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No Mirante

E o ônibus com ar-condicionado hein?

Em uma das cidades mais quentes do país, o povo anda no calor

24/01/2016 14:19h - Atualizado em 02/01/2017 15:42h


Ônibus no gelo nos EUA, mas quem entra numa fria em Teresina é o usuário ou melhor numa quente...

Teresina, capital do Piauí, primeiro alguns fatos:

  • temperatura média anual: 27,1 graus
  • temperatura máxima média anual: 33,5 graus
  • temperatura mínima média anual: 22,1 graus
  • ônibus urbanos com ar-condicionado: ZERO

Primeiro vou contar uma coisa para vocês, uma das grandes lições que tive na vida foi ser usuário de ônibus e ter feito amizade com alguns motoristas, sobretudo na época escolar e com dois motoristas eu aprendi a importância de dois itens quando se fala em transporte e que podem ser adaptado para várias situações empresariais: Pontualidade e "Ocupação/Fichas". Dupla de motorista/cobrador, costumam trabalhar por um turno ou o dia todo na mesma linha, e diversas empresas estabelecem metas de fichas (ficha é uma volta na catraca, ou seja 1 passageiro entrou, 1 ficha) e óbvio que cada "carro" tem o seu horário para sair de cada ponta da linha, então cumprir o horário é primordial. 

Em 1997 a cidade de Lauro de Freitas, na Bahia, optou por abrir o mercado e incluir um novo "player" no transporte urbano, na ocasião entrou a Viação Jacktur que operava um trecho com itinerário alternativo (parte pela Orla de Salvador e parte pela área central) cobrando 0,40 centavos (na época a concorrência cobrava 0,50 centavos). Esta iniciativa fez inclusive rolar uma renovação de frota na cidade, pois com o novo player na jogada a concorrência correu atrás, ainda que timidamente. Mas a grande cartada foi que a Jacktur foi vendida em 1999 para a Viação Oceânica e esta "meteu o pé na porta" trazendo uma frota nova, implantando veículos com câmbio automático para melhor desempenho de seus funcionários e em 2001 alocou uma frota de ônibus com ar-condicionado e motor traseiro, o melhor dos mundos para usuários e funcionários. Detalhe, a Viação Oceânica chegou a operar linhas de 65km de extensão. A combinação de funcionários motivados, bem treinados e equipamentos novos gerava o que? Fichas! O público preferia pegar um Oceânica do que um T.Oliveira/Atlântico, do que um Rio Vermelho, ODM, etc...

Podemos citar outro exemplo, a cidade de Ilhéus em 2004 trocou um dos players, se antes a cidade era dividida entre São Miguel e Gabriela, saiu esta última em favor da Viametro, que mais uma vez chegou mostrando ao público que para ter melhoria basta deixar o livre mercado agir, enquanto a São Miguel atuava com ônibus de motor traseiro (muito melhor em termos de ruído e temperatura interna para motorista, cobrador e passageiros), a Viametro chegou com uma frota de Marcopolo Viale equipado com AR-CONDICIONADO e olha que Ilhéus está a beira mar e tem uma temperatura muito inferior a Teresina.

Agora vamos para Teresina, 2016! Teresina tem ônibus sem ar-condicionado, câmbio automático nem pensar e com sorte se encontra algum Marcopolo Torino de gerações anteriores rodando, mas basta descer 300km para chegar a Picos e encontrar 101% da frota com ar-condicionado. Vão me dizer o que? Que Picos é menor? Sim é... assim como a população usuária de coletivos é menor. Em uma cidade que tem temperatura alta, climatizar os veículos (me refiro ir lá na Comil, na Neobus, na Marcopolo e adquirir veículos novos, de preferência de motor traseiro) é oferecer não só aos usuários algo confortável, mas sobretudo os dois trabalhadores que levam a receita para o empresário que investe: motorista e cobrador. Vamos ao livre mercado meu povo, deixe o empresário por o ônibus que lhe convir, se for um segunda mão climatizado está valendo, se for o novo está valendo e se a empresa concorrente não quiser, dane-se, a resposta do usuário são as valiosas: FICHAS!

Deixem a Timon City criar a Teresina City e entrar no jogo, quem ganha é o usuário. Como entusiasta de ônibus, sei que o investimento não é barato, um carro urbano alcança facilmente os 300 mil reais, a depreciação é pesada, o custo é alto (é Diesel que não pára de subir, é pneu, é freio, é o desgaste da máquina), o usuário não colabora e faz pixações na cadeira, no entanto com qualidade, as fichas vem e a receita incrementa, é tão difícil pensar por essa ótica?

Queria muito ver a planilha de custos de dois players do mercado local, no caso uma da Timon City e outra de qualquer outro, não é possível que os 5% a mais justificados pela Timon City promovam uma inviabilidade do negócio local... dúvido, em diversas cidades, capitais do país temos frota urbana climatizada, tem que ser Teresina a exceção


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