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Notícias M³

19 de março de 2012

“Você está pronta para ser mãe? Faça o teste...”

Por estes dias, vi uma pergunta um tanto problemática: "Você está pronta para ser mãe?"

Com muita calma, entre um afazer e outro, num instante de navegação sem compromisso pela internet, vejo um teste daqueles que toda mulher não consegue resistir e, mesmo que a pergunta não seja questão essencial para sua vida, quando menos percebe já está lendo a resposta que lhe cabe, ao menos para quem elaborou o teste.

Por estes dias, vi uma pergunta um tanto problemática: "Você está pronta para ser mãe? - Descubra em dez perguntas". Em alguns cliques, o teste disponibilizado na internet se propõe a revelar se a mulher está pronta ou não para encarar a maternidade.

Mesmo sendo mãe e tendo a plena certeza de que nenhum teste desta natureza poderá certificar a "proficiência materna" de quem quer que seja, não consegui conter a tentação e fui às perguntas.

A primeira era sobre a faixa etária e trazia as opções 20, 30 e 40. Em seguida, a pergunta era sobre a estabilidade da relação mantida com o parceiro. Depois, as questões eram sobre as condições financeiras para sustentar um filho, sobre como a mulher lida com a rotina, se é capaz de abrir mão do trabalho por algum tempo, se pode desacelerar por um período, se tem vida amorosa satisfatória e como lida com a irritação.

Depois de responder a todas as perguntas, descobri que no meu caso, o conselho é: "você deseja ser mãe, mas talvez ainda não seja o momento apropriado. Um bebê é uma grande responsabilidade e merece toda a sua atenção. Planeje-se melhor financeiramente e profissionalmente e, em breve, poderá dar a luz ao tão esperado filho". Desculpe, mas é tarde, já sou mãe.

A maternidade, ao nosso ver, por mais que seja planejada, sonhada, pensada e acompanhada de inúmeros manuais disponíveis em bancas de revistas e livrarias, a maioria propondo "receitas infalíveis" (hum...), esta não é uma equação objetiva com dados que se somam sem imprevistos, cólicas na madrugada, dores de ouvido durante viagens, vontade de ir ao banheiro sempre no horário das refeições, perguntas desconcertantes, descobertas fantásticas e redescobertas sobre nós mesmas.

Assim como desde o princípio do teste, antes mesmo de responder às perguntas que ao nosso ver não determinam um perfil ideal de uma mãe, entendemos que nunca estaremos completamente prontas, sem reparos a fazer, para sermos mães.

Na nossa mortal opinião, mesmo tendo toda a experiência em trocas de fraldas, mamadeiras, tarefas escolares e conversas de pé de orelha, a dúvida, a insegurança e a incerteza estarão conosco buscando a melhor maneira de resolver os problemas. E isso não é porque temos uma incompetência inata ou porque não deixamos chegar a hora certa (se é que existe...) para nos tornarmos mães, mas porque as situações sempre serão diferentes, cada filho nunca será igual ao outro, porque nunca seremos as mesmas em todas as circunstâncias e porque o script é escrito no correr do dia, no instante das necessidades e a partir das decisões que tomamos a cada virada de curva.

Por isso, podemos ter qualquer idade, parceiro ou não, condições finaceiras para sustentar um time de futebol inteiro, toda a disponibilidade do mundo para cuidar dos filhos, disposição para largar tudo, ter dedicação exclusiva à prole e vida amorosa de cinema. Ainda assim, estaremos prontas?

09 de fevereiro de 2012

Uma "mega" decisão

Uma barriga visivelmente mega chamou a atenção do país no início deste ano.

Uma barriga visivelmente mega chamou a atenção do país no início deste ano. Uma educadora, casada, 25 anos, mãe de um menino, decidiu "improvisar" e anunciar uma gravidez de quadrigêmeos no interior de São Paulo.

O caso, que depois revelou uma farsa, deixou no ar quais seriam as intenções da suposta Mega-grávida, que logo se tornou atração das emissoras nacionais e dos veículos de comunicação pelo país - encantados pelas imagens de uma barriga que surpreendia a todo. Queria ela buscar uma reconciliação com o pai até então distante após discussões entre eles? Desejava ela ter seus minutos de fama? Como imaginava que terminaria a história, já que um dia os bebês teriam que nascer? Será algum tipo de distúrbio psicológico? Por que o marido compartilhou da farsa?

Essas e outras perguntas nos fazem lembrar dos antigos e mal-fadados golpes da barriga, exibidos à exaustão nas telenovelas (principalmente nas tramas mexicanas) e, infelizmente, ainda observados na vida real.

Seja qual for o motivo que levou a paulistana a encenar a gestação fantástica, rara e que cativou milhares de brasileiros, o que fica para nós é o incômodo de perceber que para muitas mulheres a maternidade ainda "funciona" como receita para problemas conjugais, para convencer o noivo indeciso a tomar uma decisão, para curar a solidão, para buscar a solidariedade alheia, a atenção do outro, etc. Essa percepção nos incomoda tanto por atribuir a um bebê uma responsabilidade que não lhe cabe (reolver os problemas dos pais) como por reproduzir a ultrapassada noção de que os filhos podem convencer os parceiros a manter uma relação quando nada mais dá certo.

