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Notícias M³

04 de julho de 2013

Na fila do botox

Na fila do botox

Do botox para o cérebro desejado por Marieta Severo, nós também queremos!

âVejo tanta gente preocupada em botar botox na testa. Eu queria poder colocar botox no cérebro! Tenho verdadeiro pavor de perder a capacidade mental, é isso o que mais me assusta quando penso na velhice. Quero ser uma atriz velha com capacidade de decorar um texto, quero ser lúcida na vida e na famíliaâ. Nem devia ser preciso destacar essa declaração da atriz Marieta Severo. No mundo ideal, o normal seria as pessoas se preocuparem com os efeitos que a passagem do tempo pode ter em suas mentes e espíritos, e não em seus corpos.

Mas o fato de que a declaração da atriz, feita em entrevista à revista Gol, tenha sido replicada exaustivamente em redes sociais só nos mostra o quão distantes estamos desse mundo perfeito em que o pensar e o sentir tenham mais valor que atributos físicos.

Muito fácil pensar em mulheres mulçumanas por baixo de suas burcas como vítimas de um sistema patriarcal que lhes tira o direito ao corpo e lhes torna cidadãs de segunda classe. Mas bem mais difícil pensar que a ditadura do corpo perfeito, da pele lisa, dos músculos rijos se insurge contra nós, mulheres do âcivilizadoâ mundo ocidental, de forma talvez tão intensa quanto o que acontece com as mulheres afegãs. 

A verdade é que nos tornamos prisioneiras das normas defendidas por nós mesmas. Seremos felizes se estivermos magérrimas, sem rugas, sem cabelos brancos, com os cabelos sedosos e a pele reluzente.

A embalagem, infelizmente, tem ocupado o conteúdo e imposto uma série de cobranças e sacrifícios pouco racionais. à claro que não estamos defendendo aqui o abandono total da aparência nem a abdicação da vaidade.

Porém, mais que desejar envelhecer com o rosto plastificado ou como uma imagem congelada (literalmente), desejamos ter o orgulho de sentir o tempo passando com a intensidade da vida bem vivida. Que as rugas que a gente tenha um dia reflitam os sorriso que demos e as preocupações que tivemos com o que realmente importa. Que as marcas do nosso corpo revelem o bom uso que fizemos dele. Simples assim. 

22 de junho de 2013

O gigante acordou

O gigante acordou

Nas ruas, na TV, nos jornais, no radio e, é claro, nas redes sociais não se fala de outra coisa: o Brasil acordou.

Nas ruas, na TV, nos jornais, no radio e, é claro, nas redes sociais não se fala de outra coisa: o Brasil acordou. De âdeitado eternamente em berço esplêndidoâ a âverás que um filho teu não foge à lutaâ, o status do brasileiro mudou, e não só nas redes sociais. Houve quem, a princípio, se referisse ao movimento que se iniciava como âmanifestaçãozinha de facebookâ.

  Depois que as ruas de onze capitais â fora outras cidades menores â foram tomadas de pessoas, fica difícil acreditar que não se trate de um movimento legítimo que, ao contrário do que alguns pensam â não saiu da internet para as ruas, mas saiu do coração inconformado do povo e tomou redes sociais e cidades reais.

  Não, não se trata de vinte centavos. Trata-se, sim, da indignação de um povo que se vê privado dos direitos mais básicos, como saúde e educação, mas que ao mesmo tempo vê um governo que investe milhões em estádios.

  O gigante acordou. A insatisfação guardada por anos parece ter fermentado dentro de cada um dos brasileiros e agora finalmente explodiu, sob uma única bandeira: a brasileira. Sem uma orquestração partidária ou um direcionamento ideológico, jovens, adultos, idosos, engravatados e desempregados; homens, mulheres e transgêneros; estão caminhando para dar um recado muito claro: não somos os idiotas que teimam em pensar que somos.

  Apesar de todos os ruídos paralelos destoantes, dos atos violentos emergentes da massa e até mesmo daqueles que caminham sem saber o que fazem ou onde pretendem chegar, as manifestações pelo Brasil marcam um momento importante exatamente por mostrar que o povo é o verdadeiro patrão e, como tal, precisa ser respeitado. O Estado, as instituições e os representantes eleitos pelo voto esquecem disso assim que os holofotes da campanha eleitoral se apagam, mas as imagens dos cartazes em punho, das centenas de milhares que caminham sobre pontes e avenidas impõem de um lado a noção de que o brasileiro descortina o âjogo do contenteâ e nem mesmo o futebol nos faz dormir e esquecer as agruras de ser brasileiro. Por outro lado, ver essa reação coletiva, consciente e politizada ao menos por grande parte dos âcaminhantesâ renova também a esperança de que um dia não teremos mais políticos eleitos pelo voto comprado ou trocado. Esse é o nosso desejo.


