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M³

Deus me livre!

Mulher Mãe Moderna

07/10/2012 00:00h

Por Natacha Maranhão

Jornalista, M³, mãe da Sabrina

Há alguns dias fiz um desabafo no Facebook nas primeiras horas da manhã. Em pouco tempo, uma enxurrada de comentários e até telefonemas de amigos me fizeram pensar ainda mais sobre o assunto, que era o ensino religioso nas escolas.
Antes que me crucifiquem, que fique claro que eu não sou contra nenhuma religião, respeito todas, até mesmo aquelas com as quais não consigo concordar em nada. Acho que ter uma crença é importante para o ser humano, e acho que criança deve sim, ter noções de religião. Deve acreditar em alguma força poderosa - Deus, Buda, anjo da guarda, Orixás, o Sol - para que tenha a quem recorrer nos momentos de medo, de angústia, e também para que possa saber a quem agradecer quando as coisas boas acontecem.

O meu desabafo foi contra o ensino de "catolicismo" nas escolas, porque na realidade é isso o que acontece. Fiquei chateada ao ver, na tarefa de casa da minha filha de dez anos, a afirmação de que "antes do batismo não somos filhos de Deus, somos criaturas". Fui criada em uma família católica, sou batizada, fiz primeira comunhão e crisma (os dois últimos sacramentos fui ‘obrigada' pelas escolas a receber), eu e meu marido estudamos em escolas católicas a vida toda, mas hoje não seguimos mais a religião católica, principalmente por discordar de muitas coisas. Mas respeito. Respeito tanto que sou madrinha de batismo de dois sobrinhos, a quem amo como filhos. Sabendo da minha orientação espírita, meus irmãos me escolheram como madrinha por terem a certeza de que mais do que um juramento na frente do padre, eu teria amor, cuidado e carinho por seus filhos.
Minha filha não é batizada. Quando ela nasceu eu já não frequentava a Igreja havia anos, não vi sentido em batizar. Mas ela tem padrinho e madrinha que a amam, cuidam, protegem e orientam.

O que li na tarefa de casa dela me incomodou porque eu a considero tão filha de Deus quanto o Papa Bento XVI ou qualquer um de nós. Não concordo que quem não é batizado pela Igreja Católica seja uma "criatura". Os evangélicos não batizam suas crianças, então elas são criaturas até atingirem a idade adulta? Não, não são. São filhas de Deus, como as crianças espíritas (a minha) e as umbandistas também são.

Não acho que o ensino religioso deva ser retirado das escolas, mas existem outras formas de falar de religiões, sem doutrinamentos, sem falar de pecado e castigo. Existe um lado muito bonito nas religiões, que é a fé das pessoas, os ensinamentos positivos, as noções de caridade, de amor e respeito ao próximo. Isso cabe no currículo escolar.


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