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Notícias Mochileiros do Piauí

17 de fevereiro de 2014

Viajar é preciso!

Viajar é preciso!

Mais que simples lazer ou descanso, viajar de forma independente é sinônimo de liberdade.

Texto: Clébert Clark

Clébert Clark nos Andes peruanos

Viajar é um investimento na alma. Quando viajamos alimentamos continuamente todos os sentidos. Viajar é um processo no qual experimentamos cheiros, provamos paisagens, ouvimos cores, sentimos o vento. à desbravar horizontes, por vezes verticais, é sair do lugar comum. Viajar é viver o outro, é quando de fato nos tornamos mais ricos, é quando adquirimos aquilo que não pode nos ser tomado. No exato momento em que você lê este texto há alguém fazendo um mochilão, viajando de bike, descendo algum rio de caiaque, pedindo carona por ai.

Quando abrimos o nosso coração e nos despimos da nossa âzona de confortoâ, acessamos o DNA primitivo do âserâ humano, que desde os primórdios sente a necessidade de conhecer o novo, de buscar o insondado, de ver o ainda não visto. Temos uma grande ânsia de fazer o ainda não feito. Grandes avanços do homem tiveram inicio após os grandes movimentos migratórios dos povos, que viviam na Ãfrica.

Expedição de caiaque Amarante x Teresina


Como diria o famoso escritor Aldous Huxley: âViajar é descobrir que todo mundo está errado sobre os outros paísesâ. Não podemos descobrir se a agua está boa para o mergulho sem que nós mesmos nos lancemos. Não há modelo ideal de viagem, ou ainda a época certa. Vá! E se por ventura você se deparar com um rio no meio do caminho... Siga em frente! Não interessa se a nado, a barco ou ponte. Viajar é uma viagem. 


Samuel Brandão na Ilha do Sol, Bolívia

Abaixo postei um texto publicado no site UOL Viagens, que julguei pertinente compartilhar. Trata-se de dicas a respeito de uma maneira de viajar muito antiga e que se tornou popular nos anos 60, viagem de carona.

Além de enriquecedor, viajar de carona pode ser uma experiência inesquecível; veja dicas

O argentino Juan Villarino pede carona

Viajar, conhecer outras culturas, cruzar fronteiras e ampliar a visão de mundo é uma experiência recompensadora como poucas. Mas quem quiser dar um toque ainda mais aventureiro a esse momento pode experimentar fazer sua viagem só pedindo carona.

Algumas pessoas dizem que não trocam por nada a emoção e a riqueza de viajar assim. "Conheci gente de todos os lugares viajando de carona. à algo que não tem preço", conta o músico e jornalista Bernardo Tonasse.

Esse brasileiro fez uma intrépida viagem, única e exclusivamente por meio de carona, por alguns países europeus. Durante um mês, Bernardo conheceu diversos locais como Eslovênia, Croácia, Ãustria e Hungria.

Ele conta que viajar com a camisa do Brasil literalmente abre as portas dos carros. "Pode até parecer engraçado, mas as pessoas são muito receptivas com os brasileiros", conta.

Foram as experiências positivas que fizeram o argentino Juan Villarino, nômade (como ele mesmo se descreve), adotar esse "estilo de turismo". Ele começou a viajar de carona em 2005 e, desde então, visitou nada menos do que 46 países, percorreu de carona mais de 130 mil quilômetros em cerca de mil veículos diferentes. "Fui hospedado por famílias humildes de todas as partes do mundo, todas me ajudaram. Vi pessoas, que no início eram desconhecidos, que se emocionaram quando se despediram. Isso significa muito pra mim", conta.

Dicas

O primeiro passo para quem pede carona é escolher bem o lugar. Os mais experientes aconselham abordar as pessoas nos postos de gasolina, fora da cidade. Esse é um ponto onde o viajante pode trocar algumas palavras com o motorista e perguntar em que direção ele está indo. Além disso, outros lugares para tentar a sorte podem ser nos últimos cruzamentos nas saídas das cidades, nos pedágios ou em postos policiais.