14 de junho de 2013

De estupradores a pais

Quando o nascituro for fruto de um estupro

Muito se falou nas últimas semanas sobre o estatuto do nascituro. O texto em questão foi aprovado no último dia 05 pela Comissão de Finanças do Congresso Nacional e deve seguir ainda para a Comissão de Justiça, antes de ir a Plenário para apreciação dos parlamentares.

Mas afinal, do que trata o estatuto do nascituro? Em primeiro lugar, vamos à definição da lei sobre o que seja um nascituro: âé o ser humano não concebido, mas ainda não nascido. O conceito de nascituro inclui os seres humanos concebidos âin vitroâ, produzidos através de clonagem ou por outro meio científico e eticamente aceitoâ.

Em resumo, um espermatozoide e um óvulo se encontraram e eis que surge a personalidade jurídica batizada de ânascituroâ. Segundo o projeto de lei em questão, o nascituro teria direito à vida e integridade física, mesmo em se tratando de uma elucubração filosófica. (Sim, a vida começa quando mesmo?).

Ah, mas e se o nascituro em questão for fruto de um estupro? O que fazer? O estatuto prevê que a mulher que carrega essa âvidaâ terá direito a uma pensão alimentícia de um salário mínimo até os 18 anos do rebento. Porque, obviamente, a mulher estuprada quer abortar por falta de grana e não porque não quer criar uma criança gerada a partir de uma violência absurda contra ela. E, sim, caso o estuprador seja identificado, o nome dele vai constar na certidão de nascimento, no campo âpaiâ. Porque é ÃBVIO que não basta ter que criar um filho gerado em estupro, tem que ter também o nome do estuprador na certidão, coladinho ao seu.

Parece-nos que os nossos representantes no Congresso, e essa culpa precisamos carregar, acreditam mesmo que as âBolsasâ da vida são capazes de resolver todo e qualquer problema, de qualquer ordem. Remunerar a mulher para criar um filho concebido a partir de um estrupro, sem dúvida não fará com que ela consiga olhar, cuidar e amamentar esse bebê sem se lembrar das cenas de extremo horror que viveu. O vínculo entre mãe e filho, na nossa simples experiência, não é algo que parece estar em negociação, como num balcão. à como se dissessem: âVocê foi estuprada e, possivelmente, a culpa foi sua. Mas, mesmo assim, se você ficou grávida (e isso é problema seu), nós vamos te dar uma âajudaâ aqui pra você criar a criança (inocente, nós sabemos) ao menos até os dezoito anosâ. Pra gente, uma proposta nestes termos é simplesmente inominável.

Novamente, aqueles ditos nossos representantes estão levando suas convicções pessoais (religiosas ou não) pra frente do que deveria ser de fato combatido, debatido e defendido por eles. A questão não seria definir ações concretas para punir com maior rigor os estupradores ao invés de dar-lhes filhos? Se a penalidade para esses monstros fosse proporcional ao dano causado, eles continuariam achando que podem obter por meio da violência a realização sexual? E mais, será que os proponentes dessa ideia estapafúrdia não pensam que para esses criminosos a concessão de bolsas às vítimas reduz ainda mais qualquer possibilidade de culpa pelo crime?

Não somos legisladoras, mas realmente entendemos que é necessário pensar em projetos que de fato representem o interesse da população. Este, para nós, é uma agressão.

01 de junho de 2013

Portadores de saudade crônica

No Facebook, uma amiga propunha criar a Associação dos Portadores de Saudade Crônica.

No Facebook, uma amiga propunha criar a Associação dos Portadores de Saudade Crônica. Rapidamente eu e mais uns quinze nos candidatamos a membros da dita associação. No atual momento, me arrisco a dizer que eu poderia ser a presidente da APSC. Desde março vivo a uma distância de 2.603 quilômetros dos meus filhos, da minha casa, dos meus pais, das minhas referências, dos meus amigos e de tudo o que de mais importante tenho na vida.

Um doutorado em trouxe ao Rio e, junto com a alegria de estar realizando um sonho, veio também o preço da realização do mesmo: a saudade. Mas pensando bem, antes mesmo de vir para o Rio eu já vivia imersa em saudade. Não, a saudade não é coisa nova na minha vida - faz muito, muito tempo que não vivo sem saudade. Conclusão óbvia: crescer é aprender a administrar saudades.

