho o Miguel", explica.

O acidente

Kezia e o marido Clodoaldo dos Santos Mira, de 30 anos, estão juntos há sete anos. Eles queriam muito um filho, mas planejavam ter um só depois de conquistar a casa própria.

Um distúrbio na tireoide, porém, ajudou a antecipar a chegada do primogênito. "Precisei ficar um ano sem tomar o anticoncepcional. Nesse período, acabei engravidando. Foi uma alegria imensa quando descobrimos", relata.

Por causa desse mesmo distúrbio na tireoide, Kezia enfrentou uma gravidez de risco. Todo mês, ela viajava de Arapoti, onde sempre morou, para Ponta Grossa, onde recebia o acompanhamento médico que precisava no Hospital Universitário dos Campos Gerais.

Todos os meses, Kezia viajava de Arapoti para Ponta Grossa, onde recebia o acompanhamento médico que precisava (Foto: Kezia Fernanda Lemes de Mira/Arquivo pessoal)

No sétimo mês da gestação, porém, ela não conseguiu chegar à consulta marcada para o dia 25 de outubro. O carro em que estava foi atingido por um caminhão na PR-151, no trevo que dá acesso à Avenida Monteiro Lobato, em Ponta Grossa.

Kezia não se lembra do momento da batida e nem de como foram os dias que vieram em seguida. As horas que antecederam a tragédia, porém, ficaram marcadas.

"Meu pai tinha um problema de saúde e fazia tratamento no mesmo hospital que eu em Ponta Grossa. Ele tinha um exame no dia da minha consulta e sugeri que ele não fosse de ônibus, como ele sempre ia. Falei para ele e para a minha mãe irem comigo, de carro", relata.

Kezia perdeu o pai e a mãe em acidente de carro em Ponta Grossa, em outubro de 2017 (Foto: Kezia Fernanda Lemes de Mira/Arquivo pessoal)

Geralmente, quem levava Kezia ao município vizinho era o marido dela. Naquele dia, entretanto, ele não poderia sair do trabalho. Um amigo do casal, então, foi quem dirigiu.

"Levantei às 2h, fiz café, arrumei tudo para ir. Perto das 4h, nosso amigo passou nos buscar e fomos conversando. Logo depois do pedágio de Carambeí, lembro que falei para ele mudar para a pista da esquerda porque a entrada já estava próxima. Depois, já não sei mais o que aconteceu", conta.

O caminhão bateu no lado do carro em que os pais de Kezia - Cícero Guimarães de Lemes e Ilete de Andrade Lemes, de 52 anos - estavam. O casal, junto havia mais de 30 anos, morreu na hora. A jovem e o amigo da família foram levados ao hospital em estado grave.

Carro em que Kezia estava foi atingido por um caminhão na PR-151, em Ponta Grossa, no dia 25 de outubro de 2017 (Foto: Kezia Fernanda Lemes de Mira/Arquivo pessoal)

A cesárea de emergência

Kezia chegou ao hospital com traumatismo craniano, com risco de morte. O obstetra Severino Orsatto Junior, que acompanhou dela desde o começo, conta que a paciente foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) assim que chegou.

"Como não teve uma situação de exigência ao nascimento imediato, havia a necessidade da manutenção da gestação para preparar o bebê para as melhores condições possíveis", relata.

Foi, então, que a equipe médica conseguiu estabilizar a gestante, através do coma induzido. Foram três dias na UTI até que as complicações que exigiam o nascimento de Miguel começassem. Kezia estava na 32ª semana de gestação.

"Ela foi levada para o centro cirúrgico e a equipe de plantão foi mobilizada. Era início da noite e eu vim para o procedimento. Como estava internada havia três dias, poderia ser a qualquer momento. Aí, interrompemos [a gravidez] imediatamente", lembra. O parto foi rápido.

Miguel, ao nascer, teve em uma parada cardiorrespiratória, mas foi reanimado e levado para a UTI Neonatal, onde conseguiu se recuperar bem nas semanas seguintes.

"É um caso que você sempre fica com a expectativa de fazer o seu melhor. Com a expectativa de que mãe e bebê fiquem bem. Quando acontece isso, é uma satisfação muito grande. É uma gratificação muito grande", acredita o médico.

Para o obstetra, o caso de Kezia é inspirador para a carreira de qualquer profissional da saúde.

"São casos que fazem com que a gente sempre tenha interesse em investir tudo o que for possível para que o resultado seja sempre o melhor", acredita.

O reencontro

Depois do parto, a paranaense foi melhorando e saiu do coma em 6 de novembro. Foi, então, que a enfermeira obstetra Regiane Hoeldtke, que também acompanhou toda internação de Kezia, decidiu que era a hora de mãe e filho se rencontrarem.

"Perguntei se ela gostaria de ver o Miguel. Ela não me respondeu, só gesticulou com a cabeça que 'sim", lembra.

Regiane conta que a melhora da mãe depois de ficar com o filho foi surpreendente.

Kezia, apesar de ainda estar um pouco sob efeito dos remédios, revela que o primeiro contato com Miguel foi de muita emoção.

"Lembro do meu marido me empurrando, de cadeira de rodas, até o berçário. A enfermeira colocou o Miguel no meu colo e os meus braços amoleceram. Sentir o cheirinho da cabecinha dele foi bom demais", lembra.

Kezia, apesar de ainda estar um pouco sob efeito dos remédios, revela que o primeiro contato com Miguel foi de muita emoção (Foto: Reprodução/RPC)

O depois

Quando deixou o hospital de vez, no dia 12 de novembro, a jovem soube da morte dos pais pelo irmão. Ela relata que, na hora, não acreditou.

"A ficha foi caindo aos poucos. Tenho muita saudade. Eles estavam tão contentes com a chegada do primeiro neto. Mas, de qualquer forma, tenho certeza que eles estão felizes em ver a nossa família bem", revela.

Miguel foi para casa no dia 1º de dezembro. Ele precisou ficar um tempo a mais no hospital para ganhar peso e ficar totalmente recuperado. Desde que o bebê chegou, Kezia conta que a vida da família tem sido completa.

"Esses seis meses têm sido maravilhosos. Difíceis, mas maravilhosos. O que eu tiro de tudo isso é que a gente deve aproveitar todo o tempo que temos com quem a gente ama", acredita.

Clodoaldo, que mal consegue falar de tudo o que aconteceu sem ficar emocionado, concorda com a esposa e diz agradecer, todos os dias, pela vida da esposa e do filho.

"Sou apaixonado por esses dois. São meus guerreiros, meus milagres", afirma.

'Sou apaixonado por esses dois. São meus guerreiros, meus milagres', diz Clodoaldo, marido de Kezia e pai de Miguel (Foto: Kezia Fernanda Lemes de Mira/Arquivo pessoal)

11 de maio de 2018

Operação da PF contra roubo de cargas tem 14 presos no Rio

Quadrilha especializada agia todos os dias especialmente à noite e tinha preferência por produtos mais fáceis de vender.

Uma operação da Polícia Federal realizada nesta sexta-feira (11) contra o roubo de cargas terminou com o cumprimento de 14 mandados de prisão temporária no Rio de Janeiro. A operação Fórtio tinha por objetivo desarticular uma quadrilha especializada no roubo de caminhões de carga em vias da Baixada Fluminense e da zona norte da capital. As informações são da Agência Brasil.

As investigações começaram em janeiro deste ano, depois que imagens da TV Globo flagraram, em dezembro do ano passado, um caminhão roubado sendo descarregado no Complexo do Lins, na zona norte do Rio.

De acordo com o delegado federal Marcelo Prudente, o grupo praticava roubos todos os dias, em especial à noite, principalmente em Belford Roxo, Pavuna, São Gonçalo e ao longo da Avenida Brasil.


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

"Eles roubavam as cargas mais variadas possíveis: carne, cigarros, cerveja. O que a gente identifica nessa quadrilha, como em outras, é a preferência por produtos de altíssima liquidez [que são vendidos com mais facilidade]. Muitas vezes eles abordam o caminhão e, se a carga for desinteressante, eles o deixam prosseguir", disse o delegado.

Prudente explicou ainda que as investigações continuam para identificar outros suspeitos e sua ligação com quadrilhas que controlam a venda de drogas em algumas favelas. "Os caminhões são abordados e, normalmente, são conduzidos a uma outra área de 'segurança' para esses delinquentes fazerem o transbordo, a descarga do caminhão".

Também foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão. As medidas judiciais, expedidas pela 38ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, foram cumpridas em endereços do Rio, Duque de Caxias e Belford Roxo.

A ação faz parte da chamada União Rio, que integra órgãos federais e estaduais no combate à criminalidade do Rio. Também participaram da operação, o Ministério Público do estado e as polícias Militar e Rodoviária Federal.

Tratamento de saúde adia depoimento de Pelé em processo sobre propina no COI

O ex-jogador foi arrolado como testemunha de defesa de Carlos Arthur Nuzman, que é um dos réus no caso.

Um tratamento de saúde adiou o depoimento de Pelé ao juiz Marcelo Bretas sobre a denúncia de compra de votos de membros do COI (Comitê Olímpico Internacional) para a eleição do Rio como sede da Olimpíada de 2016.

Ele foi arrolado como testemunha de defesa de Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do comitê organizador da Rio-16 e do COB (Comitê Olímpico do Brasil), um dos réus no caso. Inicialmente previsto para ocorrer na próxima segunda-feira (14), a videoconferência do ex-jogador foi adiada para o dia 29.

De acordo com documento do oficial da Justiça Federal, o advogado de Pelé, Paulo Gustavo, afirmou na terça-feira (8) que a o ex-jogador estava em Brasília para um tratamento de saúde. Ele só retornará a Santos na próxima terça-feira (15).

Pelé convive com problemas médicos desde 2012. De lá para cá, foi submetido a três cirurgias -no fêmur, no menisco e na coluna.


Foto: Beto Barata/PR

O ex-jogador já havia cancelado em janeiro ida a Londres para uma homenagem da associação de cronistas esportivos da Inglaterra, FWA (Football Writers' Association).

Ele usou um andador para se movimentar na festa de abertura do Estadual do Rio deste ano. Em dezembro do ano passado, participou do sorteio dos grupos da Copa do Mundo da Rússia se locomovendo em cadeira de rodas, entrando no local do sorteio empurrado por ajudantes.

A defesa de Nuzman, contudo, insiste na oitiva do ex-jogador. Pelé fez diversas viagens pela África como um dos principais garotos-propaganda da candidatura do Rio.

Ele também será questionado especificamente pela defesa de Nuzman sobre uma viagem feita à Nigéria em julho de 2009 com membros do comitê de candidatura da Rio-2016.


Foto: Francisco Medeiros/ME

Em depoimento aos procuradores brasileiros e franceses, Eric Maleson, ex-presidente da CBDG (Confederação Brasileira de Desportos no Gelo), afirmou que meses após a viagem à Nigéria o ex-secretário municipal Ruy César "lhe tinha indicado que o encontro tinha se passado bem e lhe tinha feito compreender que o dinheiro tinha sido pago".

