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Notícias Nosso Filhos

16 de abril de 2018

Quando a vida estiver meio chata: festa baile

Comemorar é preciso

Vivi minha infância cercada por rituais de celebração, a maioria deles era um oferecimento cheio de doçura de minha mãe. Ela acreditava, e acredita até hoje, que a vida pode ser mais leve. Tenho me observado criando por aqui também, alguns rituais para as meninas.

Para as meninas não, para nós todos. Começou por acaso em um dia de confusão entre elas, um dia que as duas estavam brigando por qualquer coisa e por coisa nenhuma. No auge de minha irritação, mandei todo mundo para o banho, quase como quem manda para um castigo. Enquanto elas estavam lá, acendi uma vela, liguei o som e fui pouco a pouco voltando ao meu estado normal.

Um tantinho arrependida pela bronca que distribuí, um tantinho animada pela minha playlist, mandei as meninas se vestirem formalmente: íamos a uma festa. Enquanto elas obedeciam aborrecidas, acendi um tanto de luzes de natal, aumentei o som, pus a mesa com a louça guardada que ganhei de minha mãe e o baile estava pronto. Dançamos as lenta e as soltinhas, cantamos juntos, trocamos de DJ umas 500 vezes, é certo que foi preciso ouvir uns Justin Biebers aqui, umas Taylor Swifts ali, mas nos divertimos como uma turma. Dormimos roucos e cansados. E é esse tipo de cansaço que me interessa ultimamente.

Nem é preciso dizer que repetimos esse expediente muitas e muitas vezes. Semana passada, quando estávamos em mais uma dessas farrinhas, fiquei comovida. Por um segundo, tive a sensação de estar vivendo em uma dessas fotografias do passado. Senti ali, uma alegria verdadeira e uma saudadezinha antecipada dessa turma. Enquanto as meninas cantavam alto e dançavam abraçadinhas, pensei no tempo em que elas vão preferir outros pares, outras celebrações, outras músicas, outros.

Quero pensar que quando esse dia chegar, minhas meninas terão aprendido comigo (e com minha mãe, meu marido e minha família deliciosa e barulhenta) que comemorar é preciso. Fico feliz por saber que mostramos a elas a importância dos rituais, a necessidade de dançar, gritar o refrão, acender as velas, os pisca-piscas. O valor de se vestir a altura do que quer que seja, de comer com gosto, de pular, bater palmas com força, suar e dormir cansado.

É um feito, não é? Feito digno de… uma festa baile!

A imagem que ilustra este texto é de Deborah Stevenson 

09 de abril de 2018

Há momentos em que é preciso dizer/ouvir o óbvio

"É possível dizer não”. Temos sido honestas com os nossos haveres? Ou solícitas e rápidas com os quereres, os likes, as “parcerias”, e os “só hoje” alheios?

Assisti a uma aula na semana passada cheia de informações. O lápis, coitado, quase não desgrudava do papel. Foi como se as três horas de explanação da professora tivessem passado em 15 minutos, ainda que tenha ficado com a sensação de que ela dividiu conhecimento equivalente a um dia inteiro de curso.

Lindo e revigorante. Para além da sorte de testemunhá-la, para além de todo conteúdo que anotei, todas as indicações de leitura e os esclarecimentos dados, duas coisas simples me voltaram a mente hoje cedo:

1. Há momentos em que é preciso dizer/ouvir o óbvio.

2. Há momentos em que gosto de presenciar o incontestável.

Simples assim.

A professora a qual me refiro é uma senhora encostando nos seus oitenta anos. Firme, calma, culta, generosa em suas respostas, ela encheu a sala de saber. Impossível ignorar a elegância mantida quando o celular dela tocou e a surpreendeu no meio da aula, o pedido simples de desculpa, os movimentos das mãos já cheias de veias aparentes, o tempo que levou para ouvir pacientemente cada um dos alunos. O tempo. Estar na presença dela foi testemunhar as benesses do tempo. É incontestável que precisamos dele para ler, aprender, moldar, aprimorar, viver o que deve/pode/quer ser lido, aprendido, moldado, aprimorado e vivido. Uma confirmação de que podemos dar certo em cabelos brancos, conjunto de linho cru, sapatos baixos com sola de borracha e caneta dourada. Quero ficar velha assim. Quero crescer assim.

Ao responder os questionamentos feitos por um colega, dedicou sua fala à pressa com que costumamos atender às demandas do mundo. “É possível dizer que não se sabe, que não se quer, que não se pode atentar a esta ou aquela questão agora (ou mesmo para sempre). É possível dizer não”, ela nos lembrou. É óbvio que é possível. No entanto, sinto que temos praticado pouco, que temos sido pouco honestas com os nossos haveres, e talvez, solícitas e rápidas demais com os quereres, os likes, as “parcerias”, os “só hoje” dos outros. Uma lição de casa para lá de urgente, principalmente, para nós, mães. Vamos ficar velhas assim. Vamos crescer assim.

