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Piauí 2017: PIB per capita dos municípios - desigualdades e desafios

O IDHM é um índice construído a partir de três sub-índices correspondentes às suas três dimensões: Renda, Longevidade, Educação.

07/01/2020 11:56h

Na estimativa do PNUD/IPEA/FJP para 2017, por exemplo, o IDHM Geral do Piauí atingiu 0,697; e o IDHM Renda chegou a 0,660.

A análise do PIB per capita dos municípios para 2017, divulgado em dezembro passado, é importante, entre outras coisas, porque 1/3 do IDHM depende do PIB per capita, único indicador considerado para calcular o IDHM Renda.

O PIB per capita do Brasil em 2017 foi de R$ 31.833,00 (± US$ 10.000); o do Piauí foi de R$ 14.089,00 (± US$ 4.200). O Brasil está no nível em que os países são considerados em desenvolvimento; o Piauí no nível dos países considerados subdesenvolvidos.

Mas, dentro do Piauí há um grau de desigualdade muito grande entre o maior PIB per capita de Baixa Grande do Ribeiro (R$ 65.454,00) e o de Fartura do Piauí (R$ 5.340,00). Esse último representa apenas 8% do primeiro.

Dos 224 municípios piauienses, 19 têm o PIB per capita acima da média estadual de R$ 14 mil; e desses, 9 municípios têm o PIB per capita acima da média nacional de R$ 31 mil. A grande maioria dos municípios (143, ou 63%) tem um PIB per capita entre R$ 10.000,00 e 7.000,00; e 63 municípios (28%) tem o PIB per capita abaixo de R$ 7.000,00, ou seja, menos da metade da média estadual.

Encabeçam a lista dos municípios de maior PIB per capita, Baixa Grande do Ribeiro com R$ 65.454,00; Uruçuí com R$ 59.528,00, Curral Novo com R$ 57.549,00 e Guadalupe com R$ 51.697,00. Os dois primeiros já têm esse desempenho há alguns anos e refletem a alta produtividade da soja e milho; Curral Novo entra na lista agora e reflete o impacto da geração de energia eólica; e Guadalupe tem agora a fruticultura se somando à produção de energia hidroelétrica em Boa Esperança.

O PIB per capita de Baixa Grande do Ribeiro atinge o nível dos países considerados desenvolvidos (cerca de 20 mil dólares) e junto com Uruçuí, está acima do PIB per capita do município de São Paulo (Capital) que é de R$ 57.759,39. Os maiores PIBs per capita do Brasil são Paulínia (SP) – R$ 344.847,00, tendo como base o refino de petróleo; Triunfo (RS) – 311.211,00, polo petroquímico; e Louveira (SP) – 300.697,00, com base na fruticultura e no seu papel como polo logístico de distribuição para o interior de São Paulo e estados vizinhos.

Os municípios piauienses com PIB per capita acima da média estadual têm as mesmas bases econômicas que os primeiros já listados: a produção de grãos (soja-milho) ou as energias renováveis (eólica, solar). Do polo do agronegócio participam Ribeiro Gonçalves (R$ 48.076,00); Bom Jesus (R$ 35.355,); Santa Filomena (R$ 34.627,00); e Sebastião Leal (R$ 29.192,00). No polo de base energética estão Simões (R$ 32.220,00) e Ribeira do Piauí (R$ 25.268,00). De base mineral (calcário): Antônio Almeida (R$ 22.675,00).

Essa é a economia tecnologicamente moderna no Piauí. Importante: Agronegócio e Mineração geram ICMS; há pois uma base para políticas públicas que melhorem as condições urbanas e a oferta de serviços; é questão de vontade política e eficiência na gestão. Energias renováveis não geram ICMS para o município-estado produtor mas para o consumidor; fica mais difícil trabalhar o impacto social do grande aumento da produção.

O terceiro grupo de municípios com PIB per capita acima da média estadual são os centros comerciais regionais: Teresina (R$ 22.481,00); Picos (R$ 18.531,00); Floriano (R$ 17,285,00). São estratégicos para a circulação dos recursos transferidos para o estado pelas diversas políticas de renda.

O último grupo dos que estão um pouco acima da média estadual (de R$ 14 a R$ 17 mil) são municípios que começam a ser incorporados no polo do Agronegócio: a agropecuário em 2017 representou mais de 40% do PIB de Gilbués, Monte Alegre do Piauí e Corrente (que avança como polo regional, com 37% do PIB gerado pelo setor de serviços e comércio). Palmeira do Piauí, cujo setor agropecuária também está acima de 40% do volume de seu PIB, tem como atividade principal a cana de açúcar.

Por outro lado, quando menor é a renda per capita do município, maior é sua dependência de transferências federais, seja da previdência, seja de outras políticas.

A intenção de fazer essas comparações não é para construir nenhum ranking nem estimular competição (que aliás, até certo nível, é saudável), mas ter uma ideia do esforço que precisa ser feito e onde para promover o crescimento econômico e buscar maior igualdade entre os municípios no que se refere a seu bem estar socioeconômico.

A educação – redes federal, estadual e municipais, bem como a rede privada - tem avançado e deve contribuir para atingirmos o IDHM alto em 2020. A longevidade já atingiu esse nível. O desafio agora é a Renda; e não se aumenta a produção e produtividade sem investimento, sem qualificação do produtor, sem espírito empreendedor e sem um plano estratégico.

As conveniências eleitorais de lideranças dos executivos e dos legislativos municipais, estaduais e federais não dizem respeito apenas à democracia e à credibilidade da política – problemas ainda gravíssimos no Brasil pós-1988. As mudanças estão acontecendo muito lentamente e muito fragmentadamente. É preciso ter muito cuidado porque a política fisiológica e clientelística tradicional pode prejudicar o desenvolvimento e a inclusão social. Continuar acreditando e avançando no rumo da política programática é preciso.


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