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Polivox

Um paraibano na Marvel

Mike Deodato Jr, de Campina Grande, desenha Os Vingadores para a Marvel

27/06/2013 16:19h

Em praticamente todas as grandes feiras internacionais de Histórias em Quadrinhos e artes afins é grande o número de desenhistas com portfólios debaixo do braço em busca do sonho de entrar no “grande mercado”. Muitos passam por testes com observadores das editoras e voltam pra casa frustrados. Essa realidade mostra o quanto é difícil realizar esse sonho. E se hoje é difícil, na década passada nem se fala, quando a internet ainda estava nascendo aqui no Brasil e a comunicação era muito complicada. O que dizer, então, além de todas essas barreiras, ainda ter o fato de ser nordestino. Só mesmo com muito talento! Mas isso o desenhista paraibano Mike Deodato Jr tem de sobra. Hoje é simplesmente o cara que desenha as histórias dos Vingadores para a Marvel, entre outros personagens de peso. Em uma entrevista Exclusiva para a POLIVOX, Mike conta como conseguiu derrubar essas barreiras. Confira:

É muito comum em feira de quadrinhos e entretenimento nos Estados Unidos, como a Comic Con, ver centenas de desenhistas com portfólios debaixo do braço, passando pela avaliação de várias editoras. E, ao final, saem quase chorando sem conseguir nada. Como, então, um cara de Campina Grande, na Paraíba, conseguiu desenhar para Marvel, e sem sair da sua cidade? Foi muito difícil?

Foi bem difícil. Mais ainda porque no meu tempo ainda não havia a internet. Hoje em dia você tem acesso a editoras e profissionais ao alcance de um clique. Comecei fazendo fanzines, depois passei por várias editoras pequenas até ter a chance de desenhar para o mercado americano. Chegando lá, o processo foi o mesmo: fui galgando as pequenas editoras até chegar nas grandes.

Quais os personagens que o sr. trabalha atualmente e qual a sensação de ver um desenho seu ser transformado em revistas que vão circular em vários países do mundo?

Estou com os Vingadores. Devo ser o desenhista que mais desenhou o grupo até hoje. A sensação é ótima, mas não melhor que o próprio processo de desenhar. A hora em que estou na prancheta desenhando é onde me sinto melhor.

O sr. disse certa vez em uma entrevista que nunca frequentou uma escola de desenho, e que seu aprendizado foi mesmo desenhando dia a dia, copiando outras ilustrações. Com que frequência o sr. desenhava? E hoje usa o mesmo processo para aperfeiçoar seu trabalho ou realiza algum estudo?

Desenhava sempre que podia. Estou sempre estudando e procurando me aperfeiçoar. As possibilidades nos quadrinhos são imensas. Este estado de experimentar, descobrir, é o que faz o quadrinho mais interessante pra mim.

Quem é apaixonado por histórias em quadrinhos e adora desenhar acha que será sempre um “céu de brancas nuvens” produzir para editoras como a Marvel e a DC Comics. É assim mesmo? Como é a sua luta diária? Outra expectativa é ficar rico. O pagamento é o que se imagina mesmo?

Os prazos são bem apertados e a concorrência é dura, mas se você gosta do que faz, fica tudo mais fácil. Quanto a ficar rico, não fiquei, nem tenho esperança de ficar um dia, mas o que tenho me basta.

E, finalizando: já chegou a receber alguma proposta do mercado brasileiro. Como o sr. avalia o que é produzido por aqui?

O mercado tá em um ótimo momento aqui. Acabei de ter publicados um Sketchbook e A Arte Cartum de Mike Deodato e fiquei bem satisfeito com a recepção. Talvez seja a hora de eu voltar a investir no quadrinho nacional.


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