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João Magalhães

Comandar hospitais regionais traz benefícios políticos consideráveis

Quem comanda um hospital regional tem o direito de indicar e garantir o emprego de dezenas ou centenas de apoiadores políticos, com a contratação de trabalhadores do mais diversos níveis de escolaridade.

20/05/2019 16:45h - Atualizado em 20/05/2019 17:19h

A disputa pelo controle dos hospitais regionais é intensa no governo do Piauí. E não é para menos, controlar um hospital de grande porte traz benefícios políticos capazes de garantir a eleição de muitos aliados na região. Nas palavras de um experiente político do interior: um hospital é uma prefeitura sem vereador. Ou seja, é controlar um grande orçamento sem ter que dividir 'o bolo' para poder governar.

Na prática, apontamos dois pontos que fazem dos hospitais regionais um espaço desejado pelos políticos: quem comanda um hospital regional tem o direito de garantir o emprego de dezenas ou centenas de apoiadores políticos, com a contratação de trabalhadores do mais diversos níveis de escolaridade; a possibilidade de agilizar atendimentos médicos como consultas, exames e cirurgias para pacientes - que também são eleitores.

Quanto a contratação de servidores, é válido ressaltar que o funcionamento de um hospital precisa de trabalhadores que vão de baixa escolaridade, como profissionais de limpeza e segurança, até os de alta escolaridade, como médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas, entre outros. Todos estes cargos normalmente são distribuídos para quem compõe a base política do mandatário do hospital. 

Já em relação aos benefícios políticos com a atividade-fim do hospital, se engana quem acha que a oferta de atendimento aos pacientes é feita do ponto de vista totalmente institucional. No interior, é comum a figura da pessoa que "consegue arrumar" uma consulta, um exame e até uma cirurgia. No final das contas, tudo isso entra na cota política. Inclusive, o próprio servidor indicado nos critérios apontados do parágrafo anterior, torna-se peça fundamental do jogo político que envolve o comando dos hospitais. 

O Hospital Regional Deolindo Couto, em Oeiras, é alvo de disputa entre os grupos políticos do Progressistas e do PT na cidade.


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