Sites especializados indicam que geralmente quem dá carona são pessoas que um dia já pediram e agora querem retribuir o ato de alguma forma. Caminhoneiros e entregadores também são simpatizantes dos mochileiros e muitos aceitam levá-los em troca de um pouco de companhia e bate-papo.

Bernardo Tonasse posa para foto antes de partir para mais uma aventura pela Europa

Outra dica importante é levar um mapa com as principais rodovias e estradas da região e, se possível, algum que marque também os postos de gasolina. "Isso é muito útil na hora de traçar o destino e também quando é necessário ir a pé de uma cidade a outra", explica Tonasse.

Para ter sucesso nem sempre o gesto do polegar aberto, mundialmente conhecido, funciona. Eficiente mesmo é ter um pedaço de papel ou papelão com letras grandes dizendo o nome da cidade onde se quer chegar ou a direção desejada. "Nos postos de gasolina também ajuda ficar de olho nas placas dos carros e no idioma que as pessoas falam. Assim a abordagem é mais eficiente", ensina o brasileiro.

Pequenos detalhes - como usar roupas coloridas - podem ajudar a chamar a atenção na estrada. Evite usar óculos escuros quando estiver pedindo carona, o motorista sentirá mais confiança se puder ver o rosto do viajante. Mochileiros experientes também aconselham um visual modesto e limpo.

Internet

O viajante que não quiser perder tanto tempo na estrada à espera de uma carona pode agilizar o processo com a ajuda da tecnologia, embora essa opção deixe a aventura um pouco de lado. Na internet existem vários sites especializados que colocam caroneiros e motoristas em contato. Alguns são gratuitos, já em outros é necessário pagar uma taxa anual para encontrar parceiros de viagem. Há quem ofereça lugar de graça nos carros e quem dê carona em troca de dividir as despesas da gasolina.

Existem diversos sites especializados e comunidades que fazem encontros periódicos para que as pessoas contem suas aventuras. Um deles é a rede social www.coletivu.com.br, que organiza caronas no Brasil. Há também o www.eco-carroagem.com.br. Já no site europeu www.hitchhikers.org, os motoristas escrevem para onde estão indo e o número de lugares disponíveis no carro, deixando o contato por conta dos próprios usuários. No hitchwiki.org Ã© possível encontrar uma série de dicas e bons lugares onde pedir carona pelo mundo afora. Outras opções são o www.digihitch.com e o www.autostopargentina.com.ar.

Segurança

Mas mesmo no mundo virtual vale a pena tomar alguns cuidados. Antes de embarcar, é aconselhável pedir os dados do motorista (nome, número de identidade e placa do carro), passar essas informações para algum amigo ou familiar e, quando encontrar com o motorista, pedir para ver o documento dele.

Antes de entrar em qualquer veículo siga o seu instinto e, se por algum motivo, você sentir que há algo de errado ou falta de empatia com o motorista, não entre. à melhor perder a carona do que passar por alguma situação desnecessária.

"Viajando de carona, a intuição é a melhor defesa contra uma situação desagradável", alerta Villarino, que já escreveu um livro sobre as suas andanças pelo Oriente Médio e tem um blog (acrobatadelcamino.blogspot.com) em que conta suas aventuras.

Geralmente as mulheres conseguem carona mais facilmente do que os homens, mas é melhor evitar ficar sozinha na estrada. Uma boa opção para as meninas sozinhas é aceitar carona só de uma motorista ou de um casal.

Outra dica que vale a pena levar em consideração é ter sempre a mochila ao seu alcance. Evite colocá-la no porta-malas ao entrar no carro. Assim, se alguma coisa der errado é possível sair do veículo com todos os seus pertences rapidamente.

A viajante Regina Candell relembra que os companheiros nesse tipo de viagem são sempre o imprevisto e o inusitado. "A gente acorda e não sabe como vai ser o dia, nunca sabemos onde vamos chegar nas próximas 24 horas. Essa sensação de não saber o que vai vir depois é maravilhosa. Viajando de carona aprendi a ser muito mais paciente no caminho e na vida", conta.

Fonte: UOL
Editado por Clébert Clark

PENSANDO EM SAIR DE CARONA POR AI?

