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Especial

Piauí perde dois de seus filhos mais ilustres

No último final de semana, faleceram Jesualdo Cavalcanti e Álvaro Brandão Filho

26/02/2019 18:20h

Em apenas dois dias, o Piauí perdeu dois ilustres filhos que timbraram seus nomes nas páginas da história, em decorrência do talento e dedicação que impuseram às atividades exercidas em todos esses anos: ex-presidente do Tribunal de Justiça do Piauí, o desembargador Álvaro Brandão Filho (94 anos), e o ex-deputado estadual e historiador Jesualdo Cavalcanti (79 anos) faleceram, respectivamente, dias 21 e 22 de fevereiro, deixando uma enorme lacuna em suas áreas de atuação.

O homem é eterno quando seu exemplo permeia o caminho de outros; quando suas ações refletem a inspiração dos que desejam marcar a sua presença através da verdade, do sentimento de justiça e da luta por uma sociedade mais justa, solidária e que congregue todos pela união em torno do bem comum; em torno do reconhecimento ao direito do próximo, cultivando o sentido real que lhe dá a outorga à condição da racionalidade.


Jesualdo Cavalcanti

Jesualdo Cavalcanti Barros nasceu em Corrente, no dia 18 de fevereiro de 1949 e era filho de Sebastião de Souza Barros e Iracema Cavalcante Barros. Era casado com Maria do Socoro Rocha Cavalcanti. Foi vereador de Teresina (cassado pelo governo militar, em 1964), secretário de Estado, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e deputado federal. Concluiu Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito do Piauí (Teresina, 1966), tendo, ainda, cursos de pós-graduação em Administração de Empresas (1967) e Direito Público (1978).

De 1975 a 1978, foi secretário substituto de Indústria e Comércio. De 1983 a 1986 exerceu o cargo de secretário de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí. Eleito conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Piauí pela Assembléia Legislativa, em 1994, presidiu a corte em dois biênios (1995/1998). Sob sua direção, foi construído o novo edifício-sede do TCE.

Em março de 2002, aposentou-se voluntariamente, para dedicar-se a pesquisas sobre a história do Piauí e ao Centro de Estudos e Debates do Gurguéia — Cedeg —, entidade voltada para a discussão em torno da criação do estado do Gurgueia. Escreveu os livros Tempo de Cultura, O Estado do Gurguéia e outros temas, Notícia do Gurgueia, Tempo de Tribunal, Memória dos Confins, Tempo de Contar, Dicionário Enciclopédico do Gurguéia e Gurgueia: Espaço, Tempo e Sociedade . Eleito para a Academia Piauiense de Letras, tomou posse na cadeira número três no dia 6 de agosto de 2010.

Em 1962 se elege vereador de Teresina, perdendo o mandato em 1964 com a eclosão do movimento militar de 1964 quando liderava a bancada do PTB. Após dez anos recuperou os direitos políticos e filiou-se à Arena, sendo eleito suplente de deputado estadual em 1974 e ocupou o cargo de subsecretário de Indústria e Comércio (1975–1978). Eleito deputado estadual em 1978, ingressou no PDS foi reeleito em 1982; afastou-se do mandato para exercer os cargos de Secretário de Cultura e presidente da Fundação Cultural do Piauí (1983–1986). Eleito deputado federal em 1986, em 1990 conquistou seu terceiro mandato de deputado estadual, exercendo a presidência da Assembléia Legislativa (1991/1993), assumindo o Governo do Estado no período de 8 a 12 de fevereiro de 1993 na administração Freitas Neto. Retornou à vida política ao ser eleito prefeito de Corrente pelo PTB em 2012.


Álvaro Brandão Filho

Álvaro Brandão Filho nasceu em Pedro II, no dia 19 de maio de 1924, na fazenda Concórdia, de propriedade de seu pai, o coronel Álvaro Brandão, de tradicional família Andrade Brandão, da região norte do Piauí. Filho de Álvaro Brandão e Maria Amélia de Andrade Brandão, foi casado com Cecy Pires Brandão e bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Piauí em 1953. Atuou como Promotor Público nas Comarcas de Gilbués (1954), Piripiri (1955) e em São João do Piauí (1955). Serviu na extinta Procuradoria do Domínio do Estado, na Procuradoria Regional Eleitoral, na Procuradoria Geral de Justiça e nas Promotorias de Piripiri e Campo Maior.

Ainda no ano de 1955, iniciou na Magistratura, empossado Juiz de Direito de Regeneração, ali exercendo o cargo até 1960, quando promovido por merecimento para as Comarcas de São Pedro do Piauí (1960-1963), Piripiri (1963-1965), Floriano (1965-1966) e para a 3ª Vara Cível de Teresina, onde serviu por mais de dez anos (1966-1979). Tomou parte do Colegiado do Tribunal de Justiça desse Estado, como Desembargador, no ano de 1979, assumindo posteriormente a Presidência do Órgão e a função de Corregedor Geral de Justiça (1984-1985).

Elegeu-se, em dezembro de 1987, Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí, permanecendo no cargo até 2 de janeiro de 1989, quando é eleito Vice-Presidente para um ano de serventia, assumindo as funções de Corregedor Regional Eleitoral. Nessa Justiça Especializada, exerceu ainda as funções de Juiz Eleitoral nas seguintes Zonas: 43ª ZE (1955); 30ª ZE (1960); 11ª ZE (1963); 9ª ZE (1965) e Juiz Titular da 2ª ZE (1972). Homem que compunha nas letras clássicas de Cícero, Álvaro Brandão Filho exerceu a Advocacia e a Promotoria de Justiça do Estado do Piauí. Como Desembargador, foi Corregedor Geral de Justiça e presidiu o Tribunal de Justiça do Piauí e o Tribunal Regional Eleitoral. Jurista dos mais respeitados, Álvaro Brandão Filho recebeu homenagens por onde passou, em razão da sua postura ética, pautada nos princípios da honestidade, exercendo as funções a ele designadas com grande desvelo. Aposentou-se em 19 de maio de 1994. Foi agraciado com o título de Patrono do Fórum da Comarca de Aroazes, PI.

Edição: Marco Antonio Vilarinho

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