A imagem que ilustra este texto é de Fred Belaubre 

02 de abril de 2018

Longe e perto

Quão significativo é o gesto das mãos dadas. Um abraço em miniatura.

Dez minutos esperando minha filha no portão da escola. As vozes das crianças que acabam de sair da aula de canto aquecem a noite chuvosa de São Paulo, elas descem a rampinha vermelha carregando na mochila o cansaço do dia. Já são quase nove da noite. Lara é uma das últimas a cruzar o portão, engatou uma conversa que de onde a observo parece interessante o suficiente para lhe fazer ignorar minha presença. Passa direto, beija e abraça a amiga despedindo-se, e já na rua olha para trás. “Vem mãe!”. 

Alguns metros de silêncio depois, ela segura a minha mão e segue o monólogo sobre o coral, o lanche, o trabalho de inglês, os amigos. “Cantamos aquela música que você gosta”. “A fila hoje estava gigantesca”. “Parece que não fui tão bem”. “Fulano isso, fulana aquilo”. 

Fiquei enternecida. Desde que tinha uns 10 anos não é afeita a mãos dadas. Nunca chegou a verbalizar, mas se eu me distraio e a seguro, ela arranja algum cabelo para ser posto atrás da orelha, alguma coceirinha no rosto ou qualquer coisa que valha para livra-se do entrelaçar de dedos.

Até que assim, numa noite de coral, 12 anos recém-completados como se nada fosse... Penso que o crescimento é feito dessas pequenas idas e vindas. Saber que posso ir para só então querer voltar. E quão significativo é o gesto das mãos dadas. Um abraço em miniatura.

Um quilômetro separa a escola de nossa casa. Duas quadras, um shopping atravessado no meio do caminho, mais três quadras. Foi só o tempo de contar as novidades e o aconchego já era o suficiente para a minha menina. Passada a primeira vitrine do shopping, já soltou a mão, mexeu no cabelo. De lá até em casa reassumiu a postura adolescente, aquela que guarda uma certa distância de qualquer pessoa que já tenha passado dos 18. 

Segui observando-a até o elevador de nosso prédio (como está grande a minha filha), quando ela apertou minha bochecha e disse estar morta de fome. Entrou e seguiu direto para quarto, celular na mão. 

“Mãe, tu faz um ovinho pra mim?” 

“Eu não, o jantar já está pronto”

“Por favor, te dou um abraço”

Faço, claro que faço. E sim, sigo aqui, mãos disponíveis sempre que você procurar.

A imagem que ilustra este texto é de Janice Sztabnik 

27 de março de 2018

Calma aí!

Textos se repetem por uma razão, certo? Minha aposta é que alguém não está disposto a escutar.

Tenho ouvido muitos pedidos como este do título ultimamente. Para cada “é hora do banho”, “vamos dormir”, “a lição já está pronta?” A resposta é um “calma aí” diferente. Ora manso, ora irritado é um texto que se repete (e cansa).

E textos se repetem por uma razão, certo? Minha aposta é que alguém não está disposto a escutar. 

Sustentei por um bom tempo a hipótese de que não era eu esse alguém. Para ser sincera, não cheguei a cogitar nenhuma outra possibilidade. Até perceber que nas noites em que preciso chegar tarde a casa, banhos são tomados, lições são feitas e as crianças dormem sem que ninguém precise lembrá-las o que deve ser feito. 

Parece-me que o incômodo do pedido ultrapassa a falta de disciplina (do lado delas), assim como extrapola o cuidado materno (do meu lado). Trata-se de pressa. A minha pressa.

Em seu livro The Available Parent, o psicólogo John Duffy incentiva mães e pais a olharem seus filhos, assistirem de verdade suas brincadeiras, o jeito como sentam e seguram o lápis para escrever, os gestos que fazem ao contar uma história. É um exercício. Uma tentativa de nos tirar do modo diretor de cinema (“faça isso, agora aquilo”) da vida das crianças. 

Gosto da ideia de Duffy. Tem funcionado para mim como uma musculação de minha capacidade de estar tranquila com as meninas. Um treino para fazer as pazes com o tempo (e com elas, claro).


A imagem que ilusrta este texto é de Teal N Buehler

19 de março de 2018

Nesta data querida

Essa semana minha filha mais velha faz 12 anos e a vida nos deu de presente uma coincidência para lá de significativa.

Essa semana minha filha mais velha faz 12 anos e a vida nos deu de presente uma coincidência para lá de significativa: pela primeira vez, ela não estará em casa conosco. Nada sério (mentira!). Vai comemorar na companhia dos amigos no acampamento da escola. A exatos 51,9 km do café da manhã na cama, dos cartazes de felicitações, do tradicional jantar no japonês. 

