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M³

João Vicente vai à aula

A jornalista Paula Daniele fala sobre a estreia do filho na escola

21/02/2011 09:23h

Por Paula Danielle
Jornalista, mãe do João Vicente e M³ que experimenta os desafios da maternidade

Aos dois anos, João Vicente é um menino esperto. Sabe o que gosta e, principalmente, o que não gosta. Talvez seja por isso que uma das primeiras palavras que ele aprendeu foi “Sai”, que depois virou “Me solta”. É carinhoso, mas como um típico sagitariano, é livre por natureza.

Essa é a única explicação para o fato dele ter encarado tão bem o primeiro dia de aula. Enquanto a maioria das crianças se esgoelava, o meu ficou vidrado com a novidade e não refugou em nenhum momento. Pelo contrário, curtiu tudo. Com destaque, claro, pro fantástico mundo onde se empurra uma mochila de rodinhas.

Mas nem mesmo a rápida adaptação foi capaz de tranquilizar a mãe louca. No primeiro dia, a ruptura foi tamanha, que as mães poderiam montar um coral com os sons da choradeira, com direito a sopranos e mezzo-sopranos dramáticos. Será que vão trocar fralda? E se engolir massinha? Vão sacudir a garrafa com suco antes de servir? Uma mãe olhapra outra e o alcance do coral ultrapassa as paredes da salinha de espera.

Passado o drama inicial e as perguntas que certamente não terão resposta, precisamos aprender a conviver com a “logística” da coisa. Não basta ir à escola, levar o lanche e fazer a tarefa. É preciso chegar e pegar na hora certa, o lanche tem que ser saudável e a tarefinha tem que surpreender pela criatividade. Valeu a pena guardar as revistas velhas. Não importa se é nela que está aquela reportagem que você queria para sempre. Ela ficará em pedaços e você vai sentir o incrível prazer de pensar que seu filho leva a tarefa mais bem feita do mundo.

No liquidificador das sensações, o gosto amargo da culpa ainda predomina. E daí se você levou flores lindas e fez um cartão derretido para a professora? A falta de tempo para acompanhar mais de perto, de paciência para ensinar como deveria e de humor para lidar com as birras e chatices da infância torna tudo mais difícil.

O fato é que deixar o filho na escola é a mais dolorosa forma de praticar o desapego. Libertá-lo para o mundo é enfrentar a dura realidade de que você não é suficiente. Quando, de fato, seu pedaço mostra que não é uma parte de você, mas um todo, que precisa ser respeitado e é capaz de fazer escolhas, mesmo que entre elas, você não seja uma opção. Não posso negar que, no meu caso, está sendo duro.

Há duas semanas convivendo com isso, preciso encarar algumas particularidades da minha rotina. Não vejo meu filho vestir a fardinha limpa, não confiro seu cheirinho, nem preparo sua lancheira. Raras são as vezes que consigo pegá-lo do colégio. Quando vou, sempre com o pai, que é mais presente, ele faz cara de espanto. Agarra o seu preferido com força, encosta a cabecinha no ombro do “queridão” (inveja em alto grau!) e enquanto deixa meu coração em frangalhos, mostra o quanto esse ritual “escola-casa” é capaz de construir a relação mais bonita entre pais e filhos, a intimidade.

Lágrimas à parte, a verdade é que os filhos só crescem em liberdade. Em pouco tempo já percebo o João Vicente mais solto, alegre e dando os primeiros passos na missão que todo ser humano deve praticar para viver melhor; a de compartilhar. É a vida dele que começou e não interessa em quantos pedaços meu coração vai ficar.


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