O site www.mochileiros.com dispõe de uma central de caronas, onde viajantes de todas as partes do Brasil compartilham roteiros e se habilitam a dar e receber caronas. 

27 de janeiro de 2014

Nas trilhas do Mimbó

Nas trilhas do Mimbó

Uma viagem que reúne história, tradição e ecoturismo na cidade de Amarante

Texto e Fotos: Samuel Brandão

Essa é a vista do rio Parnaíba de cima do Morro da Arara. Foto: Eduardo Marchão.

Quem disse que o Piauí só tem o litoral e a Serra da Capivara como principais pontos turísticos e belezas naturais nunca viajou com a galera do Piauí Trilhas, se depender deles as opções são incontáveis. Partindo para horizontes ainda desconhecidos, o grupo realizou a expedição intitulada  âNas trilhas do Mimbóâ, uma visita à belíssima cidade de Amarante, no sul do Piauí, numa viagem que reuniu história com a visita ao museu Odilon Nunes, tradição na fábrica da cachaça Lira e muita aventura com direito à trilhas, caiaque, rapel e camping no Morro da Arara, um lugar exuberante com mais de 100 metros de altura e visão privilegiada nas margens do Rio Parnaíba.

A vista exuberante do Morro de Santa Cruz na cidade de Amarante.

Nossa viagem começa pela BR-316 com destino a Amarante, a 170 Km da capital Teresina, depois da apresentação inicial do grupo e de muita cantoria dentro da van,  chegamos por volta das nove da manhã com o tempo ainda bem favorável, um pouco fechado pelas nuvens, logo de cara a cidade apresentou sua beleza no cais do Rio Parnaíba com uma vista imponente do Morro de Santa Cruz no lado maranhense. O conjunto arquitetônico de seu casario colonial de herança portuguesa, construído no século XIX, dão o ar histórico da cidade revelando a memória de seus antigos moradores e o apogeu comercial vivenciado no período do império. O museu Odilon Nunes é um desses legados e tem esse nome em homenagem a um dos mais representativos historiadores do Piauí, nessa casa podem ser encontrados diversos objetos, móveis e instrumentos que contam parte da história das famílias amarantinas, além de fotografias e livros do poeta Da Costa e Silva.

Muito da história de Amarante está no Museu Odilon Nunes.

Um pouco antes da entrada de Amarante fizemos uma visita ao sítio Floresta, fundado em 1915, onde fica a fábrica da cachaça Lira. A fábrica ainda preserva a tradição dos antigos engenhos mantendo métodos tradicionais de produção da cachaça, como a destilação em alambique de cobre e o envelhecimento em tonéis de madeira, associados também à novas tecnologias. Depois de um pouco de história, uma breve degustação.

Agora é a hora da aventura, saindo de Amarante pela PI â 130, nosso próximo destino é o Morro da Arara, uma belíssima formação rochosa com aproximadamente 100 metros de altura que fica nas margens do rio Parnaíba no lado do Maranhão. Essa formação é bem peculiar pois possúi um paredão quase retilíneo, dando a impressão que o rio levou sua outra metade, para chegar até lá tivemos que atravessar de canoa  até a outra margem e subir pela encosta até uns 90 metros onde seria o ponto de acampamento. A visão lá de cima é explêndida; várias serras entortando o horizonte, a sinuosidade majestosa do velho monge cortando as chapadas e imergindo nos confins da tarde. Quando o dia amanheceu a aventura foi completa com direito a remada de caiaque, trilhas e rapel para os mais corajosos, tudo isso em meio a uma paisagem exuberante.

Olha quem resolveu aparecer de noite no acampamento.

Em toda a extensão do território piauiense existem lugares com belezas naturais ainda intocáveis e com um grande potencial turístico, o grupo Piauí Trilhas de Ecoturismo vem levar aos piauienses a proposta de conhecer o seu quintal, sempre disseminando a idéia da aventura atrelada a preservação e uma boa interação com a natureza.  

03 de janeiro de 2014

Bem vindos ao Butão

Bem vindos ao Butão

O país da felicidade

Texto: Clébert Clark


Hoje, nossa viagem começa por um país que semeia a paz e a tranqüilidade espiritual com seus templos budistas encravados em montanhas e uma natureza abençoada. Um país onde não existem grandes diferenças sociais, onde as pessoas tem consciência ambiental, onde a felicidade é mais importante do que o dinheiro.  Não se trata do paraíso, mas de um lugar bem real. Sejam bem vindos ao Butão.