Enquanto nosso círculo social e afetivo é pequeno, restrito à família imediata, é fácil ter todo mundo que a gente quer por perto. Vamos crescendo e multiplicando afetos, construindo laços e abrindo oportunidades para as saudades. Sim, saudades no plural. Porque elas são muitas e diversas. A saudade que sentimos de um amor não é a mesma que sentimos dos nossos pais, nem a mesma que sentimos dos nossos filhos e nem a mesma que sentimos dos amigos queridos. Existem saudades e saudades â todas dolorosas, embora algumas sejam mais quietinhas que outras. Tem saudade até da gente mesmo â de quem a gente já foi e não é mais. Tem saudade do que não aconteceu, do que a gente queria ter vivido, do que a gente passou tão perto, bateu na trave e não viveu.

Tem saudade de todo tipo. Só não existe é saudade boa. Porque saudade é sempre esse grilinho incomodando â tá você ali todo feliz com uma conquista e pensa como sua avó ia ficar feliz de te ver chegando onde você queria, ou como aquele seu amigo que sempre torceu por você está agora tão longe, mas tão longe que você já nem consegue lembrar bem de seu rosto.

Sim, somos todos membros da Associação dos Portadores de Saudade Crônica. Esse é parte do preço que pagamos por crescer, por amar, por partilhar nossa vida e nossos afetos. E, por mais doloroso que seja, melhor a saudade do que a falta de afeto. Se a saudade é o efeito colateral de distribuir amor por aí, que venham ainda muitas saudades pra mim. 

27 de maio de 2013

Quanto maior a bolsa, maior a bagagem

Como a maioria das mulheres, vivemos a máxima “uma mulher prevenida vale por duas” ao extremo e, na prática, valemos por pelo menos cinco.

Admiramos muito quem consegue carregar bolsas pequenas, leves, funcionais. Bolsas que contém somente o que é estritamente necessário ao dia a dia. Sem blocos com anotações antigas, cinco canetas ao invés de uma, maquiagem que não teremos tempo de usar no meio da correria, pinças, tesourinhas, linha e agulha, pen drives cheios, várias cores de batons, perfume, etc.

Como a maioria das mulheres, vivemos a máxima âuma mulher prevenida vale por duasâ ao extremo e, na prática, valemos por pelo menos cinco. Pensamos que se cair comida sobre nossa roupa, teremos lencinho umedecido para limpar. Se um botão cair, teremos um kit emergência. Ah, mas se o problema for dor de cabeça, não precisaremos ir a uma farmácia (existente em quase toda esquina), temos uma dentro da bolsa. Se, se...

Esse âseâ é, para a maioria de nós, um âestou pronta pra guerraâ. Viver não é simples e encaramos o desafio tentando nos precaver de tudo. Quando nos tornamos mães, acrescente à lista de preocupações uma coleção para quando você tiver que levar os pequenos ao trabalho ou mesmo para entretê-los no restaurante. Lenços para caso de gripes e resfriados, amarradores de cabelos para as meninas, entre muitas outras coisinhas.

Viajar, ah, este deve ser um capítulo à parte. Um final de semana fora de casa nos rende malas transatlânticas. Sempre pensamos na necessidade de estarmos prontas para o tempo frio, nem que estejamos indo para Simplício Mendes, ou para o calor, mesmo se o nosso destino for o Polo Norte. à o famoso âvai que...â, né.

Pois bem, somos mortais normais e, como a maioria, temos um quê de loucura quando se trata de se sentir pronta para o que der e vier. Vimos nos últimos dias, uma reportagem no Jornal O Globo sobre a opção por ter vidas mais simples, entenda bem, simples e não simplória. A matéria mostra casos de pessoas que adotaram medidas como não ter tantos eletrodomésticos em casa ou reduzir a quantidade de móveis. Manter os livros em dispositivos como tablets ou kindle, ao invés de encher as prateleiras. Reduzir as contas de e-mail, a presença nas redes sociais, limitar a quantidade de aparelhos celular, aparelhos em casa (blu-ray, dvd, tv por assinatura, etc). Entre outras coisas.

De fato, acreditamos que a vida pode (e até deve) ser mais simples. Sabemos que nós mesmas costumamos complicar bastante a nossa vida à medida em que compramos produto de limpeza específico para cada fim (banheiro, chão da cozinha, pia da cozinha, desengordurante, lustra móveis, etc) quando sabão e água sanitária resolve quase tudo, por exemplo. Mas, também nos perguntamos muito sobre a liberdade de escolher sem amarras, sem restrições, podendo, inclusive, optar por nenhuma das possibilidades postas.

