Logosofia

A vida Humana e suas projeções

Carlos Bernardo González Pecotche

27/04/2020 12:17h

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Geralmente, vive-se uma existência estreita, sem perspectivas maiores. Todo o empenho converge para o conhecido estribilho “querer sombra e água fresca”, ou “nada de esquentar a cabeça”. Magnífica confissão de egoísmo e inépcia. E a tal ponto chega esse pensamento contrário à realidade, que se manifesta a cada instante na própria vida, que muitos – e estes muitos chegam a cifras assombrosas – se perdem no vazio, sem jamais terem tido consciência do que a vida devia significar para eles.

Nem os tropeços, nem os fracassos ou os duros momentos de desespero são suficientes para despertar essa grande maioria para a realidade e fazer com que decida forjar um novo conceito, mais amplo, mais profundo e mais de acordo com as condições de um ser racional, inteligente. 

Já se disse, e por certo com bastante justiça, que o sofrimento costuma endireitar os homens quando eles, tendo-se desviado de seu caminho, se sentem premidos por mil circunstâncias que não veem como contornar. Isso é verdade do ponto de vista da oportunidade que, em tais momentos, se apresenta à pessoa para ela pensar – comumente se costuma dizer parar para pensar – sobre o que antes não havia tido tempo ou vontade de fazer. E ocorre que, muitas vezes, o fato de pensar em tais situações faz perceber, e não com pouca eloquência, quão útil é pensar e as vantagens que isso traz para a vida, tanto para preservá-la do mal como para fazê-la mais digna e agradável.

A vida humana tem finalidades muito superiores às que o critério comum lhe atribui. Prova disso está na enorme diferença que existe entre a vida dos que alcançaram condições de alto nível moral, intelectual e espiritual e a dos que permanecem em estados embrionários de civilização e cultura.

O homem não pode manter-se indiferente às perspectivas de inestimável transcendência que a realização de uma vida ampla e elevada lhe oferece. Referimo-nos ao homem inteligente, aquele a quem, por sua própria natureza de ser racional dotado em alto grau desse atributo, é dado dirigir sua vista e suas aspirações para além do que está compreendido dentro dos limites comuns.

Por outro lado, as inquietudes do espírito revelam sempre, como sinal inconfundível, o anseio por um desenvolvimento interno que permita o uso eficiente das faculdades, até seu grau máximo de evolução. Mas essas manifestações, que em forma de inquietude se promovem no espírito, nem sempre são atendidas com a devida preferência; e, mesmo que isso ocorra, é muito grande a demora da pessoa em encontrar, e quase sempre após cansativa peregrinação, o caminho propício para atingir as metas intuídas e ansiadas por sua mente. Daí que as decepções constituam a maior e mais ingrata parte da busca.

O ser humano é por natureza confiado, pela simples razão de que, não podendo saber por si mesmo o que por evolução lhe caberia conhecer, deve confiar ao saber dos demais (que nem sempre está à altura das necessidades) aquilo que direta ou indiretamente se vincule ou esteja por vincular-se à sua vida, obedecendo às tantas razões e circunstâncias que o rodeiam em sua luta diária. E, assim, quando o engano transforma essas pessoas em vítimas, fazendo-as sofrer lamentáveis consequências, é possível ver como elas se convertem de repente em seres totalmente desconfiados. Passam dessa forma de um extremo a outro, igualmente prejudicial, e tudo isso acontece unicamente pela ausência de conhecimento. Essa ausência não lhes permite discernir em que grau é conveniente adotar uma ou outra posição a respeito dos semelhantes com os quais trata em suas relações individuais.

O fato de confiarmos a outro os assuntos ou problemas cuja resolução compete a nós mesmos implica, umas vezes, falta de conhecimento e, outras, falta de vontade para enfrentar tais questões. Se o encarregado de suprir as necessidades de alguém, aparentando saber mais do que ele, na verdade não sabe, vai induzi-lo a erro, e tudo sairá mal. Nesse ponto, sempre haverá desculpas, atribuindo-se a tudo o resultado negativo das providências, menos à incapacidade daquele que se apresentou como "salvador da pátria". Se, ao contrário, quem intervém num caso similar procede com a avessa intenção de surpreender a boa-fé daquele que põe em suas mãos a defesa de um interesse ou assunto, considera-se que o prejuízo foi ocasionado com premeditação. Não obstante isso, mesmo que a culpa parecesse estar apenas naquele que atuou em nome de quem nele confiou, não deixa de existir no primeiro uma grande parte de responsabilidade. Sim, pois era ele quem, capacitando-se para tal fim e com as condições necessárias, deveria evitar a intromissão alheia em tudo que lhe cabia assumir ou solucionar.

Caso muito diferente é aquele em que se confia tal ou qual assunto ou problema a terceiros, mas com o próprio interessado exercendo a direção e o controle. Aqui opera o pensamento inteligente, atuando como agente ativo na mente daqueles que devem cumprir a missão encomendada. Vemos isso evidenciado nas circunstâncias em que são muitos os que cumprem suas atividades sob a direção de uma inteligência que promove o ordenamento e execução do que foi proposto.

Do Livro: Coletanea_da_Revista_Logosofia, Tomo III

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