• Teresina shopping
  • HEMOPI - Junho vermelho
  • ITNET
  • Novo app Jornal O Dia
  • TV O DIA att
M³

Viver é perigoso mesmo

E daí que Angelina Jolie – aquele bocão, aquele corpão, aquele maridão – resolveu tirar os seios.

20/05/2013 09:55h

 E daí que Angelina Jolie – aquele bocão, aquele corpão, aquele maridão – resolveu tirar os seios. Não, ela não tinha câncer de mama. Mas ela sabia, por exames genéticos, que tinha chances de desenvolver o mesmo tipo de câncer que matou sua mãe e outras mulheres da família. Decidiu então radicalizar: mandou cortar fora antes que tumor se manifestasse. Jolie não foi a primeira mulher a tomar decisão tão radical, mas o fato de ser quem é acabou levando a notícia a se espalhar por jornais, revistas, portais e redes sociais. 

A medicina tem avançado de modo a agir de forma preventiva e não mais apenas paliativa/curativa. É possível evitar doenças a partir da adoção de modos de vida e comportamentos: alimentação balanceada, prática de exercícios físicos, etc. Levando a prevenção ao extremo, é possível detectar, através da medicina genética, predisposições a uma ou outra doença e, a partir desse conhecimento, tentar evitar seu surgimento.

É inegável que tais avanços da ciência trazem benefícios. Mas fica aquele grilo cantando ao pé da orelha: não estamos levando tudo isso longe demais? Porque de fato se cada um de nós tiver seu código genético analisado, sempre serão encontradas falhas, predisposições, defeitos.

Uma vez, uma de nós sentiu que o filho ainda pequeno estava um pouco quente. Ao medir a temperatura, foi constatada uma leve alteração, mas que ainda não configurava um quadro febril. Como mãe principiante, a criança foi medicada “preventivamente” mas, ainda assim, a febre veio. Ao conversar com pediatra, um sermão foi recebido de cara: “febre não se previne”.

Esse exemplo, somado ao caso da beldade Jolie, ressoa a mesma preocupação: é preciso cuidado até mesmo quando se tratar de ações profiláticas. A ciência e a tecnologia surgiram e continuam se desenvolvendo no intuito de evitar as tragédias, as doenças e os grandes males que podem se abater sobre a humanidade.

No entanto, o antigo desejo da eternidade não estaria se arvorando sobre a ciência?  Será possível mesmo controlar toda e qualquer coisa que possa nos acontecer? Essa ilusão de controle não seria ela mesma uma doença da nossa época? Viver é um risco. Viver mata. Tentar controlar isso talvez seja a forma mais rápida de matar a alegria de nossos dias.


Deixe seu comentário


Notícias Relacionadas