O Brasil em todas as Copas - de 1930 a 1938: o início

A Seleção Brasileira é a única que participou de todas as Copas do Mundo e é a maior vencedora, com a conquista de cinco títulos. Só que o início da participação brasileira na maior competição do futebol mundial foi marcado pelo fracasso e nad

09/06/2014 10:05h

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  • INTRODUÇÃO
  • 1930 - 1938
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  • 1958
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  • 1970
  • 1974 - 1990
  • 1994
  • 1998 - 2002
  • 2006 - 2010
  • GOLEIROS
  • FIASCOS

A primeira Copa do Mundo foi disputada no Uruguai, e a Seleção Brasileira já desembarcou em Montevidéu envolta em grave crise. A briga entre cariocas e paulistas impediu que o time fosse representado pelos melhores jogadores do País. A CBD, que tinha sede no Rio e dirigentes cariocas, não convidou membros da Associação Paulista de Esportes Atléticos (Apea) para integrar a comissão técnica. Em represália, a entidade paulista proibiu que clubes de São Paulo liberassem jogadores à Seleção. Arthur Friedenreich, considerado um dos maiores craques do futebol brasileiro, e Feitiço não puderam participar da Copa.

A campanha foi curta e ruim. Incluído em grupo de três, o Brasil perdeu para a Iugolásvia por 2 a 1 e goleou a Bolívia por 4 a 0. Como os iugoslavos venceram seus dois jogos, os brasileiros voltaram mais cedo para casa. Na volta, muitas desculpas. Falta de experiência e o inverno rigoroso foram as duas justificativas mais utilizadas no desembarque da delegação. O destaque brasileiro foi o zagueiro Fausto, do Vasco, apelidado de "Maravilha Negra", pela elegância do seu futebol. Outros destaques no Brasil como Russinho, Carvalho Leite e Preguinho não justificaram sua fama.TIME BASE: Joel, Brilhante e Itália; Hermógenes, Fausto e Fernando; Poly, Nilo, Araken, Preguinho e Teóphilo
Técnico: Píndaro Carvalho Rodrigues

O campeão

A Copa do Mundo nasceu do idealismo do francês Jules Rimet, o homem que criou a Fifa em 1904. O Uruguai foi escolhido porque desfrutava a fama de ser o melhor time do mundo, bicampeão olímpico em 1924 e 1928. Os europeus não gostaram da escolha e muitas seleções importantes desistiram de viajar para a América do Sul. O Uruguai não decepcionou, conquistando a taça depois de derrotar a Argentina no jogo final.

1934 - UM NOVO FIASCO

Quatro anos se passaram e os problemas de vaidade continuaram perturbando o futebol brasileiro. A briga entre cariocas e paulistas parecia não ter fim e o resultado foi outra participação vexaminosa na segunda Copa do Mundo, agora disputada na Itália. A Confederação Brasileira de Desportos não aceitava o profissionalismo que já se praticava em São Paulo. Alguns jogadores paulistas concordaram em integrar a Seleção desde que fossem pagos. Quem era amador viajou sem nada receber, instalando de vez a divisão no grupo.

Se, no Uruguai, a Seleção Brasileira disputou duas partidas, em 1934, na Itália, o time foi eliminado com apenas uma derrota por 3 a 1 diante da seleção espanhola do lendário goleiro Zamora. O único consolo foi o surgimento do atacante Leônidas da Silva, o Diamante Negro, que marcou o chamado gol de honra do Brasil. Ao lado de Waldemar de Brito, descobridor de Pelé, ele foi o destaque de uma equipe composta por bons valores, mas inteiramente desorganizada.