Maleson prestará depoimento na segunda (14). Ele foi arrolado como testemunha de acusação pelo Ministério Público Federal.

Nuzman é acusado, junto com o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e o ex-diretor da Rio-16 Leonardo Gryner, de ter pago ao menos US$ 2 milhões ao senegalês Lamine Diack, ex-membro do COI, em troca de votos para a candidatura da cidade brasileira.

A Folha de S.Paulo revelou nesta sexta-feira (11) que o economista Carlos Emanuel Miranda, espécie de gerente da propina de Cabral, afirmou ter ouvido do ex-governador na cadeia que a propina paga a Diack comprou quatro votos no COI.

Geisel autorizou execuções de opositores durante ditadura, diz CIA

O memorando diz que deveriam ser mortos os "perigosos subversivos"

Um documento tornado público pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos mostra que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou que o Centro de Inteligência do Exército (CIE) continuasse a política de execuções sumárias contra opositores da ditadura militar no Brasil adotadas durante o governo de Emílio Garrastazu Médici, mas que limitasse as execuções aos mais “perigosos subversivos”.

O memorando de 11 de abril de 1974, assinado pelo então diretor da CIA (serviço de inteligência dos EUA) Willian Colby e endereçado ao então secretário de Estado Henry Kissinger, afirma que o presidente Geisel disse ao chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) à época, João Baptista Figueiredo, que se tornou presidente entre 1979 e 1985, que as execuções deveriam continuar.

Segundo o documento, Geisel e Figueiredo concordaram que quando o CIE detivesse alguém que poderia cair na categoria de subversivo perigoso, o chefe do Centro de Inteligência do Exército deveria consultar o general Figueiredo que, por sua vez, deveria dar sua aprovação antes da execução. De acordo com o texto, Figueiredo insistiu na continuidade das execuções e Geisel fez comentários sobre os aspectos potencialmente prejudiciais da questão e pediu para refletir sobre o assunto no final de semana, antes de tomar uma decisão.

A publicação perdeu o sigilo em dezembro de 2015, mas o documento ganhou publicidade nesta quinta-feira por meio do professor Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV). Nas redes sociais, onde divulgou o documento, o professor disse que "este é o documento mais perturbador que já li em 20 anos de pesquisa: Recém-empossado, Geisel autoriza a continuação da política de assassinatos do regime, mas exige ao Centro de Informações do Exército a autorização prévia do próprio Palácio do Planalto".

O memorando relata que o encontro teria ocorrido em 30 de março de 1974 entre Geisel, Figueiredo e os generais do CIE Milton Tavares de Souza (então comandante do centro) e Confúcio Danton de Paula Avelino (que assumiria o comando do CIE posteriormente). Ainda segundo o documento, o general Milton Tavares de Souza afirmou, na reunião, que cerca de 104 pessoas que entraram na categoria de subversivos foram sumariamente executadas pelo CIE no ano anterior.

O texto revela que, no dia 1º de abril, Geisel informou ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que era preciso assegurar-se de que apenas “subversivos perigosos” fossem executados. Os militares acertaram também que o CIE deveria dedicar quase todos os esforços ao combate da “subversão interna”.

Para Spektor, o memorando “é a evidência mais direta do envolvimento da cúpula do regime (Médici, Geisel e Figueiredo) com a política de assassinatos”.

O memorando de número 99 faz parte de uma série intitulada Foreign Relations of the United States (Relações Exteriores dos Estados Unidos) e documenta a história das relações dos Estados Unidos com a América do Sul entre 1973 e 1976.

Apesar de os EUA terem retirado o sigilo em 2015, o primeiro e quinto parágrafos do texto sobre a reunião permanecem sigilosos.

O documento original está arquivado no escritório do diretor da CIA em Washington. A transcrição está disponível online em um site do governo federal norte-americano.

Em nota, o Exército Brasileiro informou que os documentos que poderiam comprovar as afirmações foram destruídos, de acordo com norma da época que visava preservar informações sigilosas. "O Centro de Comunicação Social do Exército informa que os documentos sigilosos, relativos ao período em questão e que eventualmente pudessem comprovar a veracidade dos fatos narrados foram destruídos, de acordo com as normas existentes à época - Regulamento da Salvaguarda de Assuntos Sigilosos (RSAS) - em suas diferentes edições".

Reconstituição do assassinato de Marielle dura mais de 5 horas

O espaço aéreo sobre a área foi fechado e até o uso de drones foi proibido. A circulação de pedestres também foi interditada e mesmo o trânsito de moradores foi restrito durante toda a simulação.

A reconstituição do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, iniciada às 22h53 desta quinta-feira (10) na esquina das ruas João Paulo I e Joaquim Palhares, no Estácio, região central do Rio, onde o crime foi cometido, terminou às 4h20 desta sexta-feira (11).

O modelo da arma usada no crime, a distância e o ângulo em que os tiros foram disparados e até mesmo o grau de perícia do assassino são algumas das informações que os policiais da Divisão de Homicídios esperam obter com a reprodução simulada que durou cinco horas e meia.

A imprensa não pode acompanhar a reconstituição, da qual participaram peritos da Polícia Civil e delegados da Delegacia de Homicídios do Rio, que investiga o caso. O local do crime foi cercado com lona preta e fotógrafos tentaram fazer registros a partir de prédios das imediações - mas pelo menos duas árvores atrapalham a visão de cima. Ao final, nenhum participante da simulação concedeu entrevista à imprensa.

Homens do Exército bloquearam local da reconstituição do assassinato de Marielle e Anderson. (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que não presenciou o crime mas chegou ao local minutos depois, participou da reconstituição, assim como a assessora de Marielle - que estava com ela no carro quando o crime ocorreu e sobreviveu ilesa - e outras testemunhas do crime.

Às 2h51 foram ouvidos os primeiros tiros - uma rajada deles. Foi usada munição verdadeira para que os peritos avaliassem a repercussão sonora e outras circunstâncias. Foram disparados tiros em outros quatro momentos - tanto rajadas como tiros pontuais.

"Essa atividade (a simulação) é muito importante principalmente em investigações complexas como esta", explicou o delegado Giniton Lages, da Divisão de Homicídios, responsável pela investigação do crime. "Como não temos a imagem do momento do crime, a reprodução simulada é uma ferramenta imprescindível", disse.

Várias câmeras de vigilância registraram o trajeto de Marielle Franco e de seu motorista na noite do crime, dia 14 de março. Imagens colhidas pelos investigadores mostram a parlamentar saindo da Câmara dos Vereadores e pegando o carro para seguir até a Casa das Pretas, na Lapa, na área central do Rio, onde tinha uma reunião com lideranças do movimento negro.

Outras imagens mostram quando Marielle, Anderson e uma assessora deixam a Casa das Pretas e têm seu carro seguido por um Cobalt. Entretanto, no local exato em que o veículo é alvejado, as câmeras de segurança da rua não estavam funcionando. E é exatamente este momento que os policiais querem reviver durante a simulação.

"Contamos com quatro testemunhas presenciais e elas voltam ao cenário do crime para que através de suas percepções auditivas e visuais possamos reconstruir a dinâmica do crime", explicou o delegado. As testemunhas seriam pessoas que estavam no local no momento dos assasssinatos.

A reprodução usa armas e munições reais justamente para que as testemunhas possam identificar, por exemplo, o modelo da arma usada no crime por meio do som dos disparos. "Que tipo de disparo foi realizado? Era uma rajada? Era intermitente?", exemplificou o delegado, que conversou com os jornalistas um pouco antes do início da simulação. "Essas são perguntas importantes para a continuidade das investigações."

O trânsito nas imediações da esquina das ruas João Paulo I e Joaquim Palhares, no Estácio, no Centro, foi interditado às 20h04, mas os preparativos começaram muito antes, por volta das 10h. Lonas pretas, grades de proteção e sacos de areia foram dispostos na área ao longo do dia.

O espaço aéreo sobre a área foi fechado e até o uso de drones foi proibido. A circulação de pedestres também foi interditada e mesmo o trânsito de moradores foi restrito durante toda a simulação. Cerca de 200 homens da PM e do Exército foram mobilizados.

Sacos de areia foram dispostos para conter os disparos. Um Gol branco foi levado ao local pela Polícia Civil para se passar pelo veículo em que Marielle estava no momento da execução.

10 de maio de 2018

Bombeiro em SP diz achar 'difícil ter sobrevivente' em escombros

Foram encontrados restos mortais de três pessoas diferentes nos escombros do edifício do Largo do Paissandu.

No 10º de trabalho de buscas nos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou no Centro de São Paulo, na semana passada, os bombeiros dizem que é “muito difícil” a possibilidade de encontrar desaparecidos vivos.

"Acho muito difícil ter sobreviventes ali", disse o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros sobre achar desaparecidos com vida no prédio que ruiu após ser atingido por um incêndio na madrugada do dia 1º de maio.

A declaração foi dada no fim da manhã desta quinta-feira (10) após os trabalhos de buscas chegarem ao segundo e último subsolo em um dos pontos da escavação. Até essa quarta-feira (9), o discurso dos bombeiros era outro e eles diziam que esperavam encontrar desaparecidos vivos nos escombros.

De acordo com Palumbo, o solo e as lajes estão compactados. “Não há célula de sobrevivência no local”, disse ele sobre o fato de as estruturas estarem comprimidas.

A equipe de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas da Madrugada localizaram uma vítima em óbito com partes do corpo carbonizado. (Foto: BombeirosPMESP)

“Não tivemos, em nenhum momento, desde esses últimos dois, três dias, algum ponto ou local de célula de sobrevivência. Estão todos muito compactados os escombros não havendo nenhuma possibilidade de vida humana”, declarou o capitão.

Os bombeiros encontraram indícios de ocupação no segundo subsolo do prédio. “Existiam muitas roupas, fogões, geladeiras que estavam completamente contorcidos”, disse Palumbo. Até o momento não foram encontrados vestígios humanos, como corpos, ossos, etc.

Ainda segundo Palumbo, foram desligadas várias ligações clandestinas durante os trabalhos. “A Eletropaulo desligou 5 pontos de uso irregular de energia”, disse o capitão. “Por ali passava cerca de 21 mil volts de energia o que colocava em risco o trabalho dos bombeiros”.

No final da noite desta quarta-feira (9), os bombeiros suspenderam as buscas por vítimas nos escombros do edifício que desabou após um grande incêndio há mais de uma semana. Os trabalhos foram interrompidos após um cabo energizado ter sido encontrado no subsolo.

Bombeiros e funcionários da Eletropaulo passaram parte da madrugada estudando como remover ou cortar a energia do cabo de luz, que representaria risco à equipe de resgate. O trabalho foi retomado por volta das 2 horas.

