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M³

Falta Paixão....

As mulheres precisam deixar de ver no espelho a imagem de vítimas de agressões

29/05/2011 00:00h

Essa semana mais uma caso de violência contra a mulher tomou conta dos noticiários locais e das páginas de jornais em Teresina. Manchetes diversas deram conta que o cantor Paulynho Paixão - do qual nunca tínhamos ouvido falar - foi acusado de espancar a namorada, uma menor de 16 anos. Ao longo da semana, a "novela" teve seus capítulos divulgados aos poucos. De início, a adolescente e namorada do cantor decidiu não registrar queixa contra o suposto agressor. Depois, Paulynho Paixão convocou coletiva com a imprensa, a tia do cantor levou uma sacola com chapéus para ele no distrito policial, até que a menina decidiu registrar queiza. Assim seguiu a cobertura da imprensa.

Sabemos que, infelizmente, espancamento de mulher não é exatamente algo raro. As estatísticas estão aí para confirmar. É claro que o caso ganhou noticiabilidade por ter envolvido um pseudo-famoso, mas damos agora nossas mãos de jornalista à palmatória ao constatar que a maior parte da imprensa teresinense optou por noticiar o fato (tosco), e seus detalhes pitorescos (a entrega os chapéus, por exemplo), ao invés de aproveitar a oportunidade para aprofundar a questão da violência contra a mulher que ainda persiste, nas diferentes classes sociais e nos mais diversos contextos.

O fato de que a menor espancada não quis prestar queixa contra o agressor devia nos levar a questionar pelo menos dois pontos:

1. até que ponto mulheres vítimas de agressão estão de fatos seguras depois de denunciar os agressores. Como está a aplicação da Lei Maria da Penha?

2. ao invés do simplório "se não denunciou é porque gosta de apanhar" talvez fosse a hora de se discutir até que ponto mulheres agredidas não se sentem responsáveis pelas agressões sofridas e por isso acreditam não terem direito de denunciar, por mais absurdo que isso pareça.

Com ou sem holofotes, com ou sem o envolvimento de "celebridades" daqui ou de qualquer outro lugar do mundo, a agressão contra mulheres é um assunto de polícia que precisa ser tratado não somente pelos delegados, mas por todas as instituições que se pretendem defender os direitos humanos.

E nisso, não estamos incluindo apenas movimentos femininos e feministas, mas também quem pensa o modelo de educação que está sendo ensinado aos nossos filhos - futuros homens e mulheres; e organizações que lutam pelo respeito ao próximo, por exemplo. Mas, no final de tudo, é preciso que cada mulher possa olhar para si e ver que não precisa ver a imagem de vítima, mas de quem encara de frente, com força e convicção, qualquer um que tente abalar seu amor próprio.


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