Uma confirmação de que grande parte do que é ‘tradicional’ em nossa casa migra agora do campo das certezas para o território do “vamos ver o que acontece”. E que movimento desafiador esse de abrir mão do script, do confortável, não?

Que poderoso/difícil é ver, de maneira tão nítida, que de coadjuvantes estamos a um estalar de dedos dos figurantes desta narrativa que é a adolescência  dos filhos. Outra validação do acaso do calendário. 

É um tempo novo  que se apresenta em fastfoward, com intensidade de fim de últimos capítulos de seriado americano. Um tempo instigante onde o que está posto é o inédito e todas as suas possibilidades. Para ele, aposto em coragem, consistência, paciência e curiosidade (para todos, adultos e ‘crianças’). E está decidido. No dia 21, vou ao japonês. Celebrar a minha filha, brindar as próximas temporadas. É tradição. Feliz aniversário, Lalá!


A imagem que ilustra este texto é de Christina Yunako 


12 de março de 2018

Qual é a sua prioridade?

Semana passada completei quarenta anos. Estas datas nos fazem pensar e, na carona das reflexões de aniversário, uma pergunta não saiu da minha cabeça: o que de fato quero para mim?

Por muito tempo acumulei uma lista longa de prioridades. Na primeira linha, estavam meu desejo de ver minhas filhas crescerem, de ser uma mãe boa, o suficiente (viva Winnicott!) para elas, de criar um ambiente agradável em nossa casa, de estar presente e inteira para o Henri, meus pais, sobrinhos, minha família e amigos, de estar satisfeita com o meu trabalho, de manter a leitura em dia, de isso e de aquilo...

Semana passada completei quarenta anos. Estas datas nos fazem pensar e, na carona das reflexões de aniversário, uma pergunta não saiu da minha cabeça: o que de fato quero para mim? 

Meu desafio era responder com um só item. Unzinho. Decidi que quero estar saudável. Saudável para poder escolher. Saudável para trabalhar e amar. Saudável para me aproximar dos meus desejos. Inclusive da lista que acabei de compartilhar acima.

Arrumei as malas das meninas, as minhas e convidei, de supetão, todos para uma temporada em um spa. Sempre tive essa vontade. Uma semana para comer leve, descansar, fazer exercício, dormir e acordar cedo. Uma viagem sem compras, sem agenda, sem ingressos, sem pontos turísticos, sem planejamento, sem aeroporto. Um passeio para nós quatro. Toparam. Fomos. Foi lindo. 

Escolhemos o Spa Med Sorocaba , pertinho de São Paulo (90 km) e com todo o suporte que precisávamos. De fato cumprimos o plano de cama, mesa e tapetinho de ioga. Mas enxerguei a cada dia que passava, que a saúde é um conceito mesmo muito amplo.

Fui testemunha da saúde estampada nos olhos da minha filha mais nova que experimentou a liberdade de pegar a chave de nosso quarto pela manhã e sair livre pelas áreas verdes do local, vivenciando a possibilidade de decidir quando e aonde ir. A delícia de sentir-se segura e livre.

Observei as intermináveis partidas de pingue-pongue entre minha filha mais velha e seu pai que, entre risos e provocações, mantiveram o equilíbrio do ir e vir da bolinha, ajustaram velocidade e força para fazer o jogo durar. Transpiravam os dois a alegria de sustentar uma parceria.

Vi de perto o bem que me faz estar também um pouco sozinha e quieta entregue ao sol, à leitura ou às braçadas. Nadei a vida inteira e ainda não tinha me dado conta que na natação o que me atrai de verdade é a minha companhia e o silêncio. Entendi que perdi o medo de gostar de mim.

Foi uma temporada de calmaria ainda que tenha sido, talvez, uma viagem das mais intensas. Noves fora, a saúde ainda reina (e me parece que reinará por muito tempo) sendo o desejo pelo qual lutarei. A saúde ampla que nos assegura a liberdade, o amor e a honestidade de ser quem somos. É também o meu desejo para vocês e para os meus.

A imagem que ilustra este texto é de Reuven Dattner 

Leia mais: Seu filho está viciado no celular? 

E também: Do que você tem medo? 


05 de março de 2018

Seu filho está viciado no celular?

Faça o teste de 6 perguntas e pense sobre essa relação crianças-eletrônicos

Nunca me esqueci dessa pergunta que iniciava o artigo de Ana Homayoun para o New York Times. Encontrei-o quando tentava decidir se faria sentido aceitar o presente que minha mãe oferecia à minha filha mais velha — um celular. A batalha por um telefone para chamar de seu finalmente se aproximava da conclusão vitoriosa para ela. 

Nem preciso dizer que nós, pais, lutamos bravamente. Vocês já conhecem o roteiro. Negamos o pedido diversas vezes, negociamos um tablet sem chip como um primeiro passo mais seguro, argumentamos, adiamos e, por fim, aceitamos a respeitosa consulta da avó. De lá até aqui, nós (os adultos) e o telefone da pré-adolescente mantemos um relacionamento ora próximo, ora distante ainda que sempre cerimonioso. 

