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Bebê real

Depois de 11 horas de trabalho de parto, nasce o príncipe George Louis

29/07/2013 11:42h - Atualizado em 29/07/2013 11:47h

Uma mulher entra em trabalho de parto depois de nove meses de gravidez tranquila. Sem qualquer transtorno, fez as consultas e exames pré-natais e, no período previsto, o bebê deu sinais de que já era hora de nascer. Depois de onze horas de trabalho de parto, o bebê nasce, na presença não só de médicos e enfermeiras, mas também do pai.

Poderia ser a história de qualquer mulher, qualquer gravidez, qualquer bebê. Mas é a história da criança que ocupa o terceiro lugar na linha sucessória da monarquia britânica. O filho do príncipe William e de Kate Middleton – George Alexander Louis – nasceu de forma natural.

Embora o acontecimento não tenha de fato nenhuma relevância para o resto do mundo, olhos curiosos acompanharam o desenrolar da gravidez da Duquesa de Cambridge. E qual não foi a surpresa de grande parte dos brasileiros ao saber que o bebê real nasceu por via vaginal! No nosso Brasil brasileiro, que vergonhosamente ostenta o posto de campeão mundial de cesáreas, é quase inverossímil pensar que uma duquesa, esposa de príncipe, mãe de um herdeiro do trono, se submeteria a tal ritual medieval!

Hora de repensar, brasileiros. Hora de refletir sobre as razões de tantas cesáreas em nosso país. Hora de rever nossos conceitos acerca da gravidez e parto. Hora de debater as questões que nos levam ao primeiro lugar no pódio mundial de cirurgias de extração de feto.

Não há um único culpado. Há, na verdade, um sistema, com diversas forças e poderes que corroboram para que a cesárea seja considerada a vida default de nascimento no Brasil, especialmente na rede privada. Há médicos, e sua formação firmemente assentada na crença absoluta na tecnologia e na medicalização. Há mulheres, homens, toda uma sociedade que entende que quanto mais tecnologia for empregada, melhores serão os resultados, que quanto mais natural, mais perigoso. Há um sistema obstétrico que coloca essa mulher que vai parir na posição de doente que, como tal, precisa ser tratada, e não ajudada e apoiada. Há uma negação do parto como parte da sexualidade feminina. Há um sistema que funciona na base do “quanto mais melhor”: em onze horas de trabalho de parto, quantas cesarianas poderiam ter sido feitas? Há um medo da dor e uma ilusão de controle de riscos, passados de mãe pra filha, de médico para paciente. 

É claro que também entendemos o direito da gestante decidir se quer parir de cócoras, dentro d’água ou com o uso de bisturi. Mas, a questão aqui é o fato de que o “recomendado” no Brasil tem sido exatamente a exceção no resto do mundo e isso merece sim ser questionado.

Por: Clarissa Carvalho e Elizângela Carvalho

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