Cleuton Miranda

Ainda sobre degradação ambiental e epidemias/pandemias

E a história se repete... dessa vez em maiores proporções

10/04/2020 17:28h

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Ao longo da história da humanidade as diferentes sociedades e povos tiveram seus sistemas de organização, econômicos, culturais, dentre outros, fortemente modificados pelas diferentes epidemias que surgiram. Estamos vivenciando agora uma sem precedentes, na realidade, uma pandemia em um mundo mais globalizado que nunca, onde o trânsito de pessoas e mercadorias nunca circularam tão rapidamente. É como “rastro de pólvora”...

O estimado leitor já deve ter ouvido falar da peste bubônica e da gripe espanhola que dizimaram parcelas consideráveis da população europeia e as profundas marcas que as mesmas trouxeram à sociedade em seus vários aspectos, incluindo sanitários: a busca por melhores condições sanitárias, assepsia em ambientes hospitalares, surgimento de medicamentos etc.

Ao me deparar com o livro “A história da humanidade contada através dos vírus” de Stephan Cunha, há algum tempo, tomei melhor conhecimento de como era a Europa do século passado. Já tinha uma noção por filmes que assisti. Inclusive, nessa semana, fiz uma maratona para assistir os oito episódios da série Freud, da Netflix. Recomendo! Ótima! E lá retrata muito bem a precariedade sanitária de Viena e de outras grandes cidades europeias àquela época, as doenças muitas, a extrema pobreza e como era a medicina. Recordei-me de trechos da biografia de Freud, escrita por Peter Gay, a qual também recomendo para os interessados na psique humana e seus muitos enigmas e mistérios.

Então falta de condições sanitárias adequadas é ambiente fértil para doenças e surgimento de epidemias ou até endemias (doenças de uma dada região), como fica evidente na problemática dos mercados de animais vivos na China, no mercado de Wuhan de onde surgiu o covid-19. Não estou defendendo a China, mas tampouco a ataco, pois por terras tupiniquins temos cá vários problemas sanitários. Não precisamos ir longe, aliás, não preciso nem sair de minha cidade natal.

Lembrando que esse é o terceiro surto dessa categoria de vírus que traz danos pulmonares (SAR’S). O primeiro data de 2012 e já tinha matado, salvo engano, quase mil pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já tinha emitido alerta e essa categoria de coronavírus já constava em uma lista de potenciais epidemias, cujos governantes e autoridades tinham conhecimento. Essa lista infelizmente ainda existe e ainda tem vários microorganismos de várias partes do mundo que podem se tornar epidemias/pandemias. Será que agora agirão, ou melhor, após esse tsunami viral?

No livro de Stephan Cunha descobri a origem do HIV (pandemia oriunda do contato inadequado de caçadores com primatas africanos) e de outras epidemias, todas relacionadas à degradação ambiental e contato inadequado do homem com a fauna silvestre, cujos vários componentes podem atuar como reservatórios naturais de patógenos altamente nocivos ao homem. Esse contato inadequado se dá principalmente pelo desmatamento desenfreado, caça, consumo etc. Tenho feito uma analogia bem simples: é como se nós estivéssemos retirando as cortinas, os filtros de proteção ao derrubarmos tanto as florestas, os ambientes naturais, que nos “defendem” destes patógenos e que, por sua vez, defendem a fauna, a biodiversidade de nossa ganância desenfreada. Proteção recíproca indo ladeira a baixo!

Em minha opinião a pandemia que enfrentamos atualmente é sem precedentes pelo rápido alcance: o mundo nunca foi tão globalizado! Caro leitor não quero assustá-lo, mas sejamos francos: o mundo que existia antes desse terceiro surto, dessa pandemia, não existe mais e nunca mais será o mesmo. Essa pandemia veio dando “bofetões” em nossas caras e “socos” no estômago, na empáfia de sempre do bicho sapiens, no sistema financeiro, nas bolsas, nos títulos, na maldita agenda neoliberal, no capitalismo voraz, nos terraplanistas, nos anticiência e nos anti-intelectualistas que saíram recentemente de suas “catacumbas”, das quais nunca deveriam ter saído. Voltem!

Escancarou quão malvado é este sistema onde o cidadão, o trabalhador é só um grão de areia na beira de uma praia poluída, jogado pelos grandes empresários, rentistas e políticos vendidos na linha de frente do vírus, nas valas, a sete palmos diante de um sistema de saúde público sucateado (corte de 30% recentemente). Tanto faz. Morreu se substitui por outro e assim por diante, desde que não seja ele: elite, rico, branco, que no Brasil verde e amarelo representa menos que 5% da população. Tudo bem...

Mas o covid-19 é teimoso e amigo de ninguém e teima em matar dono do Santander e outros abastados mais e contaminá-los também os que podiam viajar de jatinho pra cima e pra baixo, de um país para outro, de Paris à Dubai. Alguns terraplanistas e “malucos” ainda continuam teimando. Como li em outro livro muito bom, Neanderthal de Silvana Condemi e François Savatier: a obstinação do sapiens por crescer demasiadamente provavelmente o levaria ao ápice e também ao declínio. A Amazônia brasileira, por exemplo, como vai pode ser “celeiro” de novas epidemias (chegou a 273% de aumento de desmatamento em 2019). Lembrem-se da tal lista da OMS: provavelmente outras epidemias/pandemias virão e como estaremos preparados dependerá d emudanças drásticas de postura de autoridades e das diferentes sociedades. E não venham destruir a imagem do INPE não. Quero ouvir dizer que a NASA dos Estados unidos estão mentindo também, afinal, atualmente, no Brasil, cientista é sinônimo de mentira, de lesa pátria, de sucateamento (corte de 42% na miséria já disponibilizada para Ciência). Agora correm atrás das “Genis” da vida pedindo socorro e serão socorridos, pois o povo está acima disso. As “Genis” se deitarão com o comandante do enorme Zepelim. Provavelmente, após o comandante e seu zepelim irem embora voltarão a jogar “merda” nas Genis e manda-las para Cuba, Venezuela e outros países.

Tanto por escrever. Paremos por aqui. Sugiro que leiam também do escritor israelense Yuval Harari: Homo sapiens, Homo Deus e 21 lições para o século 21. O último não li, ainda vou ler, mas acredito piamente que é muito bom, pois foi indicação de uma grande pesquisadora a quem tanto admiro a querida Dra Iracilda Sampaio. Obrigado pela leitura. Se precisar de remédio para azia não hesite, pois é bem indigesto mesmo, senhores. Até mais.

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