Para nós, a experiência da gravidez, ou melhor, da maternidade, está longe de ser um problema ou uma solução e, mais que isso, entendemos que há um equívoco no mínimo fundamental quando é entendida de uma das duas formas.

Entendemos a maternidade como uma decisão pessoal, instransferível e desarmada de qualquer subterfúfio. Nos tornamos mães sabendo que essa decisão nos traria muitas mudanças (positivas e negativas), mas o fato é que estávamos de peito aberto para elas, sem esperar remuneração.

30 de janeiro de 2012

Somos Carvalho, mas com pitada “Pereira”

Somos Carvalho, mas com pitada “Pereira”

Quem não nos conhece pessoalmente pode até imaginar que estamos sempre com as unhas feitas...

Quem não nos conhece pessoalmente pode até imaginar que estamos sempre com as unhas feitas, nunca enfrentamos um fogão, um tanque ou uma vassoura.

Para alguns, a imagem de mulher moderna talvez não combine muito com os afazeres domésticos mais básicos (e chatos...), como tirar pó dos móveis ou lavar banheiros (o pior de todos).

Para muitos, ser uma M³ talvez seja sinônimo apenas de celulares, notebooks, agenda cheia, roupas de trabalho e conversa feminista. Desculpe decepcionar quem nos imagina desta maneira, pois temos uma pitada de "Pereirão" - sem o bigode e sem o macacão cinza, claro.

Somos mulheres de carne e osso que têm, sim, lista de supermercado para fazer toda semana, padaria pra passar todas as noites, preocupações com a faxina da casa, com as coisas em ordem, a pia que entope, a geladeira que não refrigera, o ar-condicionado que pinga, a lâmpada da cozinha que queima, o muro do quintal que infiltra e a pintura da sala que ficou suja por graça dos nossos "anjos". Temos preocupação com o almoço que precisamos definir com nossas funcionárias e, quando elas faltam, mergulhamos no universo "do lar", sem restrições.

É claro que algumas atividades, definitivamente, não nos agrada, mas nesses momentos é o dever de fazer que fala mais alto e move não apenas a gente, mas todos aqueles que passam perto e têm a sorte de serem convocados.

O fato é que apesar do nosso desejo de sermos, sim, bonequinhas de luxo, somos gente de verdade, do mundo real. Por isso, não é a frigideira suja esquecida sobre a pia pelos nossos ajudantes que nos deixará sem sono, mas certamente nos fará refletir sobre nossas funções. Se o passar dos anos tirou as mulheres dos limites do lar e possibilitou a construção de carreiras profissionais, faltou nos ensinarem como melhor dividir as atribuições domésticas.

Pra falar a verdade, sem medo de parecer fútil, a gente sente falta de ter tempo pra um monte de coisas bobas, como passar a tarde no salão de beleza, lendo Caras e experimentando hidratações diferentes pros cabelos; ou de simplesmente sair do trabalho e ir tomar um café tranquilamente, em meio a fofocas com as amigas.

Talvez aquela história de que a grama do vizinho parece sempre mais verde seja em parte verdadeira, porque quando olhamos pra nossas amigas solteiras e sem filhos morremos de inveja da liberdade que elas têm em serem donas do próprio tempo. Mas depois, quando a gente olha de novo pra nossa própria grama, que tem tanto da gente, da nossa participação, do nosso tempo e do nosso lado 'Pereirão", como não achar que melhor mesmo é a nossa vida, com nossos grandes e pequenos problemas, nossas alegrias e frustrações diárias, nossa eterna tentativa de fazer certo em meio ao caos doméstico?

28 de agosto de 2011

Não importa a plataforma

Site de relacionamento incentiva traição em rede social

A traição é um dos atos mais antigos - e mais causadores de confusão - da história da humanidade. Talvez apenas Adão e Eva tenham escapado, por motivos óbvios, do famoso par de chifres na cabeça.

A verdade é que, embora poucos admitam já terem traído, todos sabem que já foram, ou vão ser, traídos, uma hora ou outra. Sim, sim, meu/minha caro/a leitor/a que agora franze a testa e fuzila seu/sua companheiro/a com os olhos, por cima do jornal aberto nessa linda manhã de domingo, a traição é parte da vida, embora seguramente faça parte da porção mais triste dela.

Não estamos aqui defendendo a poligamia, ou incentivando ninguém a trair, mas a verdade inconteste é que chifre existe e cai do céu que nem chuva em Teresina no mês de janeiro. E que atire a primeira camisinha quem nunca foi traído.