Voltei ao artigo hoje porque estamos analisando agora a possibilidade de colocar um chip no celular de nossa filha mais nova – a pedidos, claro. Esta sim anda um tantinho mais assídua do que gostaríamos no uso do aparelho ainda ligado ao wi-fi de casa. A ideia era consultar o questionário proposto por Homayoun em seu texto e investigar quão saudável (ou não) anda seu convívio com a tecnologia.

Eis a lista que eu procurava:

1.O humor do seu filho muda rapidamente (fica irritado, ansioso, com raiva ou até mesmo violento) quando o telefone está indisponível para o uso?

2.Seu filho prefere faltar ou desmarcar programações para passar mais tempo nos aplicativos e redes sociais?

3.O tempo que ele dedica ao celular atrapalha seus cuidados com o corpo (sono, alimentação e higiene)?

4.Sente-se pressionado a responder ou ter suas solicitações respondidas imediatamente?

5.Consegue ignorar notificações, ou corre com urgência ao ouvir qualquer som emitido pelo telefone? 

6.É acometido pelo FOMO – fear of missing out – (medo de perder o que está acontecendo)?

Tendo a menina de nove anos como alvo de minha pesquisa, respondi negativamente com um certo alívio até a pergunta 3. Mas será que o tempo gasto com eletrônicos não atrapalha mesmo o sono da criança? As questões 4, 5 e 6 me colocaram igualmente na dúvida. Tentei responder por mim e talvez tenha tirado uma nota ainda menor do que a dela. É só pensar na primeira pergunta: quantas vezes o finzinho da bateria anunciado sem dó de cinco em cinco por cento já nos tira do sério? 

Penso que, cientificamente falando, o buraco é mais embaixo. Estamos todos precisando revisar o uso que fazemos do celular. Crianças e adultos. Que exemplo estamos dando a nossos filhos? Duas conclusões para a questão aqui em casa, pelo menos por agora. Primeiro, o chip vai precisar esperar – desculpa Sofi. E depois, o olhar de questionamento para as nossas atitudes, os adultos, sai dessa reflexão mais forte. Algumas perguntas precisam ser feitas e refeitas de tempos em tempos.

Seu filho está viciado no celular? E você?

Ps: essa conversa dá panos pras mangas. 

Leituras recomendadas:

O detox digital , da Contente

A vida secreta dos seus filhos na internet 

O manual do primeiro celular , de Rachel Campello

Intoxicações eletrônicas na primeira infância , de Julieta Jerusalinsky



26 de fevereiro de 2018

Os filhos e as diferenças salariais entre homens e mulheres

Que oportunidades uma empresa joga fora ao desencorajar a maternidade?

Uma recente pesquisa divulgada no último dia 19 pela Vox  mostra que na Dinamarca, país exemplo de boas políticas de licença parental, a diferença salarial entre gêneros – que é em média 20% a mais para os homens, como era de se esperar – está diretamente ligada à maternidade. 

Henrik Kleven, economista da Universidade de Princeton, compara salários de homens e mulheres antes e depois dos filhos, e de mulheres com ou sem filhos. As que não os têm já estão muito próximas ao ganho masculino, já as mães... O estudo conduzido por ela, também levanta dados curiosos. Na Dinamarca, a licença parental pode ser dividida da maneira que for mais conveniente para o casal; no entanto, a média de tempo usada pelos homens do país é de apenas 10%. 

A Dinamarca não opera essa lógica sozinha. Nos Estados Unidos, o gap de salários começa a partir dos 30 anos, idade média para a primeira gravidez do grupo de mulheres escolhido para a pesquisa de Marianne Bertrand, da Universidade de Chicago. Nesse período da vida, a diferença é de aproximadamente 15%. No mesmo grupo, a diferença passa dos 60% depois de nove anos de carreira. 

Aos gestores que inacreditavelmente não enxergam o ganho subjetivo que a chegada de uma criança pode representar, listo outros ganhos (objetivos) que mães recentes, certamente, acrescentam ao currículo. Estou certa de que, para além de todos os outros benefícios, a maternidade é o melhor, mais rápido e mais intenso MBA disponível no mercado. Com ela se aprende: 

1. Liderança

Filhos transformam famílias em equipes. A chegada de um bebê abre o espaço para colaboradores externos (babás, professores, pediatras) e internos (avós, tios, amigos). Uma oportunidade para desenvolver a capacidade de treinar staff, fornecer feedbacks, formar sucessores (ainda que temporários).

2. Foco no desempenho da tarefa

Com uma criança pequena em casa, é preciso ter atenção seletiva, estar focada nos cuidados com ela, mesmo tendo muitos outros estímulos a sua volta. Da temperatura da água do banho até a escolha da creche, tudo adquire importância. É um exercício constante entre a big picture e o mínimo detalhe.

