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Logosofia

Onde começa o bem?

Autor: Paulo Henrique de Franco Alcântara – Goiânia/GO – Pesquisador da Ciência Logosófica.

09/06/2019 07:49h

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“A transformação do mundo a partir de si mesmo” (ISBN: 978-85-60232-02-4) foi o tema que os jovens pesquisadores de Logosofia se propuseram investigar à luz desta nova concepção humanística. Esse estudo os fez voltar sobre a realidade do mundo mental, cuja influência mais evidente se expressa na cultura e costumes de um povo. Também os fez refletir sobre seu mundo interno, que se manifesta em seu temperamento, caráter, tendências e predileções. A investigação os levou a revisar os conceitos e valores que devem ser incorporados à vida, para que cada um seja ator consciente dessa transformação. 

Se o estudo levou os jovens a perceberem o quanto podiam realizar em si mesmos, despertou também o sentimento altruísta de querer fazer com que outros pudessem viver e experimentar a mesma felicidade. Perceberam, ao final, que a transformação do mundo está vinculada à própria superação da espécie humana no que diz respeito às suas possibilidades intelectuais, morais e espirituais.

Os ensaios publicados nas páginas deste livro apresentam reflexões e experiências dos jovens em torno deste tema. Os resultados alcançados até o momento indicam que ainda há muito por fazer. Que isso se constitua num grande estímulo para que todos se unam em um grande ideal: a superação.

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Onde começa o bem?

“Achei um celular na rua! E agora?” Foi o que pensei quando, andando a caminho do trabalho, quase pisei num aparelho caído próximo a uns arbustos. Naquela época era um celular bacana, eu até gostaria de ter um daqueles. Mas, naturalmente, nem passou pela minha mente ficar com ele. 

Naquele dia, justamente, eu estava de cabeça cheia, resolvendo problemas causados pela desonestidade alheia: um cheque falso emitido em meu nome; a operadora de celular fazendo cobrança indevida; e até mesmo um técnico que se recusou a cumprir a garantia dos seus serviços e sumiu do mapa com o dinheiro do pagamento, me deixando com uma máquina de lavar roupas estragada. 

Por essas e outras razões, eu pensava em me mudar do Brasil assim que tivesse uma chance! 

Notei, então, que minha convicção em devolver o celular era uma conduta diferenciada. Legal! Mas, por causa do desânimo em que me encontrava, cheguei a refletir se não estava sendo ingênuo ao querer fazer o que julgava correto. Afinal, a cultura da desonestidade estava em todo canto, em todos os níveis... Mesmo assim, guardei o telefone, pensando em como faria para achar o seu dono.

Já era final da tarde quando alguém ligou para aquele número. Era o dono do aparelho, que se mostrou bastante preocupado. Combinamos de nos encontrar num local público e seguro para resolver tudo aquilo. No lugar marcado, depois de me explicar que poderia ter perdido contatos importantes da empresa em que trabalha, ele perguntou como poderia me retribuir e ressaltou o valor da minha conduta. Lembro-me claramente de ter lhe dito que devolver o celular era o mínimo que eu podia fazer. Recusei qualquer recompensa e fui embora.

De fato, aquilo era o mínimo que eu poderia fazer, mas o mínimo é o suficiente? 

Naquela noite, fiquei pensativo, tentando imaginar o que mais eu poderia ter feito. Caberia nessa circunstância um bem maior do que simplesmente devolver o celular? Veio a ideia de falar com aquele homem sobre como ele poderia retribuir o bem que eu havia feito: levá-lo adiante, ajudando a outros assim que tivesse uma oportunidade. Apesar de a ideia ter chegado atrasada, ficou registrada em mim e planejei concretizá-la numa próxima oportunidade.

Enquanto não encontrava nada perdido por aí para colocar em prática meus novos propósitos, comentei sobre o episódio com uns amigos e relatei também as reflexões que eu havia feito naquela noite. Vários deles haviam passado por algo semelhante: devolveram o que acharam para os respectivos donos, mas não perceberam que poderiam ir além. Após aquela conversa, saímos todos animados a colocar em prática essa ideia.

E não deu outra! Uns dois anos depois, uma das minhas amigas relatou que estava em um ônibus em São Paulo, quando notou que uma jovem sentia-se constrangida por ter esquecido o dinheiro para pagar o transporte. O ônibus estava lotado e todo mundo assistia impassível ao fato, piorando ainda mais a situação dela. Veja que oportunidade!!! Minha amiga, então, ofereceu-se para pagar a passagem da menina, a qual prontamente aceitou. Já aliviada, a garota pediu seu telefone para contato, pois fazia questão de devolver o dinheiro da passagem. Recordando daquela conversa, ela pediu apenas que levasse o bem adiante; que, sempre que encontrasse alguém merecendo ajuda, não hesitasse. A plateia do ônibus continuava assistindo ao desfecho da história e todos tiveram a oportunidade de aprender com aquele exemplo. E o bem seguiu adiante!!!

Fiquei emocionado quando essa amiga me ligou para contar o ocorrido, por perceber o alcance da sua experiência. Continuamos no telefone aprofundando sobre o assunto, concluindo que é merecedor de um bem aquele que dá prosseguimento a esse bem. E percebemos que todos nós, diariamente, recebemos muitos bens, e com isso temos um dever a cumprir! 

E pensar que minha consciência sobre o alcance do bem começou com um simples celular perdido. Para outros, começou em uma conversa entre amigos. E para outros, que nem sequer conheço, pode ter iniciado em um dia corriqueiro dentro de um ônibus numa cidade distante. 

Onde tudo isso vai parar? Espero que nunca pare e que, assim, a partir de cada pessoa, a humanidade seja cada dia melhor!!!

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