Pois bem, ciente do inescapável caráter do chifre e com uma antena sintonizada para o mercado, um americano lançou uma rede social especializada em reunir pessoas casadas que pretendem se relacionar com outras pessoas casadas. Sim, é uma rede social para a traição. O Ohhtel, que foi lançando nos Estados Unidos em 2009, chegou em julho ao Brasil e - pasmem! - reuniu mais de dez mil usuários nas primeiras 48 horas, com uma nova inscrição a cada 16 segundos!

"Olha só que safadeza! A internet acabando com os casamentos!", alguns devem estar pensando. Mas a verdade é que ninguém nunca precisou de rede social para trair, que o diga o bom e velho disque amizade - 145. O que a internet fez foi trazer o mundo para mais perto e as possibilidades de realizar os desejos também.

Aproximou pessoas, facilitou a comunicação, fez sumir obstáculos, mas também tem se mostrado como um território de todos e de ninguém. Como um lugar sem regras, sem códigos ou leis, a grande rede está mostrando o lado mais oculto das pessoas.

Encobertos pela sensação que o anonimato proporcionado pela internet e suas infinitas ferramentas causam, aqueles que pretendem agir forasteiramente mergulham na grande rede com o objetivo claro de viabilizar aquilo que não teriam coragem de admitir para a família ou no trabalho.

Para nós, independente da platarforma - seja virtual ou presencial, traição será sempre a mesmíssima coisa, e pronto.

Por mais que isso pareça antigo para alguns, somos do tempo em que trair não é apenas "utilizar um serviço destinado a homens e mulheres que desejam ter uma aventura discreta" como anuncia o site.

24 de julho de 2011

Mito da perfeição

Filósofa francesa fala sobre mito da perfeição materna em entrevista

Por mais assustador que possa parecer, algumas coisas não costumam ser ditas porque não são usuais, por que o instituído "politicamente correto" não permite ou por medo da reação alheia. Coisa do tipo: não achamos que ser mãe é padecer no paraíso e achamos, inclusive, que essa é uma idéia muito infeliz. Queremos, sim, viver a maternidade da melhor maneira e, se possível, sem tanto padecimento.

Também não achamos que temos que dar conta de tudo, por mais que rotineiramente caiamos nesse tipo de cilada. Não achamos que apenas nós temos a obrigação de trocar as fraldas ou ensinar tarefa de casa, e queremos, sim, ter um tempo sozinhas, pra nós mesmas, um espaço pra que possamos exercitar, simplesmente, o que é ser nós mesmas.

Por mais que tudo isso já tenha sido dito neste espaço - de uma maneira ou de outra - uma entrevista publicada numa revista de circulação nacional ecoou algumas dessas questões (que sabemos que não são só nossas!). A filósofa francesa Elisabeth Badinter, autora dos livros Um amor inventado: o mito do amor materno e O conflito: a mulher e mãe, diz na entrevista que o mito da mãe perfeita é uma cilada criada pela sociedade ocidental, mas assumida como "natural" pelas próprias mulheres, instituindo como parâmetro para a maternidade "normal" colocar os desejos dos filhos acima (bem acima) de qualquer necessidade pessoal da mãe.

Para a filósofa, a ampliação dos deveres maternos está no cerne do fenômeno contemporâneo da opção por não ter filhos. Quanto mais anos de escolaridade as mulheres têm, mas elas se afastam da maternidade, pois o receio de não dar conta de seguir a vida profissional e cumprir com todas as obrigações socialmente impostas à "mãe perfeita" está fazendo com que elas optem por não ter filhos - o que é uma opção válida, claro. No entanto, o mito afasta qualquer tentativa dessas mulheres de buscar um caminho paralelo, próprio, para conduzir a criação dos filhos.

Cada cultura cria um modelo ideal de maternidade, que predomina em uma época específica. De forma consciente ou não, toda as mulheres carregam tal modelo, o que não significa que todas venham a aderir a ele: pode-se aceitá-lo, rejeitá-lo, negociá-lo, mas é sempre em relação a ele que as mullheres determinam suas opções em relação à maternidade (ter ou não ter filhos? quantos? quando?)

Badinter denuncia o atual modelo da mãe perfeita como gerador de culpas e conflitos, ao prescrever responsabilidades tão pesadas à mãe que ela nunca conseguiria conciliar de maneira satisfatória a vida profissional e a maternidade. Para a autora, a grande ironia da História configura-se no fato de que, depois de tantos avanços satisfatórios em relação à dominação masculina, a mulher se veja agora submissa a um novo senhor: o bebê.

12 de junho de 2011

Um dia para enamorar

No dia dos namorados, é preciso esquecer a chatice das coisas

Sim, a gente sabe que essa é uma data comercial, inventada sei-lá-por-quem (sindicato dos donos de floriculturas?) com o intuito de fazer com que os apaixonados alimentem a grande roda do capitalismo comprando presentes para os alvos de suas paixões. Dito assim, o dia dos namorados perde toda a graça. Mas o que a gente acha mesmo é que, apesar do caráter comercial de datas assim, é muito, muito bom ter um dia para expressar o que a gente sente com todas as letras.

