No PI, Daniela Mercury defende diversidade: “As religiões não são leis”

"É um absurdo que qualquer religião ataque os direitos à liberdade individual", afirmou a cantora

24/08/2013 16:01h - Atualizado em 25/08/2013 12:51h

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Neste domingo (25), em Teresina, “O Canto da Cidade”, um dos maiores sucessos da cantora baiana Daniela Mercury, irá se transformar em um grito contra a homofobia. A cantora já está em solo piauiense para participar da 12ª Parada da Diversidade. Tendo assumido em abril deste ano seu romance com a jornalista Malu Verçosa, Daniela já se considera um ícone da luta pelo respeito à diversidade sexual.  

"O mundo precisa de ícones e de representantes de causas sociais. Acabei me transformando em uma referência. Sinto que as pessoas precisam disso", declarou em entrevista coletiva à imprensa, em Teresina, na tarde deste sábado (24). 

Ao lado da namorada, a artista disse que está feliz em retornar ao Piauí justamente para a Parada. Daniela prometeu um grande show e disse que “cantará” a diversidade. No repertório, os grandes sucessos e as novas músicas de trabalho, que integram o seu próximo disco, marcado para ser lançado no dia 1º de outubro. "Eu vou sentir o público e entender o que eles vão querer, através da energia e do olhar", pontuou.

Fotos: Yuri Ribeiro

Durante a coletiva, Daniela tocou em assuntos polêmicos. Levantou a bandeira em defesa dos direitos humanos e igualitários e se posicionou sobre as últimas discussões em torno das relações homoafetivas. 

Quando perguntada sobre a "cura gay”, a cantora fez duras críticas ao projeto de lei, que permitiria o tratamento psicológico da homossexualidade e que foi arquivado em julho deste ano. 

“Isso não é uma bandeira social ou religiosa. É um oportunismo político para atrair votos. Isso é um absurdo inaceitável. Hoje, passamos por uma lavagem cerebral religiosa. O ideal é que a religião não dissesse o que é certo e errado. É um absurdo que qualquer religião ataque os direitos à liberdade individual. Eles disseminam o desrespeito às diferenças e tentam contaminar a sociedade com conceitos atrasados”, enfatizou, disparando em seguida: “As religiões não são leis. As pessoas têm o direito de seguir suas religiões e suas crenças, mas o que rege o país é a Constituição e eu tenho direito de ser respeitada como cidadã”. 

A cantora falou também sobre o momento em que assumiu publicamente sua orientação sexual. A relação com os fãs, diz Daniela, não mudou. 

"Isso foi visto como um ato de liberdade. Hoje sou mais querida, as pessoas me parabenizam muito e demonstram muito carinho. Querem sempre tirar foto comigo e com a Malu quando estamos juntas", afirmou, acrescentando que se surpreendeu com a aceitação e receptividade do público mais maduro, que acompanha sua carreira há mais tempo.  

A artista enumerou ainda os motivos que a levaram a fazer a revelação: “Primeiro, porque eu estou apaixonada e eu acho um absurdo esconder uma paixão do mundo. Eu tinha que gritar minha paixão para todo mundo. E segundo, eu tive que dizer porque eu troquei alianças com a Malu. Eu tinha que avisar: ‘Olha, essa agora é minha companheira’”. 

Para Daniela, no cenário atual, não há mais espaço para o preconceito. “Somos um povo que é contra a discriminação. Na intimidade todos temos a cabeça aberta. Hoje, até o Papa está mais flexível, mais simples e mais perto da realidade", pontuou. 

O palco da Parada da Diversidade será a Avenida Raul Lopes, zona Leste de Teresina. A concentração do evento começará às 16 horas, em frente à Potycabana. De lá, o grupo seguirá para o Complexo Turístico Ponte Estaiada, onde haverá as apresentações artísticas.

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Por: Yuri Ribeiro

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