Restos mortais

Ainda na quarta, restos mortais de três pessoas diferentes foram achados na pilha de entulho do prédio que desabou. São fragmentos de um adulto e duas crianças, segundo identificou o Instituto Médico Legal (IML).

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP-SP), pasta a qual o IML é vinculado, não foi possível identificar o sexo e a estatura das vítimas. Seis pessoas continuam desaparecidas. Foram encontrados ossos da pélvis e vértebras.

Os remanescentes humanos foram achados com auxílio da cadela farejadora Vasti. Os ossos estavam num terceiro local diferente de onde estavam os de restos Ricardo Pinheiro, a primeira vítima identificada, e os restos mortais encontrados na terça-feira (8).

Vivo

Também nesta quarta, mais cedo, a polícia informou que Artur Hector de Paula, de 45 anos, tido como desaparecido, foi encontrado vivo em outra cidade.

De acordo com o delegado seccional do Centro, Marco Antônio de Paula Santos, parentes que moram em Minas Gerais confirmaram que Artur está naquele estado. A cidade onde ele está não foi informada.

Com a confirmação de que Artur está vivo, os bombeiros buscam agora seis pessoas nos escombros:

•Francisco Dantas, de 56 anos

•Selma Almeida da Silva, 40

•Werner, 10, filho de Selma

•Wendel, 10, filho de Selma

•Eva Barbosa Lima, 42

•Walmir Sousa Santos, 47

Polícia Federal faz operação contra crimes praticados pela internet

A ação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Intolerância, realizada em 2012, que investigou pessoas envolvidas nos mesmos crimes

Policiais federais estão nesta quinta-feira (10) nas ruas de seis cidades desde cedo numa operação contra crimes cometidos por meio da internet. Os investigados na Operação Bravata vão responder pelos crimes de associação criminosa, ameaça, racismo e incitação ao crime. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos utilizavam sites e fóruns mantidos na internet com objetivo de incentivar a prática de crimes, como estupro, assassinato de mulheres e negros e atos de terrorismo. Segundo a PF, existem também evidências de que os investigados foram responsáveis por "ameaças de bomba encaminhadas a diversas universidades do país".

OPERAÇÃO INTOLERÂNCIA

A ação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Intolerância, realizada em 2012, que investigou pessoas envolvidas nos mesmos crimes. Na ação de hoje, a polícia constatou que os indivíduos investigados aparentemente mantinham relações com os que foram presos na operação de 2012, inclusive com o uso dos mesmos sites e novas páginas na internet.

Cerca de 60 policiais federais cumprem um mandado de prisão preventiva e oito de busca e apreensão nas cidades de Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e Vila Velha, no Espírito Santo.

De acordo com a PF, no nome da operação, Bravata, refere-se à maneira com que os suspeitos intimidavam suas vítimas, com "ameaças de maneira insolente, fanfarrice, comportamento de quem ostenta suas próprias qualidades, ação da pessoa presunçosa, arrogante e modo de agir de quem faz alarde de uma coragem que não possui".

Ossos encontrados nesta quarta em escombros são de três pessoas, diz IML

Com identificações ainda não concluídas, a polícia e os bombeiros trabalham com o número oficial de seis pessoas desaparecidas.

Os restos mortais encontrados nesta quarta-feira (9) nos escombros do prédio Wilton Paes de Almeida, que desabou na semana passada, no centro de São Paulo, são de três pessoas diferentes. Segundo análise feita pelo IML (Instituto Médico Legal), eles seriam de um adulto e duas crianças, ainda sem definição de sexo e estatura. 

Os ossos foram localizados no final da manhã, estavam espalhados entre os destroços e seriam o terceiro indício de vítimas encontro  em nove dias de buscas. Já havia sido localizado o corpo de Ricardo Galvão, morador do prédio conhecido como Tatuagem, e de um segundo homem ainda não identificado. 

Com identificações ainda não concluídas, a polícia e os bombeiros trabalham com o número oficial de seis pessoas desaparecidas. O vendedor ambulante Arthur Hector de Paula, que estava na lista no início da semana, foi localizado fora de São Paulo. Ele prestou depoimento na tarde desta quarta para confirmar que ele está vivo. 

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Assim, ainda são considerados desaparecidos a faxineira Eva Barbosa, 42, e o marido dela, Valmir de Souza Santos,  Selma Almeida da Silva, 40, e seus filhos gêmeos, Wendel e Wender, 10, além de Francisco Lemos Dantas, 56. 

Para os bombeiros, a região onde os trabalhos estavam concentrados nesta quarta é muito sensível.

"Estamos no ponto crucial. Sabíamos que não haveria vítimas nos andares superiores, já que do 11º andar para cima ninguém morava. Acabamos de entrar nos [destroços dos] andares abaixo disso e vamos agir com cuidado para não causar danos", disse mais cedo o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo. 

Na tarde desta quarta, movimentos de luta por moradia fizeram um ato, no centro de São Paulo, em defesa das ocupações que se espalham por prédios da região e contra a criminalização dos movimentos que as apoiam. O protesto terminou com um ato ecumênico no largo do Paissandu. 

O desabamento provocou ainda a interdição de cinco imóveis em seu entorno, sendo quatro prédios e a igreja. Segundo a Defesa Civil, todos os bloqueios são totais e não há previsão de liberação. Não foi encontrado risco iminente de colapso em nenhum deles, mas eles seguem monitorados pelo órgão.

Um desses imóveis é o edifício Caracu, localizado na rua Antônio de Godói, que foi liberado para a entrada de moradores pela primeira vez na última sexta-feira (4). As pessoas puderam retirar pertences pessoais, como documentos e medicamentos, mas não puderam permanecer no local. 

Também estão interditados a igreja, no número 34 da av. Rio Branco; um prédio, no largo do Paissandu, 132; e um edifício estreito da Antônio de Godói, que ficou com marcas das chamas em sua fachada. Essa última construção conta como duas interdições por ter duas numerações (8 e 26).

Polícia prende dono da empresa de refrigerantes Dolly por fraude fiscal

Justiça teria considerado que companhia demitiu funcionários e os recontratou para burlar pagamento ao INSS. Dois helicópteros foram apreendidos.

Polícia Militar prendeu, na manhã desta quinta-feira (10), o dono da empresa de refrigerantes Dolly, Laerte Codonho, em sua casa na Granja Viana, em Cotia, na Grande São Paulo. As investigações apontam fraude fiscal estruturada, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As fraudes chegariam a R$ 4 bilhões.

Codonho teve a prisão temporária decretada e deve ser levado ao 77º D.P. (Distrito Policial).

Polícia Militar efetua prisão de Laerte Codonho em mansão na Granja Viana, em Cotia (Foto: Arquivo Pessoal)

Informações preliminares apontam que a Justiça considerou que a empresa, comandada por Codonho, demitiu funcionários e os recontratou em outra companhia para fraudar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Carro de luxo é apreendido em Cotia após prisão de Laerte Codonho, dono da fabricante de refrigerantes Dolly (Foto: Arquivo Pessoal)

Dois helicópteros foram apreendidos em São Bernardo do Campo, e pelo menos um carro de luxo, em Cotia. A operação envolve o Gedec (grupo especial do Ministério Público paulista para combate à formação de cartel e lavagem de dinheiro), a Procuradoria-Geral do Estado e a Polícia Militar.

Helicóptero é apreendido em São Bernardo do Campo; medida faz parte de operação que prendeu dono da marca de refrigerantes Dolly (Foto: Arquivo Pessoal)

Lula reafirma candidatura à Presidência em carta a Gleisi

Lula está preso desde 7 de abril para cumprir pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso sobre o tríplex no Guarujá.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso há mais de um mês em Curitiba, reafirmou sua candidatura à Presidência em carta enviada à presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), reiterando que desistir seria o mesmo que assumir que cometeu um crime que afirma não ter cometido.

"Se eu aceitar a ideia de não ser candidato, estarei assumindo que cometi um crime. Não cometi nenhum crime", disse Lula na carta, que foi publicada no site do PT na noite de quarta-feira. "Por isso sou candidato até que a verdade apareça e que a mídia, juízes e procuradores mostrem o crime que cometi ou parem de mentir".

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Lula está preso desde 7 de abril para cumprir pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso sobre o tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, no âmbito da operação Lava Jato. Como a condenação já ocorreu em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a Presidência, deve ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

Lula nega ser dono do tríplex, assim como quaisquer irregularidades. Ele afirma ser alvo de uma perseguição política promovida por setores da imprensa, do Ministério Público, do Judiciário e da Polícia Federal para impedi-lo de concorrer.

Na carta a Gleisi, Lula diz que tem acompanhado debate na imprensa sobre sua candidatura, incluindo a possibilidade de um "Plano B" do PT ou de apoio do partido a outro candidato, e por isso decidiu se manifestar sobre o assunto para defender a presidente do partido, que é firme defensora da candidatura de Lula.

"Quem quer que eu não seja candidato eu sei, inclusive, as razões políticas, pois são concorrentes. Outros acham que fui condenado em 2ª instância, então sou culpado e estou no limbo da Lei da Ficha Suja. Os meus acusadores sabem que sou inocente. Procuradores, juiz, TRF-4, eu sou inocente. Os meus advogados sabem que eu sou inocente. A maioria do povo sabe que eu sou inocente", afirmou.

Polícia apura quem forneceu arma para atentado contra Marielle e Anderson

Submetralhadora MP 5 é utilizada por grupos de elite das polícias Civil, Militar e Federal e investigadores tentam descobrir se arma foi desviada de algum paiol.

Policiais da Divisão de Homicídios tentam descobrir quem forneceu a arma e as munições utilizadas na morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março passado. Nesta noite de quinta-feira (10), acontece uma reconstituição do caso numa tentativa da polícia esclarecer momentos antes da vereadora e de Anderson serem baleados no bairro do Estácio.

A simulação deve confirmar as investigações de que Marielle foi atingida por disparos de uma submetralhadora MP 5, de calibre 9 milímetros.

De acordo com policiais, a DH investiga se a arma foi desviada de algum paiol pertencente a uma força de segurança no Estado do Rio de Janeiro. Submetralhadoras semelhantes são utilizadas pelas forças especiais das polícias Civil, Militar e Federal.

Já sobre munições - quatro atingiram a vereadora na cabeça - pertencem a um lote adquirido pela Polícia Federal, em 2006. As munições deste lote foram encontradas em locais de crimes em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, em confrontos envolvendo policiais e traficantes.

De acordo com relatos colhidos pelos investigadores, o assassino da vereadora colocou apenas o braço para o lado de fora do carro, em movimento, e disparou contra o veículo onde estava a vereadora.

A reconstituição desta quinta, segundo investigadores, se limitará ao local onde Marielle e Anderson foram atingidos pelos disparos e não no percurso entre a saída da vereadora da Casa das Pretas, na rua dos Inválidos, até o Estácio onde foi atingida pelos criminosos.