Nóia à parte, toda e qualquer regra nova, até mesmo essa que estaria nos âlibertandoâ do nosso auto boicote estimulado pelo consumo e pela necessidade de ter as coisas, aprisiona em um modo de ver e de se relacionar com o mundo restritivo. Por isso, concordamos com o senhor Leonardo Boff, que diz: âliberdade é capacidade de auto-determinaçãoâ. Ponto.

20 de maio de 2013

Viver é perigoso mesmo

E daí que Angelina Jolie – aquele bocão, aquele corpão, aquele maridão – resolveu tirar os seios.

 E daí que Angelina Jolie â aquele bocão, aquele corpão, aquele maridão â resolveu tirar os seios. Não, ela não tinha câncer de mama. Mas ela sabia, por exames genéticos, que tinha chances de desenvolver o mesmo tipo de câncer que matou sua mãe e outras mulheres da família. Decidiu então radicalizar: mandou cortar fora antes que tumor se manifestasse. Jolie não foi a primeira mulher a tomar decisão tão radical, mas o fato de ser quem é acabou levando a notícia a se espalhar por jornais, revistas, portais e redes sociais. 

A medicina tem avançado de modo a agir de forma preventiva e não mais apenas paliativa/curativa. à possível evitar doenças a partir da adoção de modos de vida e comportamentos: alimentação balanceada, prática de exercícios físicos, etc. Levando a prevenção ao extremo, é possível detectar, através da medicina genética, predisposições a uma ou outra doença e, a partir desse conhecimento, tentar evitar seu surgimento.

à inegável que tais avanços da ciência trazem benefícios. Mas fica aquele grilo cantando ao pé da orelha: não estamos levando tudo isso longe demais? Porque de fato se cada um de nós tiver seu código genético analisado, sempre serão encontradas falhas, predisposições, defeitos.

Uma vez, uma de nós sentiu que o filho ainda pequeno estava um pouco quente. Ao medir a temperatura, foi constatada uma leve alteração, mas que ainda não configurava um quadro febril. Como mãe principiante, a criança foi medicada âpreventivamenteâ mas, ainda assim, a febre veio. Ao conversar com pediatra, um sermão foi recebido de cara: âfebre não se previneâ.

Esse exemplo, somado ao caso da beldade Jolie, ressoa a mesma preocupação: é preciso cuidado até mesmo quando se tratar de ações profiláticas. A ciência e a tecnologia surgiram e continuam se desenvolvendo no intuito de evitar as tragédias, as doenças e os grandes males que podem se abater sobre a humanidade.

No entanto, o antigo desejo da eternidade não estaria se arvorando sobre a ciência?  Será possível mesmo controlar toda e qualquer coisa que possa nos acontecer? Essa ilusão de controle não seria ela mesma uma doença da nossa época? Viver é um risco. Viver mata. Tentar controlar isso talvez seja a forma mais rápida de matar a alegria de nossos dias.

09 de maio de 2013

A minha primeira vez

A minha primeira vez

Nova M³ experimenta seu primeiro Dia das Mães

Viviane Bandeira

Jornalista, mãe da Laura e nova M³

Eu sempre achei que entendia o significado do Dia das Mães. Na minha casa, essa nunca foi uma data meramente comercial, um dia feito para dar presentes. à claro que sempre presenteamos a minha mãe, mas o Dia das Mães em minha casa sempre foi um dia para se estar junto, almoçar juntos, sorrir, aproveitar o tempo. E o presente não precisava ser, obrigatoriamente, comprado. Podia ser um sorriso, um bilhete, uma mensagem, coisas do coração, que o dinheiro não alcança.

Mas a verdade é que, até hoje, eu estava enganada. Vivi trinta e cinco Dias das Mães sem saber realmente o que era. 

Viviane Bandeira e Laura

Há 20 dias eu me tornei mãe. Há 20 dias, sinto a maravilhosa sensação de ter Laura nos braços, observar seus traços e me deliciar com cada pedacinho do dia: as mamadas que duram horas, o chorinho que me corta o coração, as noites insones e as lindas carinhas e bicos que ela faz. E é por esse motivo que posso dizer que, agora sim, sei o que é o Dia das Mães.

Essa data não é mesmo um motivo para sairmos às compras, nem mesmo foi feita para que declaremos o nosso amor por aquela que nos deu a vida (que clichê!). 

Depois da chegada da Laura, eu descobri que o Dia das Mães foi especialmente feito para que nós, mães, celebremos a nossa nova natureza, a mudança de nossa constituição. 