Foto: Divulgação

O Reino do Butão ou em butanês, a Terra do Dragão, é um país localizado no coração da cordilheira dos Himalaias, entre a Ãndia e a China e tem uma população de cerca de 700 mil habitantes, um pouco menor que Teresina. Surgiu da vontade de isolamento de alguns monges e parece resistir bravamente ás assediantes investidas da cultura Ocidental. Trata-se de uma das últimas monarquias budistas do planeta, onde as pessoas estão mais preocupadas com suas orações, com a natureza e com o bem estar do próximo. 

Apesar de o país ser uma das menores economias do mundo, este não pode ser considerado como subdesenvolvido, pois não possui problemas característicos do chamado âterceiro mundoâ: não existem mendigos nas ruas, a educação ambiental é matéria essencial desde o ensino infantil, o consumo público de tabaco está banido e o país criou até o Ãndice de Felicidade Bruta, que elabora projetos voltados ao bem estar da sua população. Os butaneses adotaram um estilo de vida mais simples, baseado na agricultura, pecuária e artesanato.

Foto: Divulgação

A religião predominante para dois terços da população é o Budismo Vajrayana que tem como essência, a consciência que leva a iluminação do ser, não só como exemplo moral a seguir mas como busca efetiva.

As montanhas, os templos budistas ancestrais, a natureza marcante, o povo simples e a tradição cultural intocada compõem o cenário perfeito para a visita de mochileiros, mas alcançar os portões deste âReino Encantadoâ não é uma tarefa tão simples assim. O Butão é um dos países mais fechados do mundo, por conta da preservação com a cultura local, o país só apareceu na televisão pela primeira vez em 1999. Há um rigoroso controle sobre a quantidade de turistas que entram no país. Não existe turismo independente no Butão e ninguém fica mais do que um mês por lá. Só há um aeroporto internacional no país, na cidade de Paro, e uma entrada por terra, em Phuentsholing, na fronteira com a Ãndia.

Taktshang (Ninho do Tigre ou Tiger Nest) Foto: divulgação

Pra quem tem espírito aventureiro, o Butão é um verdadeiro tesouro encravado nas montanhas do Himalaia que reúne uma exótica cultura milenar, aliada a uma paisagem paradisíaca, e principalmente, a uma lição de vida com respeito e reverência ao cosmos, a natureza e ao próximo, acalentam profundamente o espírito de quem o visita como um sino que ressoa n'alma. 


INFORMAÃÃES ÃTEIS SOBRE O PAÃS


FORMA DE GOVERNO

Monarquia constitucional, onde o governante tem poderes de um Rei, mas é eleito pela vontade do povo. O Rei Jigme Khesar Namgyal criou o Indice Nacional de Felicidade Bruta e vem adotando uma política mais aberta ao ocidente, numa tentativa de colocar o Butão no mapa, freando assim as constantes investidas fronteiriças dos chineses.

LÃNGUA

Apesar de a língua oficial ser o Butanês, o turista brasileiro pode se virar bem com o inglês, que é bem conhecido devido a proximidade histórico-cultural com a India, ex-colônia britânica.

PRINCIPAL PONTO TURÃSTICO

Tiger Nest (ver foto principal) â Monastério localizado encima de um rochedo a uma altura de 2.950 metros. à possível chegar a este local após 1h30 mim de caminhada.

COMO CHEGAR

De avião: Só há uma companhia aérea a fazer voos para o Reino do Butão, a Druk Air. Os voos partem de Delhi (India) ou de Bangkok com destino a cidade de Paro. Atenção para o visto indiano se o seu caminho cruzar por lá.

Por terra: Não há linhas férreas que levem ao Butão, se a opção for por terra só há uma porta de entrada, partindo de Calcutá (India) com destino a Phuentsholing. A estrada é muito ruim.

QUANTO LEVAR?