É que na correria do dia-a-dia, o "eu te amo" acaba ganhando a mesma entonação de "garçom, traz uma pizza!" E por isso é fundamental ter um dia para que a gente se programe para dizer o que realmente interessa a quem de fato importa.

Não, a atenção e/ou presentes nesse dia em nada substituem o carinho e cuidados diários. Mas é tão prazeroso pensar que no dia 12 de junho a gente pode parar e homenagear quem a gente ama, independente de ser namorado novo ou marido antigo.

Inclusive, para os casais casados o Dia dos Namorados é, além de uma oportunidade para falar aquilo que a rotina e as obrigações diárias nos roubam, é também um desafio a quem precisa parar (nem que seja um dia no ano) de pensar nas contas a pagar, no que está faltando em casa e precisa ser providenciado ou mesmo em quem vai pegar as crianças na escola; e simplesmente se permitir dividir o prazer de ter companhia - boa companhia. Seja para quem namorado novo, marido velho, namorado velho ou marido novo, o Dia dos Namorados nos parece - na verdade - uma oportunidade para a gente apertar o botão do pause e voltar a "enamorar-se".

Isso não significa acordar como no primeiro dia em que nos conhecemos, até porque corre o risco deles acharem que batemos a cabeça ou simplesmente enlouquecemos. Mas a sugestão sobre "enarmorar" diz respeito a apenas esquecer um pouco da parte chata das coisas e tentar pensar nas risadas que dividimos, nas sessões de cinema que terminam com um bom jantar, na companhia sempre oportuna e que nos dá segurança,

Resumindo, para nós - hoje e sempre - o "fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho".

29 de maio de 2011

Falta Paixão....

As mulheres precisam deixar de ver no espelho a imagem de vítimas de agressões

Essa semana mais uma caso de violência contra a mulher tomou conta dos noticiários locais e das páginas de jornais em Teresina. Manchetes diversas deram conta que o cantor Paulynho Paixão - do qual nunca tínhamos ouvido falar - foi acusado de espancar a namorada, uma menor de 16 anos. Ao longo da semana, a "novela" teve seus capítulos divulgados aos poucos. De início, a adolescente e namorada do cantor decidiu não registrar queixa contra o suposto agressor. Depois, Paulynho Paixão convocou coletiva com a imprensa, a tia do cantor levou uma sacola com chapéus para ele no distrito policial, até que a menina decidiu registrar queiza. Assim seguiu a cobertura da imprensa.

Sabemos que, infelizmente, espancamento de mulher não é exatamente algo raro. As estatísticas estão aí para confirmar. É claro que o caso ganhou noticiabilidade por ter envolvido um pseudo-famoso, mas damos agora nossas mãos de jornalista à palmatória ao constatar que a maior parte da imprensa teresinense optou por noticiar o fato (tosco), e seus detalhes pitorescos (a entrega os chapéus, por exemplo), ao invés de aproveitar a oportunidade para aprofundar a questão da violência contra a mulher que ainda persiste, nas diferentes classes sociais e nos mais diversos contextos.

O fato de que a menor espancada não quis prestar queixa contra o agressor devia nos levar a questionar pelo menos dois pontos:

1. até que ponto mulheres vítimas de agressão estão de fatos seguras depois de denunciar os agressores. Como está a aplicação da Lei Maria da Penha?

2. ao invés do simplório "se não denunciou é porque gosta de apanhar" talvez fosse a hora de se discutir até que ponto mulheres agredidas não se sentem responsáveis pelas agressões sofridas e por isso acreditam não terem direito de denunciar, por mais absurdo que isso pareça.

Com ou sem holofotes, com ou sem o envolvimento de "celebridades" daqui ou de qualquer outro lugar do mundo, a agressão contra mulheres é um assunto de polícia que precisa ser tratado não somente pelos delegados, mas por todas as instituições que se pretendem defender os direitos humanos.

E nisso, não estamos incluindo apenas movimentos femininos e feministas, mas também quem pensa o modelo de educação que está sendo ensinado aos nossos filhos - futuros homens e mulheres; e organizações que lutam pelo respeito ao próximo, por exemplo. Mas, no final de tudo, é preciso que cada mulher possa olhar para si e ver que não precisa ver a imagem de vítima, mas de quem encara de frente, com força e convicção, qualquer um que tente abalar seu amor próprio.

25 de maio de 2011

Era só o que faltava...

Mães realizaram mamaço em São Paulo

Semana passada deu vontade de sair gritando em direção às rotativas e apertar o botão para impedir que as máquinas de impressão do jornal continuassem seu trabalho.

Isso porque depois da coluna feita, diagramada e devidamente ilustrada pelo amigo Jota A, soubemos que mulheres estavam fazendo um protesto mais que interessante em São Paulo: o "mamaço".

