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M³

Afinal, isso é normal?

Uma juíza da cidade de Torres, Rio Grande do Sul, determinou que uma gestante em trabalho de parto fosse retirada de casa e conduzida a um hospital, para uma cesariana forçada

09/04/2014 10:46h

Recentemente uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) acirrou ânimos nas ruas e nas redes sociais, ao constatar que mais da metade dos brasileiros – homens e mulheres – acreditam que a exibição do corpo feminino pode ser entendida como causa para abusos e estupro. O longo e persistente braço do machismo continua a ditar que respeito é para a mulher que “se dá ao respeito”. Infelizmente, a maior parte da nossa população ainda entende que o corpo da mulher só pertence a ela enquanto ela se enquadrar em um padrão de comportamento específico. A pergunta, cuja resposta deveria ser óbvia, é: a quem pertence o corpo da mulher se não a ela mesma?

Ainda sob o barulho provocado pela tal pesquisa, com diversos protestos reais e virtuais, fomos surpreendidas essa semana por mais um atentado à soberania feminina sobre o próprio corpo. Uma juíza da cidade de Torres, Rio Grande do Sul, determinou que uma gestante em trabalho de parto fosse retirada de casa e conduzida a um hospital, para uma cesariana forçada. 

Sim, você leu certo. Uma parturiente foi obrigada a um parto cirúrgico, contra sua vontade, por decisão judicial. Algumas horas antes, Adelir Carmen Lemos de Goés havia sido atendida no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes. A obstetra de plantão indicou a cesárea, mas a parturiente queria um parto normal hospitalar. Diante da insistência da médica, assinou um termo de responsabilidade e foi para casa, em trabalho de parto. Até ser retirada de lá por quase dez policiais (!) e conduzida de volta ao hospital.

Sem dúvidas, acreditamos que esta seja uma decisão inédita – a Justiça determinar a maneira como uma mulher vai ter seus filhos. No entanto, buscando informações sobre o caso, lemos que a decisão foi motivada por parecer médico apontando risco de morte para a mãe e para o bebê, já que a gestação já tinha 42 semanas e bebê estaria em sofrimento, o que teria sido comprovado após o parto com a presença de mecônio (as primeiras fezes do bebê) dentro da cavidade abdominal da mãe.

De fato é uma questão polêmica e, como todo grande conflito, esse também traz várias perguntas. Vamos a elas: se a mãe assinou termo de responsabilidade, a sua vontade não deveria ter sido respeitada pelos profissionais de saúde e pela Justiça? No entanto, a decisão sobre o risco de complicações na saúde do bebê depende apenas dos pais? Por que a mulher brasileira não vem conseguindo ter o seu direito de optar pelo parto normal já que todo mundo sabe dos inúmeros benefícios para mãe e bebê diante da cesárea? Sabemos apenas que essa é uma questão que ainda vai dar muito pano pra manga.

Por: Clarissa Carvalho e Elizângela Carvalho

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