3. Gerenciamento do tempo

Filhos demandam uma reengenharia de tempo. Como o recurso é escasso, aprende-se a fazer uma vez só e bem feito.

4. Capacidade de antecipar problemas e prever soluções 

Casas com um bebês pequenos demandam logística e planejamento de grandes empresas. Basta imaginar que uma criança se alimenta de três em três horas (em média), no intervalo entre mamadas é preciso fazer caber a troca de fraldas, os banhos e o sono, além dos banhos, sono e alimentação da prórpia mãe. Quando se opta pela livre demanda o planejamento precisa ser ainda maior. Soman-se a essa agenda o reabastecimento, limpeza e organização da casa, o preparo das refeições e caso você tenha filhos mais velhos... Cansei só de pensar

5. Networking

A chegada dos filhos expande a rede de relacionamentos da família. Entram no roteiro os pais de amigos da escola, do inglês, da natação, do parquinho... a lista é infinita. É um momento em que estamos atentos a outras trajetórias e desenvolvemos naturalmente a capacidade de criar e cultivar novos vínculos. 

6. Mentoria (da clássica à reversa)

Mães estão sob um exercício constante de orientação. Tanto ouvindo as experiências de outras mulheres (seja para se inspirar positivamente, seja para resolver como não fazer) como perseguindo uma escuta mais sensível para as necessidades e os desejos do bebê. Como chora quando está com fome, com sono, como gosta disso ou daquilo.

7. Jogo de cintura e damage control 

Assim como o networking, expande-se também a exposição a situações potencializadoras de conflitos. Você já esteve em uma reunião da escola onde a pauta é uma criança que bate nos coleguinhas? Já se viu obrigado a intervir em uma lista de convidados para um aniversário do segundo ano, do qual somente um aluno (seu filho) não foi chamado? Já precisou consolar uma criança que acaba de ter seu balão estourado? Se não, querida, você não sabe o que significa contenção de danos de verdade.

As empresas que não reconhecerem este MBA estarão perdendo grandes oportunidades. Não é à toa o número crescente de mulheres empreendedoras no Brasil, criando novos mercados, novas lógicas de trabalho, acrescentando dígitos às suas contas bancárias. Certas! 


21 de fevereiro de 2018

Sobre deixar ir (e voltar)

O desejo de autonomia é legítimo. Claro que é. Os argumentos são sofisticados. Sempre são. Mas e a segurança?

O ano letivo começou intenso e cheio de novidades por aqui. A mais festejada pelas crianças (questionada, pensada e remoída por mim e por Henrique) foi a do trajeto de ida e volta da escola.

Moramos a oito quadras de distância e sempre as levamos, caminhando. 

Grande parte dos colegas de minha filha mais velha (de 11 anos) que mora no mesmo bairro dispensa a companhia dos pais desde o ano passado. Ela vinha pedindo para experimentar essa liberdade há um tempo. Ensaiamos algumas idas principalmente nos dias em que a irmã (9 anos) frequentava o período integral e saía de casa antes dela. Eram certamente os melhores dias da semana para a Lara. Partia radiante com um amigo que mora a poucos metros de casa com a mochila nas costas, o vento no cabelo e uma vida inteira pela frente. 

Entre novembro e dezembro, foram os três (Sofia agora incluída) praticamente todos os dias sem adultos para a aula cheios de assuntos e donos do seu destino. Mas fincamos o pé na volta. Sair da escola, só com companhia. Até que...

As crianças reivindicaram o direito de ir e voltar por conta própria todos os dias: “Vamos em grupo. Somos muitos”. E foi aí que entrou a parte do questionar, pensar e remoer dos pais. O desejo de autonomia é legítimo. Claro que é. Os argumentos são sofisticados. Sempre são. Mas e a segurança? O entardecer? A avenida movimentada? As possibilidades todas? A cidade? Como se aprende a ficar a salvo? A partir de que momento podemos nos fazer presentes e conscientes nas avenidas movimentadas? O que nos faz estar preparados para conhecer as possibilidades? Que cidade é essa e como queremos fazer parte dela? 

Também não sei. Mas acredito que duas coisas antecedem obrigatoriamente esse caminho. A primeira é estar com os filhos, mostrar como se faz (como você faz) antes de deixá-los soltos com as próprias hipóteses. O que não quer dizer que eles vão necessariamente seguir sua cartilha, mas garante um repertório mais amplo. 

A segunda é ouvir. Saber se a criança se sente mesmo segura, se compreende a dimensão de cada nova responsabilidade e, mais importante, se se autorizou a dar esse passo (qualquer passo que seja). 

Checadas as duas, não nos restou nada além da confiança e da ladainha que vem se repetindo todos os dias. Tem dado certo. Vai dar certo. Deixar ir e deixar voltar. Parece que ter filhos é exatamente isso mesmo.     