A ideia - mais que original e criativa - chamou a atenção do país para o fato de que uma mãe foi impedida por uma funcionária de uma galeria a amamentar sua filha, um bebê de poucos meses que, graças à responsabilidade dessa mãe, recebe leite materno.

Indignadas com a história, um grupo de mães lactantes participou de uma mobilização via redes sociais e decidiram voltar à tal galeria devidamente acompanhadas pelos seus bebês para realizar um "mamaço", ou seja, para um momento de amamentação coletiva. Resultado disso foi o comentário nacional sobre o movimento, que ganhou inclusive o apoio do diretor da Galeria, que assumiu o erro pela tal funcionária e ainda apoiou o protesto.

Quando soubemos disso tudo, era um pouco tarde para tratar do assunto neste espaço, porém, ainda é possível resgatar a história, não somente pelo protesto em si, mas pela absurda proibição imposta a uma mãe que queria amamentar sua filha. Vamos lá.

Em primeiro lugar, a amamentação, na nossa opinião, é uma obrigação materna que faz parte do pacote e, independente de deixar os seios "diferentes", deve ser encarada com a naturalidade que a natureza impõe.

Salvo os casos em que há algum tipo de impedimento na saúde da mãe ou da criança, a amamentação é um dever da mãe e um direito da criança, que precisa ser respeitado não apenas por quem pretende gerar um filho, mas por todas as instituições - sejam elas privadas ou públicas.

O fato é que poucos (na verdade raríssimos) estabelecimentos no país oferecem o mínimo de conforto e discrição para as mulheres que precisam amamentar. Sem opção, amamentamos nossas filhos de pé, sentadas, caminhando, seja como for. E fazemos isso por que en tendemos que satisfazer nossos bebês está acima de qualquer pudor - nosso ou de quem por ventura possa se incomodar com uma mulher que amamenta.

Antes de ter filhos, realmente, a ideia de abrir a blusa em ambientes públicos de nada agradava, mas, depois da maternidade, não tem choro de bebê que nos faça achar que a vergonha pode ser maior que a sensação de dever cumprido.

18 de maio de 2011

Quando o exagero toma conta...

Por que tudo agora é bullying?

Bullying. Se ainda não ouviu essa palavra por aí, certamente você se encaixa em uma das opções abaixo:

a. Estava em viagem espacial para outro planeta ou estrela;

b. Estava em coma profundo nos últimos 2 ou 3 meses;

c. Estava em retiro espiritual no alto de uma montanha desabitada, sem rádio, TV, jornal ou pessoa qualquer por perto;

O fato é que o termo bullying tem sido repetido exaustivamente em matérias de TV, em revistas, em jornais, nas filas de banco, nas conversas de pais e mães nas portas das escolas, em batizados, aniversários, velórios e afins. O bullying se caracteriza por agressões físicas ou verbais feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um colega.

As vítimas de bullying costumam ficar cada vez mais acanhadas, amendrontadas e receosas de ir à escola devido às agressões sofridas por parte dos colegas.

Psicólogos, pedagogos e pais vêm debatendo o assunto na intenção de minimizar a ocorrência de tal forma de violência, e algumas escolas têm adotando medidas severas para coibir a prática. Atitudes louváveis, como qualquer atitude que vise a diminuição da violência.

Mas nos parece que há uma exagero ou uma banalização do termo bullying. Criança é um serzinho cruel - quem não sabe disso precisa começar a conviver mais com os pequenos. Quando éramos crianças, os mais gordinhos eram apelidados de rolha de poço, os muito altos de espanador da lua, as magricelas de Olívia Palito. Se usava óculos era quatro olhos, se tinha orelhas grandes era orelhão da Telepisa, e por aí ia. Era ruim ser alvo de chacota dos colegas? Sim, claro que era. Mas era divertido revidar com mais chacota. O que nos parece é que hoje querem que as crianças sejam criadas em redomas, intocáveis. Criança, no nosso modo de ver, deve ser preparada para reagir a esse tipo de agressão, para se defender, para "mangar" do outro também e, a partir de suas experiências, aprender a lidar com seus defeitos, com suas virtudes e também com as fragilidades alheias.

Somos de um tempo que as crianças se divertiam vendo a Mônica correr atrás do Cebolinha e isso não era crime. Somos de um tempo que ter apelido era regra, não exceção. Somos de um tempo em que era possível se divertir sem machucar ninguém e que as coisas (principalmente na infância) não eram tratadas com tanta radicalidade e rigidez.

Talvez soe estranho ouvir de duas mães esse tipo de argumento mas, na verdade, defendemos apenas que a vida possa ser mais leve, com mais brincadeiras (saudáveis, claro) e boas lembranças.

05 de maio de 2011

Para nossas mães ouvirem

Para nossas mães ouvirem

Aproveitamos para dizer o que sempre faltou oportunidade

Todos os anos, o texto que trata do Dia das Mães é, sem dúvida, um dos mais difíceis de fazer. Primeiro porque todo ano precisa ser diferente dos anteriores e segundo porque nos recusamos a caminhar sem sair do lugar e continuar repetindo o de sempre: "detestamos ganhar fogão de presente", "hoje sabemos o quanto somos parecidas com nossas mães" e "a maternidade não é somente um atributo, mas um modo de ver o mundo".

