Sabor do Dia

Rum e chocolate, muito prazer!

O Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia promoveu uma degustação conduzida pela chef venezuelana María Fernanda Di Giacobbe

14/04/2014 18:42h

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Participei do Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia, em Belém-PA, há alguns dias, e entre degustações de várias delícias produzidas com cacau e chocolate, participei de uma mini-aula de harmonização de chocolate com rum. Inusitado, não?

A combinação de chocolate com bebida alcoólica não é novidade para ninguém, vide os deliciosos bombons recheados com licor, com vinho do Porto e até com whisky que existem no mercado.

De chocolate com rum eu não conhecia nada além de bombons recheados com passas ao rum, mas é uma tradição na Venezuela, que produz um cacau considerado por especialistas como o melhor do mundo. Não sou especialista, mas assino embaixo. Os que provei são incríveis!

A degustação/harmonização, que foi conduzida pela chef e “chocolatera”venezuelana María Fernanda Di Giacobbe,  uma das grandes divulgadoras do chocolate como produto gourmet, no sentido mais intenso que a palavra possa ter.

Experimentamos diversos tipos de chocolates, incluindo amêndoas de cacau torradas,  tabletes 60%, 61% e 70% cacau  e bombons recheados com ganache de rum, cupuaçu (estávamos no Pará!) e com Picante Katara, um molho picante produzido com bundas de formigas da Amazônia Venezuelana (não falei que tinha sido inusitado?),  com cinco tipos de rum, entre eles nosso velho conhecido Montilla.

María Fernanda explicou logo que, para ser considerado rum, o destilado de cana precisa ter envelhecido pelo menos dois anos em barril de madeira. Menos de dois anos é aguardente.

Começamos com o rum mais jovem, o Montilla Cristal, e em seguida o Montilla Ouro, com amêndoas de cacau torradas. Minha impressão: o sabor do rum é tão forte que “matou” o cacau.

Passamos ao Ocumare, produzido na Venezuela, que degustamos com chocolate 60% cacau. Bem mais suave que o Montilla, tem aroma de caramelo que vem da quantidade maior de melaço que contém.  Como eu disse antes, sou leiga no assunto, mas foi a combinação que mais me agradou.

Em seguida passamos ao Diplomático, com bombons recheados. Servido gelado, foi o que mais agradou à turma que participou da degustação. É doce e forte, gostei, mas o anterior me  ganhou.

O quinto rum foi o Carupano Solera Centenário, que é muito saboroso e tem sabor cítrico, com chocolate 70% cacau.  Muito bom, mas "intenso" demais para o meu paladar desabituado.

Rum com comida. De quem foi essa ideia?

Maria Fernanda Di Giacobbe contou que na Venezuela é comum usar o rum para aromatizar a comida e também para acompanhar alguns pratos.  Infelizmente não tive o prazer de experimentar, mas já fiquei cheia de ideias para fazer em casa.

Vou tentar descrever  os dois pratos que ela comentou e que me deixaram com água na boca. O primeiro: Frutos do mar, em especial lagosta e camarão, salteados em manteiga de cacau a 60° -  não pode ser muito aquecida para não queimar e não perder o sabor e a leveza - , servidos com salada de grãos temperada com Picante Katara (o molho de bunda de formiga) e maionese. Para comer com rum “comum”, com mais de dois anos de envelhecimento.

O segundo prato: Torteloni salteado em manteiga de cacau, flambado com rum, coberto com molho quatro queijos e lascas de chocolate 70% cacau, com abóbora grelhada. E frutas tropicais de sobremesa.  Para comer com rum de qualidade superior, envelhecido por mais de 15 anos.

Minha meta 1: comprar um bom rum e experimentar essas delícias. Minha meta 2: Ir para a Venezuela e comer lá mesmo, preparado por quem entende do assunto, com os ingredientes corretos, que não vou achar facilmente aqui.

Vou continuar falando de Chocolate e Cacau da Amazônia por aqui, o assunto rende! 

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Edição: Natacha Maranhão

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