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Letícia Colin faz apelo a Bolsonaro para não acabar com cultura no país

Em um discurso emocionado, ela destacou a importância do trabalho dos artistas e pediu que os atuais governantes não tenham medo de opiniões contrárias.

09/05/2019 16:32h

Letícia Colin, 29, fez um apelo na noite desta quarta-feira (9) contra o desmonte da cultura no país. Em um discurso emocionado, ela destacou a importância do trabalho dos artistas e pediu que os atuais governantes não tenham medo de opiniões contrárias.

"Não tenham medo de quem pensa diferente. Não tenham medo dos artistas. A gente só quer criar beleza, a gente só quer passar amor".

A declaração foi dada após Letícia receber o prêmio de melhor atriz Geração Glamour, em festa promovida pela revista Glamour, em São Paulo. 

Desde que tomou posse, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tomou algumas medidas que mudaram os rumos da política cultural brasileira e tem gerado críticas entre os artistas. O primeiro deles foi a extinção do Ministério da Cultura. A Petrobras também deve reduzir a verba destinada ao patrocínio cultural. Além disso, são previstas mudanças na Lei Rouanet.                                                       

Letícia recebeu o prêmio das mãos de seus pais, Analdina e José Hélio, que lembraram do início da carreira da filha, quando ela ainda era criança.

"Com 11 anos, ela desembarcou no Rio para fazer uma surfista sem nunca ter chegado perto de uma prancha de surf, mas ela nunca disse: 'Eu não posso, eu não consigo'. E hoje está aqui", relembrou o pai.

A atriz agradeceu os pais pela sua trajetória artística e destacou que ama a sua profissão. "Esse prêmio é dos meus pais, que me ensinaram a amar. Arte é comunicar, é gerar empatia, é se derramar, é se atravessar, é evoluir, é pensar diferente do que a gente se vê espelhado (...). Amo ser atriz", concluiu.

A premiação, que homenageia mulheres de diferentes áreas, foi marcada por discursos políticos e feministas. A jornalista e apresentadora Fernanda Gentil, que recebeu o prêmio de Mulher do ano, falou sobre a importância do momento atual em que há vários movimentos lutando pelo protagonismo feminino.

Ela disse que nunca foi prejudicada na carreira ou na vida pessoal pelo fato de ser mulher, mas tem consciência de que esta não é a realidade de outras pessoas. "Muitas precisam provar duas, três, quatro vezes mais que são capazes só por serem mulheres. Por isso, a importância desse momento, e eu espero contribuir".

A atriz Camila Queiroz entregou o prêmio Gente que Faz para a urbanista Laís Rocha Leão, criadora do InCities, rede que tem como objetivo tornar as ruas das cidades do Brasil e seus vizinhos latinos mais seguras para as mulheres.

Camila lembrou que mais nova, quando era modelo e morava em São Paulo ou viajava pelo mundo, foi alvo de assédio nas ruas. Hoje, ela afirma que se sente muito mais forte para pedir socorro, para gritar e para ajudar também. "A gente tem que meter a colher, sim! Gritem, peçam socorro, a gente precisa mostrar a cara de quem faz isso (assédio)".

Ao receber o prêmio, Laís fez uma crítica ao governo Bolsonaro, que cortou verbas de universidades públicas.

"O meu projeto começou em uma universidade pública. Não podemos deixar que ninguém destrua a universidade pública como querem fazer. Essas universidades não produzem balbúrdia, nem bagunça, elas produzem conhecimento", concluiu.

O Prêmio Geração Glamour contou com a presença de outras atrizes como Grazi Massafera, Giovanna Ewbank e Marina Ruy Barbosa.

Fonte: Folhapress

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