Sim, continuamos a ser mulheres, profissionais, esposas, namoradas, modernas, vaidosas, e mais uma infinidade de coisas que sempre fomos. Mas algo em nosso interior muda profundamente quando nos tornamos mães. Não estou falando de personalidade, de repentinamente você se tornar a mais dócil das criaturas e esquecer de vez seu temperamento difícil, só porque o seu bebê nasceu. Nada disso. Falo da mudança de perspectiva em nosso cotidiano.  

Pelo menos comigo, foi isso o que aconteceu. Desde a notícia da gravidez, essas mudanças de que falo foram gradativamente ocorrendo: era mais importante estar confortável que estar bonita; o cuidado com a alimentação virou rotina; meu ritmo naturalmente acelerado foi reduzido... 

Nada comparado à grande mudança ocorrida no dia 22 de abril de 2013, quando um novo mundo descortinou-se aos meus olhos e eu descobri do que as mães são feitas. 

Há em nós uma força que nos mantém acordadas por dias e dias, mesmo após diversas noites em claro. E mesmo quando estamos cansadas de tanto amamentar-trocar fraldas-acalentar-amamentar-dar banho-por pra dormir-amamentar-trocar fraldas, basta olhar aquela pessoa tão pequenina, aquelas mãozinhas pousadas em nosso seio, que nossos olhos se enchem de emoção e a alegria é tanta que não há o que dizer... 

à para isso que existe o Dia das Mães. Para que possamos festejar por já não sermos feitas de pele, ossos, músculos e órgãos. Toda mãe é feita de alma. à com a alma que ela pensa e age, ri e chora. E é através dos olhos do filho que ela conhece as belezas do mundo. 

Hoje é meu 36º Dia das Mães. O 1º como mãe. E posso dizer que não há, em todo o mundo, presente melhor nem mais valioso que mergulhar nos olhos de Laura, tê-la nos braços, sentir seu cheiro e saber que o amor que nos une é indissolúvel e que eu me apaixonarei todos os dias pelo que ela representa: o mais puro milagre da vida, a essência do amor. 

07 de outubro de 2012

Deus me livre!

Deus me livre!

Mulher Mãe Moderna

Por Natacha Maranhão

Jornalista, M³, mãe da Sabrina

Há alguns dias fiz um desabafo no Facebook nas primeiras horas da manhã. Em pouco tempo, uma enxurrada de comentários e até telefonemas de amigos me fizeram pensar ainda mais sobre o assunto, que era o ensino religioso nas escolas.
Antes que me crucifiquem, que fique claro que eu não sou contra nenhuma religião, respeito todas, até mesmo aquelas com as quais não consigo concordar em nada. Acho que ter uma crença é importante para o ser humano, e acho que criança deve sim, ter noções de religião. Deve acreditar em alguma força poderosa - Deus, Buda, anjo da guarda, Orixás, o Sol - para que tenha a quem recorrer nos momentos de medo, de angústia, e também para que possa saber a quem agradecer quando as coisas boas acontecem.

O meu desabafo foi contra o ensino de "catolicismo" nas escolas, porque na realidade é isso o que acontece. Fiquei chateada ao ver, na tarefa de casa da minha filha de dez anos, a afirmação de que "antes do batismo não somos filhos de Deus, somos criaturas". Fui criada em uma família católica, sou batizada, fiz primeira comunhão e crisma (os dois últimos sacramentos fui ‘obrigada' pelas escolas a receber), eu e meu marido estudamos em escolas católicas a vida toda, mas hoje não seguimos mais a religião católica, principalmente por discordar de muitas coisas. Mas respeito. Respeito tanto que sou madrinha de batismo de dois sobrinhos, a quem amo como filhos. Sabendo da minha orientação espírita, meus irmãos me escolheram como madrinha por terem a certeza de que mais do que um juramento na frente do padre, eu teria amor, cuidado e carinho por seus filhos.
Minha filha não é batizada. Quando ela nasceu eu já não frequentava a Igreja havia anos, não vi sentido em batizar. Mas ela tem padrinho e madrinha que a amam, cuidam, protegem e orientam.

O que li na tarefa de casa dela me incomodou porque eu a considero tão filha de Deus quanto o Papa Bento XVI ou qualquer um de nós. Não concordo que quem não é batizado pela Igreja Católica seja uma "criatura". Os evangélicos não batizam suas crianças, então elas são criaturas até atingirem a idade adulta? Não, não são. São filhas de Deus, como as crianças espíritas (a minha) e as umbandistas também são.

