Dramaturgo piauiense é o grande homenageado do Salipi 2014

Com metodologia contemporânea, Gomes Campo utilizava o teatro em sala de aula

11/06/2013 12:03h

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O professor Gomes Campos – dramaturgo e filósofo – será o grande homenageado da 12ª edição do Salão do Livro do Piauí - Salipi, em 2014. Natural do município de Regeneração, ele é considerado o pai do teatro moderno no Piauí, com premiações em níveis estadual e nacional. Gomes Campos é o autor da peça “O Auto do Lampião no Além”, que lhe deu o prêmio de autor revelação, quando do 5º Festival Nacional de Teatro dos Estudantes, no Rio de Janeiro, em 1968.

Com metodologia contemporânea, Gomes Campo utilizava o teatro em sala de aula, ciente de que os textos encenados ganhavam maior percepção dos alunos. Para ele, o teatro deveria ser instituído em todas as escolas, melhorando assim o aprendizado. Grande incentivador do teatro autoral, ele observava os talentos e procurava animar aqueles que poderiam se destacar nessa modalidade artística.

Para o dramaturgo e diretor de teatro, Aci Campelo, a homenagem do Salipi a Gomes Campos é justa e abre espaço para a discussão das artes cênicas na sua programação: “Foi por demais oportuna essa homenagem a Gomes Campos, pelo que ele representou para o teatro piauiense e brasileiro. Sua peça “Auto do Lampião no Além” foi encenada por muitas companhias do Brasil e levada ao exterior”, destaca. Ele informa ainda que a única escola de teatro de Teresina leva o nome de Gomes Campos, pela sua enorme contribuição para a nova fase das artes cênicas no estado, a partir dos anos 50.

Nascido em Regeneração, a 19 de outubro de 1925, José Gomes Campos veio cedo para Teresina. Estudou no Colégio Diocesano e formou-se em Direito pela antiga Faculdade de Direito do Piauí, onde incentivou e fez apresentações de peças teatrais – para admiração de alunos professores. Exerceu o ofício de professor, filósofo, poeta e dramaturgo. Como ator e diretor de teatro, tinha a certeza de que no íntimo “estão nossas raízes, e não apenas no anseio da comunicação coletiva. A consciência da representação no palco absorve a lição de Bernard Shaw, outro dramaturgo - “que o mau teatro é tão pernicioso quanto a má escola e a má igreja””.

Um dos homens mais inteligentes de sua geração, Gomes Campos, como era mais conhecido, devotava grande amor ao catolicismo, bem como ao teatro e ao magistério. Leitor dos comediógrafos e dos trágicos, encontrou em Gil Vicente a vertente para o coletivo popular. Mas também absorveu os trágicos gregos e Shakespeare. Sua atuação teatral vem desde o tempo da faculdade, quando fundou o Grupo de Teatro da União dos Moços Católicos onde trabalhou com Tarcísio Prado, também ator e dramaturgo de sucesso.

Em seguida, Gomes Campos cria o Teatro Estudantil Teresinense (Test), de larga atuação no estado. Nessa época leva para outras praças a peça “O Auto de Lampião no Inferno”, ganhando prêmios em festivais e o reconhecimento da crítica nacional. Foi professor de Filosofia da UFPI, no Colégio Sagrado Coração de Jesus e assessor pedagógico da Escola Técnica Federal do Piauí, onde foi diretor do Grupo de Formação Cênica, lançando inúmeros talentos para o teatro piauiense, tendo lecionado também no Seminário Sagrado Coração de Jesus.

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Por: Marco Vilarinho

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