O Brasil em todas as Copas - de 1974 a 1990: longo jejum

Depois da conquista na Copa do Mundo de 1970, no México, a Seleção Brasileira amargou um jejum em Copas do Mundo. Sem a dupla Pelé e Garrincha a impressão que se tinha era de que o país não voltaria a dar uma volta olímpica internacional. O perío

09/06/2014 10:05h

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Depois da conquista na Copa do Mundo de 1970, no México, a Seleção Brasileira amargou um jejum em Copas do Mundo. Sem a dupla Pelé e Garrincha, a impressão que se tinha era de que o País não voltaria a dar uma volta olímpica internacional. O período sem taças foi ingrato para muitos destaques da época, como Zico, Júnior, Falcão e Sócrates, entre outros.

1974 - ESCORREGOU NA LARANJA

A Copa do Mundo de 1974, disputada na Alemanha Ocidental, marcou o início de um novo tempo na história da competição. A taça Jules Rimet estava definitivamente em poder do Brasil e o objeto do desejo das seleções passou a ser a Copa do Mundo Fifa, troféu de 37 centímetros de altura feito em ouro maciço. Além disso, a nova taça não iria definitivamente para nenhum país. Esta também foi a primeira Copa com o brasileiro João Havelange presidindo a Fifa - o primeiro não-europeu a assumir o cargo máximo da entidade.

Dentro dos gramados, a novidade foi a seleção da Holanda, que apareceu na Alemanha com um estilo diferente de se jogar que foi logo batizado de carrossel. Era a "Laranja Mecânica", em razão da cor de seu uniforme e da constante movimentação de seus jogadores sob o comando do técnico Rinus Michels e que tinha no meia-atacante Johan Cruyff a sua principal estrela.

Este time atropelou todo mundo, inclusive o Brasil, e só parou na final diante da Alemanha Ocidental, que tinha montado uma equipe muito forte, com jogadores da categoria do goleiro Sepp Maier, dos atacantes Gerd Müller e Wolfgang Overath, todos regidos pelo "Kaiser" Franz Beckenbauer. Na decisão, a Alemanha venceu a Holanda por 2 a 1 e ficou com o bicampeonato mundial.

Brasil decepciona - Sem seus craques consagrados, Zagallo apostou na retranca e no talento de Rivellino, Jairzinho e Paulo César para seguir longe na competição. Mas quem brilhou foi o goleiro Leão e a dupla de zaga formada por Luís Pereira e Marinho. O time foi cambaleando durante toda a competição até ser eliminado de forma incontestável pela Holanda. O time dirigido por Zagallo ainda iria perder para a Polônia na decisão do terceiro lugar. Daquela equipe, além do goleiro Leão e dos zagueiros Luís Pereira e Marinho Perez, só brilhou o lateral esquerdo Marinho Chagas, um jogador revelado no Rio Grande do Norte que defendia o Botafogo. Ele foi apontado como a grande revelação da Copa.

O Brasil estreou empatando sem gols contra a Iugoslávia e depois com a Escócia, avançando apenas ao fazer 3 a 0 no modesto Zaire. Na segunda fase o time parecia que iria engrenar após triunfos de 1 a 0 sobre a Alemanha Oriental e de 2 a 1 sobre a Argentina. Porém, diante da Holanda, a derrota por 2 a 0 impediu o sonho do tetra. Na disputa pelo terceiro lugar, o algoz foi a Polônia: derrota de 1 a 0.

TIME-BASE: Leão, Zé Maria, Marinho Peres, Luís Pereira e Marinho Chagas; Carpegiani, Dirceu e Rivelino; Jairzinho, Valdomiro e Paulo César Caju
Técnico: Zagallo