Não acho que o ensino religioso deva ser retirado das escolas, mas existem outras formas de falar de religiões, sem doutrinamentos, sem falar de pecado e castigo. Existe um lado muito bonito nas religiões, que é a fé das pessoas, os ensinamentos positivos, as noções de caridade, de amor e respeito ao próximo. Isso cabe no currículo escolar.

04 de outubro de 2012

Olho mágico

Mulher Mãe Moderna

Antonio tem seis anos, a voz rouca e um olho de porcelana. Sim, ele usa uma prótese ocular porque teve câncer de retina ainda bebê, e perdeu o olho direito. Perdeu o olho, ganhou a vida e uma coragem de guerreiro.

Desde que ele começou a usar a prótese ocular, nos preocupamos em como ele lidaria com isso, como reagiria à curiosidade e à crueldade de outras crianças. Adotamos a política da sinceridade total e da naturalização do fato: não escondemos de ninguém que ele usa prótese, não o obrigamos a usá-la se ele não estiver a fim e, principalmente, o incentivamos desde bem pequeno a falar a respeito para quem quer que pergunte. Foi o caminho mais autêntico e eficaz que encontramos para que ele não crie complexos ou se sinta diferente.

A bem da verdade, já fomos criticados por palavras e por olhares enviezados por adotar essa postura diante de uma doença cujo nome as pessoas têm medo de falar, disfarçando em eufemismos ridículos, típicos de gente covarde: C.A., aquela doença feia, etc. Aqui em casa, câncer é câncer, e se vence com briga. Antonio não só venceu, como venceu sorrindo.

Sempre que Tonton entra em um novo grupo social, esperamos o momento em que ele vai tirar a prótese e encarar as perguntas a respeito. Foi assim na nova escola, onde ele começou a estudar esse ano. Antes do início das aulas, conversei com a professora, expliquei a situação, mas expliquei principalmente como lidamos com o fato: sem dramas, sem pena, sem super proteção.

Tivemos a prova de que escolhemos o caminho certo ao saber do seguinte episódio ocorrido na escola semana passada. Durante o acolhimento, que é o momento em que as crianças chegam à escola e são recepcionadas pelos funcionários, as professoras perceberam uma movimentação diferente: algumas crianças corriam na direção de Antonio, outras corriam para longe. Ao chegar perto para averiguar, a professora descobre que Tonton tinha tirado a prótese e estava mostrando pros colegas e se divertindo em assustar alguns deles. Depois do ocorrido, as professoras juntaram as crianças em uma roda e pediram que Antonio explicasse a situação. Ele contou para os colegas porque tem um "olho mágico" e todos seguiram para as salas, sem que isso se tornasse um grande evento.

A professora achou que iam chover anotações nas agendas, de mães preocupadas com o que os filhos chegariam em casa contando. Mas nada foi relatado à escola, porque as crianças certamente assimilaram o fato como algo corriqueiro. Quando perguntei a Antonio porque ele não me contou o ocorrido, ele me saiu com essa: "Ah! E era pra contar? Eu tava só brincando de assustar, mãe"

26 de setembro de 2012

Meu filho chupa dedo. E daí?

Mulher Mãe Moderna

Por Josélia Neves

Designer, M³ e mãe do Bento

As dúvidas sobre como ser uma boa mãe nos transformam, viram um "ou língua ou beiço", como meu pai diz. Nem sei como, mas sei fazer a tal papinha que tanto me assustava cozinhar. Sei quando o meu Bem tá só cansado, quando é só fome e quando aquela caretinha esconde o soninho. Sei até quando ele tá fazendo aquela birra pra dormir que toda criança faz e que acho certo. A gente é que fica adulto e esquece a importância de dormir, aprende que não se pode dar descanso ao corpo e nem à mente e muito menos perder aquela chance de guardar nas nossas memórias maravilhosos sorrisos e dengos que nós mães, tenho certeza, vemos mais que as outras pessoas.

Meu filho chupa dedo. E daí? Tentei a chupeta, já sei dos dentes, seeeeeeei que acham melhor o bico, seeeeei que podia insistir (insistir mais é redundante?), mas sabe de uma coisa? Meu filho chupa dedo e não é porque acho lindo ou porque é o charme da vovó, mas unicamente porque eu tentei seguir as regras e vi que aquilo é realmente dele. Sigo outra máxima: a escola para uma pode não ser boa para outra criança.

