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Cleuton Miranda

Degradação ambiental e sua clara relação com epidemias e pandemias

Cleuton Lima Miranda - Mestre e Doutor em Zoologia, pós-doutor pela programa de pós-graduação em Ciência Animal

26/03/2020 10:53h

Ao longo da história da humanidade são vários os casos da clara relação entre destruição do meio ambiente e doenças. Sugiro aqui a leitura de um livro muito interessante: a história da humanidade contada através dos vírus de Stefan Cunha (tem outros livros muito bons!). Através desse livro de Stefan descobri que o HIV surgiu na África a partir de caçadores que entraram em contato com sangue de macacos abatidos (sangue em contato com ferimentos de caçadores). Uma vez infectados, estes caçadores mantiveram relações sexuais em suas aldeias, e daí não preciso detalhar em que situação chegamos. Desde o início da década de 2000 que passou de doença letal (causava certamente a morte) a doença crônica, ou seja, há medicamentos que controlam a doença e permite que os portadores levem uma vida com boa qualidade. Não adentrarei na situação atual do HIV, de negligência e falsas percepções, pois foge do escopo desse texto. Numa outra feita eu o farei, assim espero.

Aqui no Brasil, no meio-norte, temos vários animais caçados que tem microorganismos nocivos ao homem dentro deles e por isso chamamos esses animais de reservatórios naturais, pois não são afetados pelos vírus que carregam consigo, por exemplo, mas podem transmitir estes patógenos ao homem: doença de Chagas e hanseaníase podem ser citadas para nossa região; há várias outras, certamente muitas nem conhecemos ainda. As florestas formam uma “barreira natural” que nos protege de doenças desconhecidas, ao mesmo tempo que protege a fauna, a biodiversidade de nossas motosserras de ouro, aço e muitas malvadezas, ignorâncias e ganâncias.

Portanto, criticar hábitos alimentares e culturais diferentes é preconceito e se chama Xenofobia. Muitos países estranham hábitos do povo brasileiro e vice-versa. Há estranhamento entre diferentes regiões do Brasil. Não sejamos ignorantes. Falta de higiene e outras mazelas mais, infelizmente, são comuns em regiões subdesenvolvidas e nosso país não está isento!

Essa pandemia atual (Cod-19) já tinha sido alertada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aliás, existem outros microorganismos que podem ocasionar epidemias/pandemias numa lista e as autoridades, governantes mundiais sabem. Por que não tomaram nenhuma atitude? Talvez porque poderia barrar o progresso, a obtenção de minérios com a diminuição dos desmatamentos, atrapalharia a economia etc. Será que agora estes governantes terão um novo “olhar” para as questões ambientais e potenciais

epidemias/pandemias? Não sei. E nós teremos? Prezaram tanto pela economia que no fim das contas uma pandemia está fazendo a economia mundial desabar. “O tiro saiu pela culatra ou foi no pé e na barriga”?

Enquanto isso no Brasil varonil: aumento de desmatamento da Amazônia (chegou a 278% com perda de um fundo de 2,5 bilhões para proteger a Amazônia), mais de 40% de corte para Ciência e Tecnologia, 30% de cortes para Universidades e Institutos públicos que geram mais de 80% da pesquisa nesse país, humilhação de pesquisadores, fake news de plantações de maconhas, balbúrdias muitas, cortes de bolsas de mestrado e doutorado, anti-intelectualismo, anticiência, liberação de mais de 40 agrotóxicos em um ano (alguns proibidos em países como Estados Unidos e europeus) nos envenenando e contaminando nossas reservas de água doce de valor incalculável e por aí vai. Agora pedem ajuda a estes “crápulas” plantadores de maconha, inúteis e promotores de balbúrdia. Certamente receberão, aliás, já estão recebendo, pois o povo está acima de terraplanistas e fascistas.

Você fumou maconha estragada? Foi o que li de resposta de dois cidadãos ao tentar explicar num grupo de whatsApp que quanto mais degradamos o meio ambiente mais sujeitos às doenças desconhecidas estamos. Continuarei falando, escrevendo, alertando. E você, caro leitor, após ler esse texto também acha que eu fumei maconha estragada de uma imensa plantação em meio a tantas plantações de maconha de alguma universidade pública? Se essa “viagem” tiver lhe tocado de algum modo, sensibilizado e informado já valeu a pena! Obrigado pela leitura. Até mais.


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