Se gasta US$ 20,00 com o visto de 14 dias (pode ser prorrogado por uma única vez) e obrigatoriamente entre US$ 200,00 e US$ 250,00 por dia (dependo da época do ano), este valor é pago para o governo butanês e dá direito a três refeições diárias, hospedagem, serviço de guia local e transporte. Após pagar a taxa diária o turista decide o roteiro de viagem, o local que quer se hospedar, a forma de viagem (sozinho ou em grupo, a pé ou de transporte) e a agência que prestará os serviços.

QUE MOEDA LEVAR?

A moeda local é o Ngultrum (US$ 1,00 = 62,14), mas o mais indicado é levar o Dolar americano mesmo. A Rupia indiana também é aceita.

QUANDO IR?

A melhor época é da primavera ao outono, que vai de março a outubro. Nas demais épocas do ano faz muito frio.

O QUE FAZER NO BUTÃO?

Há templos e monastérios ancestrais por toda parte, o que atrai os mais adeptos do turismo religioso. O Butão também é muito indicado para os que são aficionados por aventura, pois há uma infinidade de trilhas que atravessam montanhas e planícies belíssimas, sendo a âSnowmanâ a mais famosa delas, com duração de 24 dias cruzando os Himalaias. Há ainda opções de downhills para ciclistas, como a que desce as encostas do monte Dochula (3.140 m). Os que apreciam turismo gastronômico devem preparar o paladar para comidas bem apimentadas. 

PRINCIPAIS CIDADES

Thimphu (2.320 m) é a capital do país e a maior cidade. Fica localizada a cerca de 1h30 do Aeroporto Internacional de Paro.

Paro (2.280 m) é a principal porta de entrada do país.

Bhumtang (2.700 m) é tida como o coração espiritual do Reino do Butão.

PARA SABER MAIS

http://www.kingdomofbhutan.com

A EXPERIÃNCIA DE QUEM JÃ FOI

http://gooutside.uol.com.br/1466
http://www.mochileiros.com/dicas-do-butao-t21172.html
http://www.mochileiros.com/butao-perguntas-e-respostas-t62865.html
http://www.mochileiros.com/butao-guia-de-informacoes-t41300.html

Agora confira um documentário sobre esse país exuberante:

http://www.youtube.com/watch?v=hphuSTkq2lU 

http://youtu.be/hphuSTkq2lU



09 de dezembro de 2013

Uma odisséia pelo Rio Parnaíba

Uma odisséia pelo Rio Parnaíba

Os Mochileiros do Piauí fazem uma expedição de caiaque pelo Rio Parnaíba mostrando suas comunidades ribeirinhas, as belezas naturais e a importância desse rio genuinamente nordestino.

Texto e Fotos: Samuel Brandão

              

Em nossa primeira aventura pelas águas, foi uníssona a escolha do caminho a se percorrer, o Parnaíba, o rio de nossa terra, que permeou grande parte de nossa infância com suas histórias, encantos e seu belo leito, seria nosso sábio e gigante companheiro durante 5 dias de viagem, numa expedição de caiaque entre os municípios de Amarante, centro-sul do Estado, e Teresina, a capital do Piauí, percorrendo ao todo 180 Km pela via fluvial, vivenciando na pele sua grandeza e conhecendo um pouco de suas comunidades ribeirinhas, sua riqueza natural e a calmaria de suas tardes, isso claro, sempre guiados pelo seu curso natural.

O Rio Parnaíba nasce na Chapada das Mangabeiras, na Serra do Jalapão, divisa entre os estados do Tocantins e Piauí, numa altitude de aproximadamente 709 metros. à o maior rio genuinamente nordestino e ao todo,  percorre 1.485 Km até desaguar no Oceano Atlântico onde forma um espetáculo natural com 73 ilhas fluviais, cheias de mangues e dunas, um verdadeiro paraíso que leva o nome de Delta do Parnaíba, ou seja, o nosso Velho Monge nasce e termina em dois lugares paradisíacos e nesse interstício é o principal meio de subsistência e essencial para a vida de diversas famílias piauienses e maranhenses.