Estou conhecendo-o, aprendendo sobre criatividade e flexibilidade. Não penso sobre hora boa ou ruim para ele ter vindo, mas sobre que lugar dou a ele na minha vida. Nada de ficar pensando no que é certo e errado. Como é algo sem volta, o lance é ser verdadeira com o que penso, sinto e acredito. Só quero ser um bom modelo e não um exemplo, um modelo bom.
Me desculpo todos os dias, mas uma coisa sei: quando sento com ele no chão e a gente ri, aquilo sim é ouro. Luz pra Elizabeth Monteiro (A culpa é da mãe - reflexões e confissões acerca da maternidade) quando ela diz que a maternidade pode ser menos árdua, e prazerosa.

O meu Bento existe, é a nova Josélia.
É meu motivo, desculpa, razão, gosto pra tudo. Até nas comidas tem Bento.
É meu melhor sono de costela, é aquele melhor sorriso do dia, o primeiro café quentinho.
Ele é aquele abraço, aquele bolo de chocolate no meio da tarde e, numa dificuldade, a chance de aprender algo novo, às vezes assustador, mas novo. E lindo.

16 de setembro de 2012

Os limites da proteção

Mulher Mãe Moderna

"Assaltantes invadem Casa Lotérica e fazem reféns no bairro Mafuá", "Mulher é feita refém após discussão em ônibus coletivo", "Filho de ex-vereador de Teresina é assinado a facadas". Essas são algumas das manchetes que estamparam as homepages de portais de notícias de Teresina. Não que a violência urbana seja novidade, mas o fato é que é nesse mundo que estamos criando nossos filhos e é preciso prepará-los para o que lhes espera.

Ao mesmo tempo em que tentamos protegê-los, evitando lugares que possam representar riscos, adiando ao máximo a idade em que pegarão ônibus sozinhos ou mesmo andarão de bicicleta na rua, a verdade é que não podemos protegê-los nem mesmo da sensação de insegurança que rodeia a todos nós. A percepção de que o mundinho que os rodeia não é tão seguro quando tentamos propor a nossos filhos logo se mostra quando os pequenos se deparam com situações reais de violência.

Na última terça-feira, um assalto em um ônibus, com direito a refém e assaltante feridos, rendeu olhos assustados e uma conversa franca com um adolescente de 14 anos e uma criança de 8. O assalto aconteceu na frente da escola e, embora eles estivessem protegidos pelos muros da instituição, foram atingidos pela sensação de que o mundo não é um lugar tão seguro assim.

Foi preciso explicá-los que essas coisas acontecem, que há pessoas que assaltam, pessoas que matam, pessoas que ferem. É claro que a pergunta "por quê?" foi repetida infinitas vezes, e para ela não há respostas simples. Tão difícil quanto tentar achar explicação simples para a violência urbana foi ter que explicar aos pequenos como se precaver dela. "Não discuta com assaltante, filho. Entregue tudo o que ele pedir. Não importa se o celular é novo: celular a gente compra outro; sua vida, não. Fique calmo. Lembre que talvez o assaltante não tenha nada a perder em lhe ferir. Não olhe nos olhos. Obedeça." Dureza dar essas instruções quando queríamos garantir que o mundo em que eles vivem é um lugar seguro.

Infelizmente, a redoma que tanto desejaríamos construir para nossos filhos mostra logo sua fragilidade quando eles precisam encarar a vida de frente e dar alguns passos sozinhos.
Além de dar todos esses conselhos e orientações, o máximo que nos cabe é rezar para que estejam bem e que ninguém lhes faça mal. E só.

27 de agosto de 2012

Começou com o gelol

Um comercial de Gelol fez história com a célebre frase " não basta ser pai, tem que participar"

Nos anos 80, um comercial de Gelol fez história com a célebre frase " não basta ser pai, tem que participar". Mudanças lentas, mas profundas, reconfiguravam as figuras paternas e maternas nas famílias brasileiras. As mulheres/mães buscavam cada vez mais o trabalho fora de casa e com isso os homens/pais passaram a ser exigidos nas tarefas relativas aos filhos. O bordão de Gelol de fato "pegou", por refletir uma época de transformação nas relações familiares. Agora se esperava dos pais mais que o sustento financeiro dos filhos e da família.

Esperava-se que pudessem cuidar dos filhos, apoiá-los e realizar algumas daquelas tarefas que antes eram reservadas apenas à mãe. Do pai disciplinador e provedor passa-se a um pai mais presente e afetivo, embora as obrigações com os filhos continuassem sendo desempenhadas em sua maioria pelas mulheres.