Dessa vez, depois de um "amplo" debate, decidimos que vamos aproveitar a chance e o espaço para dizer às nossas mães o que sempre tivemos vontade e nunca tivemos coragem, ou melhor, vamos tentar...

Em primeiro lugar, "Eu te amo". É impressionante como a nossa geração padecia de bloqueios que nos impediam de falar abertamente com nossos pais sobre "amor". Talvez um pouco pelo modelo tradicional de relação imposto a elas e que impediam a manifestação de carinho sem que isso parecesse fragilidade. Hoje, com nossos filhos, entendemos que dizer "eu te amo" fortalece os laços e não ameaça a autoridade.

Aproveitamos também para agradecer todas as vezes que recebemos um sonoro "não" quando era para "o nosso bem". Pena ter demorado um pouco para enterdermos isso. Agradecemos ainda por termos sido impedidas de tomar decisões que hoje poderiam ser hoje arrependimentos nossos.

Mas também temos reclamações. Reclamamos pelas vezes que nossos conflitos existenciais não foram valorizados como gostaríamos, pelas vezes que ficamos de castigo pela malinação de nossos irmãos, pelos dias sem televisão, pelas noites que fomos obrigadas a dormir cedo para acordar de madrugada e ir à escola, etc. (Ops, que nossos filhos não leiam isso...)

Precisamos dizer também que sabemos que nossas mães não são infalíveis, como elas bem sabem, mas queremos que saibam também que os erros pequenos e grandes cometidos por elas já foram perdoados. É que agora que somos mães entendemos que a maternidade é cercada de dúvidas, questionamentos e inseguranças. Então o que queremos dar de presente às nossas mães hoje é a liberação de qualquer culpa que elas por ventura ainda carreguem em relação à gente. E para elas e todas as mães, desejamos um dia mais leve, com menos culpa e mais afeto.

18 de abril de 2011

Preservação da escola

Preservação da escola

Preferimos pensar na escola como um lugar seguro e necessário

Não, ninguém mais aguenta ouvir falar da tragédia do Realengo. Além de trazer os componentes básicos para se transformar em um grande caso para a imprensa - vítimas inocentes, vilão que se mata sem responder o porquê de seu ato, comoção pública -, o caso acaba por nos levar a refletir sobre várias questões.

Em primeiro lugar, é lógico que todos se perguntam o que leva alguém a agir da maneira que Wellington Oliveira. Seria fácil responder simplesmente loucura. Mas a loucura sempre vai existir. E o que temos que pensar mesmo é no acesso à saúde, principalmene à saúde mental, que nos parece ainda mais negligenciada em nosso país.

Outra questão que vem sendo discutida com mais frequência esses dias é o desarmamento. Se não existissem armas nas mãos de civis, viveríamos mais seguros. Mas como desarmar os bandidos?

Começa-se a discutir também a segurança nas escolas. Porque todos os dias pais e mães mandam seus filhos para colégios públicos ou privados acreditando que eles estarão, no mínimo, "em boas mãos". E quando um caso como o de Realengo toma conta das nossas TVs, jornais, da imprensa em geral, invadindo nosso cotidiano, acabamos por nos deixar tomar pelo medo de que algo assim aconteça a nossos pequenos.

O pânico que se segue a um acontecimento assim acaba por cegar alguns para o que realmente merece ser discutido e vemos em filas de banco, supermercados e nas salas de espera de consultórios médicos pais e mães defendendo o uso de detector de metais em escolas e outros artefatos do gênero.

Sabemos que a questão da segurança não é simples e que a complexidade do problema mostra que não há solução única. O que acreditamos, com certeza, é que não vamos jamais incorporar o colete à prova de balas ao uniforme escolar de nossos filhos, e nem ver a eles e a seus colegas serem revistados todas as manhãs na entrada do colégio. É preciso que discutamos, sim, a questão da segurança nas escolas, mas é preciso bom senso para não confundir causas e efeitos.

Somos de um tempo em que o ambiente escolar era aquele que tinha gosto de salgado com refrigerante, tinha recreio agitado, corrida para chegar antes dos colegas na fila da cantina, conversa com o vendedor de batata frita e, acima de qualquer outra coisa, segurança. Podíamos até inventar dor de barriga de manhã cedo para tentar faltar a escola ou ainda dormir com farda para poder dormir mais um pouquinho, mas nunca nos faltou a certeza de que a escola era um caminho necessário - fundamental. É isso que nós queremos que nossos filhos vivam, somente. Sem armas nem detectores de metal.

