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Árbitras do futebol piauiense relatam dificuldades na profissão

Dos 40 profissionais que compõem o quadro de arbitragem no Estado, somente três são mulheres

28/09/2019 08:38h - Atualizado em 28/09/2019 16:34h

Arbitragem no Brasil é um assunto que por si só rende muitas discussões, mas atualmente alguns números do quadro de arbitragem do país chama atenção. A quantidade de mulheres trabalhando, seja como arbitras central ou assistentes é muito inferior ao de homens. Em estados como o de São Paulo o quadro tem 400 profissionais, mas só 14 mulheres. Quando fazemos o recorte para o Piauí os números também são desanimadores: São 40 árbitros no quadro da FFP (Federação de Futebol do Piauí) e somente três mulheres.

O Piauí nunca formou uma árbitra central, apenas assistentes. Atualmente, Izaura Sousa, Isadora Eris e Maura Cunha são as únicas mulheres do estado que se desafiam a estar em um ambiente tão masculino e o que não falta no currículo delas são histórias sobre a profissão ‘hobby’.

"Para as mulheres é tudo mais difícil, desde os testes até ser escalada", diz Maura Cunha. Foto: Jailson Soares

“As pessoas acham que essa é nossa profissão e que necessitamos estar ali ouvindo tudo aquilo. Eu entrei na arbitragem por gostar de esportes, de ser uma praticante de atividade física assídua quando era mais nova, porém para as mulheres é tudo bem mais complicado, desde o teste físico até mesmo ser escalada para os torneios”, relata Maura.

Izaura tem uma história com a arbitragem que passa por sua família. Nos últimos 10 anos ela chegou a estar em campo pelo Brasileiro Série B, Brasileiro de Futebol Feminino e no próprio Piauiense 1ª divisão. Nesse caminho, se tornou mãe e isso dificultou ainda mais as coisas.

“Eu estava em minha melhor fase quando engravidei, porém não me arrependo. A arbitragem é um caminho duro e para nós mulheres ainda mais. As vezes os próprios colegas se incomodam com seu crescimento, a necessidade de se blindar nos jogos para tentar ignorar as ofensas das arquibancadas. Por inúmeras vezes passei em testes físicos e vi colegas homens não passar e mesmo assim ficava meses sem ser escalada. Eu não via explicação e por isso decidi priorizar minha família”, conta.

Izaura é o nome mais experiente é vista como inspiração para as meninas, que estão ingressando neste ambiente. É o caso, por exemplo, de Isadora, que entrou no quadro de arbitragem da FFP há dois anos. “A Izaura é uma referência para todas nós, pois ela já esteve em grandes jogos. Eu estou encontrando um cenário um pouco diferente do que ela encontrou, e por ter tios árbitros eu sinto que todos me apoiam”, explica.

Em novembro acontece o curso de arbitragem para ampliar o quadro do estado e se vive expectativa de novas mulheres ingressarem. “Não só na arbitragem, mas em tudo na vida é preciso ter coragem para superar as dificuldades. Se você quer, tem esse sonho, se esforce e as coisas vão acontecer”, disse Izaura.

Por: Pâmella Maranhão, do Jornal O Dia

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