As investigações da polícia

Desde quarta-feira (9), uma testemunha está sob proteção da Polícia Civil do RJ. Em três depoimentos, entre os dias 30 de abril e 4 de maio, ela contou detalhes sobre o crime e apontou o vereador Marcelo Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, chefe de uma milícia na região de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.

O vereador Marcelo Siciliano chamou as denúncias de factoide. “Gostaria de esclarecer, antes de mais nada, a minha surpresa com relação ao que aconteceu ontem (terça, 8). A minha relação com a Marielle era muito boa, não estou entendendo por que esse factoide foi criado contra a minha pessoa", afirmou.

Assassinato de vereadora carioca Marielle Franco provocou debate sobre direitos humanos nas redes sociais (Foto: Renan Olaz/CMRJ)

Nesta terça (8), o jornal O Globo informou, em reportagem exclusiva, que uma testemunha procurou a Polícia Federal para falar sobre o caso Marielle. A testemunha teria contado à PF que o vereador e o ex-PM Orlando Araújo queriam a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL).

Ainda segundo a publicação, a testemunha decidiu contar o que sabe porque está jurada de morte. O delator teria sido ameaçado pelo ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, que cumpre pena na Cadeia Pública Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9.

A motivação do crime, de acordo com o depoimento, foi o avanço de ações comunitárias de Marielle em áreas de interesse da milícia na Zona Oeste.

A vereadora foi executada com quatro tiros. Na ação, o motorista Anderson Gomes também foi atingido e morreu e uma assessora foi ferida por estilhaços.

09 de maio de 2018

Queda de helicóptero no mar da Barra da Tijuca deixa um morto

A equipe de resgate tentou reanimar o piloto na areia durante 30 minutos, mas não foi possível salvá-lo.

Um helicóptero com quatro pessoas a bordo caiu no mar na altura do Posto 4 da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, na manhã desta quarta-feira (09). De acordo com o Corpo de Bombeiros, o piloto da aeronave morreu no local e outras três pessoas, que ficaram feridas no acidente, foram levadas para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, também na Barra da Tijuca. Segundo a avaliação preliminar dos socorristas, nenhuma delas corre o risco de morrer.

Ainda de acordo com os bombeiros, a equipe de resgate tentou reanimar o piloto na areia durante 30 minutos, mas não foi possível salvá-lo.

Bombeiros retiram uma pessoa do mar Foto: Radar Brasil

A queda aconteceu a cerca de 150 metros de distância da areia. Com a correnteza, a aeronave foi levada do Posto 4 até o Posto 5, mais perto do Recreio dos Bandeirantes, antes de começar a afundar. Os bombeiros foram acionados às 11h19. Cerca de 28 homens trabalharam no socorro, entre eles dez salva-vidas e 18 bombeiros do Grupamento de Busca e Salvamento da Barra. Para facilitar a mobilização da equipe de resgate, uma pista da Avenida Lúcio Costa, na orla da Barra, foi fechada.

Uma foto que circula em redes sociais mostra uma vítima sendo retirada da água pelos salva-vidas. Vídeos publicados por moradores daquele trecho da orla também mostram a ação de resgate.

De acordo com o registro da aeronave no site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o helicóptero, modelo 206B, está registrado como propriedade da Mapa Empreend. e Participações Ltda. Foi fabricado em 1980, tem peso máximo de decolagem de 1,452 tonelada e carrega até quatro pessoas. A categoria de registro é para serviço aéreo privado. A situação de aeronavegabilidade constava como normal e a inspeção anual de manutenção era válida até 14/06/2018. O certificado de aeronavegabilidade vale até 2020.

Em redes sociais, algumas pessoas comentam o que aconteceu:

"Helicóptero acabou de cair na porta de casa. Quase filmei a queda. Foi na Barra da Tijuca, em frente ao Posto 4".

"Helicóptero caiu no mar da Barra, meu Deus tomara q todos saiam ilesos".

"Um helicóptero caiu no posto 4 da Barra. Chocada com as imagens"

Bombeiros acham restos mortais de 3ª vítima em escombros de prédio

Pedaços de ossos foram localizados no 1º subsolo com o auxílio da cadela farejadora Vasti.

Corpo de Bombeiros localizou na manhã desta quarta-feira (9) restos mortais de uma terceira vítima do desabamento do prédio no Centro de São Paulo na última terça-feira (1º).

Foram encontrados ossos da pélvis e vértebras pela cadela farejadora Vasti. O Instituto Médico Legal (IML) foi ao local para recolher os ossos para análise.

“Esses ossos foram encontrados no subsolo, um local diferente de onde foram achados os outros ossos de ontem”, disse o capitão Marcos Palumbo, porta-voz dos bombeiros. "Isso reforça a hipótese de que os restos mortais pertençam a indivíduos diferentes", completou.

"Não é possível afirmar se morreram queimadas ou sofreram fraturas, disse Palumbo. “Só o IML apontará a causa das mortes. Nós não podemos dizer a causa da morte”, afirmou.

Bombeiros chegam ao 1º subsolo do prédio que desabou no Centro de São Paulo (Foto: Kleber Tomaz/G1)

Nesta terça (8), foram encontrados fragmentos e restos mortais de uma das vítimas. O material recolhido pertence a um adulto do sexo masculino, informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Segundo Palumbo, desde o início dos trabalhos já foram retiradas 2 mil toneladas de destroços do prédio que desabou. O entulho está sendo colocado por máquinas em caminhões.

A primeira vítima, encontrada na sexta-feira (4), foi identificada como Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, de 39 anos, o homem que morreu quando era resgatado.

Agora, os bombeiros buscam outras sete pessoas nos escombros:

- Francisco Dantas, de 56 anos;

- Selma Almeida da Silva, 40;

- Welder, 9, filho de Selma;

- Wender, 9, filho de Selma;

- Eva Barbosa Lima, 42;

- Walmir Sousa Santos, 47;

- Artur Hector de Paula, 45.

Auxílio aos desabrigados

Na terça-feira (8), as famílias que moravam no prédio começaram a receber o auxílio-aluguel, segundo a Prefeitura.

Os ex-moradores do Wilton Paes de Almeida que permanecem acampados no Largo do Paissandu reforçaram as barracas com lonas na noite desta terça. Com a diminuição das temperaturas na capital paulista, eles reclamam de frio e de cansaço após mais uma noite a céu aberto.

Projeto prevê aumento do tempo máximo de prisão de 30 para 40 anos

Além do tempo máximo de prisão, o ministro defendeu que crime sem violência ou grave ameaça tenham penas alternativas.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes anunciou nesta terça-feira (8) ter incluído no projeto de segurança pública que foi encaminhado ao Congresso Nacional a proposta para aumentar de 30 para 40 anos o tempo máximo para cumprimento de pena no país. 

Moraes vinha trabalhando com uma comissão externa para a elaboração de um pacote de medidas contra o tráfico de armas e drogas desde o final de 2017. 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que será instaurada comissão mista das duas Casas Legislativas para apreciar o projeto e que pretende votá-lo em plenário no final de junho. 

Pré-candidato à Presidência da República, Maia tem a segurança pública como uma de suas principais bandeiras. A Câmara tem tido dificuldade para a aprovação de projetos e a tendência é que os trabalhos fiquem cada vez mais morosos com a aproximação das eleições e também da Copa do Mundo, que começa no meio de junho. 

Além do tempo máximo de prisão, o ministro defendeu que crime sem violência ou grave ameaça tenham penas alternativas. Segundo ele, isso ajudaria a esvaziar os presídios hoje superlotados. Para isso, seriam utilizadas penas como prestação de serviços à comunidade, dadas diretamente nas audiências de custódia. 

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Além das mudanças no cumprimento de pena, o pacote apresentado por Moraes traz alterações no financiamento da segurança pública, na investigação e no processo penal. 

Segundo a proposta, o crime de milícias e de posse de armas restritas ou proibidas passaria a ser julgado pela Justiça Federal, e não mais estadual. 

No caso dos milicianos, Moraes afirmou ainda que "atos preparatórios" para a constituição de um grupo de milícia poderão ser punidos. Essa mudança, segundo ele, foi inspirada na polêmica lei antiterrorismo, aprovada em 2016 e criticada pela ONU (Organização das Nações Unidas). 

Outra proposta do texto permite a infiltração de policiais em redes sociais e aplicativos de comunicação como o WhatsApp e o Telegram, que são criptografados, "com o fim de investigar os crimes (...) praticados por organizações criminosas". 

Pelo projeto de lei, as empresas que gerem esses aplicativos teriam que ter sede no Brasil, e atender "às requisições que lhes forem dirigidas". "Não dá para ser 8 ou 80, ou não se faz nada ou se bloqueia o WhatsApp por 24 horas", afirmou o ministro do STF. Segundo ele, a infiltração deve acontecer mediante decisão judicial. 

O projeto apresentado por Moraes prevê ainda a criação de colegiados de juízes para a tomada de decisões a respeito de milícias e traficantes para, segundo o ministro, garantir a segurança dos magistrados. 

Financiamento

Sobre financiamento, o projeto prevê que passem a ser destinados 25% dos recursos do Sistema S para a segurança pública. De acordo com Moraes, em 2017 isso significaria R$ 5 bilhões a mais para a segurança. 

Além disso, o projeto prevê que se destine 4% dos ganhos com a loteria federal, em uma estimativa de R$ 240 milhões. 

Desses recursos, 75% seriam distribuídos aos estados e 25% aos municípios. Do valor repassado aos governadores, 60% seguiria critério de população e 40% seria enviado de acordo com os índices de homicídios. 

Já no caso do valor municipal, 50% seria repassado às capitais e 50% aos municípios com mais de 200 mil habitantes.

Testemunha liga vereador e ex-PM ao assassinato de Marielle, diz jornal

Reportagem afirma que vereador Marcello Siciliano (PHS) e ex-policial militar que está preso queriam morte da vereadora. Procurado pelo jornal, Siciliano disse que não conhece o PM e que a notícia é 'mentirosa'.

Uma testemunha contou à polícia, segundo informações obtidas pelo jornal O Globo, que o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo queriam a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL).

Procurado pelo jornal, o vereador disse que não conhece o PM – condenado e preso por chefiar uma milícia – e afirmou que a acusação da testemunha é "mentirosa". Siciliano prestou depoimento à Divisão de Homicídios sobre o assassinato de Marielle, no início de abril, na condição de testemunha. O vereador considerou a acusação uma "covardia" (Leia a nota completa no fim desta reportagem).

A motivação do crime, de acordo com o depoimento, foi o avanço de ações comunitárias de Marielle em áreas de interesse da milícia na Zona Oeste.

Vereador Marcello Siciliano, do PHS - Reprodução/Facebook

A vereadora foi executada com quatro tiros na cabeça na noite de 14 de março. Na ação, o motorista Anderson Gomes também foi atingido e morreu e uma assessora foi ferida por estilhaços.

