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Graça Targino

Ainda sobre o coronavírus

Maria das Graças Targino é jornalista e pós-doutora em jornalismo pela Universidad de Salamanca / Instituto de Iberoamérica

20/03/2020 17:18h

Como profissional da área de informação, por minha atuação tanto no campo da biblioteconomia, ciência da informação e jornalismo, tenho sido uma batalhadora incansável e não silenciosa contra as chamadas fake news, repetindo sempre, e com veemência, as palavras atribuídas ao ex-primeiro-ministro britânico James Callaghan, segundo as quais “uma mentira pode dar a volta ao mundo antes que a verdade tenha a chance de calçar as botas”. Por isso, no meio da avalanche de mensagens eletrônicas que chegam às minhas redes sociais, dificilmente, passo algo adiante. Desta vez, sucumbi à tentação.

Diante de um texto enviado via WhatsApp, pesquisei com cuidado sua origem e identifiquei, se não o autor, no mínimo, o site onde está armazenado. Analisei a confiabilidade da página, mediante critérios estabelecidos no universo da informação e, por fim, resolvi repetir a mensagem. Várias justificativas para tanto. O ineditismo do tratamento concedido ao coronavírus / à COVID-19, coincidentemente, tema de minha última coluna jornalística, dia 11 passado. A abordagem humana. A lembrança ainda recente dos 90 dias em que vivi em Siena, cidade medieval na região da Toscana, centro da Itália, numa região relativamente próxima da mencionada no texto, qual seja, Lombardia, Itália setentrional. Eis o conteúdo da mensagem:

Existem situações na vida que não se esperam, e o pior, diante delas, nos vemos impotentes. Moro em Como [comuna italiana da região da Lombardia, capital da província de Como, importante centro industrial próximo a Milão e famosa por sua antiga manufatura de seda], na zona onde o coronavírus chegou sem ninguém esperar... Corrijo, sem ninguém acreditar, pois esperar, com tantos chineses que passam pelo norte da Itália, esperávamos sim!

Escolas fechadas, academias fechadas, bares fechados depois das 18h. e tantos indivíduos saindo de casa somente para o estritamente necessário. É uma situação estranha que nos leva a reavaliar algumas coisas. Nessa hora, ter um carro lindo, uma bolsa cara, roupas maravilhosas, serve para quê? Não teríamos nem como usar ou a quem mostrar.

A única coisa que passa a importar e que pedimos a Deus é saúde. Para nós mesmos e para [nossos entes] queridos. Na verdade, como gastamos tempo em correr atrás ou pedir a Deus coisas que não nos servem para nada, tantas vezes! Como somos fúteis na maior parte do tempo! Como não valorizamos o que realmente vale a pena!

Estamos em casa. Inventamos jogos. Almoços e jantares tornam-se longos e cheios de conversa entre nós. Rimos e choramos juntos do problema e cuidamos um do outro. Ninguém tem para onde ir ou coisas para fazer. A falta de tempo acabou! Fechados em casa e “presos” por causa do tal Senhor Coronavírus, que nos faz um grande favor, apesar de tudo! Livra-nos da arrogância, porque vemos que não somos nada e nem temos controle de nada. Livra-nos da cobiça, pois entendemos que não serve para nada. Mostra-nos nossa vulnerabilidade e então, mostra-nos o caminho de volta a Deus.

Por fim, nos faz perceber nossa “prisão” individual do dia a dia, pela tal falta de tempo e por termos que conter nossos sentimentos. E nos liberta. Deixa-nos livres para termos medo, para nos sentirmos impotentes, para não corrermos atrás de nada... Afinal, o único trabalho que temos ou a única lição de casa é a de tentarmos não adoecer... E por último, e talvez o mais importante, nos faz reencontrar nossos amados. Aqueles com quem vivemos na mesma casa, amamos, mas muitas vezes nem nos falamos direito: nossa família. 

E por fim, nos faz voltar a Deus. Afinal, diante dessa nossa vulnerabilidade, é Ele e somente Ele que pode nos proteger... No balanço geral, o Senhor Coronavírus pode até nos matar, no fim de tudo, mas certamente nos ensina a viver!!! (https://aodeusunico.com.br/reflexoes-a-partir-do-ataque-do-coronavi rus-na-regiao-da-lombardia-italia).

E acrescento: a duras penas, nos ensina a reavaliar o cotidiano. Eis o valor do texto central que não é meu, mas nosso! Mostrar que é preciso uma pandemia chegar abreviando sonhos e mudando destinos para refletirmos sobre quão relapsos temos sido com os seres que nos cercam, nossos amigos, e, sobretudo, nossas famílias. É um preço muito alto a ser pago!

Prosseguimos a pensar nas consequências do coronavírus, nos enfermos, nos que já se encantaram, nas lacunas eternas que deixaram no âmbito familiar, mas seguimos, aqui e agora, o caminho adotado pelo autor do texto do facebook. No lugar de números e percentuais estatísticos, falamos de sensações e sentimentos. De amor e desamor. De alegrias e tristezas. Da ponderação sobre nossa vida como ser humano, com todas as inquietações em torno de ser gente, no sentido pleno e divino do termo! Ao tempo em que o coronavírus revele nossas fragilidades, possa ele também revelar nossa capacidade de manter a esperança e o amor no coração! 

Fonte: E-mail para contato: [email protected]

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