03 de abril de 2011

Sempre semipronta

Sempre semipronta

Sem script fechado nem fim programado, os dias são repletos de imprevistos

Pronto, a tarefa das crianças está feita e na mochila, mas amanhã vem mais um tanto de atividades para fazer. Pronto, estamos com o cabelo arrumado, unhas feitas e sobrancelhas alinhadas, mas sabemos que na próxima semana tudo precisa ser refeito. Pronto, conseguimos zerar as pendências da agenda e cumprimos todas as tarefas, mas sabemos que amanhã tudo começa do zero, ou melhor, com pelo menos dez itens a cumprir.

Pronto, o guarda-roupa está arrumado de acordo com as cores das roupas, mas sabemos que no final da próxima semana estará tudo embaralhado de novo, afinal, não teremos paciência para colocar cada peça no lugar certo durante a semana. Pronto, o supermercado está feito e, por mais uns dois ou três dias, não vamos precisar passear entre aquelas gôndolas. Pronto, mais algumas páginas da dissertação estão escritas, mas na próxima semana o orientador vai mandar trabalhar melhor o autor X ou incluir a autora Y. Pronto, terminamos de ler aquela reportagem que tínhamos separado mas que não tínhamos conseguido parar para ler.

Pronto, agora poderemos narcotizar o estresse assistindo a uma novela ou um episódio do seriado que gostamos. Pronto, já podemos apagar as luzes da casa, trancar as portas e nos entregar ao sono. Pronto, podemos experimentar mais uma noite de insônia pensando na nossa incapacidade de gerenciar tudo.

Pronto, precisamos admitir que nunca estaremos prontas e, claro, nunca teremos tudo pronto. O recomeço está em cada começo de dia ou de noite. Se a cada dia o nascer do sol nos lembra que temos mais 24 horas para preencher, não deixa de ser um lembrete também de que temos atividades sem fim para terminar e que 24 horas nem sempre são suficientes. E que, para falar a verdade, se entre cada nascer do sol tivéssemos 10 horas a mais, encontraríamos mais vinte coisas inadiáveis para fazer.

Essa incompletude tem tons de angústia e de agonia, mas não poderia ser mais estimulante. Sem script fechado nem fim programado, os dias são repletos de imprevistos (às vezes bons, outras vezes nem tanto), mas que fazem com que cada dia tenha cheiro e sabor de desafio.

"A fibra tropeça no muro
força a costura na prática
alinhava a próxima esteira.
Viver exige esforço
prematuro
e sangue quente
de guerreiro".
Por Simone Aver

27 de março de 2011

Com que lente olhar?

Com que lente olhar?

Sexo é o tipo de assunto que pode ser discutido sob diversos prismas

Sabe aquela história de que cada ponto é um ponto dependendo do lugar de onde você olha? Pois bem, o sexo parece ser um tema do tipo variável conforme a lente usada para observar. Vamos explicar melhor nossa "teoria".

Para algumas religiões, o sexo é tão somente o meio necessário para procriar, enquanto para outras religiões é catarse, método de cura. Para algumas revistas é tema, para outras é tabu. Para alguns filmes é imagem (e som...), para outros é ausência de imagem (e silêncio). Para alguns homens é desejo, para outros é isso e mais alguma coisa. Para mulheres que passam o dia trabalhando pode ser dor de cabeça ou uma pausa do estresse. Para crianças é mistério e para adolescentes é descoberta.

Enfim, por mais que se fale no assunto, sempre será possível tratá-lo de formas diferentes, dependendo da ocasião. Assistindo ao filme Bruna Surfistinha, sucesso do cinema nacional, percebemos mais uma vez que o sexo pode ser uma escolha, boa ou não, mas uma escolha. O filme conta a história de Raquel, uma jovem de classe média que tinha relações conflituosas com a família e na escola, e percebeu que o sexo poderia ser um meio para custear sua vida como bem desejasse - sem regras, sem as críticas do pai e sem o olhar de reprovação do irmão.

Ela, aos 18 anos, decidiu um dia sair de casa e tornar-se prostituta, ou melhor, uma profissional do sexo, que depois viraria a famosa Bruna Surfistinha. A decisão, um tanto radical - obviamente, mostra o sexo de uma forma bem objetiva, sem os pudores como costuma ser tratado e sem a complacência de quem sempre tem na ponta da língua a justificativa "faz por necessidade" quando se trata do assunto prostituição.

No filme, Surfistinha cobra por um "serviço" e o faz com a certeza de que é este ofício que vai pagar suas contas, suas roupas caras e realizar os sonhos cultivados. Porém, mesmo sem qualquer arrependimento e com a clareza do que representa sua decisão, Bruna demora a perceber como essa relação pragmática e financeira altera um aspecto da vida que costuma ser sinônimo de prazer e troca.

E isso sim parece ainda persistir como um assunto difícil de discutir: o que esperamos do sexo e como estamos dispostos a lidar com ele.