1978 - O CAMPEÃO MORAL

A Copa do Mundo de 1978, disputada na Argentina, também entrou para a história, mais por sua lista de desconfianças do que pela exuberância técnica demonstrada pelas seleções em disputa. Os argentinos viviam um tempo de ditadura militar linha-dura e a censura imposta pelo Governo transformou a disputa da Copa em um trunfo para os militares. Houve muitos protestos, boicotes e pedidos para que a Fifa mudasse a sede, mas o presidente da entidade, o brasileiro João Havelange, foi irredutível mantendo a competição no local previamente designado.E nesse panorama, a Seleção Brasileira não mostrou capacidade para conquistar o título da competição. Dirigida por Cláudio Coutinho, um militar que integrou as comissões técnicas em 1970 e 1974, o time trazia craques como Zico e Reinaldo, além de Rivellino em final de carreira. Na primeira fase, o Brasil estreou com 1 a 1 diante da Suécia (gol de Reinaldo), ficou no 0 a 0 com a Espanha e chegou ao terceiro jogo precisando derrotar a Áustria para se classificar. Zico e Reinaldo foram barrados por Jorge Mendonça e Roberto Dinamite, e a Seleção conseguiu a sofrida vaga ao vencer por apenas por 1 a 0, gol de Roberto Dinamite, convocado por imposição do Almirante Heleno Nunes, então presidindo a CBD.

Na fase semifinal, o desempenho brasileiro melhorou com as modificações feitas por Coutinho. O Brasil caiu no mesmo grupo de Argentina, Peru e Polônia e apenas uma equipe chegaria à decisão. Brasileiros e argentinos chegaram à última rodada em condições iguais. Ambos estrearam com vitória (Brasil 3 a 0 no Peru, Argentina 2 a 0 sobre Polônia), e empataram entre si em uma partida de pouca técnica e muita violência.

Na rodada decisiva, o Brasil jogou primeiro e bateu os poloneses por 3 a 1. Os argentinos entraram em campo sabendo que precisavam golear o Peru por quatro ou mais gols de diferença para ficarem com a vaga. A Argentina goleou por 6 a 0, resultado que provocou muitas acusações, nenhuma delas comprovada: contra o goleiro Quiroga, peruano nascido na Argentina; contra o próprio elenco peruano; e até contra o árbitro francês Robert Wurtz. Os atletas peruanos sofreram tentativa de agressão quando retornaram ao seu país.

Restou a decisão do terceiro lugar contra a Itália, e o Brasil ganhou de virada, por 2 a 1, terminando a Copa invicto. O resultado levou o técnico Cláudio Coutinho a proclamar a Seleção Brasileira como a campeã moral do torneio.

A Argentina decidiu o título diante de uma Holanda que conservava alguns jogadores da bela campanha de 1974, mas não tinha o craque Johan Cruyff nem o esquema que encantou o mundo na Alemanha. Os donos da casa venceram por 3 a 1 e festejaram o seu primeiro título mundial.

TIME-BASE: Leão, Nelinho, Amaral, Oscar e Rodrigues Neto; Toninho Cerezo, Batista, Dirceu e Zico; Gil e Roberto Dinamite

1982 - TINHA UM PAOLO ROSSI NO MEIO DO CAMINHO

Depois dos fracassos de 1974 e 1978, o Brasil chegou à Espanha para disputar a Copa de 1982 com um treinador novo, Telê Santana, e um grupo formado por jogadores de alta categoria, em que se destacavam Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e Leandro. Com um time tão talentoso comandado por um treinador que privilegiava o futebol arte, todo mundo esperava que a Seleção Brasileira reencontrasse o caminho dos títulos.

A estreia contra a União Soviética chegou a assustar quando Valdir Peres falhou feio, mas, com dois golaços, anotados por Sócrates e Éder, os brasileiros garantiram a vitória. Depois, a Seleção passeou diante de Escócia e Nova Zelândia, classificando-se para as quartas de finais em um grupo com Argentina e Itália.

Contra os argentinos, um show de bola comandado por Zico deu aos brasileiros a certeza de que o título não escaparia. A vitória por 3 a 1 foi até pequena diante do volume de jogo apresentado pela equipe dirigida por Telê.

A Itália não era vista como um adversário que pudesse assustar. Uma equipe que empatou todos os seus jogos na fase de classificação e que havia ganhado na Argentina utilizando uma marcação implacável e violenta sobre Diego Maradona.

Só que a realidade foi bem diferente. A Itália fez a sua melhor exibição na Copa e ainda contou com o atacante Paolo Rossi em dia de grande inspiração. O jogador, que tinha passado dois anos suspenso por causa do envolvimento com apostas, foi o grande jogador daquela partida disputada no Estádio Sarriá, de tristes lembranças para o Brasil. Ele aproveitou todas as falhas dos brasileiros para construir o placar de 3 a 2, e o goleiro Zoff se encarregou de garantir o resultado a favor dos italianos. Falcão e Sócrates marcaram os gols do Brasil, que jogou com Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Cerezo, Falcão, Zico e Sócrates; Serginho (Paulo Isidoro) e Éder.

