Batalha

Igreja Matriz de São Gonçalo: 200 anos de história

O templo religioso teve sua construção iniciada em 1794, porém, só foi concluído em 1814

14/12/2014 09:19h - Atualizado em 14/12/2014 09:57h

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A Paróquia São Gonçalo está em Festa! A comunidade batalhense celebra hoje, 14, o Jubileu de 200 anos de conclusão da edificação da Igreja Matriz de São Gonçalo, no centro de Batalha. A obra que fora iniciada em 1794 só foi concluída 20 anos após, em 1814.

O saudoso escritor e Jornalista batalhense Miltinho (IN MEMORIAM) nos deixou um trabalho riquíssimo que pode nos conferir um pouco de conhecimento acerca destes 200 anos de nossa Igreja.

A FREGUESIA DE SÃO GONÇALO

Muito antes de 1853 - marco da criação da Freguesia de São Gonçalo da Batalha, o terreno fértil da religião batalhense já havia sido descoberto. Assim, quando passeamos no Livro Apontamentos Históricos da Piracuruca, de Jurenir Machado Bittencourt, encontramos relatos diversos.

Desde o início da construção da Matriz, em 1794 (concluída, apenas, em 1814) muitos pastores catequisavam e pregavam o Evangelho. Tem - se notícias dos Padres Antônio Sampaio e Francisco Borges, em meados de 1797; Padre Francisco Borges, em 1803; Padre Domingos Dias Pinheiro, em 1804; Padre José Pontes de Menezes, em 1817; e os italianos Frei Apollônio de Mollineto e Lourenço do Monte Leone, "em incursão pela Ibiapaba passaram 21 dias pregando o Santo Evangelho de Deus" em terras batalhenses (in: Cartas Avulsas - caixa 2 - Poder Executivo - Arquivo do Piauí).

Em 1853, foi criada a Freguesia:


Transcrição da Lei de criação da Freguesia:

"Resolução nº 340, Publicada a 24 de agosto de 1853

Crea uma Freguesia no 3º Districto do Termo de Piracuruca, com a denominação de Freguesia da Batalha

Luis Carlos de Paiva Teixeira, Vice - Presidente da Província do Piauhy - Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Provincial decretou e eu sanciono a seguinte Lei:
Artigo 1º - Fica creada uma Freguesia no terceiro districto do Termo de Piracuruca com a denominação de Freguesia da Batalha.
Artigo 2º - O orago d'esta Freguesia será o de São Gonçalo e a Igreja Parochial a existente no Povoado que lhe dá o nome.
Artigo 3º - Seus limites serão os mesmos que actualmente tem o referido terceiro districto.
Artigo 4º - Ficão revogadas as disposições em contrario.
Mando, por tanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Resolução pertencer, que a cumprão e fação cumprir tão inteiramente como n'ella se contém. O Secretário d'esta Província a faça imprimir, publicar e correr.
Palácio do Governo da Província do Piauhy, 22 de agosto de 1853, 32º da Independência e do Império. Luis Carlos de Paiva Teixeira.
L.S (lugar do selo)
Antônio de Hollanda da Costa Freire"(in: Código das Leis Piauienses - tomo XIV, parte 1ª - P 23 - 1853)
[...]

Com a sanção da Lei, somente em 1854, realmente, foi instalada a Freguesia, com o reconhecimento do templo de Batalha como Casa de Oração, em 3 de junho daquele ano e, em 20 de agosto toma posse o primeiro vigário oficial, o Padre Antônio Simões de Moura.

A primeira construção da Matriz de São Gonçalo data de 1794, quando foi iniciada e feita uma escritura pública de doação pelo Major José de Miranda, e concluída 20 anos após, em 1814. Nesses anos todos, sofreu várias reformas.


A Igreja contou, ainda, com uma Confraria, que reunia os "homens de bem" da Villa. Eram os ricos fazendeiros, comerciantes e proprietários, como o Cel Amaro José Machado, Albino Borges Leal, José Florindo de Castro, José Amaro Machado, Antônio Fortes Bustamante de Sá Menezes e Luis Borges Castelo Branco, dentre outros.

O Sino

O Sino de bronze da Matriz - Patrimônio histórico e Cultural da cidade, foi fundido no Quartel das Barras, pelo Mestre Manuel Resplende, que era um exímio conhecedor do manuseio de pólvora para confecção de bombas. À época da fundição dos sinos de Batalha, ocorria a Balaiada - a 'revolta dos balaios' - no Maranhão durante o período de 1830 a 1841 - resultou em mais uma manifestação do processo de crise por que passava a sociedade brasileira durante o período regencial. Sabendo do conhecimento do Mestre Resplende, os revoltosos o sequestraram.

Por - MILTON MARTINS VASCONCELOS FILHO (IN MEMORIAM)


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Fonte: Terra de São Gonçalo - Milton Filho
Edição: Célio Jr

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