Krav Magá ensina técnicas de defesa pessoal sem estimular violência

Técnica criada para o exército de Israel mostra-se bastante eficaz para autodefesa

09/01/2019 09:19h

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De acordo com o Mapa da Violência 2018, 553 mil brasileiros perderam a vida por morte violenta na última década. Isto representa um total de 153 mortes por dia. Com a crescente sensação de insegurança e estatísticas preocupantes sobre os índices de violência, pensar em defesa pessoal é algo importante para muita gente. Nesse sentido, existem várias técnicas de autodefesa, entre elas o Krav Magá. 

O policial Luís Andreolli conta que conheceu a modalidade através de comentários de amigos. “Soube que era uma técnica de defesa pessoal criada para o exército de Israel e que mostra ser bastante eficaz para defesa pessoal. Por curiosidade, fui buscar referências na internet, pois, até então, nunca tinha ouvido falar da modalidade. O gatilho para querer praticar foi um artigo que li, que mostrava que o Krav Magá era a luta mais eficiente para defesa pessoal, pois era destinado exclusivamente para autodefesa”, relata. 

Foto: Reprodução

Luís afirma que, além de já ter presenciado situações de violência, já ouviu vários relatos de pessoas próximas sobre esse tipo de situação. “Além dessas situações que, infelizmente, nós temos que enfrentar, trabalho em uma profissão de risco, que exige respostas instantâneas frente a situações de violência”, diz. 

Autocontrole 

Para ele, o entendimento sobre defesa pessoal mudou bastante ao longo do tempo. Com mais autocontrole, ele se reserva a reagir a uma situação de violência apenas quando é “obrigado a reagir para sobreviver”. “Uma coisa que sempre me perguntam é se essa prática deixa a pessoa mais agressiva. A resposta que dou é que, nesses três anos de prática da modalidade, adquiri um autocontrole muito grande na tomada de decisões. Na verdade, você se torna menos agressivo, pois muitas das vezes a melhor reação é não reagir”, enfatiza.

Modalidade só chegou a Teresina em 2013 

O professor Andrade Neto é mestre em Educação Física e instrutor de Krav Magá. Ele é o responsável pela divulgação da modalidade, original de Israel, nas regiões Norte e Nordeste do país. Ele se diz bastante grato à recepção do curso em Teresina e aponta a prática como algo muito importante para levar uma vida mais digna. 

Andrade explica que, na tradução literal, Krav Magá significa combate próximo ou luta de contato. O termo Krav Magá surgiu na década de 1940, no período da formação do Estado de Israel. A modalidade chegou ao Brasil na década de 1990 e, em Teresina, bem mais tarde, em 2013. 

“Ele é a compilação das várias modalidades de lutas para um sistema eclético, livre, de defesa pessoal. No Krav Magá, não existem regras de competição, então não é considerado esporte. Não tem transmissão de cultura, então não é considerada arte marcial e também não é algo que deve ser ensinado ou praticado de forma irresponsável”, pontua. 

A procura pelo Krav Magá em Teresina segue alguns aspectos comuns a outras modalidades. “Algumas pessoas buscam pela saúde, para melhorar a qualidade de vida, por fitness e outros buscam porque já têm o entendimento da segurança. A procura é bem eclética. Em Teresina, o número de praticantes é maior entre as mulheres. A maioria das agressões é contra as mulheres. Temos também projetos de extensão com crianças, nos campi de Floriano e Teresina da Universidade Federal do Piauí”, declara. 

Leia mais sobre o Krav Magá na edição desta quarta-feira (08) do Jornal O Dia.

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Edição: Virgiane Passos
Por: Ananda Oliveira

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