Quem nunca teve a experiência de precisar trabalhar quando deveria estar descansando? Nem mesmo Neymar escapou dessa, muito embora suas atividades nos Estados Unidos passem longe de gols e lances de perigo que faltam à Seleção Brasileira na Copa América Centenário. Não - a verdade é que o atacante vem desempenhando o papel de um verdadeiro embaixador do paÃs na América do Norte, enquanto aproveita para reforçar sua própria imagem de ‘superstar’ do esporte mundial.
A visita aos Warriors na decisão da NBA, a reunião com Michael Jordan para celebrar uma nova parceria entre as fornecedoras de material esportivo e as férias extravagantes acompanhado de astros têm um fio condutor comum: manter Neymar em evidência justamente em um perÃodo em que jogadores como ele, grandes nomes do futebol europeu, estariam aproveitando o recesso antes da temporada 2016/17 para se manter o mais longe possÃvel de qualquer coisa que ligada à profissão. Até a inesperada - e estranha - amizade com Justin Bieber é fruto de conexões de relações públicas e publicitários, indica o blog Glamurama, do UOL.
Direção oposta
Não é que Neymar não tenha direito a tomar tais liberdades, muito pelo contrário: se gastar mais de R$ 100 mil em diárias de uma mansão ou aproveitar a badalada noite de Nova York o fazem feliz, ninguém pode impedi-lo. A questão é que, enquanto isso, vão-se as férias e o perÃodo que deveria ser de descanso acaba por ir na direção oposta - vale lembrar, ainda, que o próprio Barça se recusou a liberar o atacante para Jogos e Copa América para não desgastá-lo em excesso. O recesso termina em julho, e então começa a maratona de cinquenta e tantas partidas que o clube normalmente tem a cada campanha.
O curioso disso tudo é que o brasileiro parece fugir ao perfil daquele que é tido como seu mentor, Lionel Messi, e parece muito mais próximo do astro que ocupa o ‘outro lado da Força’ na guerra de futebolistas: Cristiano Ronaldo. É o português que, via de regra, aproveita o tempo livre para participar dos principais eventos sociais, viajar para os destinos mais badalados e aparecer ao lado de grandes personalidades, enquanto o argentino é muito mais ‘famÃlia’ e prefere manter um perfil mais discreto - nem mesmo as acusações de fraude fiscal parecem ter prejudicado sua imagem de maneira mais direta.
(Fotos: Instagram Neymar Jr./Divulgaçao)
Muitos americanos questionam porque Neymar acabou ficando de fora da Copa, certamente ávidos para ver o maior jogador brasileiro da atualidade nos campos, e a resposta é sempre a mesma. Mas, quando a prática acaba contradizendo um discurso de preservação e descanso, as prioridades de uma carreira ainda promissora - o limite do craque ainda não foi atingido, é bom salientar - voltam à questão. Ainda mais num momento de total descrença daquilo que Neymar aparece como o grande embaixador: o futebol brasileiro em si.