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Corrente

Escola de Corrente é assaltada pela décima vez

Escola de Corrente é assaltada pela décima vez

11/03/2016 09:08h

A Escola Municipal Marinho Lemos, localizada no bairro Vermelhão, município de Corrente, foi novamente invadida no último final de semana. Diversos objetos foram furtados, dentre eles uma caixa de som amplificada, um aparelho de DVD e dois botijões de gás. De acordo com Juraciara da Silva Gomes, diretora adjunta da escola, o arrombamento foi percebido na segunda-feira pelos primeiros servidores que iniciavam a sua jornada de trabalho.

“Ao lado de fora da cantina havia uma mesa sobre um barril, dando acesso ao telhado. Quando adentramos, verificamos que havia um buraco no telhado e no forro, local por onde os objetos foram retirados”, relata.

A diretora afirma que este é o décimo arrombamento registrado na escola somente no ano de 2016. “Esse tipo de invasão já virou rotina aqui na escola. Já levaram computadores, impressoras, talheres, pratos, lâmpadas, merenda escolar e até um fogão industrial! Toda segunda-feira, quando chegamos para trabalhar, imaginamos o que pode ter sido roubado no final de semana, pois é certo que a escola foi arrombada. Nós ficamos tristes porque os recursos são muito limitados e não temos condições de repor todos os objetos que foram furtados. Quem é o maior prejudicado é a própria comunidade”, afirma a gestora.

Esse tipo de invasão não está limitado à unidade do bairro, escolas por todo o município, nas zonas urbana e rural, tem sido alvo de bandidos e vândalos. Embora muitas tenham reforçado a segurança dos imóveis, com a instalação de cercas e grades, nada parece impedir a ação dos criminosos, que chegam a invadir pelo telhado, como foi este último caso.

Na maioria das ocorrências, a comunidade tem conhecimento de quem são os criminosos, mas têm medo de denunciar, pois temem retaliação. “No ano passado tivemos um problema muito sério de ameaça de morte por parte de um adolescente que reincidentemente invadia e furtava a escola, deixando inclusive uma mensagem grafitada na parede. Quando fizemos a denúncia o delegado da época, Dr. João, colocou a diretora e o menor frente a frente para uma acareação, aumentando ainda mais o clima de medo e terror. Por isso as pessoas têm medo de denunciar, temem pela própria vida”, explica a secretária municipal de Educação, Esportes e Cultura, Maria do Socorro Cavalcanti.

O atual delegado, Dr. Danilo Barroso, afirma que, para que a polícia civil possa investigar as ocorrências, é indispensável que os suspeitos sejam denunciados. “Estamos à disposição da comunidade e todas as denúncias feitas serão investigadas, mas para isso nós precisamos que as pessoas façam a denúncia. Podem vir até à delegacia, podem telefonar e podem até mesmo fazer denúncias de forma anônima”, reforça. Sobre o caso da Escola Marinho Lemos, o delegado informa que não pode dar informações para não prejudicar o andamento das investigações.

O promotor de Justiça Rômulo Paulo Cordão acredita que a maioria dos delitos dessa natureza sejam cometidos por menores de idade e atribui a reincidência à fragilidade da legislação. “Em tese, este ato infracional, por exemplo, configura furto, o que não nos dá a possibilidade de manter os possíveis acusados detidos, se forem menores. Para que ocorra uma internação é necessário que o delito tenha sido cometido com violência ou grave ameaça, o que não é o caso, então a legislação é muito favorável a este tipo de ocorrência”.

Cordão destaca ainda que o Ministério Público tem feito todo o possível para dar celeridade aos processos, mas a deficiência da estrutura do judiciário de Corrente contribui para a morosidade dos casos, que permanecem por vários meses aguardando pela realização das audiências. “O juiz da comarca têm sido solícito em todas as nossas demandas, no entanto a falta de estrutura do nosso fórum também contribui para a impunidade. São milhares de processos, não há servidores suficientes, nem mesmo oficial de justiça temos na comarca, então como é que os processos têm andamento e como é que as audiências são realizadas? Eu aconselharia aos advogados e às pessoas interessadas em mudar a atual situação que procurem os deputados e políticos que andam de eleição em eleição aqui em Corrente e exijam providências, pois da forma que está é muito complicado”.

O próprio Ministério Público já denunciou ao CNJ a situação da comarca, em 2015, no entanto providências ainda não foram tomadas.

Enquanto o judiciário não favorece a punição dos infratores, a comunidade escolar continua sofrendo as consequências. Reuniões com os conselhos escolares tem sido realizadas, abordando a questão de forma mais contundente, mas a gravidade das ocorrências causa medo aos professores e gestores escolar, que seguem convivendo com o problema sem qualquer perspectiva de mudança.

“O problema é crônico e nós não temos visto nenhuma providência. No ano passado tivemos problemas muito sérios com furtos, atos de vandalismo e até ameaças contra os professores e diretores. Com a impunidade, os roubos e a violência só aumentam. Nós chegamos no limite!”, desabafa a secretária municipal de Educação.

Fonte: Ascom

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