19 de fevereiro de 2018

Do que você tem medo?

Pensar sobre nossos medos é estar frente a frente com a possibilidade de falhar (morrer, quebrar, sair do tom, não conseguir o que se quer). Parece-me que nos acostumamos a não cogitar tal destino.

Conversando com uma amiga ontem, lembrei-me de uma lição de casa que minha filha mais velha fez na noite anterior. A lição, a princípio divertida, pedia que as crianças citassem coisas ou situações que lhes causassem nojo, aflição, constrangimento, raiva ou medo. O bate-papo  que me trouxe a lembrança, se dava em torno dos filhos, do trabalho, dos amores. Não era uma lamúria, muito pelo contrário. Assim como não se tratava de um desfile de bem-aventuranças. Era só vida compartilhada e, como a vida, continha delícias e dissabores, erros e acertos, expectativas e medos. 

Fiquei enternecida com a conversa franca e generosa, e compartilhei com as crianças meu contentamento. É tão bonito ouvir alguém falar de si sem edição. Elas não pareceram impressionadas, tampouco interessadas. Claro que não. Listam os desconfortos com a mesma naturalidade que fazem as contas de matemática. Discutem com os professores e com os amigos seus terrores. Estão certas de que os temos todos. Não um nem dois, a lição pedia no mínimo 50.

Pensar sobre nossos medos é estar frente a frente com a possibilidade de falhar (morrer, quebrar, sair do tom, não conseguir o que se quer). Parece-me que nos acostumamos a não cogitar tal destino. Uma geração (quase) inteira seguindo a cartilha dos livros de auto-ajuda: positivos, visualizando o sucesso, vivendo no modo facebook, falando exclusivamente sobre o que é lindo, o que deu certo, varrendo para longe o que nos assusta. Temos tentado conviver cada vez menos com o azedo e o amargo da vida. 

Propostas como essa colocam as crianças em contato com a variedade de sentimentos que nos habitam. O medo, a aflição e a raiva são ingredientes de nossa história tão importantes quanto a alegria, a esperança e o amor.  Penso que devemos falar mais sobre eles. Fazer essa lição de casa. Não para evitar o que estiver listado, mas para tomar conhecimento, quem sabe tentar uma aproximação, uma reconciliação. É um exercício de coragem.

Leia mais: Em que cena de filme você gostaria de morar? 

12 de fevereiro de 2018

Não vai dar, não vai dar não

Somos donos de nossas fantasias e deveríamos levá-las tão a sério quanto os recifenses levam o carnaval.

Nasci e passei grande parte de minha infância e juventude em Pernambuco, onde carnaval é coisa séria. Daquele jeito sério de ser do carnaval, vocês sabem. Apesar do meu sangue recifense, não tenho memórias de grandes folias, não sei fazer nenhum passo de frevo sequer, não tenho nenhuma partícula de glíter grudado no corpo agora. Parte de mim sente algum pesar, quase uma culpa por trair a natureza de meu estado, de meus conterrâneos. 

Não me levem a mal, me emociono ao som do clarim de momo, admiro a beleza do maracatu com seus estandartes para o ar, posso até querer sentir a embriaguez do frevo, mas tudo isso a uma certa distância. Ainda assim, com essa discreta restrição, o carnaval me comove. 

Cinco dias para um país inteiro viver suas fantasias sem amarras. Sempre bateu cheia de graça em meu ouvido a pergunta: “quem você vai ser?”. E as respostas a ela, claro: “Sábado, eu vou ser um dragão. Domingo, a mulher maravilha. Segunda, um unicórnio.” É só escolher

Optar, inclusive, por acompanhar dragões, heróis e unicórnios do sofá da sala, virar um deles em casa mesmo. Por que não? Escolher ausentar-se de todos os sons, mergulhar em uma maratona de filmes, vencer os livros parados na mesinha ao lado da cama. E o mais importante: lembrar-se de que é possível maravilhar-se com algo do qual você não se sente parte. 

Parece-me  que se trata (sempre) de respeitar o seu querer. No carnaval e no resto do ano inteiro. Quem você vai ser é uma pergunta que continua valendo mesmo depois desta semana. Principalmente depois desta semana. Somos donos de nossas fantasias e deveríamos levá-las tão a sério quanto os recifenses levam o carnaval. Da maneira que for, boa diversão queridos! E esqueçam a quarta-feira de cinzas de uma vez por todas, ela não precisa existir.

Leia mais: Em que cena de filme você gostaria de morar? 

06 de fevereiro de 2018

Em que cena de filme você gostaria de morar?

A cena que dá nome ao filme é, para mim, a mais impactante de todas. Talvez nesse microssegundo eu gostaria, sim, de passar uma temporada longa.