O começo da jornada

Nossa viagem teve como ponto de partida o município de Amarante, que fica numa região conhecida como o Médio Parnaíba. Ao chegarmos lá, por volta das 6 da manhã, depois de arrumar os caiaques e tomar aquele café âaprumadoâ, o cais já contava com a presença de vários curiosos que perguntavam para onde estávamos indo, os mais velhos nos chamavam de âcientistasâ. Depois dos ajustes finais e de pedir benção para o rio, às 8 h da manhã colocamos os três caiaques na água e partimos para nossa longa e sábia jornada.

O clima estava perfeito para as remadas, o céu aberto com uma refinada luz matutina perpassava as nuvens, a correnteza um pouco forte nos levava por debaixo da copa das árvores. Num primeiro contato que tivemos com o rio, a natureza nos agraciou com suas belas paisagens naturais, o leito do rio no Médio Parnaíba é cheio de brejos e riachos e o fundo da paisagem sempre revela formações rochosas como serras, morros e serrotes com formatos bem peculiares como o Morro da Pedra do Rosto(MA), o Morro do Garrafão(MA), o Morro do Frade(PI) e sem dúvida o mais emocionante de toda a viagem, o Morro da Arara(MA), a uns 16 Km de Amarante, que se encontra na beira do rio e consiste num paredão de uns 100 metros de altura. Diante desse lugar exuberante resolvemos fazer nossa primeira parada para o almoço, numa pequena caverna encravada na pedra e aproveitamos para tirar algumas fotos.





Depois do descanso merecido, é hora de se apressar pois ainda faltavam 30 Km até o município de Palmeiras onde passaríamos a nossa primeira noite. No meio do caminho, uma breve parada no povoado de Chumbado(MA) e em Penêdo(MA) onde vimos a primeira das quatro grandes balsas, que atravessam diariamente veículos e pessoas entre os dois estados. O céu já escurecia, quando o pôr do sol nos mostrou seu espetáculo, espelhando o lusco-fusco nas águas do Velho Monge e ao ponto que o sol esmaecia as estrelas apareciam, logo milhares delas se juntaram no céu, formando uma nebulosa em meio ao silêncio do universo. Diante desse espetáculo, clipamos os caiaques e chegamos em Palmeirais por volta das 7 e meia da noite, onde os irmãos Zimmermann e dona Zeudmann nos acolheram muito bem, no seu bar e restaurante Tibungo, aí foi, comer, montar o acampamento e dormir igual pedra.

Entre Inhumas e Capivaras

Pela manhã, toda uma sorte de cantos de pássaros nos acordou, mas um em especial chamou bem a atenção, parecia o grito de um jumento de tão alto e ainda se encontrava na margem oposta, era a Inhuma, uma ave grande e bem esquisita, muito conhecida na região, na verdade, um casal delas. Hora do desjejum, novamente bem reforçado, depois fomos passear pela cidade e comprar algumas frutas no mercado velho, aproveitamos para tocar um pífano em meio aos populares que nos receberam com muita simpatia e curiosidade.  Palmeirais é uma cidade bem organizada e charmosa. Depois de tirar umas fotos da cidade, nos arrumamos e caímos novamente no rio, agora em direção a cidade de Parnarama no Maranhão.

No meio do caminho para Parnarama demos de cara com uma grande capivara, que emergiu bem perto de nós, o Clébert,  da equipe, quase vira o caiaque pensando ser uma Sucuiuiu. Nos diversos povoados que passamos sempre éramos recebidos com carinho e curiosidade, foi assim em Ribeirão Azul(PI), Barra do Saco(MA), Araçás(MA), Castelândia(PI) e Almecegas(MA), onde demos uma breve pausa para o almoço e descanso na casa do seu Haroldo, numa tarde daquelas de calmaria, longe da correria do mundo, só ouvindo o cacarejar de uma galinha choca e pintinhos ciscando, bem ao fundo. Depois do descanso, novamente caímos no rio e esticamos até Parnarama, mas como já estava escuro e não tínhamos experiência em navegar à noite ficamos no povoado  Coquinho(MA), na casa de seu José Mundica, Dona Dominga e seus 8 filhos.

