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Globo de Ouro será decisivo para o futuro da Netflix nas telonas

Tendo emplacado 17 indicações nas categorias de cinema –4 delas nos dois principais páreos, de melhor drama e melhor comédia ou musical

04/01/2020 10:55h

Não é exagero dizer que o desempenho da Netflix na cerimônia do Globo de Ouro, marcada para a noite deste domingo ,5, em Los Angeles, pode ser decisivo para as aspirações cinematográficas da plataforma de streaming.

Tendo emplacado 17 indicações nas categorias de cinema –4 delas nos dois principais páreos, de melhor drama e melhor comédia ou musical–, vencer na cerimônia que abre a temporada de premiações de Hollywood pode significar a legitimação da atual tentativa da plataforma de se firmar como lugar não só das séries dignas de maratona ou dos blockbusters ditados por algoritmos, mas do cinema com "C" maiúsculo.

No ano passado, sua maior aposta para a temporada de premiações, "Roma", do mexicano Alfonso Cuarón, ficou fora da disputa de melhor filme do Globo de Ouro. No Oscar, foi desbancado por "Green Book: O Guia", de Peter Farrelly.

Desta vez, a empresa de streaming decidiu quadruplicar a aposta, com nomes de peso e estilos para todos os gostos.

Há o retorno do mestre Martin Scorsese ao universo dos gângsteres no melancólico épico "O Irlandês". O "Kramer vs. Kramer" atualizado para o século 21 de "História de um Casamento", com Scarlett Johansson e Adam Driver. E "Dois Papas", do brasileiro Fernando Meirelles, que acompanha um encontro entre os antagônicos Bento 16 e Francisco num drama bem-humorado que os correspondentes estrangeiros por trás do Globo de Ouro vez ou outra costumam honrar.

Até Eddie Murphy rompeu a seca de três anos para estrelar "Meu Nome É Dolemite", biografia de um comediante falido que faz sucesso ao assumir a persona de um cafetão desbocado –mesmo que ele não faça frente ao Tarantino nostálgico de "Era uma Vez em... Hollywood" como melhor filme de comédia ou musical, Murphy é um dos favoritos a melhor ator do gênero.

De todo modo, a chance de a Netflix sair de mãos abanando da premiação é pequena.

Além deles, outros concorrentes fortes desta edição do Globo de Ouro são "Coringa", de Todd Philipps, "1917", de Sam Mendes, "Entre Facas e Segredos", de Rian Johnson, "Rocketman", de Dexter Fletcher, e o sul-coreano "Parasita", de Bong Joon-ho, que conquistou a Palma de Ouro em Cannes no ano passado.

O último, vencedor quase certo da láurea de melhor filme em língua estrangeira, pode inclusive tirar de Scorsese a estatueta de melhor direção de acordo com as previsões de especialistas.

"Parasita" é, no entanto, uma exceção dentro da seleção para lá de convencional desta edição do Globo de Ouro. Entre os indicados, há poucos filmes que fogem da cartilha tradicional hollywoodiana, reforçando o estereótipo da premiação de honrar mais as grandes estrelas do que propriamente o conteúdo das obras em competição.

Para piorar, não há nenhum filme dirigido por mulheres nas duas categorias principais, num ano em que Greta Gerwig conquistou a crítica com sua adaptação do clássico literário "Adoráveis Mulheres" e Lulu Wang fez muita gente se emocionar com "The Farewell", quase todo em chinês.

Essas duas produções são representadas por suas protagonistas, Saoirse Ronan (melhor atriz dramática) e Awkwafina (melhor atriz de comédia ou musical), porém.

A atriz Natalie Portman, que há dois anos fez troça da ausência feminina histórica na cerimônia –em seus 80 anos de existência, só cinco mulheres foram indicadas a melhor direção– ao anunciar a categoria com "e aqui estão os homens diretores indicados", provavelmente não ficaria muito feliz.

As mulheres aparecem com mais força entre os nomeados das categorias de televisão.

Elas dominam entre as melhores séries de drama, por exemplo, com "Big Little Lies", "The Crown", "Killing Eve" e "The Morning Show", a última da recém-lançada Apple TV+. A exceção é "Succession", da HBO, sobre uma família dona de um império midiático.

Além disso, não é impossível que testemunhemos mais um capítulo da coroação da britânica Phoebe Waller-Bridge, criadora e protagonista de "Fleabag", da Amazon Prime.

Ela saiu –literalmente– carregada de prêmios do Emmy em setembro. Agora, Andrew Scott, que vive o "padre gato" da segunda temporada, também garantiu um lugar na categoria de ator coadjuvante de série, minissérie ou filme de TV do Globo de Ouro.

Ele e Ramy Youssef, que concorre a melhor ator de série de comédia ou musical por "Ramy", da Hulu, foram consideradas algumas das boas surpresas em TV do último ano.

Algumas ausências, no entanto, foram particularmente sentidas. Produções aclamadas como "Olhos que Condenam", da Netflix, e "Watchmen", da HBO, ficaram de fora.

E, nas categorias de cinema, Lupita Nyong'o foi preterida por seu papel em "Nós", terror de Jordan Peele, enquanto Cate Blanchett foi indicada pela adaptação do best-seller "Cadê Você, Bernadette?", fracasso de crítica e de bilheteria.

77º Globo de Ouro

Domingo (5), a partir das 21h, na TNT

Fonte: Folhapress

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