De acordo com O Globo, a testemunha diz que foi forçada a trabalhar para Orlando e deu detalhes de como a execução foi planejada e diz que participou de reuniões. As conversas entre Orlando e Siciliano teriam começado em junho do ano passado.

"Eu estava numa mesa, a uma distância de pouco mais de um metro dos dois. Eles estavam sentados numa mesa ao lado. O vereador falou alto: “Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando”. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: “Marielle, p*ranha do Freixo”. Depois, olhando para o ex-PM, disse: 'Precisamos resolver isso logo'", afirmou a testemunha, segundo O Globo.

Marielle foi assessora do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) durante a CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

A reportagem cita ainda que a testemunha concedeu três depoimentos à Divisão de Homicídios. Deu informações à polícia sobre datas, horários e reuniões entre Siciliano e o ex-PM, que atualmente está em Bangu 9, no Complexo Pentenciário de Gericinó, na Zona Oeste. Também teria fornecido nomes de quatro homens escolhidos para o assassinato, agora investigados pela polícia.


Ainda segundo a publicação, a testemunha contou que, um mês antes do atentado contra Marielle, o ex-PM deu a ordem para o crime de dentro da cela de Bangu 9.

O relato informa que Orlando, primeiro, mandou que homens de sua confiança providenciassem a clonagem de um carro, o Cobalt prata, e que o veículo foi visto circulando próximo da comunidade da Merk, na Zona Oeste, controlada pelo ex-PM.

A testemunha afirmou também que um homem identificado como Thiago Macaco foi encarregado de fazer o levantamento dos hábitos da vereadora: onde ela costumava ir, o local que frequentava e todos os trajetos que Marielle usava ao sair da Câmara de Vereadores.

O depoimento também cita que o ex-PM é "dono" da comunidade Vila Sapê, em Curicica, também na Zona Oeste, que trava uma guerra com os traficantes da Cidade de Deus. Segundo a testemunha, a vereadora passou a apoiar os moradores da Cidade de Deus e comprou briga com o ex-PM e o vereador, que tem uma parte do seu reduto eleitoral na região.


"Ela peitava o miliciano e o vereador. Os dois [o miliciano e Marielle] chegaram a travar uma briga por meio de associações de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sapê. Ela tinha bastante personalidade. Peitava mesmo", revelou a testemunha, de acordo com o jornal.

Em nota, o vereador Marcelo Siciliano (PHS), negou qualquer envolvimento com o crime.

"Expresso aqui meu total repúdio a acusação de que eu queria a morte de Marielle Franco. Ela é totalmente falsa. Não conheço "Orlando da Curicica" e acho uma covardia tentarem me incriminar dessa forma. Marielle, além de colega de trabalho, era minha amiga. Tínhamos projetos de lei juntos. Essa acusação causa um sentimento de revolta por não ter qualquer fundamento. Eu, assim como muitos, já esperava que esse caso fosse elucidado o mais rápido possível. Agora, desejo ainda mais celeridade", explicou.

08 de maio de 2018

Receita abre consulta ao lote residual de restituição de Imposto de Renda

No total, 125.569 contribuintes receberão o total de R$ 200 milhões. Consultas podem ser feitas a partir das 9h.

A Receita Federal abre a partir desta terça-feira (8) a consulta ao lote multiexercício de restituição do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, referentes aos exercícios de 2008 a 2017.

Os lotes residuais referem-se a contribuintes que caíram na malha fina, mas que posteriormante acertaram suas contas com o leão.

No total, 125.569 contribuintes receberão o total de R$ 200 milhões. Desse montante, R$ 85.314.569,52 serão pagos a 23.957 contribuintes idosos e 2.140 contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave.

Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Receita lembra que há ainda o aplicativo para tablets e smartphones que facilita consultas às declarações do IRPF e situação cadastral no CPF, diretamente nas bases de dados da Receita Federal.

Veja como consultar

Para saber se teve a declaração liberada, o contribuinte deverá acessar a página da Receita Federal na internet, ou ligar para o Receitafone 146. Na consulta, serviço e-CAC, é possível acessar o extrato da declaração e ver se há inconsistências identificadas. Nesta hipótese, o contribuinte pode avaliá-las e fazer a autorregularização, mediante entrega de declaração retificadora.

A restituição ficará disponível no banco durante um ano. Se o contribuinte não fizer o resgate nesse prazo, deverá requerê-la pela Internet, por meio do Formulário Eletrônico - Pedido de Pagamento de Restituição, ou diretamente no e-CAC, no serviço Extrato do Processamento da DIRPF.

PF diz que amigo de Temer recebeu R$ 1 milhão da Odebrecht

Para os investigadores, os novos dados do inquérito corroboram a versão do MPF, que denunciou Yunes como arrecadador de propinas para Temer

Laudo da Polícia Federal, obtido pela reportagem, indica que o advogado José Yunes, amigo do presidente Michel Temer, recebeu R$ 1 milhão da Odebrecht em duas parcelas de R$ 500 mil.

O segundo repasse, de acordo com análise dos investigadores, só teria ocorrido mediante pressões sobre a empreiteira e até a ameaça de um escândalo em Brasília. 

Advogado José Yunes (Divulgação/YCB)

O laudo foi elaborado a partir de novos arquivos entregues pela Odebrecht à Lava Jato, com registros dos sistemas Drousys e My Web Day, usados para gerir o pagamento de propinas a políticos. 

A perícia da PF sobre essas mídias foi concluída em abril deste ano e integra o inquérito que apura se Temer e aliados negociaram, em reunião no Palácio do Jaburu, R$ 10 milhões em doações ilícitas de campanha para integrantes de seu partido, o MDB, parte delas usando o amigo e ex-assessor. 

Os peritos recuperaram planilhas com a programação do suposto pagamento a Yunes, bem como dados da liquidação desse repasse. Além disso, foi encontrado um email no qual integrantes do esquema de corrupção da Odebrecht relatam pressão para que recursos fossem pagos.

Para os investigadores, os novos dados do inquérito corroboram a versão do MPF (Ministério Público Federal), que denunciou Yunes como arrecadador contumaz de propinas para Temer. Como a Folha de S.Paulo revelou no domingo, em depoimento prestado à PF, o policial militar Abel de Queiroz -que trabalhava como encarregado da Transnacional, firma de transporte de valores contratada pela Odebrecht- disse ter ido duas vezes ao escritório do advogado para fazer entregas de dinheiro.

Foto: Reprodução/Site Odebrecht

Uma das planilhas esquadrinhadas no laudo descreve a programação inicial de pagar R$ 1 milhão, em 26 de agosto de 2014, por meio de compromisso firmado com "Angorá" -codinome associado aos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e de Minas e Energia, Moreira Franco. A senha para a entrega dos recursos seria "Pássaro".

Num outro registro, consta que esse pagamento deveria ser feito "na rua Capitão Francisco, 90, Jardim Europa", onde funciona o escritório de Yunes. "Procurar o sr José Yunes ou a sra. Cida", diz o texto localizado pela PF. 

Uma terceira tabela, intitulada "extrato bancário" e que registra a movimentação de recursos geridos por um dos doleiros da Odebrecht, indica que, ao invés de R$ 1 milhão, foram repassados inicialmente R$ 500 mil. Essa movimentação financeira, datada de 1º de setembro de 2014, tem o mesmo código de requisição que consta da programação inicial de pagamento no escritório de Yunes.   

O email encontrado no material apresentado pela Odebrecht foi escrito em 30 de setembro de 2014, ou seja, quando, no entendimento da PF, os primeiros R$ 500 mil já teriam sido pagos. Foi enviado por Waterloo -codinome de a Fernando Migliaccio, executivo do departamento de propinas da empreiteira- a Vinho, o doleiro Álvaro Novis, que trabalhava para a empreiteira. 

No texto, Waterloo diz que a programação de pagamento era de R$ 1 milhão, mas, por "questões de caixa", só havia autorizado pagar R$ 500 mil. Ele alega que a situação não poderia perdurar, em função do perfil do beneficiário dos recursos. "Dado o nível da pessoa, tanto do ponto de vista político, como do ponto de vista de caráter, não posso ficar com essa exposição", escreveu.

Na sequência, Waterloo relata intimidações. "Preciso resolver os R$ 500 mil que ele alega não ter recebido. Já ameaçou fazer escândalo em Brasília e o pior é que ele conhece muito do nosso esquema. Ou seja, não dá para vacilar com este sujeito", alertou.

O texto não deixa claro quem, exatamente, é a pessoa que fez a ameaça. José de Carvalho, um dos delatores da Odebrecht, relatou em depoimento que o deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ) chegou a pressionar a Odebrecht por um repasse na mesma quantia, que teria sido acertado durante o jantar no Jaburu. 

Para a PF, os elementos colhidos nas mídias indicam que o email se refere à operação para entregar R$ 1 milhão no escritório de Yunes. Os dados adicionais da investigação, segundo o laudo, poderão corroborar essa ligação.

Waterloo finaliza o email pedindo ajuda do doleiro. "Repito, ele alega que não recebeu. Estou torcendo para ser um equívoco de extrato".

Em outro depoimento, também obtido pela reportagem, a ex-secretária do departamento de propinas da Odebrecht Maria Lúcia Tavares disse que a empreiteira pagou "de forma fracionada" a suposta propina destinada a  Yunes.

Segundo ela, Carvalho lhe informou que a senhora Cida [personagem ainda desconhecido dos investigadores] reclamou com ele que o valor não havia sido entregue. "Mas, posteriormente, identificou que o valor havia sido pago, porém de forma fracionada, por superar R$ 500 mil", declarou, conforme a transcrição da oitiva, ocorrida em 17 de janeiro. 

Outro lado

O advogado de Yunes, José Luís de Oliveira Lima, disse em nota que seu cliente "jamais atuou como intermediário de qualquer pessoa", desconhece a existência de e-mails citados na investigação e "não conhece e nunca esteve com Abel de Queiroz".

"Apesar de a defesa não conhecer o teor desse eventual depoimento [de Abel Queiroz], José Yunes refuta qualquer ilação a seu nome", acrescentou.

O advogado de Temer, Brian Alves Prado, informou que a defesa "reitera as respostas já há muito tempo dadas sobre esse mesmo enredo, ou seja, nega qualquer envolvimento do presidente com os fatos em apuração".

Polícia Federal deflagra a 51ª fase da Operação Lava Jato

Nova etapa, batizada de Déjà Vu, ocorre nesta terça-feira (8) em três estados: Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.

Policiais federais estão nas ruas para cumprir mandados judiciais referentes à 51ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta terça-feira (8). São quatro mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 17 de busca e apreensão.

Os mandados de prisão são contra três ex-funcionários da Petrobras e três operadores financeiros, um deles um agente que se apresentava como intermediário de valores destinados a políticos vinculados ao então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Sede da Polícia Federal no Paraná (Foto: Reprodução/ RPC Curitiba)

A propina, conforme o Ministério Público Federal (MPF), de US$ 56,5 milhões foi paga entre 2010 e 2012. Atualmente, o valor equivale a R$ 200 milhões.

