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Piauí Presente

População: seremos menos, mas podemos viver melhor

Antonio José Medeiros - Sociólogo, professor aposentado da UFPI

11/06/2019 06:40h

Não gosto da expressão “capital humano”; mas também não concordo com a exaltação da educação semelhante à da Globo com o agro: “educação é tech, educação é pop, educação é tudo”. Não resta dúvida, porém, de que qualquer sociedade só consegue combinar bem-estar, liberdade e justiça se as pessoas têm oportunidade de desenvolver suas potencialidades.

A população deve contar para qualquer projeto de desenvolvimento: é para isso que apontam as ideias de “inclusão social” e “desenvolvimento humano”. Lembremos da frase do presidente general Médici na época do milagre econômico no regime militar: “a economia vai bem, mas o povo vai mal”. E não esqueçamos isso agora, diante do discurso ultraliberal: o Mercado (eles escrevem com maiúscula) resolve, ou seu corolário: a reforma de Previdência, ao reduzir o déficit fiscal e introduzir a capitalização, resolve; não importa quanto os aposentados ganharão. Aliás, é um absurdo a previdência ser uma Secretaria do Ministério da Fazenda (hoje, da Economia) e não do Ministério do Desenvolvimento Social.

Quero falar, hoje, olhando por outro ângulo: a população conta para o desenvolvimento: toda população é potencialmente “um celeiro de talentos”. 

A população do Piauí recenseada em 2010 foi de 3.118.360 habitantes. O estado ocupa a 18ª posição entre as 27 unidades da federação, com 1,63% da população brasileira. 

Essa participação tende e decrescer. No primeiro recenseamento de 1872, no Piauí moravam 2,03% dos brasileiros; a população oscilou em torno desse percentual por bastante tempo, mas desde 1970 percebe-se uma tendência decrescente. As projeções do IBGE de 2010 a 2018 mostram um crescimento populacional em torno de 0,60% ao ano, abaixo da média brasileira de 0,90%. E para 2030, o IBGE prevê que a população piauiense será menor que a de 2010, em termos absolutos.

A migração continua tendo um peso importante: o saldo negativo do movimento migratório entre o Piauí e os demais estados da federação permanece; foi de 70.423 emigrantes a mais na década 2000-2010. A busca de emprego com melhor remuneração continua a principal motivação para a emigração para outros estados. A expansão de empregos no serviço público qualificado ajuda; mas só mais desenvolvimento econômico resolve.

O êxodo rural mudou de destino; atualmente é mais para as sedes dos próprios municípios; a migração para as cidades maiores do estado é mais urbana-urbana. Os programas sociais e a aposentadoria rural têm retido a população no interior. Teresina não chegou a 1 milhão de habitantes e isso não é ruim: 814.439 habitantes em 2010 e 861.861 em 2018, conforme projeção do IBGE.

A busca de mais (ou melhor) educação continua a maior motivação para emigrar dentro do Piauí. 

A descentralização de serviços públicos (educação e saúde, em especial) produz efeitos positivos mas limitados na “retenção” da população. 

O desafio da saúde é fácil de desenhar e difícil de executar: fortalecer os núcleos regionais de média e alta complexidade e melhorar o funcionamento do sistema de encaminhamentos do SUS. Tá devagar.

A educação exige soluções criativas. A expansão do ensino médio, das Unidades do IFPI e dos campi da UESPI e UFPI ajudar a fortalecer polos regionais. A questão é como planejar a dinamização de um “mercado de trabalho regional” para determinadas profissões que exigem cursos com forte investimento em infraestrutura. O ensino médio profissional precisa ser pensado de modo regional, garantindo residência estudantil, um pouco como se faz com a pedagogia da alternância nas agrotécnicas. A educação à distância através de plataformas on line ou da mediação tecnológica, em nível médio e superior, permitem um certo rodízio na oferta de cursos (conforme as áreas) para calibrar melhor oferta de cursos com a capacidade de absorção dos formados. Planejar, planejar!

Mas o grande desafio é no fortalecimento dos Territórios do Desenvolvimento pela integração dos vários agentes responsáveis pelos setores que compõem o PIB: agropecuária, indústria, comércio e serviços e setor público. Os Conselhos Territoriais devem ser espaços de conversação entre “pequenos, médios e grandes”. Os Territórios ou pensam o aumento da produção e da produtividades ou não merecem o nome de “Território de Desenvolvimento”.

Estamos vivendo uma estagnação demográfica; em si, não é um problema. Seremos menos, mas com certeza podemos viver melhor! Trata-se portanto de favorecer o desenvolvimento das potencialidades dos piauienses.

No Brasil, nove estados têm população menor que a nossa; e tem um PIB bem maior: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins para ficar apenas com não são “os maiores” e têm um nível de desenvolvimento maior que o nosso.

São 63 países no mundo com uma população menor que a do Piauí. Muitos com PIB per capita menor que o do Piauí. A pequena Islândia com 330 mil habitantes tem uma renda per capita de 55 mil dólares. Não precisamos pensar tão alto. 

Mas, temos condições de avançar com a área e os recursos que temos, se utilizarmos mais tecnologia, se pensarmos melhor a organização de nosso espaço, se criarmos alguns consensos na maioria da população.


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