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Cineas Santos

A panela e os trecos

Na semana passada, um desses poetastros que infestam a Chapada declarou: “Hoje, em Teresina, quem não fizer parta da panela do Cineas está à margem de tudo”.

13/10/2019 07:51h

Já me brindaram com muitos “elogios” infames; este foi um pouco além. O cidadão me atribui poderes que nunca tive, não tenho nem pretendo ter. Desde que iniciei a minha labuta com o fazer cultural, há 50 anos, estabeleci como princípio: se eu não puder ajudar, não atrapalharei. Assim tem sido e assim será.

Como sou agregador, gosto de trabalhar com pessoas. Desde o primeiro livro que editei em Teresina em 1976, fiz questão de contemplar um punhado de poetas. Eu e Paulo Machado editamos Ciranda, uma coletânea com seis poetas do Piauí. Depois, fizemos Aviso prévio, O rio, Ô de casa!, Mão dupla (com poetas do Piauí e do Ceará),Baião de todos (1), Baião de todos(2). Ao todo, são mais de cem autores. Agora, com Adriano Lobão, estou preparando   Caçuá, uma coletânea com mais de 30 contistas piauienses. Alguns eu nem conheço. Então, o critério de seleção é o mérito e não o compadrio. Trabalhar coletivamente é diferente de construir panelas.

Em outro momento, declarei: a minha “fama” só me atrapalha. Ninguém fala dos meus livros, ninguém escreve sobre o meu trabalho, ninguém me inclui em nenhuma coletânea. O raciocínio é o seguinte: esse cara já tem poderes demais. Não podemos adubar-lhe a vaidade. Já afirmei e reafirmo aqui: a minha vaidade cabe em mim.

Editei todos os autores de expressão do Piauí, promovi eventos culturais, divulguei e divulgo a cultura piauiense no Feito em Casa, estou sempre disposto a ajudar. Não bastasse isso, não trabalho com dinheiro público, não estou concorrendo a nenhuma vaga em nenhuma das muitas academias piauienses, não quero o lugar de ninguém. Sou um livre atirador.

Quando fazíamos o Chapada do Corisco (1976), jornalzinho alternativo que circulou por mais de um ano em Teresina, um dos colaboradores comentava com os outros: “Estamos pavimentando a carreira política do Cineas”. Ele próprio me confessou e pediu desculpas por me julgar um arrivista. Como digo o que quero, não deixei barato: “O gato, do que usa, disso cuida”.

Por fim, uma provocação: se você quer participar da panela do Cineas, faça por merecer. Eu só trabalho com os bons. Nada além.


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