Segundo o MPF, as vantagens indevidas estão relacionadas a um contrato fraudulento de mais de US$ 825 milhões, firmado em 2010 pela Petrobras com a construtora Norberto Odebrecht

Déjà Vu

Esta nova etapa foi batizada de Déjà Vu, ocorre em três estados: Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.

O objetivo, de acordo com a Polícia Federal (PF), é reunir elementos que provem a prática de corrupção, associação criminosa, fraudes em contratações públicas, crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro.

Os presos vão ser levados à Superintendência da PF, em Curitiba. Até a publicação desta reportagem, não havia sido informado quantas pessoas foram presas, nem quem são os alvos dos mandados.

Bombeiros localizam 2º corpo nos escombros do prédio em SP

Equipe de resgate diz que corpo pode ser de uma criança. Gêmeos de 9 anos são procurados na tragédia.

O Corpo de Bombeiros encontrou na manhã desta terça-feira (8) um segundo corpo nos escombros do prédio no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo. Segundo informações iniciais, o corpo é de pequeno porte, pode ser de uma criança, e não há indícios de que seja de Ricardo, a primeira vítima encontrada.

“Agora às 6h30, em uma escavação manual, foi localizado o corpo de uma vítima de pequeno porte, podendo ser de uma criança. As equipes estão intensificando as buscas no local, porque há indícios de que outras vítimas possam ser encontradas na mesma região", disse o capitão Palumbo, porta-voz dos Bombeiros.

As buscas por desaparecidos do incêndio e queda do prédio completou uma semana nesta terça. Sete pessoas são procuradas. Entre elas, há duas crianças – os gêmeos Welder e Wender, de 9 anos, filhos de Selma, também considerada desaparecida.

Foto: Reprodução/TV Globo

O corpo tem sinais de carbonização, segundo Palumbo. "O Corpo de Bombeiros agora vai focar naquela área para que a gente possa saber se há outras vítimas ali", completou.

"Começamos ontem à noite. A própria cadela Sara passou pelo local e ela esboçou grandes indícios, mas o que foi determinante foi a remoção dos escombros de forma selecionada. "

De acordo com o tenente Guilherme Derrite, houve vazamento de gás natural e a Comgás foi acionada. “No local, estritamente, apenas buscas manuais. O trabalho agora passa a ser feito com muito mais cuidado, um trabalho muito cirúrgico para preservar as partes dessas vítimas e que possa haver exame de confronto para identificar essas vítimas.”

Às 6h50, os bombeiros estenderam uma lona azul durante as buscas aos escombros, próximo à Igreja. Segundo Derrite, "o IML vai analisar os restos mortais para fazer exames comparativos com material genético de parentes dos desaparecidos. Somente após isso é que terão a confirmação de quem é a vítima”.

Foto: Reprodução/TV Globo

Mais um desaparecido

Também na manhã desta terça-feira, os Bombeiros incluíram mais um homem, de 56 anos, na lista oficial de desaparecidos. Francisco Dantas vivia há um mês no oitavo andar do prédio.

A ex-mulher de Francisco Lima procurou a polícia para informar sobre o seu desaparecimento. “Eu falava com ele todos os dias. O dia que eu não falei foi na terça. Ai eu liguei pra ele e ele não atendeu mais.”

07 de maio de 2018

Bombeiros dizem ser possível encontrar sobreviventes de prédio que desabou

Segundo capitão, ainda há focos de incêndio que indicam que há oxigênio nos escombros. Há relatos de terem encontrado sobrevivente14 dias após soterramento na Indonésia, segundo bombeiros.

o sétimo dia de buscas pelos desaparecidos do prédio que caiu no Centro de São Paulo, o Corpo de Bombeiros declarou ser possível encontrar sobreviventes. “O Corpo de Bombeiros sempre trabalha com a hipótese de encontrar vítimas com vida”, disse o major Eduardo Drigo nesta segunda-feira (7). “Então, até que se chegue ao término do serviço, trabalhamos com essa possibilidade”.

Os bombeiros procuram nos destroços oficialmente 5 pessoas que desapareceram após o prédio pegar fogo e ruir na última terça-feira (1). São uma mulher e seus gêmeos e mais um casal. São eles: Selma Almeida da Silva, 40; Welder e Wender, 9, filhos dela dela; e Eva Barbosa Lima, 42 e Walmir Sousa Santos, 47.

Na sexta-feira (4) foi encontrado o corpo de Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, que caiu junto com o prédio quando os bombeiros tentaram resgata-lo. A TV Globo flagrou a queda do morador. Segundo o major, existe a possibilidade de que bolsões de ar tenham se formado entre as lajes possibilitando que pessoas soterradas respirem. Elas também poderiam beber água lançada pelos bombeiros para apagar as chamas.


Foto: Reprodução/Marcelo Justo/Uol

O major citou o caso do World Trade Center nos Estados Unidos em 2001, quando bombeiros encontraram sobreviventes em bolsões de ar. “Sem dúvida, se tomar por exemplo a situação do World Trade Center, após vários dias foram encontradas pessoas”.

A diferença é que foram encontrados sobreviventes 27 horas após a queda das Torres Gêmeas, alvo de ataques terroristas. “Laje sobre laje existe a possibilidade de bolsões de ar. Não é tão grande, mas existe, sempre existe”.

Segundo o capitão Marcos Palumbo, porta-voz dos Bombeiros, há relatos internacionais de salvamento de pessoas até 14 dias após terem sido soterradas. O tempo máximo que se tem conhecimento de um sobrevivente nessas condições é de 14 dias. Ocorreu na Indonésia”.

De acordo com Palumbo, se houver desaparecidos no prédio, eles estariam estariam do oitavo andar para baixo porque ainda há foco de incêndio, o que indica que há oxigênio. “Se os desaparecidos estiverem no subsolo, com água e com oxigênio, e com controle emocional diante desse estresse, é possível encontrá-las com vida”, disse Palumbo

O major Drigo acredita que os trabalhos de remoção dos destroços devem durar mais 15 dias. “O Corpo de Bombeiros só vai sair do local na hora que atingir o pavimento do último subsolo”.

Prazo para alterações no título de eleitor termina nesta quarta

Durante o período em que o cadastro permanece fechado, o eleitor pode realizar nos cartórios outros serviços que não interfiram nos dados, como solicitar a segunda via do título de eleitor ou quitar pendências relativas às últimas eleições

Termina nesta quarta-feira (9) o prazo para fazer alterações no título de eleitor. Quem deseja obter, alterar ou transferir o documento deve comparecer aos cartórios eleitorais. O mesmo vale para aqueles que precisam cadastrar biometria. Em São Paulo, também é possível realizar os serviços nos postos do Poupatempo. Após este período, só será possível alterar o documento depois das eleições deste ano.

Isso ocorre porque a legislação eleitoral determina que não pode haver alterações na base de dados dos eleitores seis meses antes do período das eleições, uma vez que essas informações devem estar atualizadas nas urnas eletrônicas para o dia da votação.

Durante o período em que o cadastro permanece fechado, o eleitor pode realizar nos cartórios outros serviços que não interfiram nos dados, como solicitar a segunda via do título de eleitor ou quitar pendências relativas às últimas eleições.

O prazo também encerra o período do cadastramento biométrico obrigatório iniciado há mais de um ano em 716 cidades, listadas no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais). Quem perdeu o prazo terá o título cancelado e não poderá votar, participar de concurso público, emitir passaporte e CPF. A regularização só poderá ser feita após as eleições mediante o pagamento de multa correspondente às pendências com a Justiça Eleitoral. 

Sobre o título

O alistamento eleitoral é obrigatório para os brasileiros maiores de 18 anos e facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 anos e os menores entre 16 e 18 anos.

1 - Verifique no site do TRE se é possível agendar o atendimento nos cartórios eleitorais

2 - Verifique a documentação necessária, que varia de acordo com o serviço:

Primeira via:

- Documento de identificação original;

- Comprovante de residência (Original, atualizado e em nome do eleitor. Caso more com a família, deverá apresentar documento que ateste o parentesco);

- No caso de pessoas do sexo masculino, com idade entre 18 e 45 anos, também é preciso apresentar comprovante de quitação do serviço militar

3 - Revisão de dados cadastrais:

- Documento original comprobatório da alteração do dado pessoal (Ex: Certidão de Casamento / homologação de separação / sentença judicial / outros);

- Documento de identificação original;

- Comprovante de residência (Original, atualizado e em nome do eleitor. Caso more com a família, deverá apresentar documento que ateste o parentesco);

- Título de eleitor, se tiver;

- Comprovante de votação ou justificação que tiver

4 - Transferência

- O eleitor pode solicitar a mudança do local de votação para outro município um ano após a inscrição ou última transferência do título e depois de residir há três meses no novo endereço;

- Documento de identificação original;

- Comprovante de residência (Original, atualizado e em nome do eleitor. Caso more com a família, deverá apresentar documento que ateste o parentesco);

- Título de eleitor, se tiver;

- Comprovante de votação ou justificação que tiver

5 - Cadastramento biométrico

- Documento de identificação original;

- Comprovante de residência (Original, atualizado e em nome do eleitor. Caso more com a família, deverá apresentar documento que ateste o parentesco);

- Comprovante de quitação do serviço militar (homens com idade entre 18 e 45 anos) para o primeiro título;

- Título de eleitor ou comprovantes de votação, se tiver

6 - Segunda via:

- Documento de identificação original;

- Comprovante de residência (Original, atualizado e em nome do eleitor. Caso more com a família, deverá apresentar documento que ateste o parentesco);

- Comprovante de votação ou justificação que tiver

Navio desgovernado atinge três balsas no Porto de Santos

Porta-contêineres colidiu com balsas que fazem a travessia de veículos entre as margens. Ninguém se feriu.

Um navio porta-contêineres de 333 metros de comprimento colidiu lateralmente com três balsas que transportam veículos entre as cidades de Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo, na noite de domingo (6). O cargueiro realizava manobra de entrada no cais no momento do acidente. Segundo a Marinha, ninguém se feriu.

O monitoramento via satélite do navio Santos Express indicou que ele acessou o Canal do Estuário, utilizado para a navegação aos terminais do Porto de Santos, às 20h22. Exatos sete minutos depois, a embarcação, que tem 48 metros de largura (boca), aproxima-se bruscamente da Margem Esquerda do cais, em Guarujá.

Durante um minuto, a lateral direita do cargueiro se arrasta pelas balsas FB-18, FB-19 e FB-28, utilizadas pela estatal Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) no serviço de travessias marítimas no litoral paulista. As duas primeiras embarcações estavam fora de serviço e, a terceira, havia desembarcado veículos momentos antes.


