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Documentário resgata sonhos e angústia de famílias do Palace II

Vítimas enfrentam demora para receberem indenizações

21/07/2019 08:12h

Projeto de uma vida inteira para muitos brasileiros, o sonho do imóvel próprio foi interrompido para as 120 famílias do edifício Palace II, que desmoronou na Barra da Tijuca em 1998. O documentário Palace II - Três Quartos com Vista para o Mar, que estreou na última quinta-feira (18) em salas de cinema do Rio de Janeiro, mostra décadas de tragédia e angústia das vítimas de um prédio mal construído.

O longa-metragem conta a história a partir dos esforços dessas famílias para comprar os imóveis e da chegada delas a um edifício que demonstrava problemas no acabamento. Os dias de maior desespero com os desmoronamentos e a espera por justiça completam a narrativa do longa.

Em 22 de fevereiro de 1998, parte da construção de 22 andares desabou, matando oito pessoas. Uma semana depois, a Defesa Civil pôs abaixo o restante da torre às pressas, após mais um desabamento parcial. Documentos, pertences e corpos ainda não encontrados foram soterrados.

(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Diretor ao lado de Gabriel Correa e Castro, Rafael Machado conta que a ideia é mostrar que a tragédia não foi pontual na vida dos moradores. “É uma tragédia da vida toda, que envolve um plano de vida destruído, que não retorna. A gente mostra que aquela tragédia não acabou ali. Ela dura 20 anos, assim como o processo. São duas coisas que parecem que não vão acabar nunca e que são permanentes na vida dessas pessoas”, explica.

O longa é o segundo mergulho dos cineastas na história do Palace II. Em 2008, Gabriel dirigiu um curta-metragem sobre a tragédia, com a participação de Rafael, que conta que pouca coisa mudou em 10 anos. “Tragicamente, não percebemos muita diferença no sentimento de tristeza e injustiça. Parecia que estávamos fazendo o filme de 2008”, diz.

O filme relata a história com entrevistas com proprietários, peritos e advogados, traz acervo pessoal inédito das famílias, relembra reportagens e contextualiza a construção do Palace II no boom imobiliário dos anos 1990 na Barra da Tijuca. “A maneira como as famílias contam mexe muito com a gente. Eles contam de um jeito que parece que foi ontem. Parece que acabou de acontecer. Quando você percebe todo aquele ressentimento, ódio, tristeza, rancor e a incapacidade de conviver com todo esse sentimento, isso te marca”, completa Rafael.

Dono da construtora responsável pela obra, Sérgio Naya, que era deputado federal na época do desabamento, foi absolvido do processo criminal em 2005 e morreu em 2009. Paralelamente, corre na Justiça Cível o ressarcimento das 120 famílias.

Fonte: Agência Brasil

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