13 de março de 2011

Quebrando ovos e estereótipos

Quebrando ovos e estereótipos

Presidente Dilma Rousseff faz omelete e discute reajuste do salário mínimo

Vamos tentar fazer um exercício. Em primeiro lugar, é preciso fechar os olhos (ou melhor, um olho, para não interromper a leitura) e imaginar como seria uma pessoa que carrega sobre os ombros o peso de conduzir uma nação de milhões de pessoas, composta por múltiplas raças, marcada por estupendas desigualdades sociais, culturais e econômicas. Somado a isso, pense também que essa pessoa precisa ter a capacidade de lidar com conflitos internacionais, disputas comerciais entre países aliados, entre forças políticas, etc.

Pois bem, até semana passada também achávamos que se tratava de uma pessoa (homem ou mulher) com a sisudez e a distância da rotina de uma pessoa comum que as responsabilidades de comandar um país parecem exigir. No entanto, ao assistir a um programa matinal de culinária, fomos surpreendidas pela presidenta Dilma Rousseff quebrando ovos e conversando com a apresentadora sobre o possível retorno da CPMF e sobre a política de reajuste do salário mínimo nacional aprovada pelo Congresso.

Com a naturalidade de quem faz omeletes em casa, inclusive para improvisar diante dos deslizes inerentes à experiência culinária, a presidente (é difícil acostumar com presidenta) mostrou que não se trata de uma função/ocupação masculina e que, portanto, ela não precisa ser tomada pelo estereótipo do gênero masculino para ter seu trabalho reconhecido. Dilma mostrou, com a delicadeza de quem quebra ovos em rede nacional, que ser presidente é uma ocupação que exige competência - ponto.

Seja homem ou seja mulher, o que faz a diferença não é a altura da voz, o medo que é capaz de impor ou a força aplicada ao bater na mesa. A diferença está na maneira de conduzir as coisas, no diálogo e no respeito consquistado - e isso não é uma questão de gênero, mas de educação.

Ao ir a um programa ao vivo, transmitido para todo o país para cozinhar e falar sobre suas decisões, a presidente Dilma Rousseff quebrou a visão prevalente no senso comum de que ela teria - obrigatoriamente - de dar continuidade a modelos anteriores de gestão, esquecendo inclusive de quem ela é.

Isso reafirma nossa convicção de que hoje a questão não é mais a "ascenção" da mulher ao mercado de trabalho, o avanço feminino nas universidades ou a invasão feminina nas atividades antes consideradas seara masculina.

Conquistamos sim o mercado de trabalho e já demos todas as provas de que somos capazes de desempenhar qualquer tarefa. O que precisa ser entendido agora, por homens e mulheres, é que não precisamos vestir terno, usar gravata e ter bigode para usufruir o reconhecimento do nosso trabalho. Continuaremos preocupadas com o cabelo, com os filhos e com a carreira.

06 de março de 2011

Múltiplas fantasias

Uma brincadeira que pode mostrar aos homens um pouco do que é ser mulher

Em pleno carnaval, não tem como não fazer uma brincadeira com o que há de mais representativo na folia de Momo - as fantasias. A festa - uma das mais democráticas do país - permite que "reis" usem roupas de "plebeus" e vice-versa. No entanto, uma das brincadeiras mais frequentes do carnaval é a troca de sexo, ou melhor, é ver homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homem. É comum ver pelas ruas, mesmo que por algumas horas, alguns corajosos experimentando pular o carnaval sobre saltos agulha, usando meias arrastão, unhas pintadas, cílios postiços e maquiagem no rosto.

Na brincadeira, sempre muito divertida, é possível perceber a dificuldade deles em entender o universo feminino. Além de (normalmente) transformarem-se em exemplares horríveis do que seria uma mulher, eles experimentam as dores do sapato desconfortável, os pudores causados pela vestimenta e, principalmente, a ideia de ter que lidar com tudo isso sem perder o charme. Claro que isso não é um resumo do que é ser mulher ou do que é ser feminina, mas dá gosto ver os marmanjos brincando com isso.

Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, que esse ano será exatamente na terça-feira de Carnaval, que tal se os marmanjos levassem a brincadeira a sério e tentassem se colocar no lugar das mulheres? Não só sentir o desconforto do salto alto, mas entender o equilíbrio imprimido em cada passo. Não só ostentar a peruca de longos cabelos, mas tentar compreender que cabelos longos não significam ideias curtas. Não só usar maquiagem, mas entender os mecanismos que fazem com que tentemos parecer mais bonitas. Não só experimentar por um dia usar vestido, mas tentar se colocar verdeiramente em nossa pele. Não só carregar uma bolsa pesada por estar cheia de coisas "essenciais", mas também perceber que nosso estado de alerta constante reflete nossa preocupação incessante com todas as tarefas diárias. Não só decidir qual será o almoço ou a prioridade da faxina do dia, mas perceber que mesmo nos esforçando muito, às vezes, falhamos.

Se os homens tentassem fazer isso, talvez teríamos uma sociedade mais igualitária, mais humana. E a alegria do entendimento mútuo seria o nosso verdadeiro carnaval.