Logosofia

Para que saber o que não me diz respeito?

Autora: Isabela Baroukh de Moraes – São Paulo/SP – Pesquisadora da Ciência Logosófica.

28/04/2019 05:20h

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“A transformação do mundo a partir de si mesmo” (ISBN: 978-85-60232-02-4) foi o tema que os jovens pesquisadores de Logosofia se propuseram investigar à luz desta nova concepção humanística. Esse estudo os fez voltar sobre a realidade do mundo mental, cuja influência mais evidente se expressa na cultura e costumes de um povo. Também os fez refletir sobre seu mundo interno, que se manifesta em seu temperamento, caráter, tendências e predileções. A investigação os levou a revisar os conceitos e valores que devem ser incorporados à vida, para que cada um seja ator consciente dessa transformação. 

Se o estudo levou os jovens a perceberem o quanto podiam realizar em si mesmos, despertou também o sentimento altruísta de querer fazer com que outros pudessem viver e experimentar a mesma felicidade. Perceberam, ao final, que a transformação do mundo está vinculada à própria superação da espécie humana no que diz respeito às suas possibilidades intelectuais, morais e espirituais.

Os ensaios publicados nas páginas deste livro apresentam reflexões e experiências dos jovens em torno deste tema. Os resultados alcançados até o momento indicam que ainda há muito por fazer. Que isso se constitua num grande estímulo para que todos se unam em um grande ideal: a superação.

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No meio de uma reunião de trabalho, com várias pessoas à mesa ouvindo o chefe sobre uma pauta importante, eu me encontro atenta ao assunto tratado. Mas espere! De repente, a secretária entra na sala e, discretamente, cochicha algo no ouvido de um colega. Este faz cara de espanto e cochicha de volta. Epa! Do que será que eles estão falando? Será que aconteceu alguma coisa? Ops, qual foi a última frase que o chefe falou mesmo? Olha! Agora o meu colega está saindo da sala. 

Um minuto depois ele volta e se senta à mesa. Está com uma cara estranha... O que será que está acontecendo? Devo passar um bilhetinho perguntando? Humm... E se mandasse uma mensagem? Puxa, agora o chefe fez uma pergunta e eu nem ouvi. Vamos lá: foco! A secretária retorna à sala de reunião e volta a cochichar no ouvido dele. O QUE SERÁ QUE ELA ESTÁ FALANDO?! Por que eles podem saber e eu não?! Não consigo prestar mais atenção na reunião… está acontecendo alguma coisa!

A reunião acaba e não tenho a menor ideia do resultado da pauta. O que quero saber é o que foi aquele cochicho. Chego perto e tento ouvir se ele está falando alguma coisa... não está. Vou ter que perguntar! No exato momento em que ele responde, me sinto a pessoa mais ridícula do mundo. Era um assunto pessoal: a lavanderia ligou para o número do trabalho dizendo que a roupa do meu colega demoraria para ser entregue. 

Adiantou perder toda a reunião por isso? E pior, o que me importa saber dessa informação que diz respeito apenas ao meu colega? 

O pensamento de curiosidade (Ver livro “Deficiências e Propensões do Ser Humano”, de González Pecotche), descrito na situação acima, acompanhou a minha infância e adolescência. Sempre fui curiosa. Por muito tempo, achei que isso era ótimo, pois me instigava a descobrir, uma vez que eu observava bastante ao meu redor e via coisas que muitos não haviam visto... 

Mas, aos poucos, isso foi tomando grandes proporções dentro de mim e em minha vida. Se eu via uma amiguinha conversando com outra, já queria logo saber o que era! Minha mãe chamou meu irmão para falar algo só com ele, mas eu tinha que saber imediatamente do que se tratava! Afinal, era meu irmão e eu tinha que saber se ele estava bem, não é?!

Será mesmo? Eu queria saber pelo seu bem, ou teria algum outro motivo? Quantas desculpas esfarrapadas o pensamento de curiosidade já me deu para justificar minha vontade de estar por dentro de tudo! 

Mas e aí, o que fazer? Aceitar que sou assim e obrigar os outros a aceitarem também? Isso não me soava bem… 

Ao mesmo tempo em que esse pensamento acometia a minha infância, um sentimento muito sincero de fazer o bem se encontrava em meu interno. Eu observava aquele conflito dentro de mim e não sabia como resolver. 

Compreendi que, para poder ajudar os outros, para cumprir o que havia de mais puro dentro de mim, eu precisava modificar aquela situação. Ainda na adolescência, comecei a estudar essa deficiência psicológica – a curiosidade – e compreendi que junto a ela atuavam sempre a indiscrição e o intrometimento. Como eu não observara isso antes? Quantas pessoas eu já deixara desconfortáveis com minhas perguntas? Tinha que mudar isso já!

Passei a cultivar a circunspecção. Mas não foi nada fácil. Com paciência, fui fazendo essa substituição aos poucos. A cada situação que a curiosidade aparecia, passei a me perguntar sobre a necessidade real de saber aquela informação. Fui compreendendo a pouca importância que as coisas superficiais têm para a vida.

Consegui me aperfeiçoar e domar, embora ainda não totalmente, essa deficiência, e me tornar uma pessoa muito mais leve. A cena da reunião poderia perfeitamente ocorrer comigo, se eu tivesse escolhido manter esse pensamento na minha vida. Obviamente tenho inúmeras outras características que gostaria de mudar e, aos poucos, tenho realizado um processo de superação interna. 

Mas fica a pergunta: Que diferença faz para o mundo eu mudar essa característica? Parece óbvio, mas, somente ao observar essa experiência, entendi que, se me torno um ser humano um pouco melhor, o mundo ganha algo melhor. Eu tenho todos os recursos e possibilidades, e agora, no auge da minha juventude, é o melhor momento de colocá-los em prática!

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