O mundo inteiro chorou a eliminação da Seleção Brasileira, que não conquistou o Mundial, mas encantou o mundo. E a Itália seguiu em frente para conquistar seu tricampeonato batendo a Polônia na semifinal e a Alemanha na decisão.

1986 - A COPA DE MARADONA

Assim como Garrincha levou o Brasil inteiro nas costas para conquistar o bicampeonato em 1962, no Chile, a Copa de 1986, disputada outra vez no México, foi do argentino Diego Maradona. Com uma atuação genial, ele conduziu sua seleção a uma vitória indiscutível.

Contra a Inglaterra, nas quartas de final, Maradona fez dois gols inesquecíveis, o primeiro com a mão esquerda e o segundo, partindo do seu campo, driblando meio time adversário, incluindo o goleiro Shilton, e colocando a bola nas redes, para o delírio de quem gosta de futebol.

Novamente dirigida por Telê Santana, a Seleção Brasileira não teve um rendimento semelhante ao de 1982, principalmente porque o grupo era bem diferente, com craques como Zico, Sócrates e Falcão na curva de descendência. O time obteve uma vitória magra por 1 a 0 sobre a Espanha, em jogo em que a arbitragem prejudicou o time europeu. A segunda vitória de 1 a 0 sobre a fraca Argélia mostrou que aquele time era realmente bem diferente daquele que encantou o mundo em 1982. A vitória mais folgada na primeira fase aconteceu contra a Irlanda do Norte por 3 a 0, quando brilhou a estrela do lateral direito Josimar, que saiu do banco de reservas para marcar um gol magnífico.

Nas oitavas de final, a Seleção Brasileira chegou a dar impressão de que faria uma bela campanha quando goleou a Polônia por 4 a 0, com outro golaço de Josimar. Isso levou o time a encarar a França cercado de uma expectativa otimista.A partida foi dura diante de uma França ofensiva e comandada pelo talentoso Michel Platini, e o empate por 1 a 1 acabou fazendo justiça ao desempenho das duas equipes. No segundo tempo, um drama; Zico, que tinha entrado no segundo tempo, perdeu um pênalti que poderia ter dado a vitória ao time de Telê. Nos pênaltis, Júlio César e Sócrates perderam pênaltis, e o Brasil acabou saindo mais cedo. No seu último jogo na Copa, a Seleção Brasileira atuou com Carlos, Josimar, Julio Cesar, Edinho e Branco; Elzo, Alemão, Sócrates e Júnior (Silas) Müller (Zico) e Careca.

Sem o Brasil no caminho, brilhou cada vez mais a estrela de Maradona, que conduziu a Argentina a uma vitória tranquila sobre a Bélgica nas semifinais e comandou o time na dramática vitória por 3 a 2 sobre a Alemanha, que garantiu o bicampeonato.

1990 - A PIOR DA HISTÓRIA

A Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália, é considerada a mais fraca de todas as competições já disputadas. Não havia uma seleção que se destacasse sobre as outras, e o Brasil, comandado por Sebastião Lazaroni, um preparador físico que tinha se transformado em treinador de sucesso, seguia o nível geral. Além de tudo, o grupo teria sido dividido por brigas por causa de prêmios, o que enfraqueceu ainda mais o que já não era grande coisa.

E a participação nas oitavas de final já mostrou que o time brasileiro não tinha mesmo futuro. As sofridas vitórias sobre Costa Rica, Suécia e Escócia mostraram que a Seleção Brasileira não poderia ambicionar grande coisa, mesmo em uma competição de nível tão fraco. No dia em que realizou sua melhor exibição, o Brasil foi derrotado pela Argentina por 1 a 0, depois de uma jogada genial de Diego Maradona e voltou mais cedo para casa envolvido por uma onda de desentendimentos. No dia da eliminação, a Seleção jogou com Taffarel, Mauro Galvão (Renato), Ricardo Gomes e Ricardo Rocha; Jorginho; Valdo, Dunga, Alemão (Silas) e Branco; Careca e Müller.

Na sequência da competição, a Itália acabou eliminada pela Argentina em Nápoles para frustração da torcida e organizadores e os sul-americanos chegaram à final com a Alemanha, em uma decisão sem qualquer brilho. Os alemães venceram por 1 a 0 com um pênalti duvidoso e ficaram com o tricampeonato.

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Fonte: Esporte interativo

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