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Assembleia promove sessão solene para alertar sobre o consumo excessivo de álcool

Assembleia promove sessão solene para alertar sobre o consumo excessivo de álcool

02/07/2019 14:15h

A Assembleia Legislativa realizou na manhã de hoje (02) uma sessão solene para alertar sobre o consumo excessivo de álcool e para marcar o Dia Mundial de Combate às Drogas e o Dia Municipal de Combate ao Consumo de Álcool, ambos transcorridos no dia 26 de junho passado. A proposta foi apresentada pela deputada Teresa Britto (PV), que também foi autora da lei municipal em 2006, quando era vereadora de Teresina.


Teresa Britto afirmou que vive muito feliz sem nunca ter consumido bebidas alcoólicas, pois este provoca o aumento de acidentes de trânsito, de suicídios e de internações por outras doenças, sendo um mal silencioso que cresce sempre devido a falta de um trabalho preventivo e também de fiscalização, pois apesar da bebida ser proibida para menores de 18 anos o consumo ocorre livremente principalmente em comércios de bairros e festas de jovens.


A deputada disse que um estudo da Organização Mundial de Saúde mostrou que um homem já pode ser considerado alcoólatra se consumir sete doses por meses e a mulher com apenas cinco doses já entra no grupo de risco. “Somente no ano de 2016 cerca de 3 milhões de pessoas morreram no mundo por causa do álcool. O Brasil é campeão em mortes por acidentes de trânsito e cerca de 30% dos casos de cirrose ocorrem devido o consumo de bebidas”, assegurou. Teresa Brito também alertou para as doenças provocadas em fetos se a grávida consumir bebida alcoólica, principalmente nos três primeiros meses de gestação.


O presidente do Centro Espirita Mestre Adonias, Francisco Jonhson, também se manifestou e disse que os dados são alarmantes, pois somente em 2018 cerca de 3,3 milhões de pessoas morreram devido ao consumo excessivo de álcool, sendo que 25% tinham entre 30 e 39 anos e estavam em plena atividade produtiva. “No Brasil foram 40 mil acidentes e 60 mil homicídios devido às bebidas alcóolicas. No Piauí, a internação devido a acidentes é o dobro da média nacional e Teresina é a segunda capital do Brasil com maior número de acidentes de trânsito devido os motoristas estarem embriagados”, afirmou.


O presidente do Conselho Regional de Psicologia, Eduardo Moita, disse que está à disposição para a discussão de temas como o colocado na sessão solene, mas alertou que o Brasil trabalha muito pouco na prevenção e lembrou que a lei seca, proposta no Congresso pelo deputado Hugo Leal, foi um importante motivador para a redução dos acidentes, mas é preciso alertar cada vez mais a sociedade sobre a abolição do uso de álcool.


O médico e advogado William Kardec, presidente da Comissão de Saúde da OAB-PI, disse que trabalhou dez anos atendendo pacientes no Hospital de Urgências de Teresina (HUT) e viu muitos pacientes serem encaminhados à UTI apenas para dar um conforto à família, pois muitas vezes esse paciente não tinha mais cura. “A maior parte deles eram de pacientes etilistas. Um estudo do meu amigo Daniel França mostrou que mais de 70% dos pacientes do HUT são de consumidores de álcool e não tem UTI para todos, mas tem gente que só chega a passar seis meses internados e quando o médico dá alta ele não tem estrutura para ser cuidado. São pacientes sequelados, que não tem mais como viver normalmente”, afirmou.


Os representantes do grupo União Viva Bem, Nazilda Santos, Maria Lima e Flávia Barbosa, falaram sobre a necessidade de mais prevenção e lembraram que o álcool, assim como o crack e a cocaína, é uma droga que precisa ser combatida. A Viva Bem é uma entidade filantrópica que atua em Teresina com palestras e ações preventivas ao uso do álcool. Elas lembraram da escola de música mantida com recursos próprios, de eventos como o Dia Feliz realizado domingo passado na Poticabana e das palestras nas escolas como pontos significantes para formar “os adultos do futuro”.


A psicóloga Amparo Silva, que faz parte do grupo de recuperação dos funcionários da Agespisa, disse que nos últimos 30 anos tem sido desenvolvidos trabalhos sempre às sextas-feira, no auditório da empresa, para as famílias e para a sociedade no sentido de valorizar a vida, prevenir suicídios e fazer com que o vício seja combatido. O grupo é formado por ela, quatro assistentes sociais, uma médica e um técnico de segurança no trabalho, que se reúnem de 8 às 10 horas e já beneficiou centenas de pessoas.


Finalizando a sessão solene uma participante do grupo Alcoólicos Anônimos identificada como Joelse S. prestou um depoimento sobre os 15 anos em que convive com outras pessoas que sofrem da mesma dependência. Ela disse que procurou ajuda junto a clínicos, psicólogos, psiquiatras e até apelou para a espiritualidade, mas só obteve resposta quando procurou o AA. “Nós não medimos a nossa recuperação em anos, mas em horas, pois vivemos um dia de cada vez”, afirmou.

 

Durvalino Leal - Edição: Caio Bruno 

 

 


Fonte: Alepi Fonte: Alepi

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