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Graça Targino

Brumadinho: tragédia que se repete

Maria das Graças Targino - ([email protected])

06/02/2019 06:31h

Dor. Sofrimento. Aflição. Angústia. Amargura. Desespero. Infortúnio. Pena. Ansiedade. Esperança. Desesperança. Agonia. Perdas. Morte. Corpos inertes. Corpos mutilados. Restos mortais. Feridos. Pessoas. Animais. Sobreviventes. Surpresa. Espanto. Dúvida. Certeza. Mágoa. Desalento. Tristeza. Pesar. Desgosto. Gritos. Brados. Estridência. Horror. Inquietação. Noites de

contar estrelas. Insônia. Preocupação. Padecimento. Tortura. Suspiros. Choros. Soluços. Prantos. Lágrimas. Clamor. Depressão. Dó. Condolência. Complacência. Benevolência. Rios. Lama. Queda. Derrocada. Resíduos. Rejeitos. Abrasão. Adesão. Apoio. Responsabilidade social. Ação. Solidariedade. Acolhimento. Socorro. Amor. Compaixão. Bombeiros. Voluntários. Socorristas. Cidadãos. Populações. Casas. Plantações. Restos. Ruínas. Aniquilamento. Destruição. Extermínio. Desastre. Inconformação. Não resignação. Revolta. Velório. Velas. Orações. Pragas aos céus. Indenizações ao léu. Tarde. 25 de janeiro. 2019. Tragédia. Setor de mineração. Rompimento. Barragem da Mina Feijão. Brumadinho. Minas Gerais. Brasil. Mundo. Mineradora. “Vale.”

Antes, “Companhia Vale do Rio Doce”. Mineradora multinacional brasileira. Uma das cinco maiores e mais importantes mineradoras do planeta, mas, sobretudo, lembrada como “Vale de Lágrimas.”

Afinal, qual brasileiro não se recorda de desastre similar, em 2015, com o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco (“Vale” e a empresa anglo-australiana BHP),

quando uma enxurrada de lama destruiu, sem misericórdia nem clemência, várias residências no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana? Há mais. Muito mais. Por exemplo, desta vez, sob a

responsabilidade de outras mineradoras e, também, em MG, registram-se ocorrências funestas na Mineração Rio Verde, Nova Lima, ano 2001; Mineração Rio Pomba Cataguases, em Miraí,

2007; Mineração Herculano, em Itabirito, 2014.

Reincidência. Irresponsabilidade. Omissão. Ganância. Poder público. Órgãos responsáveis pela regulação e pelo acompanhamento da mineração em território nacional. Empresas privadas. Dinheiro. Fortunas. Não fiscalização. Fiscalização indevida, corrupta ou corrompida. Descumprimento das normas. Insegurança. Desprezo à saúde do trabalhador. Descaso à vida humana. Danos sociais, ambientais e econômicos incalculáveis. É preciso reforçar que o drama de Brumadinho caracteriza-se como gravíssimo acidente de trabalho, ocorrido no ambiente da empresa e ao longo das atividades rotineiras, incluindo tanto funcionários da “Vale” quanto os chamados terceirizados. Portanto, não cabe em nenhum substantivo simples ou adjetivado nem tampouco em qualquer expressão ora citada. As palavras não são capazes de descrever a tragédia que inundou a localidade de Brumadinho, município que abriga cerca de 40 mil habitantes, e, conhecida, sobretudo, por manter o Museu Instituto Inhotim. Nenhuma desses termos nem todos juntos e mais outros que queiram acrescentar, a exemplo de indignação, e, em especial, mobilização coletiva, para que não ocorra com os brumadinhenses o que se passa com as vítimas de Mariana – total esquecimento e descaso – conseguem abarcar o sofrimento das vítimas que partiram, das que permanecem recobertas por rejeitos, dos familiares ou amados que por lá prosseguem à espera...

Como adendo, acrescemos que, por coincidência (amarga coincidência), em agosto de 2018, passamos por aquelas bandas em visita às cidades históricas mineiras, com um dia dedicado ao Instituto Inhotim. Antes, uma pequeníssima comunidade situada numa fazenda, Inhotim é, hoje, a maior galeria a céu aberto do Brasil, de beleza surpreendente e ímpar. Graças a um projeto paisagístico paradisíaco, comporta espelhos d’água, lagos, galerias, restaurantes e 25 pavilhões que guardam um acervo de 450 obras de arte. Inhotim está ileso num milagre dos céus em meio à localidade destroçada! No 13º dia de buscas intensas e interruptas, salvo em momentos de intensa chuva, são, até então, computados 134 mortos e 199 desaparecidos (dados de segunda-feira, dia 4). E eis que, por fim, encontramos a palavra representativa da tragédia de Brumadinho, em sua acepção mais cruel, na condição de crime contra os trabalhadores da “Vale” – GENOCÍDIO. Triste assim!


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