Estreiou no fim do mês passado o festejado Me chame pelo seu nome, do diretor Luca Guadagnino. Produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, o filme  concorre à principal categoria do próximo Oscar. Assisti – e recomendo com fervor – ao romance do jovem Elio e do acadêmico Oliver no período de férias das crianças, que estavam a quilômetros de distância, na casa da avó. Talvez por isso, para além da delicadeza (e força – ao mesmo tempo) da história de amor, de minha perspectiva, o que faz o filme ser grande é a potência e a riqueza da relação de Elio e seus pais. E mais ainda, a sensação de se descobrir gostando de quem se é. 

Seguramente, não fui a única a observar o poder dessa relação. Li recentemente o seguinte comentário de um amigo sobre o filme: “Queria morar na cena da conversa em família”. Eu não chegaria a morar na cena, mas daqui, de meu lugar de mãe (ele provavelmente falava do seu lugar de filho), gostaria de representar para minhas meninas a segurança, a inspiração e a liberdade que são os pais para Elio. Independentemente dos papéis que cada um ocupa na hierarquia familiar, o que está posto é a ligação entre três pessoas. Só gente. Gente que se gosta, que fica bem junta, em silêncio mesmo, com quem se pode contar. Humores, saberes, tristezas e desejos respeitados. Não é pouca coisa, assim como está longe de ser simples o gostar de si que citei anteriormente. 

A cena que dá nome ao filme é, para mim, a mais impactante de todas. Talvez nesse microssegundo eu gostaria, sim, de passar uma temporada longa. Fazer alguém se ouvir chamar (apaixonadamente) pelo próprio nome é de um encanto que faz toda a história valer a pena. A descoberta do amor por um outro (seja por um homem, seja por uma mulher; seja na juventude, seja em qualquer outra idade) é grande, claro! Mas ver alguém se pegar arrebatado por si e pelo efeito que causa na vida é maior. É enorme. 

Que tenhamos sempre a quem chamar com gosto, mesmo que seja pelo próprio nome. 

29 de janeiro de 2018

Com quem você conta quando está sozinho?

Apesar de incentivar as crianças a pedir ajuda, encorajo-as também a confiar na própria força. “Não estou sozinho. Estou comigo. Dou conta!”

Há uns 6 ou 7 anos, quando minhas filhas e meus sobrinhos ainda eram pequenos, tive uma ideia que, a princípio, me pareceu interessante: imprimi uma foto de cada um deles em uma camiseta, cortei somente a área impressa, acolchoei e costurei no formato de uma almofada. 

Era um recado: um convite a substituírem os ursinhos que os acompanhavam à noite e adotarem a miniversão deles mesmos como protetor de seus sonos. Apesar de incentivar as crianças a pedir ajuda, encorajo-as também a confiar na própria força. “Não estou sozinho. Estou comigo. Dou conta!” Gosto de quem que gosta da (e põe fé na) própria companhia. 

Citei anteriormente que a ideia só “me pareceu” interessante porque, quando entreguei os bonecos/almofadas, optei por não dar esse texto para os quatro, por serem ainda muito novinhos. Imaginei que a metáfora era boa o suficiente. Eles gostaram do presente, claro. Acharam graça e partiram para a próxima brincadeira. Fui ingênua. 

Era o que pensava até receber o telefonema de meu sobrinho na semana passada. Ele me disse ao telefone que sua almofada já estava velhinha e que, se eu pudesse, ele gostaria de ter uma versão atualizada, com uma foto mais recente. A irmã dele e minhas meninas, ao ouvirem o pedido, fizeram coro no desejo da revisão.

Foi uma surpresa rica e interessante. O menino de boné na cabeça e bochechas rosadas do passado já não o representava mais. Não é a este que ele recorre; não é com ele que conta. Mas com sua versão atual. Está crescido, seguro o suficiente, inclusive, para ligar e pedir ajuda. O recado foi dado. Talvez a metáfora fosse mesmo boa o suficiente. 

A imagem que ilustra este texto é de Deborah Stevenson 

Com quem você conta quando está sozinho?

Apesar de incentivar as crianças a pedir ajuda, encorajo-as também a confiar na própria força. “Não estou sozinho. Estou comigo. Dou conta!”

Há uns 6 ou 7 anos, quando minhas filhas e meus sobrinhos ainda eram pequenos, tive uma ideia que, a princípio, me pareceu interessante: imprimi uma foto de cada um deles em uma camiseta, cortei somente a área impressa, acolchoei e costurei no formato de uma almofada. 

Era um recado: um convite a substituírem os ursinhos que os acompanhavam à noite e adotarem a miniversão deles mesmos como protetor de seus sonos. Apesar de incentivar as crianças a pedir ajuda, encorajo-as também a confiar na própria força. “Não estou sozinho. Estou comigo. Dou conta!” Gosto de quem que gosta da (e põe fé na) própria companhia. 

Citei anteriormente que a ideia só “me pareceu” interessante porque, quando entreguei os bonecos/almofadas, optei por não dar esse texto para os quatro, por serem ainda muito novinhos. Imaginei que a metáfora era boa o suficiente. Eles gostaram do presente, claro. Acharam graça e partiram para a próxima brincadeira. Fui ingênua. 