Vídeos registrados por motoristas que aguardavam para embarcar nas balsas e funcionários do serviço mostram os momentos de tensão e o barulho ocasionado com as colisões sucessivas. Somente marinheiros estavam abordo e se afastaram rapidamente do local ao notar a aproximação do navio. Os funcionários não ficaram feridos.

A Praticagem de São Paulo informou dois práticos estavam a bordo do navio no momento do acidente. Os profissionais são responsáveis por orientar o comandante da embarcação durante as manobras de entrada e saída do porto, uma vez que o trajeto restrito e sinuoso requer conhecimento local para evitar acidentes e incidentes.

Além disso, em razão do tamanho do navio, ao menos um barco rebocador auxiliava na manobra de acesso ao complexo. Após o ocorrido, o navio alinhou-se novamente no Canal de Navegação e atracou em segurança no cais da DP World Santos, também na Margem Esquerda, às 21h13, para onde deslocaram-se peritos da Marinha.

(Foto: Nicolau Chafick Miguel Junior/Arquivo Pessoal/Cedidas ao G1)

Por meio de nota, a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), informou que as equipes da autoridade marítima foram informadas do acidente e mobilizadas para apurar o que havia acontecido. Um inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) foi aberto para verificar causas e responsabilidades.

A estatal que opera as balsas declarou que as três embarcações atingidas foram retiradas de serviço para serem vistoriadas, periciadas e, em seguida, reparadas. "Não houve vítimas e a Dersa vai avaliar os danos materiais causados pelo navio". A empresa informou que a travessia opera com frota reduzida nesta segunda-feira (7).

A Hapag-Lloyd, armadora proprietária do navio, que tem bandeira alemã e foi batizado em novembro de 2017, foi procurada pelo G1, mas não comentou sobre o acidente até a última atualização desta reportagem. O Santos Express tem previsão de desembarcar 1.803 contêineres no terminal, conforme a autoridade portuária.

57% dos projetos aprovados pela Câmara são acordos internacionais

O levantamento leva em conta os 49 projetos aprovados neste ano. Em ano de eleição, deputados têm evitado votar temas polêmicos.

Dos 49 projetos aprovados neste ano pelos deputados, 28 são decretos referentes a acordos de cooperação entre o Brasil e outros países, segundo dados disponíveis no site da Câmara.

Propostas que geram menos discussão, causam menos polêmica entre os parlamentares e são votadas mais rapidamente, esses decretos são aprovados no Congresso somente para ratificar os acordos.

Esse tipo de projeto costuma ser votado de maneira simbólica (sem contagem de votos), às quintas-feiras, dia em que o plenário fica esvaziado porque deputados registram presença logo pela manhã e viajam para os respectivos estados.

Em ano de eleição, os decretos passaram a representar a maioria das propostas aprovadas na Câmara porque os deputados têm evitado votar temas polêmicos e sem consenso no plenário.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Tradicionalmente, a produtividade dos parlamentares cai em ano de eleição, uma vez que os deputados dedicam grande parte dos esforços à formação de alianças para as campanhas políticas.

Diante disso, líderes partidários ouvidos avaliam que, neste ano, até mesmo propostas de consenso não avançarão.

Além das eleições, os deputados apontam outros fatores para travar os projetos: intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro; enfraquecimento da base aliada ao governo; janela partidária; e obstrução política da oposição contra a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que dizem os deputados

Procurados, parlamentares da oposição avaliam que o ritmo lento nos trabalhos deve permanecer nos próximos meses. Isso porque, antes mesmo das eleições, também haverá Copa do Mundo e festas juninas.

O líder do PSOL, Ivan Valente (SP), por exemplo, comemora a lentidão na Câmara. Para o deputado, alguns projetos de interesse do governo prejudicam os cidadãos.

"Graças a Deus [a Câmara está em ritmo reduzido]. [...] Eu quero que não ande mesmo. E uma pauta, como essa do Cadastro Positivo, que só interessa aos bancos, é uma pauta cínica", afirmou.

A deputada Érika Kokay (PT-DF), por sua vez, também afirma que a oposição continuará em obstrução, acrescentando que, na opinião dela, o governo não conseguirá mobilizar a base aliada por estar "enfraquecido".

"Apoiar Michel Temer com projetos que são antipopulares significa impedir a eleição deste parlamentar. Então, os parlamentares da base do governo não têm feito qualquer tipo de esforço para dar sustentação a Michel Temer. O parlamentar não vai cometer suicídio político apoiando e prestando referências a esse governo que o povo rejeita", afirma.

Apesar de ser um dos principais críticos ao projeto que altera as regras para o Cadastro Positivo, o líder do PRB, Celso Russomanno (SP), acredita que os projetos do governo avançarão. "Sem dúvida nenhuma, eles vão andar ainda neste semestre", afirmou.

O líder do PSD, Domingos Neto (CE), por sua vez, atribui à janela partidária o maior impacto na produtividade da Câmara. Para o parlamentar, como o período acabou recentemente, a Câmara deverá retomar a agenda prioritária do governo em breve.

"Acho que o maior impacto que houve foi a questão da janela partidária, porque muitos partidos se dedicaram a isso. Agora, conseguiremos colocar em votação [os projetos prioritários para o governo]. Na semana que vem, acho que vamos ter um quórum cheio na Casa", afirmou.

06 de maio de 2018

Bolsonaro aposta em outras legendas para garantir palanque nos estados

As possibilidades de alianças incluem legendas como MDB, PP, DEM, PSD e PRP.

Correligionários de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) têm procurado outros partidos para garantir palanques nos estados para o deputado, que tentará chegar à Presidência da República em outubro.

De acordo com integrantes da sigla de Bolsonaro, as possibilidades de alianças incluem legendas como MDB, PP, DEM, PSD e PRP.

Partidos como o PR cogitam fazer aliança nacional para pegar carona na popularidade de Bolsonaro e fazer uma bancada expressiva.

Eleger um número significativo de deputados e senadores garante, além de poder político, acesso a maior volume de recursos públicos para atividades partidárias.

Bolsonaro delegou a formação das alianças ao comando do partido nos estados e minimiza a importância de ter palanques fortes pelo país.

"Com um caixão de madeira eu faço meu palanque. Não precisa de palanque. Se tiver, tudo bem. Mas eu tenho o que eles não têm", disse Bolsonaro à reportagem, pouco antes de fazer fotos com um grupo de estudantes que o esperava no Salão Verde da Câmara.


Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O PSL não sabe ao certo quantos candidatos a governador terá pelo país. Por enquanto, dá como certas candidaturas próprias em pequenos colégios eleitorais.

No Acre, lançará o policial militar Coronel Ulysses Araujo e em Roraima, o empresário Antônio Denário.

Em São Paulo, estado com o maior número de eleitores do país, o PSL ainda não decidiu se vai lançar candidatura própria, apesar de, segundo o presidente regional da legenda, deputado Major Olímpio, ter duas opções: o empresário Frederico D'Ávila e a advogada Janaína Paschoal.

Produtor rural, D'Ávila foi assessor do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que disputará com Bolsonaro o Palácio do Planalto. Ele é irmão do coordenador de comunicação da pré-campanha do tucano, o cientista político Luiz Felipe D'Ávila.

D'Ávila avalia que o agronegócio está fechado com a pré-candidatura de Bolsonaro porque o isolamento do deputado do PSL-RJ permite que ele assuma posições defendidas pelo setor, como o reforço da segurança no campo contra roubos e invasões.

Janaína Paschoal ganhou fama ao apresentar o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A advogada também é cotada para ocupar a vice da chapa presidencial.

O apoio a candidaturas de outros partidos é uma possibilidade, mesmo que isso exija palanques duplos. Olímpio diz descartar apenas aliança com o ex-prefeito João Doria (PSDB), com o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), e, obviamente, com o PT, partido alvo do maior número de críticas da família Bolsonaro.

O presidente da sigla no estado diz que Paulo Skaf (MDB) é o pré-candidato que ele vê com "menos restrições".

O comando do MDB de São Paulo diz desconhecer conversas entre as duas legendas, mas afirma que o apoio é bem-vindo.

Em troca, o PSL oferece a popularidade de Bolsonaro, que aparece empatado com Marina Silva (Rede) em primeiro lugar em todos os cenários do Datafolha sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje preso em Curitiba.

O partido de Bolsonaro também apresenta candidatos ao Senado com potencial de votos. Em São Paulo, a legenda escolherá entre o próprio Olímpio -14º deputado mais votado em 2014, com 179.196 votos- e a jornalista Joice Hasselmann, que comanda um canal de análises políticas com viés de direita no YouTube, com mais de 600 mil inscritos.

"É natural que, onde não houver candidato a governador [pelo PSL], aqueles que se identificam com a proposta liberal do Bolsonaro estarão nos apoiando", diz Luciano Bivar, presidente licenciado do PSL.

Em alguns estados, como Pernambuco, brotam candidaturas de outras siglas com bandeiras semelhantes às defendidas por Jair Bolsonaro.


Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

"Bandidos e traficantes, arrumem as malas porque, em 2019, é cadeia ou cova", diz em um vídeo o PM reformado Luiz Meira, o Coronel Meira (PRP-PE).

No Rio de Janeiro, estado de Bolsonaro, o partido também não deve lançar candidato ao governo e pode apoiar a candidatura do deputado federal Índio da Costa (PSD).

No Paraná, o PSL negocia com o deputado estadual Ratinho Júnior (PSD) e com Cida Borghetti (PP), que assumiu o governo do estado no início de abril, quando o então governador, Beto Richa (PSDB), deixou o cargo para concorrer a uma vaga no Senado.

Em troca, o partido quer uma das vagas de candidato ao Senado para o deputado federal Delegado Francischini.

Mas a possibilidade de uma aliança com o PP, partido com alto número de integrantes investigados na Operação Lava Jato, gera incômodo entre os correligionários de Bolsonaro, que alardeia discurso anticorrupção.

"O reflexo de algo feito no estado pode ser pernicioso para todos nós", afirma Major Olímpio.

Geraldo Alckmin e Michel Temer ensaiam aproximação e irritam DEM

O partido considera a aproximação com o MDB de Temer e José Sarney corrosiva para o PSDB na disputa presidencial.

Após período de certo estremecimento na relação, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) procurou o presidente Michel Temer (MDB) para iniciar conversas sobre possível aliança para a eleição.

O gesto foi mal recebido no DEM, que diz considerar uma aproximação com o MDB de Temer e José Sarney corrosiva para Alckmin na disputa presidencial.

O presidente e o ex-governador paulista tinham ficado de conversar há cerca de duas semanas, mas a aproximação se tornou pública e Alckmin preferiu esperar. Na quinta-feira (3), como revelado pela Folha de S.Paulo, o tucano telefonou para o presidente.

Em agenda de campanha em Teresina neste sábado (5), Alckmin negou publicamente que tenha tratado de aliança eleitoral, mas o gesto marca uma nova fase na relação entre os dois.

