Lasciva

Educar os meninos de hoje é o que vai proteger as mulheres do futuro

Atualmente, todas nós vivemos em perigo e há pouca coisa que possamos fazer para evitar o feminicídio nesse contexto.

18/05/2018 12:34h

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Dois casos de feminicídio em menos de 72 horas ganham repercussão em Teresina e eu fico pensando que não há mais nada a ser dito sobre essas tragédias. Que é machismo, que é doloroso e que é perigoso ser mulher não é novidade. Parece que a gente fica falando mais do mesmo e que isso não leva a lugar nenhum.


Assassino da Gisleide

O sentimento de impotência se apossou de mim desde que eu soube de mais uma mulher assassinada. A pergunta sobre o que eu poderia fazer como feminista, como jornalista e como mulher ficou sem resposta por algumas horas.

Iarla, Camila e Aretha foram assassinadas dentro dos carros dos seus (ex) namorados. Gisleide morreu na própria casa, vítima de um homem que ela havia conhecido há 15 dias pelas redes sociais. Muitas outras tiveram suas vidas tiradas e nós sequer ficamos sabendo.


Assassino da Aretha

Os mais precipitados podem dizer que as mulheres não devem entrar nos carros dos namorados quando eles se mostrarem violentos. Podem sugerir que elas não confiem em homens que conheceram há pouco tempo e que não os leve para dentro de suas casas, mas nenhuma dessas orientações é realmente útil quando a gente sabe que o problema não é com a mulher. Ela poderá ser assassinada independente das decisões que toma, isso quando depende dela tomar alguma decisão.

Dizemos com muita frequência que a culpa pelo crime nunca é da vítima, e vamos repetir insistentemente. É sempre do machismo, da ideia de que nós somos objetos e de que os homens, dentro dos seus carros ou no comando do lar, são superiores a nós. Da cultura que ensina a eles, desde a infância, quem tem que mandar na relação.

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Assassino da Camila

Depois de algumas horas pensando sobre tudo isso, a resposta para as perguntas que estava fazendo a mim mesma não poderia ser mais óbvia. A solução contra o feminicídio só existe a longo prazo e passa pela educação dos meninos de hoje. Apenas isso vai evitar que eles se tornem os assassinos do futuro.

Cobrar a punição dos homens que já mataram é o que nos resta fazer a curto prazo. Talvez, apenas talvez, os assassinos de mulheres em potencial tenham medo de ir pra cadeia e não façam novas vítimas. Mas só isso é muito pouco.

A solução real está nas escolas, com o debate sobre gênero. Sim, aquele mesmo que alguns políticos e fanáticos religiosos querem proibir. Está também dentro de casa. Ensinar aos meninos sobre respeito e igualdade entre os sexos é a nossa única esperança.

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Assassino da Iarla

A pergunta sobre quantas mulheres ainda precisarão morrer para que o machismo acabe, já virou lugar comum. É bem catastrófico dizer, mas até que as crianças cheguem à fase adulta bem educados contra o machismo, serão muitas mortes. E a vítima pode ser quem está escrevendo ou quem está lendo esse texto. Pode ser quem nunca ouviu falar sobre nada disso. Atualmente, todas nós vivemos em perigo e há pouca coisa que possamos fazer para evitar o feminicídio nesse contexto. Mas podemos proteger as mulheres do futuro, educando os meninos no presente.

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Fonte: Nayara Felizardo

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