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Você se interessa pela vida dos outros?

Há tempo para tudo. Para o real e para a ficção

03/04/2019 14:25h

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Esses dias, uma amiga comentou que perdera o entusiasmo pela ficção há bastante tempo. “Será que já não quero saber das histórias dos outros?”, me perguntou com alguma preocupação? “Meio sério isso, não?”. Vindo dela, respondi rapidamente que “não, tá tudo certo!”.

Quando a encontro (como no dia em que tivemos essa conversa) é quase possível respirar seu interesse no que penso sobre isso ou aquilo, no que sinto, no que quero dizer quando falo, no que leio, no que vivo. Uma escuta generosa e atenta que encontra em mim total reciprocidade. Claro que se encanta pelo outro, claro que valoriza, se preocupa e se deixa enternecer. Acontece que tem raízes profundas que não se contentam com o que não encontra paralelo com o real. É pés plantados no chão, sonhos possíveis e fatos comprovados. Minha amiga não-ficção.

Lembrei-me dela ontem. Saí para comprar flores e não consegui escolher uma se quer. Trouxe plantas em jarros. Sempre amei flores em casa, de todos os tipos, mas ando em uma fase plantas. Das que não são trocadas no fim da semana, das que precisam de cuidados: água, vitamina, poda e mudança de vasos. Das que crescem conosco, surpreendem com uma folha nova (ou até um cogumelinho), amarelam e, eventualmente, despedem-se. Natureza não-ficção. 

Há tempo para todo tipo de história, não é? E vocês? Como têm lido o mundo?


A imagem que ilustra este texto é de Dado Schapira

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