Desde a votação das denúncias de Temer na Câmara, quando a bancada tucana paulista se posicionou majoritariamente a favor das investigações, o presidente se irritou com o que viu como falta de empenho do então governador.

Um tempo depois disso, Alckmin chegou a procurar Temer, mas o presidente estava inclinado a tentar se reeleger e não foi receptivo.


Foto: Beto Barata/PR

Agora, com a candidatura de Temer escanteada e a concepção por ambos da necessidade de união das candidaturas ditas de centro, a relação entrou em nova fase.

"O diálogo é importante. Aliança não está em discussão, até porque o MDB tem pré-candidato. O doutor Henrique Meirelles é uma pessoa de valor", afirmou o tucano na capital do Piauí.

Alckmin disse que o ex-prefeito João Doria (PSDB) e o governador Márcio França (PSB) "estiveram com o presidente Temer, conversaram sobre o quadro mais geral do Brasil e depois me pediram para dar uma ligadinha, dar uma palavra com ele".

Foi o que fez, disse, conversou sobre o quadro geral do país. Segundo Alckmin, partidos que têm pré-candidato postergarão negociações de aliança até as convenções em julho.

Em entrevista a jornalistas locais em entrevista na sede do PSDB em Teresina, negou suposta promessa de apoio do senador Ciro Nogueira (PP-PI) a ele, se inviabilizada a candidatura do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva (PT).

"Ciro Nogueira não me prometeu nenhum apoio. O PP faz parte da nossa base de aliança em SP, mas não houve essa promessa", afirmou.

Força-tarefa prepara abrigos para venezuelanos que dormem na rua

Cerca de 4 a 6 mil venezuelanos estão em Boa Vista e o estado se prepara para receber mais pessoas que fogem da crise econômica intensa instalada no país vizinho.

A partida de mais 233 venezuelanos para outros estados do Brasil alivia pouco a demanda crescente por assistência em Roraima. Cerca de 4 a 6 mil venezuelanos estão em Boa Vista e o estado se prepara para receber mais pessoas que fogem da crise econômica intensa instalada no país vizinho. Em Boa Vista são sete abrigos já funcionando; em Pacaraima, com um. Mais três devem ficar prontos na capital e outro na cidade de fronteira.

“Em Boa Vista ainda temos pessoas na praça Simón Bolívar. São os próximos que vamos abrigar. Ficando prontos os abrigos, em mais uma semana, a gente vai fazer essa manobra. Com a desocupação da praça e com alguns remanescentes em um prédio ou outro, estaremos estabilizados”, disse o General de Divisão Eduardo Pazuello, coordenador da operação de acolhimento dos migrantes, chamada de Força-Tarefa Humanitária.

Do lado de fora do abrigo Jardim Floresta, dezenas de pessoas se agitam sempre que o portão é aberto. Querem entrar e dormem na rua à espera de uma vaga. Alguns reclamam que são ignorados pelos responsáveis pela administração do local.

“Fiquei cinco dias na porta. Tomei chuva e sol, com fome e sono. Chegam outras mulheres que acabaram de aparecer e passam, não dão nenhum tipo de resposta”, reclama Maria Valéria, de 26 anos. Outras mulheres, algumas com filhos de colo, e homens também aguardam uma vaga e, enquanto isso, dormem na rua. “Não saímos da Venezuela porque quisemos. Saímos porque não há comida. Quantas pessoas não saíram da Venezuela porque não tem o que comer?”, desabafa a jovem, vinda da cidade de El Tigre.

Questionado, o oficial de relações institucionais da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Pablo Matos, reconhece o problema. “É uma situação realmente delicada, porque o abrigo tem um limite máximo de pessoas que pode receber 600 pessoas. Para acolher pessoas novas, a gente tem que esperar algumas migrantes saírem. Realmente tem esse problema e não só aqui; outros abrigos enfrentam esse mesmo desafio”.

Ele esclarece ainda que existe uma lista de espera e que o abrigo Jardim Floresta recebe, preferencialmente, famílias com crianças, mulheres em situação de risco, idosos e deficientes. Ele afirma que sempre que possível conversa com as pessoas do lado de fora. “Toda vez que um dos nossos colegas saem nós somos abordados. Não é com todos que a gente fala, mas com aqueles com que a gente conversa é exposta a mesma situação”.


Venezuelanos aguardam vagas em abrigos para refugiados em Boa Vista. - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Interiorização

A interiorização é o processo de promover a mudança de venezuelanos para outros estados do país. Até agora, 498 venezuelanos foram distribuídos entre São Paulo, Manaus e Cuiabá. Mas antes de fazer as malas e entrar em um avião, algumas coisas precisam acontecer. A primeira delas é a vontade do migrante em interiorizar. Muitos preferem ficar em Roraima pela proximidade com o país de origem. Não querem se distanciar muito da família.

Além disso, eles precisam ter um perfil desejado pelo mercado de trabalho dos outros estados. São Paulo, por exemplo, recebeu preferencialmente homens solteiros, o que facilitaria a empregabilidade. Já Manaus aceitou casais e famílias. Chegando lá, essas pessoas ficam em abrigos por um tempo determinado.

“A ideia é ajudá-los a reunir condições. Ninguém quer ficar num abrigo por muito tempo. As pessoas que interiorizam tem um prazo, dependendo do abrigo, de três a seis meses para arrumar um outro lugar para morar”, explicou Viviane Esse, da Subchefia de Articulação e Monitoramento da Casa Civil da Presidência da República.

A Acnur, a Agência das Nações Unidas para as Migrações (OIM) e órgãos do governo federal, como os Ministérios do Trabalho e Emprego, do Desenvolvimento Social e da Justiça fazem parte de um subcomitê criado para garantir o máximo de sucesso na interiorização. Isso passa por levar o migrante a uma cidade que queira recebê-lo, com oportunidades reais de emprego e moradia.

O governo federal pretende investir na interiorização de 15 mil venezuelanos. Estão sendo disponibilizados R$ 190 milhões para atender a operação um período de 12 meses. Essa verba é utilizada, principalmente, em contratação de estruturas para abrigos, transporte de equipamentos e na alimentação dos migrantes, além das viagens de interiorização nos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

Pazuello estima que, daqueles que estão em Roraima, cerca de 65% querem interiorizar; outros 10% a 20% querem ficar em Boa Vista e outros 10% a 20% pretendem voltar para o país de origem. Segundo pesquisa da OIM, os migrantes são capacitados. Entre janeiro e março deste ano, 3.515 venezuelanos foram entrevistados e 52% deles têm ensino médio, 26% têm curso superior e 2% são pós-graduados.

Trabalho humanitário

O trabalho das Forças Armadas na Operação Acolhida é montar estruturas para abrigo, fornecer comida, dar transporte, entre outras questões operacionais. Mas o trabalho de lidar diretamente com os venezuelanos nos abrigos fica, em sua maior parte, a cargo da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

As barracas para famílias são fornecida pela Acnur. São barracas grandes, com capacidade para uma família com mais de dois filhos. Durante todo o dia, pessoas ligadas à Acnur circulam pelo local, prestam apoio e ajudam a resolver problemas comuns de uma comunidade. Nos abrigos os migrantes têm aulas com professores voluntários, podem aprender sobre a língua portuguesa e as leis brasileiras.

“Os abrigos têm uma dinâmica. Eles cuidam da limpeza do local, servem a própria alimentação, têm momentos de aulas com professores voluntários. Tem pessoas que apresentam as leis do país. Eles têm que conhecer seus direitos e deveres e as cidades para onde vão”, diz Pazuello.

Nem a metade dos projetos de concessão de Temer saiu do papel

O PPI (Programa de Parcerias e Investimentos) foi lançado em setembro de 2016, com o mote de contribuir para a retomada da atividade econômica

 A pouco mais de sete meses para o fim do governo, o programa de concessões de infraestrutura lançado por Temer enfrenta obstáculos e pode empurrar projetos para o próximo presidente. Menos da metade dos empreendimentos aprovados foi a leilão. Questionamentos feitos por órgãos de controle e até por investidores interessados derrubaram expectativas do mercado quanto à capacidade de execução. O governo, porém, diz que trabalha para oferecer tudo ainda em 2018.

O PPI (Programa de Parcerias e Investimentos) foi lançado em setembro de 2016, com o mote de contribuir para a retomada da atividade econômica. Em cinco reuniões, foram aprovados 175 projetos, dos quais 74 (ou 42,2% do total) foram concluídos.

Desse total, 56 são de energia e petróleo. Não houve ainda concessões de estradas e ferrovias, que têm grande potencial de geração de empregos no curto prazo, nem privatizações, que esbarram também em resistência política. Entre os aeroportos, saíram só os 4 maiores dos 17 da lista.

"O governo deveria focar em obras que têm demanda reconhecida. Não há condições burocráticas de fazer tudo ao mesmo tempo", diz o ex-presidente do BNDES José Pio Borges, que preside o conselho do Conselho Brasileiro de Relações Internacionais.


Foto: Reprodução/ Lula Marques/ Agpt. '

A opinião é compartilhada por executivos dos setores de rodovias e ferrovias, para os quais não há nenhum edital lançado -o programa dá prazo de cem dias entre o lançamento do edital e o leilão.

"É difícil sair alguma coisa neste ano", diz Cesar Borges, presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias). A carteira do programa tem oito projetos de concessão de rodovias.

O secretário especial do PPI, Adalberto Vasconcelos, admite que é o setor mais difícil e diz que dois projetos têm mais chance de sair até o fim do governo Temer: a rodovia de Integração do Sul e trechos das BRs 364 e 365, ligando Uberlândia (MG) a Jataí (GO).

Os dois têm leilão previsto para o terceiro trimestre. Os outros seis nem sequer passaram por audiências públicas, etapa anterior à análise do TCU (Tribunal de Contas da União). Um deles, o trecho da BR-040 que liga o Rio a Juiz de Fora (MG) já teve o leilão empurrado para 2019.

No setor ferroviário, o projeto mais adiantado é trecho da ferrovia Norte-Sul, que está no TCU. Já a Ferrogrão só deve ir a consulta pública no terceiro trimestre, o que limitaria as chances de cumprimento do cronograma exigido pelo programa.

Vasconcelos diz que pode encurtar o prazo de cem dias para tentar fazer o leilão ainda este ano. No fim de 2017, o PPI anunciou a ampliação do prazo de concessão para 65 anos e limites aos gastos com compensação ambiental para atrair interessados.

Além da energia e petróleo, o único setor que ainda não enfrentou obstáculos foi o portuário, que já teve 14 terminais licitados e tem mais 21 projetos na lista. "A gente espera que saia tudo neste ano", diz o diretor-presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários, José Di Bella.

O secretário do PPI diz acreditar que conseguirá acelerar os leilões de outros setores até o fim do ano e adianta que novos projetos serão incluídos na sexta reunião do programa.