Sem lenço, sem documento

Nossa próxima parada é a cidade de Parnarama no Maranhão, ao chegarmos lá de manhãzinha encontramos um pequeno cais cheio daquelas barcas características do Parnaíba e outra das grandes balsas atravessadoras. Parnarama é um cidade grande e bem agitada, tem diversos comércios e carros com alto falante vendendo mercadorias, aproveitamos para tomar um belo banho numa hospedaria e conhecer um pouco da cidade. Depois de quase 3 dias comendo enlatados e âNissinâ, era a hora de um belo ârangoâ em um restaurante popular, saciados com o almoço servido, aí bateu aquele cansaço que só combina com rede na sombra, mas como não tinha rede muito menos numa sombra, aproveitamos para deitar numa calçada perto da praça principal, ao relento, sem lenço sem documento. Foi aí que uma viatura estacionou do outro lado da rua e desceram uns 5 policiais com escopeta e ficaram observando a nossa situação, acho que aconteceu algum assalto lá recentemente, mas por conta de nossas humildes vestimentas e nossas atitudes nada suspeitas, afugentaram qualquer impressão ruim que eles tiveram, simplicidade é tudo.

Quando saímos de Parnarama, o sol desestimulou totalmente nossas braçadas, eram por vota das 12:30 da tarde e ainda faltavam 55 Km até a cidade mais próxima,  Nazária(PI), o trecho mais longo de toda a viagem, a noite seria de acampamento na beira do rio ou em alguma âcorôaâ, remamos ainda 15 Km por lugares muitos belos até enfim encontrar o lugar perfeito para o nosso descanso no povoado de Barreiro(MA). Aí foi montar o acampamento na beira do rio e curtir a tarde que repousava, num silêncio único, distante do novo mundo, o céu esmaecia num dourado fenecer, o rio invadiu nossa alma.

Conselhos do Velho Monge

Agora, depois de uma boa noite de sono e com um forte vigor percorremos 30 Km com facilidade, centrado nas braçadas, cortando as curvas pela tangente interna, andando sempre pelas margens onde tem um pouco de correnteza. Ã, tínhamos aprendido direitinho o ofício de canoeiro, passamos por Bom Futuro(PI), Caititu(PI), Caieiras(PI), até chegar em Nazária, um município recentemente emancipado de Teresina. O dia tinha sido muito corrido mas já estávamos bem perto de casa, mais uma bela noite de sono na beira do rio para esperar o dia do retorno.

Aqui dentro mora um grande rio

O sol desponta no caminho, é hora de voltar pra casa, com pouco mais de 5 h de viagem e 35 Km percorridos, eis que surge as primeiras fábricas de Teresina. A  imagem aqui também é fantástica, ver nossa cidade de um ângulo diferente, passando por debaixo de suas pontes e admirá-la como uma vitrine que se exibe para o rio, nos fez rememorar parte de sua boa história, que acontecia ali no velho cais. As antigas lavadeiras âacocadasâ com seus cantos âbatenoâ e âtrocenoâ pano, os carroceiros, canoeiros, mascates e toda aquela gente humilde e cheias de histórias pra contar, iguais as que vimos no decorrer de toda a viagem, o pôr do sol na ponte metálica, é, a cidade cresceu e deu as costas para sua frente. Também vimos, diferentemente das outras cidades, os vários bueiros silenciosos e incessantes despejando no rio o que não deveria ser. à preciso preservar e valorizar essa artéria da âMãe Terraâ que é o Rio Parnaíba, ele não tem voz na sociedade, aliás, seu canto é suave e modesto, no entanto é essencial para a nossa vida, das futuras gerações e de todo o equilíbrio da vida natural presente.

Depois de muitas e muitas braçadas, moldados a muito sol, terra, vento e água, a recompensa estava encravada no nosso espírito, a partir de agora a imensidão do Velho Monge com suas tardes envolvidas no silêncio de céus irados, os sons, as formas e cores de sua natureza, a simplicidade e gentileza de seus homens e mulheres nos mercados públicos e povoados, o curso manso desse gigante gentil que leva vida por diversos horizontes, perpassavam nossa memória e espírito, essa é a verdadeira recompensa.

Confira também o relato da galera do Clube de Canoagem Punaré:

http://clubedecanoagempunare.blogspot.com.br/ 





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