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Emma Watson e Meryl Streep estreiam com 'Mulherzinhas'

Mais de 150 anos se passaram desde que a escritora Louisa May Alcott publicou seu "Mulherzinhas", drama sobre o amadurecimento de quatro irmãs durante a Guerra Civil americana.

07/12/2019 15:03h - Atualizado em 07/12/2019 14:31h

Mais de 150 anos se passaram desde que a escritora Louisa May Alcott publicou seu "Mulherzinhas", drama sobre o amadurecimento de quatro irmãs durante a Guerra Civil americana. 

A história das garotas da família March foi adaptada inúmeras vezes para teatro, TV, ópera e até para animação japonesa. A diretora e roteirista Greta Gerwig ("Lady Bird: A Hora de Voar") sabia que uma oitava adaptação para o cinema precisaria ser especial.

"Relendo o livro, adorei perceber como havia muitos pontos de interesse para mim, porque é sobre arte, mulheres e dinheiro, como essas coisas caminham juntas", explicou Gerwig, após a primeira exibição do seu "Adoráveis Mulheres" em Hollywood, ainda em outubro. "Encontrei inspiração na vida de Louisa May Alcott durante a época em que escreveu 'Mulherzinhas'."

O filme, escolhido para abrir o Festival do Rio, nesta segunda (9), e com data de estreia prevista para 9 de janeiro em circuito, é uma adaptação fiel do texto de Alcott sobre a situação social das mulheres no fim do século 19. Mas agora a obra recebe uma atualização para se adequar aos novos movimentos feministas.

Nele, Jo March (Saoirse Ronan, talvez a atriz jovem mais talentosa da atualidade) não se contenta em desistir da carreira de escritora. Pelo contrário. Como uma Taylor Swift ficcional do século 19, ela enfrenta seu editor machista (Tracy Letts) para obter direitos financeiros ao publicar mais um sucesso literário numa época em que poucas mulheres conseguiam fazê-lo.


Emma Watson e Meryl Streep estrelam versão para o cinema de 'Mulherzinhas'. Reprodução

"Na vida real, Alcott nunca se casou ou teve filhos, mas manteve os direitos autorais da sua obra. Ela ganhou muito dinheiro e sustentou toda a família, que sempre foi pobre", afirmou a diretora à revista Variety. "Senti que, por poder entregar o destino que Alcott realmente quis para Jo, talvez tenhamos chegado a algum lugar."

Ninguém melhor que Gerwig para promover uma releitura de um clássico sobre independência feminina e equiparação artística. No ano passado, com "Lady Bird", ela foi a primeira cineasta mulher indicada ao Oscar de melhor direção por um filme de estreia –e apenas a quinta indicada para a categoria em 90 anos.

Mas "Adoráveis Mulheres" já estava em sua vida antes de a Academia reconhecer seu talento. "O livro era importante para mim desde antes de pensar em fazer cinema. É tão próximo que sinto fazer parte da minha biografia", disse a cineasta no evento acompanhado pela reportagem. "Quando comecei a escrever o roteiro, percebi como as minhas emoções em relação ao texto ainda estavam imaculadas."

Apesar de toda a paixão pelo material, ela não foi a primeira opção da Sony para o comando da produção de US$ 42 milhões. O nome de Sarah Polley ("Longe Dela") estava na mente da produtora Amy Pascal, quando o projeto começou a tomar forma.

Mas Greta Gerwig, que já tinha o premiado roteiro de "Frances Ha" (2012) no currículo e vários papeis como atriz, perseguiu Pascal até conseguir o emprego. "Foi antes de dirigir 'Lady Bird'. Não estava no topo da lista de ninguém, mas tinha certeza de que precisava fazer esse filme. Não costumo aparecer de surpresa nos escritórios das pessoas para dizer que devem me contratar."

De certa maneira, foi neste estilo ousado que Saoirse Ronan, atriz de 25 anos mas com três indicações ao Oscar nas costas, conseguiu o papel principal. "Quando estávamos fazendo a divulgação de 'Lady Bird', ouvi que Greta iria adaptar 'Mulherzinhas'. Nunca peço papéis diretamente, pois não acho que o diretor vai me querer. Mas com esse projeto, falei para Greta: 'Eu não deveria interpretar Jo? Fica a dica, vá pensar sobre isso'. Foi tão arrogante que me deixou chocada", disse Ronan, gargalhando, ao lado da diretora.

Deu certo. Duas semanas depois de explicitar seu desejo de viver a protagonista de "Adoráveis Mulheres", ela recebeu um email da diretora aceitando sua dica. "Dizia apenas 'Ok, você pode ser Jo'", lembrou a atriz. "Estava em Londres e comecei a ler tudo de novo, revisitar o material original. Li a descrição da personagem para uma amiga e ela falou: 'Ela é você'. Foi incrível."

Para o papel da talentosa e mimada Amy March, que forma um triângulo amoroso com Jo e o charmoso Laurie (Timothée Chalamet), Greta Gerwig foi atrás de Florence Pugh, outra estrela em ascensão.

Inicialmente, a primeira reunião correu sem problemas, mas Pugh estava comprometida com "O Mal Não Espera a Noite - Midsommar", que exigiria quatro meses em Budapeste.

"Não achava que iria funcionar", afirmou ela, durante a mesma sessão em Hollywood. "Mas Greta terminou nossa primeira reunião dizendo como estava empolgada por fazer esse filme comigo. Não era para ter dado certo, mas todo mundo fez um esforço."

O esforço foi também da própria Pugh. Enquanto filmava cenas de horror como uma personagem afundada no luto, ligava para a equipe de "Adoráveis Mulheres" para se preparar para uma personagem cheia de vida. 

"Terminei de rodar uma cena correndo e gritando por um campo e mandei uma mensagem dizendo que veria todo mundo em duas semanas. Interpretar Amy foi a melhor terapia depois de pôr fogo em namorados", brincou a atriz.

"Adoráveis Mulheres" ainda se completa com Emma Watson no papel de Meg March, a mais velha e a mais tradicional das irmãs; Laura Dern como a matriarca Marmee, que espera a volta do marido da guerra; e Meryl Streep participando no papel da rica tia March.

"Escrevi duas versões antes mesmo de dirigir 'Lady Bird' e descobri que Meryl é fã de 'Mulherzinhas'. Num almoço, ela começou a me passar diversas sugestões e roubei várias para o filme", contou Gerwig. 

"Meryl disse que interpretaria a velha de guerra, o machado da família March. Ela marcou seu território e eu apenas acatei. Meryl Streep pode interpretar qualquer coisa."

Fonte: Folhapress

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