TIME BASE: Pedrosa, Sylvio Hoffman e Luiz Luz; Tinoco, Martim e Canalli; Luizinho, Waldemar de Britto, Armandinho, Leônidas e Patesko
Técnico: Luiz Vinhaes

Uma vitória do fascismo

A Itália aproveitou a disputa da Copa do Mundo de 1934 para promover o regime fascista de Benito Mussollini. Irritados porque os europeus boicotaram a Copa disputada na América do Sul, os campeões uruguaios não participaram do torneio. Com o exclusivo interesse de tirar proveito político da competição, o ditador Mussolini esteve presente em quase todos os jogos, inclusive na decisão vencida pela Itália, que bateu a Tchecoslováquia por 2 a 1 na prorrogação e ficou com o título. Na equipe italiana tinha um jogador nascido no Brasil, conhecido como Filó. Foi o primeiro brasileiro campeão do mundo.

1938 - A VEZ DE LEÔNIDAS

Na última Copa disputada antes da Segunda Guerra Mundial, o Brasil finalmente teve uma participação digna do seu prestígio. E Leônidas da Silva, que tinha dado uma pequena demonstração do seu talento em 1934, explodiu como grande estrela do futebol mundial na Copa disputada na França. Iluminada pela categoria de Leônidas, a Seleção Brasileira chegou às semifinais da competição. Pelo seu jeito irreverente de tratar a bola e por sua elasticidade, Leônidas foi batizado pelos franceses de Homem de Borracha. Leônidas foi o artilheiro da competição, com sete gols, mas desfalcou a Seleção Brasileira no momento mais importante: o duelo contra a Itália na semifinal. Balançou a rede em todas as partidas que disputou por Copas, incluindo a primeira participação, em 1934, quando foi o autor do único gol brasileiro no Mundial.

A Seleção Brasileira que, desta vez, não enfrentou crises na época da preparação, estreou derrotando a Polônia por 6 a 5, na prorrogação. Nas quartas de final, o Brasil jogou duas partidas para eliminar a Tchecoslováquia. O primeiro jogo terminou empatado por 1 a 1 e foi necessário um jogo extra para determinar o semifinalista. O Brasil venceu por 2 a 1, com gols de Leônidas e Roberto.

Na semifinal, o Brasil se defrontou com a poderosa Itália, que tentava o bicampeonato. Em uma decisão que até hoje não foi devidamente entendida, o técnico Ademar Pimenta não escalou Leônidas. Os italianos abriram 2 a 0 e o segundo virou motivo de discussão durante muitos anos no Brasil. O grande zagueiro Domingos da Guia deu um pontapé no atacante Piola quando os dois estavam dentro da área e a bola bem longe dela, o que levou o brasileiro a pensar que a falta não seria marcada. Engano fatal e pênalti decisivo para os brasileiros, que perderam por 2 a 1. Romeu marcou o gol dos brasileiros já no final da partida.

Leônidas voltou ao time na disputa pelo terceiro lugar, contra a Suécia, quando o Brasil venceu por 4 a 2 e encerrou a sua participação de forma mais digna do que nas competições anteriores.

TIME-BASE: Batatais, Domingos da Guia e Machado; Zezé Procopio, Martim e Affonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas, Perácio e Hércules
Técnico: Ademar Pimenta

Uma competição europeia

A Copa do Mundo de 1938 contou com apenas três seleções de fora do continente europeu: Brasil, Egito e Palestina. E a forte seleção italiana, ainda sob o regime fascista, conquistou o bicampeonato. O ditador Benito Mussolini cunhou o slogan ‘Vencer ou Morrer’ para mostrar aos jogadores a importância da conquista. Diante da revolta dos franceses, os jogadores italianos faziam a tradicional saudação fascista antes de todas as suas partidas. O gesto enfureceu a torcida francesa, que fez protestos e hostilizou os campeões. A Europa estava nas vésperas da guerra.

Mesmo com toda a rejeição que a acompanhou, a Itália bateu todos os adversários que cruzaram o seu caminho. Na decisão, nem a antipatia de toda a torcida foi capaz de parar o time dirigido por Vitório Pozzo, que derrotou a Hungria por 4 a 2 e assegurou o bicampeonato mundial. Um ano depois, rebentou a Segunda Guerra Mundial, o que interrompeu a disputa da Copa do Mundo. A competição só voltaria a ser promovida em 1950, no Brasil.

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Fonte: Esporte interativo

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