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Cineas Santos

Por que estamos onde estamos

Com a autoridade de quem labuta com cultura há mais de 40 anos, posso afirmar: não é por omissão nosso que o Piauí continua nessa leseira.

06/01/2020 11:19h

Por que estamos onde estamos

Os artistas piauienses (não gosto da palavra artista) produzem muito. Quanto à qualidade, concordo com o cidadão que afirma: “Nossos produtos são bons, mas o endereço é complicado”.

Um estado que tem poetas do nível de H. Dobal, Mário Faustino, Torquato Neto, Paulo Machado, Graça Vilhena, para citar apenas os mais festejados, integra o primeiro escalão da moderna poesia brasileira. É sempre complicado citar nomes: corre-se o risco de pecar por esquecimento. Mas nas artes plásticas, por exemplo, de Afrânio Castelo Branco a Gabriel Archanjo, há um número de extraordinário de pintores pintando o sete. E olha que a cidade não tem uma galeria de arte, não tem marchand , não tem mercado. Certa feita, Antônio Amaral, cujo talento não cabe nele, me perguntou: “Vaqueirinho, eu vou pintar pra quem?”. A mesma pergunta poderia ser feita por poetas, músicos, dramaturgos, bailarinos, etc. O problema maior continua sendo mercado. Já disse e repito aqui: se  1% dos teresinenses consumisse os produtos culturais produzidos na Chapada, já teríamos um embrião de mercado, o que seria um alento. E que não se alegue que somos pobrezinhos: proporcionalmente, há mais carros importados circulando nas ruas de Teresina do que em São Paulo. O problema é de outra ordem.

As instituições públicas responsáveis pela cultura no estado continuam produzindo ou promovendo eventos esporádicos. Não existem políticas públicas voltadas para a cultura. Por oportuno, vale ressaltar, o Piauí não possui um plano estadual de cultura, o que implica dizer: está perdendo dinheiro. É inegável que o secretário de cultura do Piauí, deputado Fábio Novo, vem realizando um trabalho extraordinário, mas  o que faz está muito ligado ao prestígio dele junto ao governo e às instituições. Não é uma política de estado.

Os empresários, por seu turno, ainda não perceberam que patrocinar cultura agrega valor, gera emprego, amplia horizontes. Veja o caso do SIEC: os produtores culturais aprovam bons projetos, mas não captam recursos para viabilizá-los. O caso mais emblemático é do Salão do Livro do Piauí (SALIPI): sucesso de público, louvado e festejado, o Salão teima em sobreviver graças ao empenho pessoal de um punhado de “quixotes”, um eufemismo para designar “idiotas”. Ninguém se dispõe a investir num produto silencioso, com enorme poder de mudar o mundo: o livro.

Por temperamento, nego-me a ser pessimista. Com todas as dificuldades imagináveis e mais algumas, vamos continuar fazendo cultura. Quem viver verá. E viva cultura piauiense.


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