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M³

Das pequenas coisas que fazem tudo valer a pena

Tem um ditado que diz que é preciso ser mãe antes de ser tia, ou se perde a coragem

01/03/2014 09:26h

Aos trinta e seis anos (quase trinta e sete) tenho percebido um fenômeno curioso entre meus/minhas amigos/as que não tem filhos/as: ao mesmo tempo que percebo uma certa urgência em procriar, vejo também muito receio ao observar o comportamento de outros pais e mães. Tem um ditado que diz que é preciso ser mãe antes de ser tia, ou se perde a coragem. E é bem disso que eu queria falar hoje.

Não acho que todo mundo tenha que ter filhos, ou que se vai perder o maior amor possível, como se diz por aí, se não os tiver. Algumas pessoas querem e podem ter filhos, outras não. E tudo bem. Mas observar de fora o dia-a-dia de pais com seus filhos pequenos pode ser a forma mais rápida de se desistir de ser pai e mãe.

Explico: quem vê a amiga que era super independente e viajante se tornar uma “mãetorista”, levando e pegando filho pra cima e pra baixo, só pode pensar que esse lance de maternidade é muito limitante mesmo. Quem vê o amigo baladeiro passar os finais de semana em casa cuidando do filho porque não tem babá, só pode pensar em quão frustrante a paternidade pode ser. Em suma, quem acompanha o dia-a-dia de pais com filhos pequenos só pode pensar que procriar é coisa de louco ou masoquista. 

Mas a questão é que paternidade e maternidade se mede na qualidade e não na quantidade dos momentos bons. Duas ou três vezes por semana, no mínimo, penso em como seria fantástico se meu tempo, meu dinheiro e minhas energias fossem somente pra mim. Assumo, sem culpa e sem medo, que canso dos meus filhos, com uma frequência maior do que seria politicamente correto admitir.

Daí, na volta da escola, durante vinte ou trinta minutos, ouço as conversas que se desenrolam, sobre as aulas, sobre a professora, sobre os colegas. E penso que essas pessoinhas não são mais minhas, mas do mundo. E são pessoinhas lindas e cheias de insights fantásticos. Ou sou acordada (às 6 horas da manhã!) por um beijo com cheiro de bafinho de criança, da MINHA criança, e esqueço todos os outros momentos em que eles me cansam. E assim é o amor pelos filhos: na qualidade desses momentos pequenos e lindos a gente compensa a quantidade de trabalho e dedicação que eles exigem. E, se me perguntarem, digo: vale mais a pena do que qualquer coisa que eu já tenha feito na vida.

Por: Por Clarissa Carvalho

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