Walace, a peça que faltava para o quebra-cabeças da Seleção Olímpica

O volante do Grêmio entrou por causa da suspensão de Thiago Maia e deu segurança e equilíbrio necessários para o Brasil jogar com quatro atacantes

16/08/2016 09:30h

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Por Tauan Ambrosio 


Apontada como grande favorita a conquistar o ouro no futebol masculino, a Seleção Brasileira não apresentou os melhores resultados logo de cara. Foram dois empates sem gols nas duas primeiras rodadas do Grupo A, contra África do Sul e Iraque. Existia até mesmo o risco de eliminação precoce, se o time olímpico não vencesse a Dinamarca.

O Brasil tinha supremacia na posse de bola e arriscava mais para o gol, só que o resultado teimava em não chegar. Rogério Micale sabia que era preciso fazer mudanças. Mas não devido ao desempenho, especificamente. Thiago Maia, que talvez era o melhor jogador do time até então, estava suspenso por causa do acúmulo de cartões amarelos. O substituto seria decidido em um dos maiores clássicos do futebol mundial, um Gre-Nal.

Rodrigo Dourado, do Internacional, e Walace, do Grêmio, eram os concorrentes para a vaga. Ambos se revezaram nos treinos realizados na Granja Comary, durante o período de preparação visando a Olimpíada. Micale optou pelo gremista para o jogo contra a Dinamarca. É verdade que o camisa 5 do Tricolor tem números melhores no Brasileirão, embora tenha disputado mais partidas em relação ao companheiro de seleção e rival gaúcho. Mas o desempenho nas atividades era bem equilibrado.

O que muitos não esperavam, era que Walace apareceria como uma espécie de ‘peça final de um quebra-cabeças’. Antes da Olimpíada começar, e quando a Seleção iniciava o segundo tempo em busca dos gols contra sul-africanos e iraquianos, Micale colocava Luan para reforçar o ataque. A equipe passava a jogar em um 4-2-4, mas acabava dando espaços para os adversários. Ficava sem o equilíbrio, tão pedido pelo treinador.

Thiago Maia vinha sendo um dos melhores jogadores do time de Micale

E o comandante não titubeava para fazer uma substituição, a fim de devolver o equilíbrio ao seu time. Contra a África do Sul, na estreia, Micale colocou Luan no lugar de Felipe Anderson e, sete minutos depois, tirou Gabriel Jesus do ataque para a entrada de Renato Augusto, no meio; diante do Iraque, Rafinha substituiu Gabriel Jesus quando Luan completava dez minutos em campo. A ideia de ter os quatro atacantes parecia estar fadada ao fracasso.

Discreto, foi só Walace entrar em campo que a Seleção manteve a segurança defensiva... e enfim marcou gols (Foto: Felipe Oliveira/Getty Images)

Mas aí veio o imponderável. Afinal de contas Thiago Maia era titular absoluto, sairia do time apenas se estivesse suspenso ou contundido. Walace, que tem características mais defensivas em relação a Thiago Maia, entrou e deu a segurança necessária para o ataque ser o “caos organizado” pedido por Rogério Micale.

 Thiago Maia nos dois primeiros jogos, movimentação defensiva e avanços constantes à intermediária (Foto: Opta)

Como titular, Walace ficou mais fixo no meio de campo. Destaque, também, no preenchimento dos lados (Foto: Opta)

Os números defensivos são mais favoráveis a Thiago Maia. Só que Walace passou a ser o dono daquela faixa de campo, à frente da zaga. É muito mais uma questão do posicionamento ajudando o time como um todo do que a comparação bruta entre números. Se Micale quiser um Brasil jogando com os quatro atacantes, como aconteceu nas duas vitórias do time na Olimpíada, Walace é a melhor opção. Hoje.

Às vezes, a peça final de um quebra-cabeças não é a mais requintada.

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Fonte: Esporte interativo

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