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Pelos animais, inclusive nós!

As notícias sobre o resgate de cães de um laboratório tomaram a semana e, como sempre, dividiram opiniões, paixões e convicções.

24/10/2013 18:30h

“Resgate de beagles usados em testes causa comoção na web”. “Ativistas resgatam 200 cães de laboratório de testes em empresa de São Paulo”. Essas são algumas notícias que tomaram a semana e, como sempre, dividiram opiniões, paixões e convicções.  

Pra começar, queremos deixar bem claro que não somos a favor de maltrato a animais. Mas acreditamos que não se trata de ser unicamente e dicotomicamente contra ou a favor, como os “brados retumbantes” das redes sociais fazem parecer. 

Em primeiríssimo lugar, não temos condições de julgar se existem outras opções nesse caso específico, e em nenhum outro, aliás. Só achamos que é muito fácil dizer “coitadinhos dos animaizinhos” e não lembrar que nós mesmos (e aqui nos incluímos totalmente) consumimos remédios, cosméticos e sei-lá-o-quê sem ter a menor noção de como são produzidos. Então antes de sair gritando em defesa dos cachorrinhos, é preciso lembrar que cada de nós está implicado nesse processo, como consumidores de medicamentos, cosméticos, etc.

Em segundo lugar, testes em animais para quê? Usar animais para testar a eficácia de remédios para câncer, por exemplo, é uma coisa. Testar a eficácia de cremes antirrugas em animais é outra. O primeiro caso é aceitável, o segundo é, na melhor hipótese, discutível. Em nossa opinião, é condenável mesmo.

Aí uma horda de recém-defensores dos animais grita a plenos pulmões que há alternativas EM TODOS OS CASOS, que as indústrias usam animais porque é mais barato, porque não querem buscar outras alternativas, porque são “do mal”, ou coisa que o valha. Aqui reconhecemos nossa ignorância e preferimos adotar uma postura menos agressiva (mais madura?) do que simplesmente bradar contra as empresas, o capitalismo, o lucro, etc. Nossa formação simplesmente não nos permite julgar em que casos os testes com animais podem ser substituídos com segurança e em que casos não podem. Simples assim.

É claro que pode ser que não existam alternativas porque as indústrias (de cosméticos, de medicamentos, etc) nunca buscaram alternativas. E aí cabe, sim, pressão dos cidadãos (leia-se consumidores) no sentido de não consumir mais produtos que exijam testes com animais. Você aí que está na faixa etária dos 20 e poucos anos pensa que seu grande poder como cidadão é o voto? Não é. Você tem poder enquanto consumidor! Discorda dos métodos da empresa que fabrica aquele shampoo excelente que deixa seu cabelo fabuloso? Pare de usar. Convença outras pessoas a parar também. Esse site traz uma lista de empresas, mostrando quais usam animais para teste: http://www.pea.org.br/crueldade/testes/naotestam.htm. Exerça seu poder de boicote, ora mais! Bem melhor que ficar repetindo gritos de ordem, mas continuar usando sua maquiagem testada em sei-lá-quantos animais. 

Se há um lado de fato muito bom nessa repercussão do caso dos beagles, é que, fora as reações desproporcionais e apaixonadas, a notícia gerou debate, nos colocou pra pensar e, principalmente, pra refletir sobre nosso papel enquanto consumidores.

Fica ainda uma pulguinha atrás da orelha: tanta verborragia na internet se deu pela defesa dos animais ou porque se tratava de snoopies fofinhos? Quem vai defender os porcos, ratos, porquinhos-da-índia, cachorros vira-lata que são usados em testes pelas indústrias e universidades? Ou eles não são dignos de defesa?

Fonte: Elizângela Carvalho e Clarissa Carvalho

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