Três décadas depois, nos deparamos com algo impensável à época dos pais Gelol: pais que decidem cuidar sozinhos de seus filhos, sem a ajuda das mães. Exemplo disso é o professor Marcos Antonio Mendonça Melo, de Campinas-SP. Ao saber que a namorada estava grávida, mas não queria ser mãe, o professor decidiu cuidar do bebê sozinho. Consegui na Justiça o direito à licença-paternidade de quatro meses, e assim pôde cuidar do pequeno Nicolas, que hoje já tem 6 meses.

Em um comovente relato em primeira pessoa, Marcos Antonio contou ao portal Folha as dificuldades dos primeiros dias com o bebê, as noites sem dormir, as cólicas do filho. Em suas palavras, nada de novo para nós: a sensação de que completo desamparo que acompanha as mães de primeira viagem, o medo de não dar conta do bebê, de não entender suas necessidades. A única diferença aqui é que temos um homem nessa posição.

27 de maio de 2012

(Ab)uso absurdo

(Ab)uso absurdo

Contra crianças e adolescentes

Não é necessário recorrer a qualquer dicionário de Língua Portuguesa para entender que abuso pressupõe o uso extremado, inadequado, exacerbado, indevido. Um usuário mediano da língua compreende bem o sentido proposto a partir do termo.

Partindo deste entendimento prévio, partimos da questão da nomenclatura ou referência, para perceber que o "abuso de crianças e adolescentes" já parte de uma noção absurda de que é permitido fazer uso deles. É como se estivesse cristalizada a ideia de que as crianças pudessem ser manipuladas, ordenadas e conduzidas esquecendo de que elas são sujeitos - na medida do possível e de sua idade (obviamente) - de sua própria vida e, principalmente, de que não são objetos disponíveis ao uso.

Talvez em outro tempo, quando os pequenos não tinham o direito à voz diante dos adultos, o uso (ou abuso) fosse considerado corriqueiro. No entanto, em pleno século XXI, um depoimento franco, sincero e emocionado da Xuxa relatando as violências que sofreu durante sua infância, revolta e faz trincar qualquer silêncio a que os casos de abuso contra crianças e adolescentes pudessem estar submergidos no Brasil até os dias de hoje.

O depoimento de uma mulher que é simbolo para gerações de crianças brasileiras relatando o drama de uma adolescente que cresceu tentando esquecer a aproximação suja de quem não soube respeitar sua fragilidade, que se aproveitou da relação familiar para transgredir e violentar, renova em todos o sentimento de revolta e indignação diante de atos tão indignos.

O grito dado pela apresentadora em rede nacional, sem dúvida, redime qualquer equívoco e mostra como todas as crianças e adolescentes são frágeis e, portanto, precisam ser cuidadas, observadas e orientadas sob a proteção dos pais até que saibam como se defender sozinhas.

05 de maio de 2012

O valor da paternidade

Decisão do STJ condenou pai a pagar R$ 200 por abandono de filha

"Amar é faculdade, cuidar é dever", essas foram algumas das palavras que compuseram a sentença da ministra Nancy Andrighi, do Supremo Tribunal de Justiça, ao determinar que um pai pagasse 200 mil reais à filha como indenização por "abandono afetivo".

A decisão inédita levanta questionamentos quanto à possibilidade de se colocar valor pecuniário a algo tão subjetivo quanto o amor paterno. Mas no entender da ministra, o dano moral ao qual refere-se a indenização não está relacionado à ausência de amor, e sim de cuidados, que são, sim, deveres paternos. "Aqui não se fala ou se discute o amar e, sim, a imposição biológica e legal de cuidar, que é dever jurídico, corolário da liberdade das pessoas de gerarem ou adotarem filhos", argumentou a ministra.

Se a princípio a decisão nos pareceu radical, após ler os argumentos da ministra, nos convencemos de que é, sim, muito justo que pai ou mãe que abandonem seus filhos sejam responsabilizados por indenizá-los, já que a presença dos progenitores não se resume ao amor dispensado (que não pode ser determinado em termos monetários), mas aos cuidados e proteção que qualquer um que se proponha - ou se exponha - a ter filhos tem obrigação legal de prover.

Temos certeza que a indenização não fará com que a filha em questão se refaça dos danos emocionais causados pela ausência do pai, mas acreditamos na finalidade pedagógiga da decisão judicial.

Enquanto a maternidade é entendida como um dever inegociável, a paternidade parece ainda ser vista como algo facultado ao homem, uma opção a qual ele pode simplesmente reclinar. O que a decisão do STJ nos mostra é que talvez estejamos a caminho da maior igualdade de gênero em relação aos deveres parentais.