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Piauí Presente

Desenvolvimento sustentável se tornou uma palavra de uso comum.

Desenvolvimento sustentável se tornou uma palavra de uso comum.

12/02/2019 06:05h

Isso significa que os países (ou estados como nosso Piauí) que precisam acelerar seu crescimento econômico devem pensar em como crescer economicamente com sustentabilidade ambiental.

Ao preparar este artigo, dei uma olhada em alguns livros organizados. E encontrei “Para Pensar o Desenvolvimento Sustentável” (Brasiliense: 1993), livro organizado por Marcel Bursztyn (meu professor no doutorado da UnB, em 2016). Chamou minha atenção o título provocativo do capítulo escrito por Pedro Leitão (na época doutorando na UFRJ): Ambiental Desenvolvimentismo – ideário nacional brasileiro dos anos 90?. A expressão está um tanto “inglesada”, com o adjetivo antes do substantivo, mas aponta para o que quero defender.

O problema ecológico é seríssimo, embora alguns governantes (como os atuais presidentes do Brasil e dos EUA) tentem desqualificar os estudos e alertas feitos. Muitas iniciativas já estão em curso no mundo todo. Mas, na prática, ainda estamos empurrando a questão com a barriga. Sei que ainda temos tempo, sei que algumas coisas poderão ser inventadas (como o carro elétrico, já em produção). Mas, não tenho dúvidas: ou criamos uma civilização de inspiração ecológica ou vamos tornar a sobrevivência da humanidade inviável. Produtivismo e consumismo não podem continuar sendo a base ou o sinônimo de bem-estar; não falo nem em felicidade, que envolve aspectos psico-espirituais mais complexos.

Qual é o problema? É que os frutos da civilização produtivista, na sua forma capitalista ou mesmo na socialista que foi tentada, são distribuídos de forma muito desigual. O subdesenvolvimento é uma realidades (120 dos 194 países membros da ONU têm PIB per Capita de menos de U$ 10.000; dos quais 53 com menos de US$ 2.000). Por isso, é preciso garantir o crescimento econômico desses países. O desenvolvimentismo ainda é uma ideologia com vigência histórica; um Projeto de Desenvolvimento ainda precisa ser o projeto mobilizador de algumas sociedades.

É necessário, pois, fazer ponderações em relação aos termos em que muitas vezes o debate da questão ambiental é colocada.

Os neomalthusianos, como minoria, sempre alarmaram em relação ao ritmo do crescimento populacional – a bomba populacional (the population bomb). Mas foi o estudo elaborado para o Clube de Roma sob a coordenação de Denis Meadows que teve grande repercussão: Os Limites do Crescimento (1972). Vários economistas e/ou ecologistas passaram a defender o crescimento zero ou o decrescimento.

Outros, numa visão utópica (pela qual sempre tive simpatia), já apontavam para a questão da mudança civilizacional, do estilo de vida, do comportamento cotidiano. Dois livros são de 1973: A Convivialidade de Ivan Illich e Small is beautifull (traduzido no Brasil como O Negócio é ser pequeno) de Edward Schumacher defendendo o que ele chamou “economia budista”. E André Gorz, um marxista crítico que “verdejou”, publicou dois livros na época: Socialismo e Ecologia e Política e Ecologia.

Alguns ecologistas passaram a defender visões mais geocêntricas ou biocêntricas do que antropocêntricas. É o caso do holismo ambiental, da ecologia profunda ou da teoria Gaia. Continuo do lado antropocêntrico. O Papa Francisco em Laudato Si assume uma visão mais integral articulando Deus-homem-natureza, o que permite um bom diálogo.

O grande marco político foi a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, em 1972. E o Relatório Brundtland de 1983 - Nosso Futuro Comum – que consagrou a proposta do desenvolvimento sustentável continua sendo uma referência. Essa perspectiva mantém um horizonte em que podemos trabalhar com eficácia e lucidez.

Enquanto pessoas estiverem vivendo na miséria, passando necessidades alimentares, de saúde, de vestimenta, de moradia não dá para esquecermos o lado material do desenvolvimento, comprometidos agora com o devido “cuidado com nossa casa comum”. É necessário consolidar essa nova cultura que começa com a educação ambiental; que lança desafios aos cientistas; que exige a ação corajosa do estado para a regulação e fiscalização ambienta.

Desastres como o da Samarco em Mariana e da Vale em Brumadinho – nunca mais!

E viva o ambiental desenvolvimentismo!


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