Era o que pensava até receber o telefonema de meu sobrinho na semana passada. Ele me disse ao telefone que sua almofada já estava velhinha e que, se eu pudesse, ele gostaria de ter uma versão atualizada, com uma foto mais recente. A irmã dele e minhas meninas, ao ouvirem o pedido, fizeram coro no desejo da revisão.

Foi uma surpresa rica e interessante. O menino de boné na cabeça e bochechas rosadas do passado já não o representava mais. Não é a este que ele recorre; não é com ele que conta. Mas com sua versão atual. Está crescido, seguro o suficiente, inclusive, para ligar e pedir ajuda. O recado foi dado. Talvez a metáfora fosse mesmo boa o suficiente. 

A imagem que ilustra este texto é de Deborah Stevenson 

Com quem você conta quando está sozinho?

Apesar de incentivar as crianças a pedir ajuda, encorajo-as também a confiar na própria força. “Não estou sozinho. Estou comigo. Dou conta!”

Há uns 6 ou 7 anos, quando minhas filhas e meus sobrinhos ainda eram pequenos, tive uma ideia que, a princípio, me pareceu interessante: imprimi uma foto de cada um deles em uma camiseta, cortei somente a área impressa, acolchoei e costurei no formato de uma almofada. 

Era um recado: um convite a substituírem os ursinhos que os acompanhavam à noite e adotarem a miniversão deles mesmos como protetor de seus sonos. Apesar de incentivar as crianças a pedir ajuda, encorajo-as também a confiar na própria força. “Não estou sozinho. Estou comigo. Dou conta!” Gosto de quem que gosta da (e põe fé na) própria companhia. 

Citei anteriormente que a ideia só “me pareceu” interessante porque, quando entreguei os bonecos/almofadas, optei por não dar esse texto para os quatro, por serem ainda muito novinhos. Imaginei que a metáfora era boa o suficiente. Eles gostaram do presente, claro. Acharam graça e partiram para a próxima brincadeira. Fui ingênua. 

Era o que pensava até receber o telefonema de meu sobrinho na semana passada. Ele me disse ao telefone que sua almofada já estava velhinha e que, se eu pudesse, ele gostaria de ter uma versão atualizada, com uma foto mais recente. A irmã dele e minhas meninas, ao ouvirem o pedido, fizeram coro no desejo da revisão.

Foi uma surpresa rica e interessante. O menino de boné na cabeça e bochechas rosadas do passado já não o representava mais. Não é a este que ele recorre; não é com ele que conta. Mas com sua versão atual. Está crescido, seguro o suficiente, inclusive, para ligar e pedir ajuda. O recado foi dado. Talvez a metáfora fosse mesmo boa o suficiente. 

A imagem que ilustra este texto é de Deborah Stevenson 

Com quem você conta quando está sozinho?

Apesar de incentivar as crianças a pedir ajuda, encorajo-as também a confiar na própria força. “Não estou sozinho. Estou comigo. Dou conta!”

Há uns 6 ou 7 anos, quando minhas filhas e meus sobrinhos ainda eram pequenos, tive uma ideia que, a princípio, me pareceu interessante: imprimi uma foto de cada um deles em uma camiseta, cortei somente a área impressa, acolchoei e costurei no formato de uma almofada. 

Era um recado: um convite a substituírem os ursinhos que os acompanhavam à noite e adotarem a miniversão deles mesmos como protetor de seus sonos. Apesar de incentivar as crianças a pedir ajuda, encorajo-as também a confiar na própria força. “Não estou sozinho. Estou comigo. Dou conta!” Gosto de quem que gosta da (e põe fé na) própria companhia. 

Citei anteriormente que a ideia só “me pareceu” interessante porque, quando entreguei os bonecos/almofadas, optei por não dar esse texto para os quatro, por serem ainda muito novinhos. Imaginei que a metáfora era boa o suficiente. Eles gostaram do presente, claro. Acharam graça e partiram para a próxima brincadeira. Fui ingênua. 

Era o que pensava até receber o telefonema de meu sobrinho na semana passada. Ele me disse ao telefone que sua almofada já estava velhinha e que, se eu pudesse, ele gostaria de ter uma versão atualizada, com uma foto mais recente. A irmã dele e minhas meninas, ao ouvirem o pedido, fizeram coro no desejo da revisão.

Foi uma surpresa rica e interessante. O menino de boné na cabeça e bochechas rosadas do passado já não o representava mais. Não é a este que ele recorre; não é com ele que conta. Mas com sua versão atual. Está crescido, seguro o suficiente, inclusive, para ligar e pedir ajuda. O recado foi dado. Talvez a metáfora fosse mesmo boa o suficiente. 

A imagem que ilustra este texto é de Deborah Stevenson